Michel se levantou cedo, enquanto Lia continuou dormindo até as nove.
Como a noite entre os dois havia sido intensa e cheia de amor, ele preparou ovos mexidos, um cafezinho e torradas.
Na cama, o nariz de Lia se moveu ao sentir o aroma.
Levantando-se, deu alguns passos nas pontas dos pés.
Saltando nas costas de Michel, cruzou as pernas em sua cintura.
— Hehe. Esse é o homem da grande Lia. Isso está cheirando bem... digo, o seu pescoço.
Michel riu.
Virando o rosto para o lado, puxou levemente a cabeça dela e beijou sua testa.
— Você dormiu muito, Lia. Vamos nos atrasar para o treino.
Ela corou levemente.
— E a culpa é de quem?
Lia lhe deu um mata-leão, do qual ele não parecia sentir absolutamente nada.
— Você pensa que eu sou uma máquina do amor... Como uma fera antes acorrentada, você me devorou incansavelmente.
Houve um breve silêncio entre os dois. Então, os dois caíram na risada.
Depois de comerem, como já estavam atrasados, Lia desistiu do treino e seguiu para a pequena empresa de investimentos que havia aberto.
Já Michel foi gerenciar sua academia e seguir seu cronograma.
Sentada em seu escritório, um sorriso arqueou os lábios de Lia.
“Hehe. Ora, tenho que dar meu toque pessoal em cada capítulo.”
— Olá, meus queridos leitores! A grande Lia está de volta! Sentiram minha falta?
Ela tomou um gole de café.
— O Michel é um pouco perfeccionista ao escrever... por isso estou revisando.
“Hoho. Meu querido Michel, você não contava com a minha astúcia.”
— Podem confiar na mãe! Tudo neste texto é cem por cento verdadeiro.
Segundos depois...
— Lia, você já está mexendo no texto de novo? Esqueceu que ele é vinculado ao meu e-mail?
Michel suspirou, mas um sorriso sutil surgiu em seus lábios.
— Parece que hoje à noite terei que ensinar uma lição à minha linda esposa.
Lia engoliu em seco.
— Michel... estou com dor de cabeça... infelizmente.
— Não se preocupe. — respondeu Michel. — Como seu marido, é meu dever estar prevenido. Tenho todos os analgésicos para dor de cabeça.
Lia balançou a cabeça em desamparo.
Algumas de suas funcionárias até riram. Aquilo já era comum para elas.
Lia acabava lendo as mensagens em voz alta, arrancando-lhes boas risadas.
— Michel, na verdade, é dor no corpo...
Sem demora, ele acrescentou:
— Tenho todos os medicamentos para qualquer possível necessidade, meu bem! — afirmou, confiante.
— Aff!
— Além disso, Lia... se planejamos ter filhos, temos que seguir a orientação médica.
Ela suspirou, frustrada.
— Michel, seu...
Ele não lhe deu tempo para argumentar.
— Ordem médica. Três vezes ao dia. Estou apenas cumprindo a prescrição.
Mais uma vez, Lia leu a mensagem em voz alta, esquecendo-se das duas garotas que a auxiliavam.
As duas tentaram ao máximo não rir.
Aproveitando o abalo que causou em sua amada, decidiu se desculpar com os leitores.
— Pessoal... é o Michel. Eu sinto muito pelo ocorrido. Minha esposa é um pouco teimosa.
Lia sorriu amargamente lendo seu comentário.
— Sim, galera. Essa pobre alma dará um bom capítulo para vocês.
— Lia, se você disser isso — comentou Michel —, parecerei o vilão...
Ela apenas esticou a língua e fechou o documento, sem digitar mais nenhuma resposta.
“Hehe. Meu querido Michel... você mexeu com a mulher errada. Hoje à noite vai se arrepender.”
◇◇◇
Lia vagou um pouco pela loja de conveniência e voltou para casa após uma hora.
Por algum motivo, sua mãe parecia ainda mais cansada. Se não fosse o sorriso em seu rosto, ela pensaria que estivesse doente.
Seu pai parecia não ligar mais para o que Lia havia falado mais cedo.
Bem, todos eram assim naquela família. Ninguém ficava com raiva um do outro por muito tempo.
Ela e sua mãe fizeram o almoço de domingo. Lia preparou a feijoada, enquanto sua mãe cuidou do arroz, do macarrão e das verduras.
Seu pai estava assando a carne na churrasqueira, no quintal.
Ao meio-dia e meia, sua irmã chegou.
Sem dar muita atenção à irmã, que não via há um ano, Lia foi logo pegando a coisinha fofa que ela carregava nos braços.
— Ei, nem um boa tarde eu recebo?
Lia estirou a língua para a irmã e brincou com o pequeno sobrinho em seus braços.
