POV Helena
- Nossa, que festa chata.
Digo isso, mas a grande maioria aqui é de velhos de quarenta para cima. Tento ser paciente e cordial com todos, mas já está impossível de aguentar.
- Taylor, estou indo embora.
Digo. Ele me olha e finalmente cede.
- Tudo bem, quer que alguém a leve até lá?
Taylor me pergunta, e digo que não com a cabeça.
- Está bem... Você está com o cartão?
Coloco a mão na bolsa e o mostro.
- Sempre estou.
Ele dá um sorriso e se despede.
- Boa noite, Helena.
- Boa noite, tio.
Ele sorri.
Vou em direção à saída, mas Daniel me para.
- Você já está saindo?
- Estou cansada e esse baile está muito chato.
Digo, e ele começa a rir de mim.
- Você não está assim por causa daquele garoto, está?
- Até parece. É claro que não.
Apesar de deixar o "não" bem claro, sei que ele não é idiota.
- Helena, você é minha prima, então tenho a obrigação de te ajudar.
Ele estala os dedos.
- Sim, senhor.
Um garçom chega rápido.
- Vá até o Marvin e diga a ele para conseguir toda e qualquer informação sobre Felipe Rodrigues, filho do empresário da Nascad, Pablo Rodrigues, e peça para entregar para a senhorita Helena Jones até amanhã de manhã.
- Estou indo agora mesmo.
O garçom sai.
- Por que tem que se meter na minha vida o tempo todo?
Pergunto irritada.
- Porque não é só para te ajudar, e sim para me ajudar também.
Fico surpresa. O que ele quer dizer?
- Como assim?
- A noiva dele, Evy Storm, chamou muito a minha atenção.
- Noiva?
Entro em modo automático.
- Sim, de acordo com o que eu vi eles são noivos. Estavam usando até uma aliança de noivado, você não percebeu?
(Ele me disse que eram apenas amigos. Será que ele mentiu para mim? Preciso saber mais sobre os dois.)
- Tudo bem, aceito sua ajuda, Daniel, mas também quero informações sobre a Evy.
- Marvin já está pesquisando isso para mim.
Ele não perde tempo.
- Então, até amanhã.
Me despeço.
- Tchau.
Decido voltar para casa de Uber; preciso pensar em tudo que o Felipe disse para mim. Depois de vinte minutos, consigo chegar ao condomínio e passo pela portaria. Subo ao 12º andar, onde fica o meu apartamento.
Passo pela porta e me jogo no sofá.
Preciso pegar pesado contra a Evy se quiser ter o Felipe para mim.
Digo, lembrando dos dois juntos se beijando com desejo.
- Amanhã de manhã, vou saber tudo o que fazer para derrubar a Evy.
POV Pablo
- Nossa, o Felipe está em maus lençóis.
Anna diz enquanto andamos até a casa dela.
- Ele me lembra eu mais jovem.
Anna faz uma cara de ciúme.
- É mesmo? A mãe dele te deu problemas?
- Sim, mas por hoje tenho que dar minha atenção a apenas uma pessoa.
Pego a sua mão, e ela entrelaça a dela na minha.
- Você está fazendo de propósito, não é?
Ela sabe o que eu estou fazendo.
- Talvez.
Digo sorrindo. Com isso, chegamos ao sobrado em um canto do Brooklyn.
- Chegamos.
Sim, é verdade. Foi uma ótima noite, Pablo.
- Mesmo tendo que andar a pé, tenho que confessar que foi mesmo uma ótima noite.
Digo com sarcasmo.
- Até amanhã.
Ela vem até mim e beija a minha bochecha.
- Até.
Digo e começo a andar para casa.
- Pablo!
Anna diz meu nome, e eu me viro de imediato.
- Não quer tomar um café antes de ir?
Dá para ver que sua expressão é de safadeza. Ela, inclusive, lambe o lábio.
- Achei que não fosse me convidar.
Digo, e subimos para o tal café.