Levanto a parte superior do meu corpo e suspiro, estou estressado, pois aquele sonho maldito não para de passar em minha cabeça:
(Porque está me deixando?)
Me sento na borda da cama visivelmente cansado, para piorar essas palavras ecoam em minha mente, e se quer sei o que estou fazendo de errado, apenas sei que minha cabeça vai explodir, por que essa garota me afeta tanto?
A Evy e eu já chegamos a tentar uma amizade colorida porque somos amigos de longa data, mas pela nossa proximidade e passado não me lembro de ir além de beijos. Acho que porque eu tinha uns 16 na época, não consigo acreditar que minha visão mudou tanto sobre ela, era só a garotinha que ajudei a salvar de um acidente...
- E hoje é a gostosa que não me deixa dormir.
Eu já estou delirando.
- Merda.
Deito de costas na cama frustrado.
- Por que quando parece que minha vida toma um rumo tudo desanda?
Penso no que Helena me disse ontem: o que a Evy e para mim. A princípio ela é só a garota que cresceu comigo, quase uma irmã, ela sabe meus podres e eu sei os dela.
- Por que é tão difícil?
Parece que chamei atenção do meu pai que estava passando pela porta.
- Que foi Felipe? Está aí gritando sozinho.
- Oi Pai, apenas chateado mesmo, mulheres são complicadas.
- Bom já tivemos essa conversa, qual o alvo da vez? Uma garota nova?
- Também, para a minha tristeza, Evy está no meio.
Ele meio que levanta a sobrancelha.
- A Evy??
Dou a ele um breve resumo, não vou falar para o meu pai como é minha vida, claro.
- Essa Helena é bonita?
- Você ouviu metade do que eu disse, não foi?
- Só tô querendo saber mais relaxa, pelo que entendi parece que ela ainda não confia em você.
Ele diz como se soubesse o diagnóstico completo.
- Como eu disse, elas são difíceis.
- Não me diga? Sério que só descobriu isso agora?
Ele diz tirando sarro da minha cara.
- Estou parecendo um adolescente de 16 anos contando isso para você.
Falo e ele fica do lado da minha cama.
- Isso é verdade, olha filho, leve ela para dar uma volta, converse mais com ela, já sei convide-a para um jantar ou para sair em um lugar divertido.
- Isso não é uma coisa muito antiga de se fazer?
Digo e ele responde me puxando.
- Mas funciona perfeitamente até hoje.
- Valeu pai.
Agradeço
- De nada, obrigado por me embrulhar essa noite.
Ele faz o sinal positivo para mim e abre o sorriso.
- Sabia que está parecendo o Gay sensei do Naruto agora?
Lembro a ele, que abra mais ainda o sorriso.
- Essa é a ideia, então aproveite a primavera da juventude que está correndo pelas suas veias.
Após falar isso, Pablo sai do quarto.
(Realmente um encontro seria perfeito)
Me ajeito e vou para a cozinha.
- Vai um café preto senhor complicado?
Pablo me pergunta formalmente cheio de graça.
- Quero um copo cheio e sem açúcar, por favor.
Falo com um tom de requinte.
- Sim senhor, ficará pronto em 10 segundos.
Nós sorrimos bastante, momentos como esses passaram a ser raros.
- Já ia me esquecendo, pai a Anna mandou um beijo para você.
Digo lembrando.
- A gostosa que é professora de Matemática?
- Saber dessas coisas e com você, mas sim ela mesmo.
- Acho que vou chamar ela para sair novamente, o que você acha?
Ele pergunta como se quisesse opinião.
- Se ela puder me ajudar com os outros professores, tá ótimo.
Dou uma gargalhada.
Ele ri, e olha para a tela do Mac.
- Uma ótima oportunidade acaba de aparecer.
Ele diz sem olhar para mim.
- Oportunidade?
Pergunto não entendendo.
- Vai ter um baile no sábado à noite, e vou levar a Anna.
