Alguns fotógrafos aparecem e tiram algumas fotos na saída do elevador, e Evy segura a minha mão. Quando saem, pergunto a ela:
- Você trouxe aquelas?
Ela me responde rindo:
- Você acha que eu esqueceria do que já fizemos com elas?
Ela abre a bolsa, me entrega uma aliança e coloca a outra.
- No mesmo roteiro?
Evy balança a cabeça como resposta à minha pergunta.
- Agora não tão mentira assim.
Dou um sorriso ao entender isso.
- Por que vocês estão usando isso?
- Anna pergunta curiosa.
- É porque meu pai é um homem de negócios, ele é convidado para esse tipo de baile o tempo todo, e normalmente ele também me convida.
Evy toma a palavra quando faço uma pausa:
- Como o Fê já me levou várias vezes como sua acompanhante, tivemos a ideia de comprar essas alianças de noivado.
Anna entende e comenta sussurrando:
- Está vendo... vocês já cuidavam um do outro sem nem perceberem.
O pior é que, lá no fundo, ela está certa.
Andamos por um corredor até chegarmos a um salão enorme, com várias decorações e até uma pista de valsa. Meu pai nos apresenta a alguns grandes executivos de NY. Conheço alguns amigos de longa data, da época em que apenas visitava o Pablo. Mas começo a ficar desconfortável, pois todos estão me olhando de cima a baixo.
- Você está bem?
Evy pergunta, me avaliando.
- Sim, só sinto que não deveria estar aqui.
Digo, e ela pega uma taça de champanhe.
-Toma.
Ela me entrega, sorrindo.
- É bom você maneirar na bebida, já basta o que me fez passar anteontem.
Ela se aproxima e diz em meu ouvido:
- Foi você que pediu por aquilo.
Paro por alguns instantes reconhecendo a musica que começou a tocar, bem calma e leve da qual me lembro bem.
- Frank Sinatra.
Comento, olhando para o pianista e a banda.
- Tem música melhor para uma valsa?
Ela me pergunta. Passo minhas mãos pelo seu braço até segurar sua mão.
- Me concederia a honra de levá-la para uma dança?
- Adoraria.
Ela caminha junto a mim até onde outras pessoas já estão dançando. Levo alguns segundos para acertar o compasso, já faz mais de um ano desde a última vez que precisei dançar algo.
- As aulas que te dei serviram para alguma coisa.
Evy diz com o rosto colado ao meu.
- Com uma professora tão linda, é impossível não querer ser o aluno número um dela.
Ela sorri e encosta a cabeça em meu peito. Quando a levanta, percebo que alguma coisa a incomodou.
- Você está apertando meu braço, o que te incomodou?
- Uma certa pessoa acabou de chegar.
Fico curioso.
- Quem é?
- É melhor você ver por conta própria.
Ela gira e, quando volta, me vira junto. Olho na direção da entrada e meus olhos vão de encontro a uma garota de cabelos cor de chocolate e olhos azuis da cor do céu. Começo a suar. Estamos perto da mesa onde ela se senta, ela me percebe e me olha diretamente.
- O que ela está fazendo aqui?
Evy pergunta, e já dá para notar que ela está irritada.
- Não tenho ideia, vamos nos sentar.
Saímos da pista e nos sentamos em um sofá de dois lugares, um pouco afastado das mesas. Um garçom passa e pego duas taças, mas Evy acaba pegando mais uma.
- Mas...
Ela aponta discretamente para uma direção.
- Você vai precisar.
Ela diz com um sorriso falso. Viro as duas taças de uma vez e percebo qual é o champanhe que estão servindo.
- Bollinger Rosé 1990, um ótimo champanhe, não acha?
- Como você sabe?
Evy me olha incrédula.
- Foi o mesmo servido em algumas taças na festa de casamento da minha mãe.
Já sabendo do que estou falando, ela pergunta inocentemente:
- Aquele que apareceu nos jornais de todo o país?
- Esse mesmo.
Digo, tentando parecer corajoso diante da tentativa dela de me deixar nervoso.
- E então... como estão indo?
Pablo aparece ao nosso lado.
- Muito bem.
Digo, tentando dar um sorriso de canto.
- Fê, posso roubar a Evy de você e levá-la para dançar?
Dou um suspiro de alívio e olho para Evy.
- É claro.
Ela mesmo responde e se levanta, indo ate a pista de dança com Pablo.
- Você é um rapaz de sorte.
Olho para a minha esquerda e vejo um homem usando smoking; ele tem cabelos negros e aparenta ter uns trinta e sete anos.
- Por quê?
