
Sejam bem-vindos à minha primeira historia que estou fazendo seriamente, estou um pouco nervoso mas vou dar o meu melhor pra deixar a historia da melhor forma possivel.
Este é um mundo de fantasia com inspiração em RPG e Light Novels.
Aviso previo : A história terá combates e algumas insinuações adultas/piadas maduras, mas o foco é na aventura e estratégia sem nada explicito.
Boa leitura!
Em uma era onde a pólvora era um mito distante e o aço era a única lei, o mundo era moldado pela tríade da força: espada, honra e coragem. O poder não era desenhado por fronteiras, mas pelos quatro soberanos. O Imperador dos Humanos, o Senhor dos Demônios, o Monarca dos Espíritos e o Soberano das Bestas governavam suas terras com mãos divinas e cruéis.
A ambição desses titãs mergulhou o mundo em uma Grande Guerra que deixou apenas cicatrizes profundas na terra e nas almas. O cessar-fogo não nasceu da diplomacia ou arrependimento, mas do mais puro medo. Temendo que os povos devastados se transformassem em uma revolução capaz de derrubar seus tronos, os monarcas selaram uma trégua hipócrita — um equilíbrio frágil sustentado pela desconfiança.
No Reino dos Homens, a liberdade era um conceito decorativo. Sob o punho de ferro de um tirano — herdeiro direto do homem que provocou a última guerra —, o reino vivia sob uma ditadura absoluta. Astuto ao estreitar laços com os monarcas vizinhos, o Imperador trouxe uma era de ouro que silenciou os famintos e fez o reino florescer sobre os ombros da própria tirania.
Mas a paz e o poder são gasolina para a paranóia que se queima em um tirano. Obcecado pela ideia de traição, ele ordenou a criação de seu triunfo final: a Guarda de Elite, feita de monstros em forma de gente. Para forjar esse exército, foi erguida a Academia. Lá, o valor humano era medido pelo sangue derramado em combate.
Entre os convocados para aquele lugar que mais parecia um moedor de carne com contrastes gritantes, estava ele.
O sol mal havia nascido no horizonte quando Alexandre despertou. A manhã fria entrava pela janela um lembrete cruel da realidade. Na mesa de madeira gasta, o banquete era o de sempre: um pão amanhecido e um copo de água.
Antes de sair, seus olhos fixaram no pequeno retrato que parecia observá-lo — o rosto de seus pais, que a guerra havia apagado do mundo.
— Pai, mãe... — a voz de Alexandre saiu em um sussurro. — Hoje é o dia. Eu vou arrancar o nosso nome da lama.
O Reino dos Homens florescia em uma "paz vigiada", e Alexandre sabia que, para quem nada tinha, o exército era a única escada.
Ao chegar ao Grande Salão da Academia, o choque foi imediato. A arquitetura era opressiva e sombria, como se as próprias paredes vigiassem cada passo. Na multidão de jovens nervosos, uma figura se destacava: uma garota de cabelos curtos, vermelhos como fogo, cujos olhos do mesmo contraste pareciam analisar cada pessoa com um desdém silencioso. Ela exalava a aura de quem já nasceu para comandar.
As grandes portas de ferro foram trancadas. O som ecoou pelo salão. O Instrutor caminhou até o centro do palco, e sua voz — profunda e áspera — preencheu o ambiente:
— Bem-vindos à Academia. Vocês estão aqui para serem moldados. Se cruzaram esse limiar, é porque buscam o soldo de um milhão de Morphs ou a glória do Estado. Mas saibam: o exército não é um emprego, mas sim uma engrenagem. E para funcionar, cada peça deve conhecer o seu lugar.
Ele apontou para o estandarte na parede, onde a estrutura do reino estava bordada em fios de ouro:
O Líder Supremo — A sombra onipresente. O Imperador de todos os humanos. Ele é o arquiteto da nossa era; seu nome não é pronunciado, e sua face é um segredo de Estado. Ele é a vontade absoluta.
Primeira-Ministra Lilith — A Face do Trono. Filha do Grande Líder e a única autoridade que pode traduzir os decretos de seu pai. Governa a burocracia e a ordem civil.
Comandante de Brigada — A Lâmina da Nação. A autoridade militar suprema. É quem traduz a estratégia em movimento, governando os generais e o destino das frentes de batalha. Um título que carrega o peso de dez mil vidas.