- Boa ideia
Digo me levantando da bancada.
- Por que você não chama alguém para irmos?
Ele diz com brilho nos olhos.
- Você esqueceu que odeio usar terno ou smoking?
Digo já lembrando ele.
- Não mesmo, até o país sabe o porquê. Mas vou deixar o convite em aberto, ok?
Ele diz e eu fico irritado.
- Eu não vou.
Digo e já vou em direção a porta.
Só de lembrar o que eu fiz no casamento da minha mãe com o Patrick a 7 anos atrás me dá arrepios.
(Se arrependimento matasse eu estava morto a muito tempo)
Pego o elevador até a garagem e vejo que minha moto está suja.
- Como foi que...
Vejo um arranhão e um afundamento na lataria.
- Merda.
Levo ela à oficina Harley Davidson mais próxima enquanto falo com o síndico para olhar a câmeras, e sigo a pé para o trabalho.
Decido avisar a Tom que irei demorar.
- Tom, bom dia.
- Oi Fê, bom dia, algum problema?
Ele me pergunta normalmente.
Sim, alguém atropelou minha moto e ela está toda amassada, mas já levei ela na oficina.
- Onde foi isso? Você está bem?
Pelo seu tom de voz, Tom fica preocupado.
- Relaxa foi na minha garagem, e eu estou bem.
Tento acalmá-lo.
- Que estranho, na garagem?
Ele diz surpreso.
- É uma anormalidade mesmo, tirei algumas fotos e vou mandar para você agora.
- Beleza, quer que Steve te pegue aí?
Tom pergunta.
- Não pode deixar, andar a pé tem suas vantagens.
Digo olhando para uma morena fazendo caminhada vindo na minha direção.
- Tenho certeza de que está falando das corredoras do Central Park.
Como Tom sabe do que estou vendo?
- Tô passando em frente ao lago agora.
- Então em 40 minutos você está aqui.
Espera.... como ele sabe? Pergunto a ele que me responde sorrindo.
- Já andei demais do Central Park até aqui.
- Entendi então falou.
- Falou e aproveite o cenário.
Desligo e reconheço uma certa pessoa, vindo na minha direção.
- Karen?"
Ela para, me olha e me reconhece.
- Fê?
Confirmo com a cabeça e a abraço.
- Há quanto tempo?
- Já tem 7 anos, mais ou menos.
- Realmente já faz um bom tempo.
Ela está usando um top bege, calça legging preta e tênis de corrida.
(Ela continua com esse belo corpo)
- Foi durante um evento, não é?
Pela 2° vez hoje me lembro dessa merda.
- Sim, quando detonei o casamento da minha mãe.
Digo abaixando minha cabeça.
- Você continua fazendo a mesma coisa de antes?
Ela me pergunta e sei onde ela quer chegar.
- Não, aquele dia foi uma merda o que eu fiz.
Confesso porque foi mesmo.
- Mas é claro, fazer uma festa com drogas em paralelo durante uma festa de um casamento não é lá uma ideia muito boa.
Ela me diz disparando flechas.
- Mas você concordou, e inclusive chamou varia pessoas, eu não fico só com a culpa quanto a isso.
Aponto e ela dá de ombros.
- Tá bom isso, eu confesso, agora sobre as drogas...
Ela me olha jogando a culpa de volta.
- Eu já disse milhões de vezes que foi o Ben que levou.
Digo começando a me irritar.
- Calma, não estou te acusando, mas foi o que você disse à polícia.
Ela percebe então abaixa o tom para me sentir leve.
Estou sentindo ou clima de nostalgia que me ajuda a relaxar, e exatamente assim que atuamos antigamente: fazíamos um monte de merda, depois culpamos um ao outro, depois de ficar irritados decidimos isso na cama.
- Se a gente for falar de culpa sobre aquele tempo, eu sempre vou ser o principal.
- E o que o diga, você está morando por aqui agora?
