Assim que emergiram do confinamento subterrâneo, guiados pelo instrutor, a luz da superfície revelou o que os aguardava. Diante dos quatro recentes oficiais, fileiras organizadas de soldados em armaduras formavam uma massa silenciosa. O impacto visual foi imediato. Alexandre, Laura e Marcos não conseguiram esconder a surpresa; até mesmo Sanstone, sempre estóica, arqueou levemente as sobrancelhas, embora mantivesse os braços cruzados e a postura inabalável de quem nasceu para o comando.
O Instrutor caminhou à frente, sua voz projetando-se com autoridade:
— Atenção, pelotão! Estes quatro são seus oficiais superiores. Prestem atenção às patentes. — Ele apontou para a loira ao lado de Sanstone. — Ali está Laura, a Guarda-costas da Vice-Comandante.
Ela é a quarta na cadeia de comando e Sargenta do exército. Dirijam-se a ela para assuntos referentes à Vice-Comandante.
Em seguida, gesticulou para o homem alto e musculoso.
— A seguir, Marcos, o Guarda-costas do Comandante. Ele ocupa a terceira posição no comando e Capitão do exercito. Ele é o canal direto para falar com o Comandante Supremo.
O Instrutor fez uma pausa dramática antes de prosseguir.
— E, por fim, seus Líderes Supremos…
Antes que ele pudesse terminar, um murmúrio quebrou a disciplina da formação. No meio das fileiras, garotas cochichavam, lançando olhares de desdém para Alexandre. "É óbvio que a Sanstone será a comandante", sussurrou uma delas, audível o suficiente. "Aquele garoto ridículo não teria a menor chance contra uma nobre do clã Stone".
Ignorando o ruído, o Instrutor decretou:
— A Vice-Comandante, Sanstone. E o Comandante de toda a Brigada, Alexandre.
O anúncio caiu como um raio. O choque estampado nos rostos dos soldados foi unânime. O silêncio, contudo, foi rompido por uma voz estridente.
— Isso é completamente ilógico! — gritou uma das recrutas, dando um passo à frente, tremendo de indignação. — Foi trapaça! É apenas mais um jogo dessa sociedade machista que tenta controlar as mulheres competentes a qualquer custo!
O ar pesou instantaneamente. O Instrutor não gritou. Ele apenas caminhou lentamente até a garota, emanando uma aura assassina que fez os soldados ao redor prenderem a respiração.
— Você está insinuando que o meu julgamento não é imparcial? — Sua voz era baixa, mas cortante como aço. — Está me acusando de favorecimento por machismo?
A cor drenou do rosto da recruta. Onde antes havia fúria, agora restava apenas o terror. Ela se encolheu, branca como papel.
— N-não, senhor... E-eu sinto muito... — gaguejou, recuando.
O restante do pelotão permaneceu imóvel, concordando com a decisão para evitar o mesmo destino. Satisfeito com o restabelecimento da ordem, o Instrutor retomou o tom quase jovial, como se a ameaça de morte nunca tivesse existido.
— Ótimo. Agora que o mal-entendido foi resolvido, eis a Ordem Número Um deste batalhão: Vocês devem proteger os civis e o Reino a qualquer custo. Se falharem…
Ele não completou a frase. Apenas lançou um olhar gélido que prometia um destino pior que a morte. Todos tremeram — exceto Sanstone, cujos olhos vermelhos permaneciam frios e indiferentes. Após ditar as leis básicas e entregar as chaves do abrigo subterrâneo aos novos oficiais, o Instrutor virou as costas, pronto para partir.
— Senhor, com todo o respeito — chamou Alexandre, ainda confuso com a rapidez dos eventos. — O que exatamente devemos fazer agora?
O homem parou e olhou por cima do ombro, um sorriso enigmático nos lábios.
— Como eu vou saber? Você é o Comandante, meu jovem. Faça o que seu coração mandar.
E, como uma brisa passageira, o Instrutor desapareceu, deixando Alexandre à própria sorte no pátio. O silêncio constrangedor que se seguiu foi quebrado por um suspiro audível de Sanstone.
— Comandante — disse ela, com sua calma habitual —, aparentemente ele já transferiu a responsabilidade. Estamos por conta própria.
Sem esperar uma ordem direta, ela assumiu a postura de liderança que lhe era natural.
— Laura, comigo — ordenou, virando-se para o exército com voz de trovão. — SOLDADOS!
O som de centenas de botas batendo em uníssono e mãos em continência ecoou pelo pátio.
— Todos vocês farão o treinamento básico hoje. Dirijam-se à sala de treinamento. AGORA!