Vice-Comandante — O Olho da Execução. Responsável pela engrenagem interna do exército e pela aplicação imediata das leis militares. Garante que a vontade do Comandante seja cumprida.
Generais — Os Lordes de Campo. Líderes de esquadra, os braços armados dos comandantes e quem sustenta a soberania das nossas fronteiras.
— Para a maioria de vocês — continuou o Instrutor com um olhar frio — o máximo que o destino reserva é o cargo de soldado. As vagas para oficiais são um privilégio para quem possui não apenas força, mas uma mente capaz de compreender a estrutura. O Exame Oral começa... agora!
Penas de tinta arranhavam o papel em um silêncio tenso. Os primeiros a terminar foram Alexandre e a garota de cabelos vermelhos — bem mais rápido que os demais, com tempo de sobra. Entregaram as provas ao instrutor quase ao mesmo tempo, e ele os encarou com um sorriso de aprovação.
— Uau, meus parabéns. Vocês terminaram a prova rapidamente, e pelo que consegui notar, acertaram tudo.
Alexandre ficou sem jeito, esfregando a nuca.
— Bem... eu estudei bastante, então... — murmurou, com um meio sorriso tímido.
A garota apenas falou, sem qualquer traço de emoção na voz:
— Estou apenas fazendo o meu trabalho. Me avise quando o próximo teste começar.
Ela já se virava para a porta, quando o Instrutor a observou partir, pensou dizendo de leve.
— Então você é a herdeira da família Stone. Seu nome é Sans, não é? — Voltou-se para Alexandre, com um sorriso. — Já sabemos quem vai ser a nova comandante deste lugar.
Curioso, Alexandre se virou para o Instrutor enquanto Sanstone se afastava sem dar mais atenção ao assunto.
— Espere... a família Stone não foi o clã de guerreiros que viveu todo o período da guerra dos reinos?, derrotando milhares de soldados inimigos? Eram conhecidos pela defesa impenetrável.
O Instrutor confirmou com um aceno.
— Parece que você é bem instruído, garoto. Vai ser um ótimo vice, se conseguir chegar lá. E isso não é tudo: a família Stone também é dedicada aos estudos. A lenda da "defesa impenetrável" é, entre aspas, verdadeira — eu nunca vi, em campo, o patriarca da família receber um arranhão numa luta, e olha que eu servia no esquadrão dele. Essa é a filha dele. E as características parecem ser as mesmas do pai.
Alexandre observou o lugar por onde Sanstone tinha ido, intrigado, e esperou na sala seguinte até os resultados saírem. Por uma surpresa do destino, ele ficou com nota máxima — junto de Sanstone.
Para encerrar o dia, o Instrutor reapareceu com outro anúncio, numa sala que abrigava agora apenas quatro alunos: Sanstone, Alexandre, um garoto e uma garota, reunidos em roda para ouvi-lo.
— Parece que vocês estão prontos para o teste supremo. Até aqui, os quatro foram os melhores e serão os oficiais da nossa brigada. Meus parabéns...
Os dois jovens desconhecidos comemoraram animados, mas Sanstone e Alexandre permaneceram imóveis, expressões neutras. A euforia logo se dissolveu em um silêncio.
O Instrutor quebrou a tensão:
— Vejo que vocês são bem astutos... pelo menos, alguns de vocês. Mas precisamos definir quem será o comandante, o vice-comandante e os oficiais guarda-costas de cada um. Para isso, faremos uma batalha simples: o objetivo é desarmar o oponente.
Alexandre e os outros trocaram olhares.
— Marcos e Laura, vocês serão os primeiros, escolham suas armas com atenção. Alexandre e Sanstone, arquibancada. Observem e aguardem sua vez.
Os dois obedeceram. Alexandre subiu animado e curioso; Sanstone o seguiu em silêncio de braços cruzados com seu olhar frio e entediado.
Na arena, Marcos empunhava uma lança, sorrindo com confiança.
— Ha! Essa é a arma que treino desde criança. Você sabe quanto tempo me preparei pra ser um militar?
Laura girava um chicote de ferro no ar.
— Imagino, querido. Que pena que vou ter que estragar essa confiança toda. — Sorriu de canto. — Se quiser desistir agora, ainda posso poupar esse rostinho bonito.
Marcos deu um passo para trás, confuso e meio constrangido. O Instrutor deu o sinal:
— Comecem!
Laura riu baixo.
— Que pena que não aceitou minha proposta honesta...