Pergunto sem saber a que se refere.
- Ela.
Ele aponta para a pista, na direção de Evy.
- Sim, ela para mim é mais preciosa que qualquer coisa na terra.
Digo enfatizando, pois sei que ele está de olho nela.
- Daniel Stroll, CEO e Diretor executivo da Oásis.
Ele diz se apresentando e estende a mão.
(Nossa, ele é o chefe da maior empresa de tecnologia gamer do mundo.)
- Felipe Rodrigues.
Me apresento e aperto a sua mão. Depois de ouvir o que eu disse, ele dá um sorriso.
- Então você é o filho do empresário Pablo Rodrigues?
- Exatamente.
Respondo com orgulho do meu pai.
- Você também está no mesmo caminho que seu pai?
Ele me pergunta, e então respondo com profissionalismo:
- Para erguer um nome, não basta apenas um homem trabalhar sozinho; é preciso que seus descendentes continuem o legado para conquistar o tão desejado império.
- Posso ver que a coragem e a determinação do Pablo você tem, mas será que tem força?
Ouço e respondo da melhor forma possível:
- Por isso acordo cedo e dou o meu melhor todos os dias.
Ele põe a mão no meu ombro e diz:
- Vi poucas pessoas da sua idade com toda essa garra. Continue usando seu pai de exemplo que você chegará ao céu.
- Muito obrigado, isso significa muito.
Digo e estendo a mão. Nisso, um outro homem aparece, chamando a atenção dele.
- Senhor Stroll, queria lhe apresentar a uma pessoa.
- Ok. Até mais, Felipe. Apareça na Oásis sempre que quiser.
Ele me cumprimenta com mais um aperto de mão e sai.
Vou até Anna, que está com algumas mulheres. Dá para perceber de longe que ela está pedindo socorro com o olhar. Aproximo-me delas exatamente como fui ensinado a fazer.
- Com licença, senhoritas. Posso levar a senhorita Vernier para uma dança?
Elas se encantam com a minha formalidade, e Anna responde estendendo a mão:
- É claro.
Nos dirigimos até a pista, onde Anna me agradece:
- Obrigada por me tirar de lá.
- Que isso, não precisa me agradecer. Nunca me senti à vontade nesse tipo de evento, apenas venho para me aproximar mais do meu pai.
Ela me faz uma pergunta e sou obrigado a rir:
- Onde aprendeu a ser tão cavalheiro?
- A maior parte em livros, e o resto nos filmes.
- Sabia que seria algo assim.
- Até os ogros podem ser cavalheiros se souberem se portar.
Ela dá um sorriso. Que bom que consegui quebrar o gelo. Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que Anna me avisa:
- Você percebeu uma ruiva olhando para você?
- Sim, ela é uma amiga. Com certeza está meio sem entender o que está acontecendo, porque ontem à noite eu saí com ela e agora estou com a Evy.
Confesso, e Anna faz uma careta.
- Nossa, por que não a chama para dançar?
- Porque a Evy me mataria, já que elas estão disputando quem fica com uma certa pessoa.
Dá para perceber a diversão na minha voz. Com isso, paramos de dançar e decidimos ir até a nossa mesa.
- Ou seja, você está com as duas ao mesmo tempo?
Ela me pergunta incrédula.
- Não, porque já tomei a minha decisão: a Evy é com quem quero ficar.
Por mais que seja engraçado e até divertido ser alvo de uma disputa, isso não vai dar certo, porque há um risco enorme de alguém sair machucado. Então, quanto antes acabar com essa merda, melhor para todos.
Nos sentamos à mesa e comemos alguns petiscos, conversando sobre coisas aleatórias. Depois de um tempo, Evy se senta conosco, após passar um tempo com algumas amigas da faculdade que encontrou.
- O que está achando do baile?
- Tirando a parte da dança... um saco.
Evy diz, e me inclino, aproximando minha boca do seu ouvido.
- Vamos esperar meu pai terminar com Anna para irmos para casa.
Faço menção de afastar meu rosto, mas ela me puxa de volta...
- É bom mesmo. Você vestido assim dá muita vontade de sentar em você.
- É mesmo? Eu sei de um lugar perfeito para isso, se quiser fazer algo.
Com isso, sei que acendi seu fogo. Trocamos um beijo carinhoso e vejo Pablo se aproximando com alguém que já vi antes... Paro para lembrar e percebo que ele é o tio de Helena.
(Mas que merda.)
- Conheçam meu colega Taylor Bacchi.
Anna o cumprimenta primeiro; em seguida, me levanto para apertar sua mão.
- Prazer, sou o Felipe.