Enquanto a massa de soldados seguia Sanstone e Laura para o complexo, Alexandre e Marcos permaneceram para trás por um momento. Marcos, observando a cena, soltou uma risada nervosa.
— Nossa, Alexandre... Pelo jeito que as coisas andam, parece que ela é o verdadeiro Comandante, e não você.
Alexandre observou as costas da garota de cabelos vermelhos, um leve sorriso no rosto.
— Muito engraçado, Marcos. Mas a verdade é que a Sans está me ajudando. — Ele ajeitou a postura, o olhar determinado. — Ela foi treinada para isso a vida toda. Eu confio nela.
Mas... — Ele começou a caminhar. — Não posso deixá-la ficar com toda a diversão. Vamos, Marcos.
Marcos seguia Alexandre pelos corredores de pedra, o som dos passos ecoando junto aos de Sanstone, Laura e os soldados. Aproveitando a breve calmaria, Alexandre virou-se para a Vice-Comandante enquanto caminhava lado a lado com ela.
— Sans, enquanto você inicia o treinamento básico das tropas, eu vou traçar o mapeamento das patrulhas pelo reino. — Ele fez uma pausa, calculando o tempo. — Depois que terminar, encontre-me na minha sala.
Sanstone não parou de caminhar. Seus olhos vermelhos miravam o horizonte, e o clack-clack rítmico de suas botas de metal ditava o compasso de sua resposta. Com um olhar indiferente, mas carregado de uma firmeza inabalável, ela assentiu:
— Entendido, Comandante.
No cruzamento do corredor, os caminhos se dividiram. Sanstone virou à esquerda em direção ao pátio subterrâneo, enquanto Alexandre seguiu em frente para a sala do comandante. Laura e Marcos, que vinham logo atrás, pararam por um segundo, observando as costas de seus líderes com admiração síncrona.
— Que demais esses dois... — disseram em uníssono, quase gritando.
Sem sequer se virarem, as vozes de Alexandre e Sanstone cortaram o ar, puxando seus subordinados de volta à realidade:
— Laura... — A voz de Sanstone era gélida. — Se você não vier agora, eu volto aí e arrasto você pelas orelhas.
— Marcos, me acompanhe logo. Preciso do seu auxílio — completou Alexandre, com um tom cansado.
Laura empalideceu e correu tropeçando atrás de Sanstone, enquanto Marcos apressou o passo para alcançar Alexandre.
(Na Sala do Comandante)
Alexandre entrou no escritório. O lugar cheirava a poeira antiga. Ele caminhou até a imponente mesa de madeira rústica e se deixou cair na cadeira principal. Marcos, observando a cena encostado na porta, assobiou:
— Nossa! Você até parece um chefe de verdade sentado aí.
Alexandre lançou-lhe um olhar de desdém, incrédulo com o comentário numa hora daquelas, mas logo recuperou a postura séria.
— Menos, Marcos. Tenho uma missão para você. — Ele deslizou uma prancheta com papel e caneta pela mesa. — Vá até o arsenal e faça um inventário completo. Quero saber exatamente quantas armas possuímos.
Marcos pegou a prancheta no ar, um pouco confuso, mas obedeceu sem questionar. Assim que a porta se fechou, o silêncio pesado tomou conta da sala.
— Preciso verificar isso... Se minha intuição estiver certa... — murmurou Alexandre para si mesmo.
Ele puxou uma pilha de documentos empoeirados. Eram as fichas de pessoal. Seus olhos correram pelas linhas de nomes, datas de nascimento e patentes. A cada página virada, sua expressão afundava mais.
— Como eu imaginei... — A voz dele falhou. — Todos aqui são recrutas!
Ele jogou os papéis na mesa, incrédulo.
— Todos os veteranos do exército deram baixa no mesmo dia! Não sobrou ninguém para ensinar os novatos…
O peso da responsabilidade o atingiu como um soco físico. Ele recostou na cadeira, sentindo uma dor de cabeça começar a latejar. Uma reunião, pensou ele. Preciso chamar a Sans urgente para debatermos essa loucura. Mas seus pensamentos foram interrompidos brutalmente. A porta se abriu com estrondo e Marcos entrou, afoito.
— Ale! Temos um problema gigante! — gritou Marcos, agitando a prancheta. — Nós não temos equipamentos suficientes! Contei apenas umas 50 espadas e 25 escudos no total!
O choque foi tanto que o equilíbrio de Alexandre falhou. Ele escorregou da cadeira, indo parar no chão com um baque surdo. Levantando-se rapidamente, limpando a poeira da roupa e tentando recuperar a dignidade, ele resmungou:
— Tá, tá! Não precisa gritar para o quartel inteiro ouvir…
Alexandre mal teve tempo de recuperar a postura quando a porta se abriu novamente. Sanstone entrou no escritório, trazendo consigo uma atmosfera que fez a temperatura da sala cair alguns graus. Ela ignorou Marcos — que estremeceu visivelmente sob o olhar gélido dela — e focou sua atenção diretamente em Alexandre.