Antes que Marcos avançasse, o chicote fez um círculo no ar, enrolando-se na lança e puxando com força. Ele segurou a lança e se jogou no chão junto com ela, num movimento rápido, rolou pelo chão, escapando da armadilha.
Na arquibancada, Alexandre se inclinou para frente, animado:
— Uau! Ela tentou desarmá-lo de cara, mas ele pensou rápido. Usou a queda para se reposicionar.
Sanstone, no entanto, continuava impassível, observando com atenção.
— Apesar disso... ele já perdeu a vantagem dessa luta.
Alexandre franziu a testa.
— Como assim?
— Laura foi mais inteligente — explicou ela, calma. — Deixou que ele escolhesse primeiro. O chicote é o contra perfeito da lança: controla distância e desarma com facilidade. Uma lança precisa atacar de frente. Se ele não consegue apontar a ponta para o inimigo, não tem ataque.
Os olhos de Alexandre se arregalaram.
— Verdade... Mas ele pode sair dessa se pensar.
Lá embaixo, o Instrutor observava discretamente os dois, surpreso com a precisão da análise.
Enquanto isso, na arena, Laura dominava o combate. O chicote cortava o ar com estalos altos, forçando Marcos a recuar e esquivar.
— Qual é, garotão? Não era bom de lança? Cadê toda aquela confiança? — Ela sorriu, chicoteando de novo. — Talvez precise de mais ação.
Marcos tentava se defender, mas o ritmo e a distância o deixavam exausto. Respirou fundo, o suor escorrendo pelo rosto, e pensou rápido. Ela não vai errar nenhum golpe... preciso virar o jogo de outro jeito ou esse será meu fim.
— Se é assim — murmurou, em tom desafiador —, terei que usar o que faço de melhor.
Sanstone ergueu uma sobrancelha, ainda de braços cruzados.
— Hm... finalmente vai tentar pensar.
Marcos avançou de repente, deixando a lança nas costas enquanto a segura com uma mão, correndo direto contra Laura com a outra mão à frente. O chicote acertou seu braço — mas, em vez de recuar, ele o segurou firme a ponta do chicote, mesmo com a pele rasgando.
— Te peguei! — sorriu, puxando o chicote para si, arrastando Laura devagar.
— Larga isso, idiota! — gritou Laura, tentando recuperar o controle.
— Nem pensar! — respondeu, puxando com mais força.
O ferro cortou sua pele, mas Marcos não soltou. Puxou Laura para perto, fazendo-a tropeçar, e com a outra mão usou a lança que estava nas costas, apontando a ponta direto para o rosto dela — sem feri-la.
— Com isso, nosso duelo acabou. Você é durona, admito.
Laura ficou surpresa, mantendo-se em silêncio. O Instrutor se aproximou e ergueu o braço.
— Vencedor: Marcos!
Alexandre aplaudiu, enquanto sanstone apenas ficou em sua postura, o Instrutor continuou:
— Marcos será o guarda-costas do comandante. Laura, o do vice.
Os dois se entreolharam, confusos e indignados.
— O quê? Por quê?! — questionaram juntos.
O Instrutor respondeu com um leve sorriso:
— Porque, no exame oral, vocês foram péssimos. Um comandante e um vice precisam de mais do que força — precisam de oratória, raciocínio e estratégia. Vocês... bem, ficaram no nível aceitável, para não dizer outra coisa.
O silêncio dominou o campo. Alexandre seguro o riso; Sanstone apenas desviou o olhar, indiferente.
A batalha seguinte estava prestes a começar, e agora todos queriam ver o que aqueles dois "astutos" fariam.
Laura e Marcos se sentaram nas arquibancadas, visivelmente ofendidos por terem sido comparados a um burro. Quando o Instrutor chamou os dois combatentes, Sanstone e Alexandre caminharam até as extremidades do campo, prontos para o duelo.
— Espero que tenhamos um combate amigável e interessante — disse Alexandre, ajustando a postura.
Sanstone, examinando as armas, respondeu com desdém:
— Só tenta não morrer, está bem? Não quero vencer porque meu oponente é fraco.
Alexandre franziu a testa, ofendido.
— Ei, podia ser mais simpática. Essa cara fechada não vai te levar longe.
Ela soltou um breve suspiro e pegou um escudo grande com uma mão.
— Nem essa conversa. Escolha logo sua arma.
Alexandre observou o arsenal por um instante e escolheu apenas uma espada de porte médio. Sanstone ergueu uma sobrancelha, intrigada.
