Já fazia três dias desde que o capítulo do casamento foi concluído e, claramente, Lia se manteve firme, não permitindo que o Batman visitasse a Batcaverna.
“Droga... Por que Michel tem que ser tão bonito e gostoso? Ele fica andando de um lado para o outro com essa cueca sexy.”
Ela estreitou os olhos.
“Isso deve ser uma estratégia dele para me seduzir...”
Por um momento, ela encarou o volume na cueca de seu marido e, sem perceber, lambeu os lábios.
“Kyaa! Lia, não caia nesse laço! Droga... Esses olhos traidores...”
Lia cobriu o rosto com ambas as mãos. Todavia, ainda observava pelas brechas entre os dedos.
Ela mordeu os lábios.
“Maldita cueca! Isso é claramente uma arma psicológica!”
Suspirou profundamente.
“Se continuar assim, Lia, quando o livro for publicado, como vai ficar sua imagem? Você deve ser uma guerreira!”
Lia esteve travando uma grande batalha interna durante esses três dias e, a cada dia, a luta se intensificava.
“Além do mais... Como ficará sua moral nesta casa se você ceder a essa deliciosa tentação?”
Após fugir daquela visão aterradora, Lia andou de um lado para o outro no banheiro, organizando seus pensamentos.
Um calor subia por seu corpo. A Batcaverna clamava desesperadamente pelo Batman, mas ela cerrava as pernas com toda a determinação que ainda lhe restava.
De repente, teve uma ideia.
Um sorriso malicioso tomou seu rosto.
— Gahaha!
Para Michel, a situação não era muito diferente. Ele até usou uma grande estratégia e pediu para a mãe de Lia intervir a seu favor, mas, infelizmente, sua esposa era teimosa e vingativa.
Ele suspirou pesadamente.
Fazer amor de três a quatro vezes por dia o deixou mal-acostumado.
Sem escolha, fez um treino pela manhã, tentando esquecer esses desejos.
Mas sua esposa era maldosa, isso sem dúvida. Sabia da situação dele e, mesmo assim, ficava andando pela casa apenas com uma longa camisa branca, quase transparente, sem nada por baixo.
Ele engoliu em seco, admirando sua beleza, mas não tentou nada. Respeitava a decisão de sua amada.
“Ainda bem... Serão apenas mais quatro dias e poderei retornar à Batcaverna...”
Naquele dia, Lia e Michel seguiram, cada um, sua rotina.
Mais uma vez, sua esposa inventou desculpas para pular o treino e seguiu para sua empresa, enquanto ele foi gerenciar sua academia.
As horas passaram, e Lia saiu três horas mais cedo, deixando o restante do trabalho para suas funcionárias.
Vestindo seu sobretudo, boné e óculos pretos, saiu em sua Mercedes preta.
E, como antes, parou em frente àquela loja suspeita: um sex shop.
“Apenas espere, Bruce Michel. Você vai ser completamente derrotado...”
Ao sair do carro, uma elegante ruiva a esperava com um sorriso sarcástico.
— Passaram-se apenas alguns dias, e minha querida Lia voltou ao empreendimento desta irmã?
Raquel vestia um vestido colado, mostrando todas as suas curvas.
Diante disso, Lia a encarou com desdém.
“Essa destruidora de lares... Tem mais três brutamontes atrás dela... Já deve estar sem pregas.”
— E a minha encomenda, Raquel?
Raquel riu baixinho.
— Claro, está aqui, minha querida.
Um dos homens fortes entregou duas bolsas a Lia.
— Mas por que não entra e se diverte comigo?
Lia tomou um susto ao ouvir essa proposta maligna.
Mas Raquel continuou:
— Veja, tenho esses cinco. Te empresto dois. — disse, apontando para os cinco homens atrás dela.
Lia estreitou as sobrancelhas.
“Com certeza, esta grande Lia jamais colocará os pés onde urubu anda descalço.”
— Sou uma mulher casada, Raquel... Vou fingir que não ouvi tal convite.
Raquel riu com desdém.
— Eu também já fui casada, mas, sabe, não aguentei meus fortes desejos por homens fortes e lindos. — declarou, alisando o peitoral de um deles.
Uma veia saltou na testa de Lia.
