Era sábado, e Michel e Lia normalmente trabalhavam até o meio-dia, em home office, gerenciando seus empreendimentos. Mas, depois da noite passada, Michel achou melhor que os dois folgassem.
Preparou o café da manhã e ainda sorria ao lembrar do que sua esposa aprontara anteriormente.
O relógio marcou dez horas da manhã quando Lia se levantou.
Com o rosto ainda sonolento, caminhou até a cozinha.
Ao ver Michel de pé, sem camisa, pareceu despertar de vez.
Tomando cuidado para que ele não a notasse, aproximou-se e o abraçou por trás.
— Batman... você acabou com sua querida Gatinha ontem à noite.
O rosto de Michel corou.
Mas Lia não parou com a provocação.
Sua mão direita desceu lentamente pelo abdômen definido do marido e apertou algo que enrijeceu ao seu toque.
— Realmente... hehe... seu sobrenome é Preparo! Esse seu bastão está sempre pronto!
— Lia...
Michel virou-se rapidamente e a pegou no colo.
Sendo baixinha, com apenas 1,50 m, não era difícil erguê-la.
Em seguida, beijou-a calorosamente até ela ficar sem ar.
— Não mexa com o Batman quando ele está em modo caseiro... é perigoso!
Os dois riram em seguida.
Lembrando-se de que sua esposa ainda não havia tomado banho, levou-a para o banheiro.
— Espera, Michel... eu tomo banho mais tarde! — Lia gritou.
Ele simplesmente a ignorou.
Entrou no banheiro e colocou a banheira para encher. Enquanto isso, tirou a roupa de Lia, que ainda se fazia de difícil, e a colocou debaixo do chuveiro.
— Não é porque você é a Mulher-Gato que precisa andar fedendo a rabugem, ainda que isso não mude o meu amor por você!
Lia ficou de boca aberta e se cheirou um pouco, fazendo uma careta em seguida.
Uma mistura de suor, cheiro azedo e outras coisas que era melhor nem comentar.
— Você deveria medir suas palavras, Michel... como pode machucar o coração da sua inestimável esposa?
Michel balançou a cabeça e derramou sabonete líquido sobre o corpo dela, com um sorriso sugestivo.
— Isso me lembra a nossa lua de mel... só que era numa cachoeira.
Lia, como era preguiçosa por natureza, simplesmente o deixou lhe dar banho.
Lembrou-se daquele dia específico ficando corada com a lembrança.
— Michel, você está me estragando... vou ficar mal-acostumada.
Sem dizer nada, ele tirou a cueca que ainda vestia.
— Acho que tenho que conferir se essa Mulher-Gato deixou de ser uma vilã... — sussurrou em seu ouvido, deixando-a vermelha.
— Miau! O Batman não cansa...
Como sempre, os vilões de Gotham precisavam ser testados, e Michel estava determinado a ter certeza de que sua adversária havia realmente se convertido ao bom caminho.
Algum tempo depois, foram para a banheira e permaneceram ali por mais uma hora.
Quando saíram do banheiro, a comida já havia esfriado.
Lia tocou levemente a barriga, que roncava.
— É sua culpa, Michel!
Um estalo surgiu.
A mão dele desceu em um leve tapa na bunda de Lia.
— Kyaa!
— Quem chegou pegando onde não devia assim que acordou foi você, minha querida Lia. — Ele sorriu ao se sentar à mesa para comer.
“Esse Michel... ele tem ficado muito ousado... isso com certeza não é influência de uma mulher inocente como eu.”
Ela se sentou ao lado dele, e os dois comeram.
Depois, Michel foi fazer alguns treinos de calistenia em um cômodo livre.
Lia, por outro lado, sorriu maldosamente.
“Tenho que aproveitar para deixar o livro mais realista.”
Rapidamente foi até a bancada e começou a editar.
Seus dedos não paravam, e uma risada brincalhona escapava de seus lábios.
“Você me venceu algumas vezes, Michel, mas esta Lia nunca desiste.”
Terminando a edição, fez o de sempre.
— Gahaha! Sentiram minha falta? Esta grande mãe veio dizer que o próximo capítulo promete!
— Vocês verão o quão perigosa é a família Silvan e o quanto o malvado Batman se aproveita da minha inocência.