— Apenas uma espada? Um estilo bem fora de moda.
— Eu que o diga — retrucou ele. — Esse seu estilo é mais estranho que o de qualquer cavaleiro que já vi... um escudo sem espada?
O Instrutor levantou o braço e anunciou o início da luta.
Das arquibancadas, Marcos comentou:
— Cara, esse garoto devia ter pegado um escudo... lutar contra alguém da família Stone sem defesa é suicídio.
Sanstone partiu em disparada com o escudo à frente. Alexandre respondeu avançando também, segurando a espada como se fosse uma lança. No impacto, ela girou o escudo em um ângulo preciso, desviando o golpe e desequilibrando a lâmina. Tentou agarrar o cabo da espada, mas Alexandre reagiu rápido, segurando a borda do escudo. Ambos se jogaram no chão e rolaram em direções opostas.
Quando pararam, encararam-se a poucos metros. Alexandre já estava em posição de ataque; Sanstone ergueu o escudo de lado. Ele investiu, golpeando o chão à frente com um corte e levantando uma nuvem de areia. Ela se protegeu com o escudo para seus olhos não serem atingidos, mas Alexandre aproveitou o momento e saltou sobre ela, tentando dominar a luta.
— Não ache que esse truque barato vai funcionar comigo — disse ela com frieza.
Com um empurrão poderoso, Sanstone subiu o escudo e lançou Alexandre para trás. Ele mal teve tempo de se recompor antes que ela avançasse novamente como um ariete, com o escudo à frente. Ele se defendeu por instinto usando a espada como proteção deixando a lâmina em uma posição horizontal, mas o impacto machucou sua mão. Sanstone empurrou a lâmina para o lado e acertou um chute certeiro que o jogou ao chão, Alexandre não deixou a espada cair.
Ela ergueu o escudo para finalizá-lo, mas Alexandre rolou para o lado e num movimento rápido, aplicou uma rasteira. Fazendo ela cair, mas os dois deram uma cambalhota e se levantou em um só impulso. Agora, os dois estavam de pé, ofegantes, observando-se de longe.
— Os boatos sobre seu clã são verdadeiros — disse Alexandre. — A família Stone realmente domina o uso do escudo. Reações e precisão fora do comum.
Sanstone sorriu de canto, levemente, enquanto circulava ao redor dele.
— E você... não é normal. Como um prodígio desses não tem um clã? Suas táticas são impecáveis e mortais.
Sanstone avançou de novo, tentando derrubá-lo com o escudo. Alexandre desviou e contra-atacou, mas ela girou o escudo, aparando o golpe e abrindo a guarda dele.
— Mesmo assim, ainda pensa como um plebeu — provocou ela.
Com um movimento rápido, golpeou-o com um chute, acertando-o em cheio. Ele cambaleou para trás e Sanstone saltou, descendo o escudo sobre ele.
— É o fim — disse, com voz calma e firme.
Alexandre caiu com força ao cambalear, mas no último instante usou o impacto no chão a seu favor. impulsionou as pernas para frente e acertou em cheio o estômago de Sanstone.
O golpe foi devastador. Ela foi arremessada para trás, o ar escapando dos pulmões. Alexandre pousou com firmeza após o impulso que seus pés tocaram o chão, e logo em seguida saltou de novo, aproveitando a brecha.
Mesmo atordoada ao cair no chão, Sanstone reagiu erguendo o escudo à frente, prevendo o ataque. Mas Alexandre, antecipando a defesa, apoiou uma mão sobre o escudo dela e usou como trampolim e aterrissou, a ponta da espada já estava direcionada à cabeça de Sanstone, ainda caída.
— Pelo visto, você também comete erros — disse ele, com um leve sorriso.
Por um instante, Sanstone ficou imóvel com os olhos arregalados de surpresa. mas voltou à expressão fria e controlada, ficando no chão em silêncio.
O campo inteiro se calou até que o Instrutor ergueu a voz:
— O vencedor é Alexandre! A partir de hoje, ele será o novo Comandante das Forças do Exército, e Sanstone, sua Vice!
Um murmúrio de espanto percorreu a arquibancada. Sanstone apenas soltou um suspiro discreto, manteve o olhar sereno e respondeu se levantando:
— Espero que possamos trabalhar juntos, comandante.
Bateu continência, postura impecável, e caminhou até o Instrutor.
— Quando começamos nosso trabalho? — perguntou, no mesmo tom neutro de sempre.