— Você deve pensar que fidelidade é uma lenda urbana... Mas não comigo.
Breve pausa.
— Sabe, Raquel... Existem pessoas que eu faço questão de manter bem longe da minha vida. Você é exatamente esse tipo.
Ela respirou fundo.
Pegando as duas sacolas, estava prestes a entrar no carro.
— Você não tem medo, Lia, de que eu conte o que andou comprando a esta irmã?
Lia diminuiu os passos lentamente.
“Então acertei seu ponto fraco, Lia? Hehe!” Pensou Raquel se divertindo.
— É melhor vir com esta irmã. Você não vai se arrepender. Ou, quem sabe, seu marido pode ouvir algo por aí?
Ela olhou de relance para dois de seus seguranças.
— Rapazes, tragam essa minha amiga para brincar com a gente. Logo vai entender o quão saboroso é isso.
Vendo dois daqueles homens andando em sua direção, Lia bufou completamente irritada.
Colocando uma das mãos na cintura, puxou algo.
Tanto Raquel quanto os dois homens recuaram instintivamente.
Um deles tentou sacar um revólver, mas Lia apontou sua arma para a cabeça dele.
— É melhor este gorila ficar quietinho ou posso escorregar meu dedo no gatilho.
Raquel engoliu em seco.
— Espere, Lia... Por que você tem uma arma?
Lia riu.
— Você pensa que uma mulher magnífica e tão rica quanto eu vai andar desprevenida? Além do mais, olhe um pouco em volta.
Sem entender, Raquel deu uma leve olhada ao redor e notou um SUV preto robusto a poucos metros.
Naquele momento, três mulheres vestindo ternos pretos saíram do SUV, duas delas já com armas na mão.
— O que você tem aí nesse coração de cobra chama-se inveja, Raquel. Lembre-se bem: inveja mata!
Seus olhos se estreitaram.
— Não se esqueça de quem foi Lia dos Silvan no passado, Raquel do harém...
Ao ouvir aquele último nome, Raquel mordeu levemente os lábios, incapaz de esconder a irritação. Era uma ferida de seu passado.
Lia porém a encarou seriamente.
— Dizem que o remédio para um doido é um doido e meio! E eu, Lia, sou louca até demais, sabe? Não tenho o costume de levar desaforo para casa...
De volta à Mercedes, Lia suspirou pesadamente.
“Essa tarântula desgraçada sabe que sou casada e ainda... Ela é o próprio Satanás disfarçado.”
— Quase atirei nela só de raiva... — murmurou, apertando o gatilho e fazendo água jorrar da arma.
“Eu deveria ter colocado água benta. Assim exorcizava aquele demônio de uma vez por todas.”
Lia não confiava em si mesma para andar armada, e Michel a proibira veementemente. Ainda assim, naquele mundo perigoso, seus seguranças eram indispensáveis.
Saindo com seu carro de volta para casa, sua escolta veio logo atrás.
Enquanto dirigia, seu celular tocou. Lia sorriu amargamente.
— Olá, Michel do meu coração. Sentiu falta da sua inestimável esposa?
Um pesado silêncio surgiu.
— Lia Oliveira Silvan... O que você andou aprontando?
Ao ouvir seu nome sendo dito de forma tão seca, Lia arregalou os olhos.
“Aquelas seguranças fofoqueiras... E eu aqui pensando em dar um bônus para elas... Não estão merecendo.”
— Michel... Era uma arma de brinquedo. Aquela serpente do Éden estava querendo corromper sua bela esposa... Foi só para assustar.
Do outro lado da linha, Michel deixou o ar sair lentamente, se acalmando.
— Lia... Por favor, você está grávida... Não se meta em problemas...
Respirou fundo.
— Voltarei uma hora mais cedo hoje. Se comporte.
Lia suspirou aliviada por Michel não ter ficado bravo com ela.
“Aquela destruidora de lares... Que influência maligna.”
Lia balançou levemente a cabeça.
“Porque você escolheu esse caminho sujo, Raquel... Você teve a chance de estar bem e feliz...”
Após voltar para casa seguiu direto para o notebook.
— Gente, hoje uma tarântula tentou me corromper, mas, agilmente, eu a pisei e a esmaguei.