Mas sua irmã ainda ouviu o comentário sarcástico dela enquanto brincava com o menino.
— Breninho, você é tão fofo, lindinho e comportado... Como você nasceu daquele projeto de gente? Devia ser algo impossível... Que mistério!
— Você...!
Uma veia quase estourou na testa de Dina ao ouvir aquilo.
Percebendo a raiva no olhar da irmã, Lia se aproximou, abraçando-a enquanto ainda segurava o sobrinho nos braços.
— Hehe... É brincadeira, irmãzinha querida do meu coração. Você sabe o quanto eu te amo!
Dina a encarou por um breve momento antes de suspirar.
— Haa... O que faço com você, minha chata Lia?
Dina não negou o abraço.
Breninho, por outro lado, sentiu-se meio apertado entre as duas e empurrava com as mãos, fazendo todos rirem de sua fofura.
O cunhado de Lia era Kevin, um colega que estudou com ela no ensino médio.
De certa forma, ela foi o cupido entre ele e sua irmã, então ele era muito grato a ela.
Ao entregar Breninho para a vovó coruja, Julieta, Lia se aproximou de Kevin, oferecendo-lhe uma cerveja.
Ele pegou a latinha, ainda um pouco envergonhado.
Fazia um ano que não visitava a casa dos sogros e ainda se sentia constrangido por isso.
— Hehe! Que homão, hein... No primeiro jogo fez um gol e ganhou seu troféu!
— Puff!!
— Puff!!
Tanto Kevin quanto Romeu cuspiram a cerveja.
O rosto de seu cunhado estava vermelho de vergonha.
Seu sogro olhou para ele e fez um sinal de aprovação com o polegar.
Porém, notando seu constrangimento, agiu como se não tivesse ouvido nada.
Mesmo assim, pegou-o pelo ombro e o levou para longe de Lia, que parecia prestes a fazer mais comentários desnecessários.
— Ei, Kevin...
Kevin parou e olhou para ela, esperando que, por educação, ela não dissesse mais nada daquele tipo.
Se seus sogros não estivessem ali, ele responderia à altura, mas não queria perder o prestígio diante deles.
— Cuidado, pois tem gol que vale por três troféus...
Os lábios de Lia se curvaram divertidamente.
Mas Dina, conhecendo sua irmã, logo saiu em defesa do marido.
— Lia, já chega! Você não vê que está constrangendo meu querido?
— Tch! “Você não vê que está constrangendo meu querido?” Maninha, você ficou igualzinha à mamãe.
Dina estreitou os olhos, mas sorriu ao responder:
— Irmã, você deveria casar. Ficar com essas teias de aranha acumuladas está deixando você mal-humorada.
— Puhahaha!
Não teve como segurar. Até seu pai e Kevin, que estavam no outro cômodo, riram.
Lia olhou seriamente nos olhos da irmã.
— Parece que seu veneno está mais potente, cascavel!
— Lia, do que você está chamando sua irmã? Tenha vergonha.
— Mãe, não se faça de inocente... Esse vocabulário venenoso é herança por parte materna!
— Você...
— Ei, pirralha! Pare de implicar com sua mãe e sua irmã. Vá à conveniência comprar mais cerveja.
— Certo, pai! — gritou Lia ao sair em direção à porta.
Contudo, antes de sair, olhou para a irmã.
Nas fotos que viu anteriormente, sua irmã sempre estava por perto.
— Ei, mana...
Ouvindo seu chamado, Dina olhou e viu Lia sorrindo calorosamente para ela.
— Fico muito feliz por você, minha irmãzinha. Você agora é uma linda mamãe!
Ao terminar de falar, Lia abriu a porta e saiu, olhando apenas uma última vez para o rosto surpreso da irmã, que sorriu sem jeito.
Contudo, ainda escutou a voz da mãe ecoar após fechar a porta:
— Se está feliz mesmo — disse Julieta — aproveita que vai sair e volte com um genro para mim!
Seu pai complementou:
— Isso mesmo, Lia. Eu não quero morrer sem ver os filhos da minha mais velha!
O rosto de Lia enrubesceu, e ela saiu praticamente correndo, pois algumas vizinhas, sentadas em suas varandas, escutaram e riam divertidamente.
“Essa minha mãe é realmente vingativa... e meu pai está sempre à espreita para dar o bote.” Pensava ela enquanto se afastava em longos passos.
◇◇◇
Nota de Michel: Como suspeitei. Quando minha esposa voltou para casa, ela não parecia saber o que tinha acontecido entre os pais. Então, acho que devo retirar a parte em que os pais dela estavam se amando no banheiro...
Nota de Lia: Continuem ignorando o Michel. Ele não sabe de nada! Eu, Lia, não minto! Hoje à noite vou surpreendê-lo para deixar de ser xereta...
Hehe. A mãe tá potente!