Nenhum traço de raiva ou frustração. Era impossível saber o que ela sentia.
Marcos e Laura desceram das arquibancadas, ainda empolgados.
— Cara, como você derrotou ela? — perguntou Marcos, rindo, em choque. — Aquilo foi incrível!
Laura completou, animada:
— Sans, você precisa me treinar um dia! Suas habilidades são absurdas!
Antes que Sanstone respondesse, o Instrutor ergueu a mão.
— Certo, já chega por hoje — disse, em tom firme. — Agora vou apresentar a vocês o QG do reino. Sigam-me.
Os quatro se entreolharam. O campo, ainda empoeirado, carregava o silêncio da tensão que acabara de se dissipar.
O grupo caminhou por uma trilha estreita até chegar diante de uma construção grande, de concreto, quase perfeitamente quadrada.
Laura olhou em volta, franzindo o nariz:
— Nossa... que lugar mais sem graça.
Os outros viraram o rosto para ela, enquanto o Instrutor fingiu não ouvir o comentário e seguiu andando. Ao entrarem, um longo corredor se estendia à frente, iluminado por lâmpadas frias que faziam os passos ecoarem no piso de pedra.
Alexandre observou, maravilhado:
— Uau... este lugar é enorme! Estou surpreso.
— Claro que é — respondeu o Instrutor. — Foi projetado para abrigar várias esquadras de soldados sem precisar sair à superfície, a ideia é morarem aqui.
Os novatos — exceto Sanstone — ficaram impressionados. Marcos, notando a expressão impassível dela, provocou:
— Que foi, cara fechada? Ainda de mau humor por ter perdido?
Sanstone cruzou os braços, com um olhar frio para Marcos.
— Hm? Por que eu me comportaria como uma criança igual a você? Pelo que lembro, quem tirou nota de bebê numa prova militar foi você.
Deu um passo à frente, encarando-o.
— Um soldado que treinou a vida toda e ainda se diz digno de proteger o comandante? Estou sem palavras. — Seu tom se tornou gelado. — Laura, lembre-me de doutrinar este soldado na sala de tortura, pra ver se aprende a respeitar seus superiores.
O rosto de Marcos empalideceu. Ele engoliu em seco, tremendo.
— E-eu peço desculpas, vice-comandante! Não foi por mal!
Sanstone o encarou como se olhasse um inseto. Laura tentou aliviar a tensão, com um sorriso nervoso:
— Calma, Sans... pode deixar que eu vou lembrar, sim. — E então, para Marcos: — E você fica bem, tá? É forte, não precisa chorar por isso.
Marcos, abraçou Laura.
— Obrigado, Laura... você é um anjo!
Sanstone apenas revirou os olhos, e voltou à expressão fria de sempre.
O grupo seguiu o Instrutor pelos corredores subterrâneos, passando por diversas portas metálicas e salas amplas — dormitórios, armaria, salas de comando e observação — enquanto ele explicava cada área. Por fim, chegaram a um corredor que terminava em duas portas opostas, uma ao norte e outra ao sul.
— Aqui ficam as salas do Comandante e da Vice-Comandante — disse o Instrutor, virando-se para eles.
Sanstone ergueu uma sobrancelha.
— Se são as salas mais importantes, por que ficam em extremidades opostas da instalação? Não seria mais prático estarem próximas?
Antes que o Instrutor respondesse, Alexandre falou :
— Posso estar enganado, senhor, mas o motivo é estratégico. As duas salas precisam estar em locais distintos para que as divisões saibam quem é seu superior mais próximo. Assim, cada lado do QG tem um comando imediato e mantém a comunicação organizada.
O Instrutor o encarou, e então riu batendo palmas.
— Muito bom, garoto! Não é à toa que você é o comandante. E claro, sem tirar o mérito de Sanstone — disse, voltando-se para ambos. — É por isso que escolhi vocês dois.
Assumiu um tom mais sério:
— Alexandre, como Comandante Supremo, sua missão é tornar este reino mais seguro, mesmo em tempos de paz. — Virou-se para Sanstone. — E você, Vice-Comandante, auxiliará o comandante e tomará as decisões quando ele estiver ocupado com questões maiores. O destino do reino está nas mãos de vocês dois.
Sanstone permaneceu impassível, mas lançou um breve olhar para Alexandre — um olhar de respeito contido.
Alexandre, por sua vez, olhou para as próprias mãos. Fechou os punhos lentamente.
— Eu prometo... farei o meu melhor.