Ela suspirou.
— Esta mãe tem sido firme em suas palavras e não cedeu aos charmes de Bruce Michel...
Breve pausa.
— Ainda assim... ele tem usado estratégias baixas... e gostosas. Esse ser é perigoso.
Um sorriso sugestivo surgiu em seu rosto.
— Eu tenho uma maneira de vencer esse mal, mas não posso contar para vocês, meus leitores... Estamos sendo observados.
Ela estreitou as sobrancelhas.
— Mas, no capítulo de hoje, vocês verão Michel por outros olhos e descobrirão toda a verdade.
Enquanto Lia tentava virar os leitores contra ele, Michel, por outro lado, terminava seus afazeres. No entanto, as notificações de seu e-mail o fizeram suspirar.
Ao ler as mensagens, balançou a cabeça em desamparo.
“O que essa minha esposa está inventando agora?”
Esses dias sem ter Lia em seus braços o deixaram um pouco mais estressado. Treinar tem sido sua válvula de escape.
"Haa... Eu não era tão cheio de desejos assim, mas agora sou completamente louco por você, Lia... e te quero a todo momento."
Pegando o celular, digitou:
— Ter Lia como esposa é um sonho de infância... e um desafio para a vida toda. Aproveitem o capítulo e, claro, leiam com atenção.
◇◇◇
Um avião seguia voando com destino a São Francisco, Califórnia.
— Kyaaa!
— Oh, meu Deus! Quem está gritando em pleno voo?
Michel levantou-se e se curvou para as pessoas que haviam acordado com o grito de Lia.
— Me desculpem. Minha esposa acabou tendo um pesadelo. Peço perdão por acordá-los.
— Lia... você não deve gritar assim no avião. As pessoas estão dormindo — disse Michel, tocando levemente o ombro dela.
Os olhos de Lia quase saltaram do rosto.
— Quê?! Avião?
Lia olhou para a direita e viu o céu escuro e as nuvens passando.
Ela voltou a se deitar na poltrona reclinada, levando uma das mãos ao rosto, completamente perplexa.
Em seguida, sua mão se moveu rapidamente.
— Ai! Por que você me beliscou?
Michel franziu as sobrancelhas, incomodado com o beliscão sem motivo.
Lia o beliscou ainda mais forte, retorcendo a pele que segurava.
— Ai, ai, ai...!
— Como isso aconteceu, Michel...? A gente está casado mesmo? E por que estamos em um avião?
Lia parecia desesperada, mas era como se Michel não notasse.
— Sim, Lia, como você sugeriu... então por que tanta violência?
— Violência, Michel? Kyaa! Que raiva!
Lia puxou o ar, tentando se acalmar, mas o olhar sonso de Michel a deixava ainda mais irritada.
Respirou fundo.
— Violência, Michel — disse lentamente, porém em voz alta — vai ser quando eu arrancar sua cabeça e a jogar para fora deste avião!
— Shiii!!
— Lia, fale baixo! As pessoas querem dormir. Mas acho que sei o que é isso...
Colocando uma das mãos no bolso, puxou algo.
— Você está de TPM, né? Minha mãe disse que as mulheres ficam irritadas quando estão nesse estado... mas eu vim preparado.
Disse ele com um sorriso, mostrando uma barra de chocolate que havia tirado do bolso.
Uma veia parecia quase estourar na testa de Lia. Ela estava vermelha como uma pimenta. Sentia que poderia matar Michel a qualquer momento.
— Michel... sabe onde eu tenho vontade de enfiar esse teu chocolate?
— Hum... se você não quiser, é só dizer. De qualquer maneira, ele não estraga. Eu gosto de chocolate.
Lia ficou perplexa.
“Você só pode estar fazendo isso de propósito, Michel...”
— Droga! Me passa esse chocolate para cá!
Rapidamente, Lia comeu o chocolate em uma mordida e voltou a dormir bufando.
Michel apenas suspirou, balançando a cabeça sem entender tanto estresse.
“Bem que meu pai falou. Mulheres são realmente complicadas.”
— Mas...
Estendendo a mão, acariciou levemente o rosto de Lia.
— Mesmo irritada, ainda é tão bonita!
Lia permaneceu dormindo até chegarem ao aeroporto.