— Comandante. Preciso da localização do arsenal para os treinamentos. Onde estão os equipamentos?
Alexandre suspirou, gesticulando para a cadeira vazia à sua frente.
— Vice-Comandante Sanstone, por favor, sente-se. Precisamos ter uma conversa particular. Agora.
O tom de Alexandre não deixava margem para discussões. Sanstone caminhou e sentou-se, cruzando as pernas e aguardando. A sala mergulhou em silêncio. Marcos, no entanto, permaneceu encostado na parede, alheio ao clima pesado. Alexandre massageou as têmporas e olhou para o amigo.
— Marcos... Eu disse "conversa particular". Isso significa a sós com a Vice-Comandante.
Marcos sorriu, batendo no peito com confiança, completamente cego para a tensão no ar.
— Ah, Ale! Relaxa. Eu estou aqui pra te proteger, lembra? Vou ficar de guarda aqui dentro mesmo.
O olho de Sanstone tremeu levemente. Ela falou baixo, mas sua voz projetou-se com clareza cristalina por toda a sala, carregada de veneno.
— Escute bem, guarda-costas. Além de ser um imbecil completo, eu não imaginava que você teria a audácia de me insultar tão descaradamente.
Marcos piscou, confuso, enquanto Alexandre tentava fazer sinais desesperados com as mãos para que ele saísse imediatamente.
— Ué? Mas eu não estou te insultando, Vice-Comandante — respondeu Marcos, com a inocência de uma criança. — Só estou dizendo que preciso estar aqui caso aconteça algo. É meu trabalho proteger vocês dois.
A insinuação de que Sanstone precisava de proteção — ou pior, de que ela representava um perigo para Alexandre — foi a gota d'água. Sanstone levantou-se devagar.
— Comandante, com sua licença. Preciso corrigir uma falha de disciplina.
O movimento foi um borrão. Antes que Marcos pudesse processar, o punho de Sanstone conectou-se com seu rosto num impacto seco e brutal. O corpo robusto de Marcos desabou no chão, desacordado instantaneamente. Com a mesma calma com que se levantou, Sanstone voltou à cadeira, apoiou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos, fazendo uma ponte para apoiar o queixo.
— Por favor, prossiga, Comandante. O obstáculo foi removido.
Alexandre olhou para o amigo estirado no chão, balançou a cabeça com resignação e voltou a ficar sério. Ele deslizou a pilha de papéis pela mesa até ela.
— O que é isso? — perguntou ela.
— Dados de alistamento — respondeu Alexandre, a voz sombria. — Folheie as primeiras páginas e você vai entender a gravidade da situação.
Sanstone pegou os documentos. Seus olhos vermelhos varreram as linhas rapidamente. A cada página virada, sua expressão de indiferença dava lugar a uma compreensão alarmante. Ela parou, erguendo as sobrancelhas.
— Não há veteranos... — murmurou ela. — São todos "novatos de guerra". Crianças que nunca viram sangue.
Alexandre assentiu gravemente, inclinado para trás com os braços cruzados.
— Exatamente. Mas esse é apenas o primeiro dos nossos problemas.
Os olhos de Sanstone se estreitaram, aguardando o golpe final.
— O segundo problema é o nosso arsenal. Pedi a Marcos um relatório sobre a situação logística... Não temos armamento suficiente nem para metade dessas tropas. Temos um exército de recrutas desarmados.
Ele fez uma pausa, escolhendo as próximas palavras com cuidado.
— Eu já redigi uma requisição de emergência para provisões nesta carta, mas para liberar verba desse nível, precisamos ir direto ao topo e falar com a Primeira-Ministra.
Sanstone soltou um suspiro longo, como se todo o peso da burocracia do reino tivesse caído sobre seus ombros. Ela se levantou, ajeitando a armadura.
— O que significa que devemos ir juntos. Imagino que, pela lei, seja necessária a presença física e a permissão tanto do Comandante quanto da Vice-Comandante para que a Primeira-Ministra aprove uma requisição desse porte.
Alexandre levantou-se também.
— Exato.
Alexandre e Sanstone caminharam até a sala de treinamento onde todos os soldados estavam. Ele falou para Laura:
— Laura, preciso que você tome conta das coisas durante minha ausência. Eu e a Vice-Comandante precisamos cuidar de coisas mais importantes envolvendo a Primeira-Ministra, então faça com que todos aqui estejam prontos, porque voltaremos com o equipamento.