Suspirou fingindo tristeza.
— Não se esqueçam desta magnífica Lia, meus leitores. Desejo um bom capítulo para vocês.
Minutos se passaram.
Michel percebeu seu celular vibrar. Olhando de relance, viu algumas mensagens no e-mail.
Ele abriu o documento.
“Por que ela exagera tanto?”
Soltando um suspiro, editou algumas coisas.
“Dois podem jogar esse jogo, minha amada Lia.”
Em seguida, deixou uma mensagem para os leitores.
— É o Michel novamente. Esse texto não é muito confiável, cuidado, leitores.
Lia, que assistia a uma série no notebook, viu as notificações.
— Michel, deixe de tentar virar meus leitores contra mim... Esta sua esposa é tão fiel e verdadeira. Ignorem-no, gente, ele é um intrometido.
— Aproveitem o capítulo a seguir... ^_^
◇◇◇
Michel parecia não escutar. A intenção de Lia era apenas brincar; ela nunca imaginou que sua brincadeira tomaria tais proporções.
Como se levasse um choque e apagasse por um instante, ela foi conduzida por Michel até a casa dela.
Quando voltou à realidade, os dois já estavam dentro da casa.
Seus pais estavam sentados à mesa com expressões sérias, enquanto Michel estava sentado à frente deles.
Dina ria baixinho junto com Kevin ao assistirem à cena.
Lia estava completamente sem reação.
— Senhor e senhora, eu posso me casar...
— Sim, por favor! Seria uma grande honra para nós! — Sem esperar que ele terminasse a frase, Romeu levantou-se e respondeu.
Sem demora, colocou uma das mãos sobre o ombro dele, como se temesse que Michel mudasse de ideia e fugisse.
O olhar de Romeu encontrou o de Dina, que rapidamente correu para trancar a porta e as janelas da casa, escondendo a chave em seguida.
Como se despertasse de seu transe, Lia ia dizer que tudo não passava de uma brincadeira.
Porém, sua mãe foi mais rápida, tampou sua boca com uma das mãos e a arrastou para o antigo quarto de sua irmã antes que ela pudesse falar qualquer coisa.
Tudo aconteceu muito rápido. Era como se os Silvan fossem uma família militar altamente treinada.
Kevin permaneceu a poucos centímetros de Michel para impedi-lo de fugir, seguindo as instruções que seu sogro lhe dera caso uma situação tão impossível e milagrosa como aquela acontecesse algum dia.
— Você sabe que não pode mudar de ideia depois, não é? Não aceitamos devoluções. Ela será sua responsabilidade!
— Pai!
Lia, que ouvira seu pai, não conseguiu deixar de gritar do quarto, perplexa.
— Calada, minha filha! Você não sabe que estamos fazendo isso para o seu bem? Não podemos deixar esse troux... quero dizer... esse bom homem, de coração imenso, escapar!
Lia se calou, mas não porque seu pai mandou, e sim por estar sem palavras diante de tamanho absurdo.
Romeu, por outro lado, não perdeu tempo.
— Certo, meu genro. Se está tudo de acordo, assine aqui, no canto direito deste contrato, e depois coloque seu polegar no canto esquerdo, abaixo.
Disse ele, mostrando um contrato que estava escondido dentro de um vaso de flores artificiais no centro da mesa.
— Isso seria...?
Michel não deixou de perguntar, por não entender a situação.
Ele não imaginava que pedir a permissão dos pais de Lia para se casar seria algo tão burocrático.
— Claro que é um contrato.
Romeu suspirou pesadamente, tentando controlar sua alegria, e demonstrou seriedade no olhar.
— De acordo com o que está escrito, se você estiver mentindo ou mudar de ideia, terá que indenizar nossa pobre família por nos dar falsas esperanças.
Ao dizer isso, Romeu lançou um olhar para Kevin.
Ele estava pronto para agir. Caso Michel pretendesse se recusar a assinar o contrato, os dois agiriam em conjunto para forçá-lo.
Claramente, aquilo era pelo bem maior. Os policiais da cidade já haviam concordado em fazer vista grossa para isso.