Ao desembarcar do avião, ela ainda se sentia um pouco desnorteada.
Tudo aquilo parecia um sonho muito estranho.
Primeiro, sonhou que havia se casado com Michel.
Depois, acordou dentro de um avião e descobriu que realmente estava casada com ele.
“Será que ainda estou sonhando?”
Beliscando o próprio braço, fez uma careta.
— Ai... dói!
— Amor, o que foi?
Michel aproximou-se rapidamente, preocupado.
— Amor é minha bunda, Michel... Seu sequestrador!
Michel sorriu e pegou delicadamente a mão de Lia.
— É tão ruim assim casar comigo?
Lia foi pega de surpresa.
“Porra... esse maldito sorriso e esse rosto desnecessariamente bonito.”
— Por que tem que ser eu, Michel? Você esqueceu o que eu te fiz? Você foi embora por minha causa... deixou tudo para trás.
Soltando a mão de Lia, ergueu a mão e acariciou-lhe o rosto.
— Porque sempre vou escolher você, Lia... Você sempre foi o meu sonho.
Por um momento, Lia o encarou. Fechou os olhos brevemente antes de tirar a mão dele de seu rosto.
— Não é assim que se faz as coisas, Michel... você só está reabrindo uma ferida.
Terminando de falar, Lia saiu em direção oposta. Mas, naquele momento, Michel segurou sua mão.
Seus passos pararam.
— Passe apenas esses dias comigo — disse ele. — Não precisa acontecer nada.
Lia observou aqueles olhos que pareciam perfurá-la por dentro. Ela se recordou daquele mesmo olhar de sete anos atrás.
— Você deveria apenas me odiar, Michel... casar com alguém que te ame e não se importar com alguém como eu!
Michel baixou o rosto.
Soltando a mão de Lia, ficou em silêncio.
Ela mordeu os lábios e respirou fundo. Continuou seus passos, cada vez mais longe dele.
— Eu não consigo deixar de me importar com você, Lia... muito menos de te odiar. Mas respeito sua escolha.
Novamente, os passos de Lia cessaram.
— Vamos, Lia. Vou te dar o divórcio.
Lia se abaixou de cócoras no chão do aeroporto, enquanto várias pessoas passavam pelos dois.
Uma lágrima escorreu lentamente de seus olhos.
— Vou passar esses dias com você, Michel... — sua voz surgiu baixa. — Só para entender que não sou a mulher certa para você.
Ela levantou o rosto. Nesse momento, a face de Michel estava a poucos centímetros da dela, apesar de ele ser mais alto.
Ele também estava de cócoras em sua frente.
Estendendo a mão, limpou a lágrima que escorria dos olhos de Lia.
— Não chore... tudo bem se quiser ir.
Lia sacudiu a cabeça.
— Pelos velhos tempos, eu, Lia, passarei esses dias com você e depois... eu vou embora.
Suspirando, Michel se levantou, ajudando-a em seguida.
— Certo, Lia... trate como as vezes em que nossas famílias saíam juntas de férias.
Ela assentiu enquanto colocava uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Você é um pouco louco, Michel... quase tanto quanto eu. Espero que não se arrependa.
Ele riu.
— Eu me arrependeria se nunca tentasse alcançar aquilo que sonhei!
◇◇◇
Notas de Michel: Eu fico feliz por ter segurado sua mão naquele dia, Lia... Foi depois daquilo que aconteceu o acidente e, de certa forma, foi quando você finalmente passou a me enxergar.
Um conselho que deixo para vocês, leitores: tentem até o último momento. Não deixem que o orgulho ou o medo roubem a chance de estar ao lado da pessoa que vocês amam.
Notas de Lia: Meu amor... eu fui uma mulher tão difícil e te dei tanto trabalho, mas você nunca desistiu de mim. Obrigada, Michel, por me escolher mesmo quando eu continuava te rejeitando. Foi você quem me ensinou a amar.
Gente, a magnífica Lia ainda não desistiu de vencer o Bruce Michel... Mas o que eu posso fazer? Continuei completamente atraída por esse bad boy de Gotham...
Mas o meu plano vai funcionar! Afinal de contas, a grande Lia sempre teve muita sorte!
Fim do Volume 1