Mudando o assunto, finalmente o clima mudou.
- Bom, foi legal te ver de novo, espero te encontrar novamente qualquer dia desses.
E... Te vejo depois então.
Ela me dá um aperto de mão e volta a correr.
Chego 25 minutos depois do que Tom disse que eu chegaria.
- Eae... Por onde eu começo?
Pergunto a Alex e ele aponta para um Chevrolet.
- Com o SS Competion ali atrás.
Na hora do intervalo vou com Clara até o Burguer King e ambos pedimos o Wholper, e conversamos sobre o que vamos fazer depois da universidade.
Voltamos e dali mais trabalho, às 13:30 pontualmente meu relógio avisa. Não preciso falar com Jack porque ele já sabe.
- Cadê sua moto?
Jack me pergunta.
- Ela passou por alguns problemas hoje.
Digo deixando uma ironia.
- Beleza lá na NYU a gente se vê.
Jack diz e batemos as mãos uma na outra, lembro de uma coisa e pergunto a ele.
- Sabe alguma coisa sobre a Evy?
Pergunto se ele sabe de algo.
- A Becca só me disse outras coisas, mas nada sobre ela.
Fico emburrado.
- Que chato mano.
- Para você ver.
Ele ri, com isso faço o caminho de volta à oficina de moto.
(Que bom que demora apenas 5 minutos de moto até a NYU)
Chego na loja e pago o conserto de US$150 dólares chorando, saio e aperto o acelerador para chegar à universidade.
Entro na sala super atrasado e a professora chama minha atenção, por isso, o resto da tarde passa sem muita agitação. Decido não ir para o refeitório para ter que estudar mais um pouco, perto do final da última aula lembro do que o Pablo disse e mando uma mensagem para Helena.
(Oi)
alguns minutos depois ela me responde.
(Oi vc veio hoje?)
(Ss e pq cheguei mais tarde)
(Entendi)
(Vc topa sair cmg só nós dois?)
(Para onde?)
Ela pergunta e respondo sem ideia.
(Vc decide, o que vc gosta de fazer?)
(Tive uma ideia, q tal boliche?)
Fico relaxado por saber que ela gosta.
(Ótima ideia)
(Mas hj n posso)
Merda.
(Pd ser amanhã à noite?)
Pergunto já implorando por uma boa resposta.
(Ss)
(Passo aí as 20)
(Ok, até)
(Até)
Finalmente fiz isso. Valeu pela ideia, pai.
Chego em casa, vou para a cozinha e coloco a pipoca no micro-ondas, pego uma Shewepers lata e procuro o último episódio que parei de Doctor Who. Pablo chega cedo e simplesmente se deita no outro sofá.
- Que vida boa essa sua.
Ele diz para mim.
- Se eu tivesse outra coisa para fazer...
Respondo e ele cai no sono, desligo a TV e vou para meu quarto. Olho no meu PlayStation e existem milhões de atualizações, escolho um Call of Duty qualquer e começo a jogar no modo online.
4 horas depois finalmente consigo voltar aos meus 14 anos, que é quando eu tinha os dedos rápidos e estratégias melhores. Dou uma olhada no relógio: 02:08, percebo que o meu redor tem 3 latas de Coca vazias, 2 salgados mordidos, 1 pacote de pipoca pela metade e um copo cheio de gelo derretido.
(Na verdade voltei aos 12) penso, tomo o copo com água gelada, termino de comer salgados e jogo as embalagens fora. Olho para o sofá e Pablo não está mais lá, ou seja, foi para a cama, apago as luzes e desligo o PS.
Deito e por vários minutos nada de sono até que lembro do meu pai dizendo:
"Porque não chama alguém para irmos?"
- Será que Helena iria comigo?
Começo a falar sozinho.
- Acho que deveria chamar e conversar com a Evy.... Mas só depois do encontro de amanhã...
Mas vem a imagem das duas se esfaqueando.
- Merda de sonho idiota