Os advogados em um raio de até três quarteirões também apoiavam a ideia. Havia até vários juízes que aprovavam aquelas medidas drásticas.
Isso mostrava o quanto Romeu se importava com o futuro de sua filha, Lia.
Michel compreendeu a situação e até gostou que fosse daquela forma, pois aquilo demonstrava o quanto a filha era realmente estimada por eles.
Após ler o contrato, concordou com o que estava escrito e assinou.
Mas, naquele momento, ouviu o grito de Lia, que conseguira abrir a porta do quarto.
— Esperem todos!
Julieta não perdeu tempo e logo lhe deu uma bronca.
— Filha, essa é a oportunidade da sua vida... e da nossa também! Então não estrague tudo e pare de fazer birra!
— Mãe, você...
Lia estava incrédula com o que estava acontecendo.
— Mãe, esse é o Michel... — murmurou Lia, sentindo-se completamente desamparada.
Os olhos de Julieta se arregalaram. Em seguida, seu rosto escureceu.
— O quê?! Oh, meu Deus!
Rapidamente, deixando Lia no quarto, ela saiu correndo para a cozinha.
— Amor, pare! Não podemos fazer isso!
Romeu ficou perplexo com a reação de Julieta.
— Querida, do que você está falando? Não teremos outra chance como essa!
Dina rapidamente se aproximou, concordando com o pai.
— Sim, mãe. Essa chance é única na vida!
Por um momento, encarou sua irmã Lia.
— Se a mana não desencalhar agora, vai afundar no porto por causa da ferrugem, sem nunca ter velejado.
“Essa cascavel venenosa... e eu, como boa irmã, ainda arrumei o Kevin para essa ingrata.”
Lia se sentia completamente traída por sua família. Pensava até que aquela era a vingança deles pelas coisas que fizera no passado.
Diante daquele alvoroço, Michel tomou um gole de café enquanto assistia à situação se desenrolar.
Hoje ele entendeu que o casamento era realmente algo muito importante.
Mesmo com o contrato, eles ainda tinham muita dificuldade em entregar Lia para se casar com ele.
Michel sentiu-se feliz por ter vindo direto para a casa dos pais dela, ou talvez eles nem permitissem que ela fosse sua esposa.
“Como não gostar dessa família cheia de afeto?”
Refletiu com ternura.
“Realmente, o Sr. Romeu e a Sra. Julieta sempre foram assim. Mesmo quando eu ainda era novo, recebi bastante carinho dos dois.”
Pensou ele, sorrindo calorosamente ao lembrar dos velhos tempos.
Com um longo suspiro, Julieta colocou as duas mãos sobre os ombros de seu marido, que estava sentado.
Seus olhos o encaravam com seriedade.
— Querido... esse é o pequeno Michel. Não podemos fazer esse mal para ele!
O silêncio tomou o ambiente por um momento.
— O quê?! Michel? — Romeu levantou-se trêmulo, encarando o jovem sentado a poucos centímetros dele.
◇◇◇
Notas de Michel: Apesar dos exageros de minha esposa, este capítulo transmite o amor fraternal desta querida família. O Sr. Romeu e a Sra. Julieta sempre foram como pais para mim. O amor em suas palavras e o carinho por Lia são inquestionáveis.
Notas de Lia: Tch! Minha bunda com “fraternal”, Michel... Por sorte, você era o cara certo, ou pobre de mim! Eles armaram um plano tão elaborado por trás das costas de sua inocente filha... Como podem?
Notas de Romeu: Meu genro de ouro disse que minha filha amada estava arruinando meu prestígio... Lia, se não quiser que eu conte a todos o motivo de todo esse preparo para você casar, é melhor não falar demais!
Notas de Julieta: Sim, minha filha. A mamãe ama tanto você... Como pode falar uma coisa dessas? E, aliás, quando vou ver os filhos da minha mais velha? Breninho já tem cinco anos e está querendo agir de forma independente. Você já deveria ter um filho para esta vovó brincar.
Notas de Lia: ...Sem comentários. Michel, você está cada vez mais parecido com o Batman. E... você mexeu no texto, seu safado estratégico.
Tchau, minha gente. Esta pobre alma vai chorar em um canto. Todos estão contra mim!
;_;
A mãe hoje não está potente...