- Você deve ser o garoto de quem o Pablo tanto fala.
- Espero que ele fale bem.
Aperto sua mão e ele percebe o anel.
- Parece que teremos um casamento em breve.
- Sim... sim, e... conheça minha noiva, Evy Storm.
Evy se levanta e o cumprimenta. Ela olha para mim e percebe que voltei a ficar desconfortável. O homem sai com o Pablo e ela já se aproxima, curiosa.
- Então, de onde você o conhece?
- Você me conhece bem demais. Bom, ele é o tio da Helena.
Reviro os olhos, e ela me olha séria.
- Eu deveria saber de algo?
- É porque fui buscá-la em casa certa vez, e ele saiu junto com ela.
- Sua situação só piora.
Ela diz, bebendo de sua taça.
Depois que Pablo volta vou até o banheiro, mas, na saída, alguém me esperava.
- Pelo visto você escolheu...
- Oi, Helena. Você está linda.
- Obrigada. Então... a Evy foi a escolhida.
O seu lado brincalhão apareceu.
- Não tive como evitar, a Evy é muito importante pra mim.
- Apesar de não concordar com a sua escolha, não quero que você se afaste.
Helena faz um biquinho de tristeza.
- Isso não vai acontecer, agora você faz parte do nosso grupo.
- Que bom, mas acredito que não vou me dar por vencida.
Lá vem...
- A Evy é uma ótima desafiante.
Digo, e ela sorri, encostando o rosto próximo ao meu.
- Vamos ver quem vence a próxima batalha. Até mais, Fê.
Ela diz, voltando para a mesa dela e me deixando sozinho.
- Como assim? Eu já estou com ela, Helena.
- Eu sei disso, não se preocupe.
Volto para a minha mesa em dúvida sobre esse final.
(Ela não seria maluca de me tentar com algo, não é?)
Pego outra taça e me sento à mesa.
- Como foi com a Helena?
Anna me pergunta, e Pablo volta, já olhando para os lados.
- Aquela é a tal Helena?
- Sim, por que a surpresa, pai?
Confirmo, e meu pai diz algo que me surpreende:
- Ela é prima do Stroll, e o Taylor é um dos principais investidores da bolsa, assim como eu.
- Foi por isso que o Stroll se aproximou e falou comigo?
Ele balança a cabeça.
- Eu nunca o tinha visto conversar de forma tão informal com alguém, como pareceu fazer com você.
Boto a mão no cabelo absorvendo a informação.
- Bem-vindo ao mundo dos negócios, filho.
Pego outra taça para me acalmar, mas Evy volta e a tira da minha mão.
- Vamos?
Pablo me olha aguardando uma resposta, então dou aquele sorriso malicioso que o faz entender tudo.
- Fê.
- Pode falar, pai.
- Podem ir com a M7.
Olho para ele, que faz aquele olhar de "eu dou um jeito", e me lança as chaves.
- Obrigado, pai.
- O carro é seu, então aproveitem a noite.
Cumprimentamos algumas pessoas e descemos até a entrada. Esperamos um pouco e o valet me entrega as chaves. Com isso, saímos em direção ao apartamento da Evy. Pergunto algumas coisas sobre o baile, ela me responde e, logo em seguida, faz o mesmo comigo. A melhor parte é que ela não perguntou nada sobre a Helena.
(Obrigado, Deus.)
Estaciono na garagem interna do prédio e começamos a nos beijar ainda no elevador. Entramos no apartamento e deixamos as roupas espalhadas pela casa.
Depois de 2 horas, nos levantamos tomamos um banho e partiu comida: fazemos algumas panquecas com molho de carne. Assistimos a Doctor Who e Evy dorme no meu colo. Acaricio seus cabelos prateados e beijo sua testa.
Continuo a assistir por mais um tempo, mas aos poucos o sono vem e desabo.
(Não vou me dar por vencida)
(Sou uma ótima desafiante)
(Vamos ver quem vence a próxima batalha)
Acordo com essas vozes na minha mente.
Olho e vejo que Evy se levantou.
- Evy.
Chamo baixinho após olhar o relógio e ver que ainda são 4h da manhã.
- Estou aqui.
A voz dela vem do quarto, então vou até lá. Ela está vestindo uma fantasia de policial muito sexy.
- Olá, senhorita policial.
Ela vem lentamente na minha direção.
- Você precisa ser punido, sabia?
- Posso saber o porquê?
Pergunto, e ela para na minha frente, com o corpo colado ao meu.
- Por ser tão gostoso.
Nos beijamos e voltamos à nossa festa particular.