Laura apenas concordou e bateu continência. Algumas garotas ainda olharam Alexandre com nojo, mas fizeram continência tentando esconder isso. Quando ambos saíram da sala de treino e foram até a superfície caminhando, Alexandre percebeu que era uma boa hora para conversar.
— Sans, como é sua família? Você gosta deles, tem irmãos?
Sanstone continuou caminhando lado a lado, sem olhar para ele, com seus olhos indiferentes e passos firmes, dizendo:
— Por que quer saber?
Alexandre disse tentando parecer natural, mas por dentro estava arrepiado, afinal Sanstone era muito fria.
— É que eu quero me aproximar de meus companheiros, e preciso saber suas razões para estar no exército. Assim posso visualizar seus pontos positivos com mais clareza.
Ambos continuaram andando em silêncio por um momento, e Sanstone cortou o clima respondendo:
— Não tenho irmãos, sou filha única. Meu pai não conversa comigo, só me treina, e minha mãe é submissa ao meu pai, tanto que ele a destrata sempre que pode.
Alexandre falou:
— Que horror. Você já conversou com sua mãe sobre isso?
Sanstone respondeu:
— Com todo respeito, Comandante, gostaria de não continuar este assunto.
Alexandre percebeu que Sanstone, mesmo séria, deixou transparecer em seus olhos vermelhos que ficou um pouco magoada. Eles caminharam até a prefeitura da cidade, onde a Primeira-Ministra trabalhava. Entretanto, apenas uma secretária estava lá. Sanstone falou diretamente:
— Por favor, cidadã, quero falar com a Primeira-Ministra Lilith. Ela se encontra?
A secretária falou enquanto continuava sentada:
— Ela não está presente, mas presumo que são do exército. Se quiserem, eu posso aprovar qualquer ordem que venha de vocês; a senhorita já sabia que isso poderia ser necessário durante a ausência dela em assuntos diplomáticos com o reino vizinho.
Sanstone e Alexandre se entreolharam, pensando como a Primeira-Ministra poderia saber disso. Com o documento assinado, eles voltaram para o QG. Chegando lá, ambos foram até a sala de treinamento, enquanto Alexandre conversava:
— Sans, eu espero que possamos nos dar bem, e eu agradeço por sua ajuda.
Ao ouvir isso, Sanstone continuou andando de forma fria e indiferente, mas sua sobrancelha deu uma leve subida enquanto respondia:
— Só estou fazendo meu trabalho.
Ao chegarem lá, tanto Laura quanto Marcos os aguardavam. Sanstone já perguntou a Laura:
— Como foi o treinamento? Alguma gracinha?
— Todos fizeram os exercícios como foram ordenados — Laura disse, animada. — Enfim, General Sans e Comandante Ale, o que foram fazer?
Alexandre respondeu à pergunta de forma contente:
— Eu e a Vice-Comandante precisávamos fazer encomendas dos armamentos novos para o esquadrão.
Sanstone ergueu um pouco o olhar e pensou, enquanto mantinha sua pose de braços cruzados: Interessante, ele já pensou numa desculpa para dar numa situação dessas. Se disser que não temos armas, o exército ficaria de moral baixa. Bem pensado.
Alexandre então terminou a frase dizendo:
— Falando em esquadrão, gostaria de criar os dois primeiros esquadrões da nossa força-tarefa aqui no reino. Serão os esquadrões “Valquíria” e “Juggernaut”.
Os soldados ficaram confusos — exceto os três oficiais, claro — e Alexandre explicou a eles o que estes esquadrões fariam.
As Valquírias
— São a elite das mulheres do exército. Elas estarão focadas na agilidade e missões de espionagem. Seu maior serviço será terminar missões em prazos curtos e que precisem de sigilo. A líder deste esquadrão será a Vice-Comandante Sanstone.
Os Juggernauts
— São a elite dos homens do exército, serão comandados por mim. O trabalho principal deles é executar missões de força bruta e armamentos pesados. Por esse motivo estarei comandando essa esquadra, pois o uso de força bruta só será aplicado quando necessário, e como estamos em tempo de paz, quero manter isso o máximo possível, tudo bem?
Após Alexandre ter falado tudo, ele disse para todos que estavam dispensados e poderiam ir para seus aposentos. Os soldados foram dormir bem contentes. Sanstone, Marcos e Laura caminharam atrás dele até a sala do comandante. Sanstone pensava consigo mesma, mantendo a cara fria de sempre: O Comandante realmente é bem inteligente. Ao invés de contar a verdade aos soldados, ele os enrolou dizendo que os equipamentos estavam vindo, o que é verdade até certo ponto. O discurso finalizou dizendo que eles poderiam descansar, fazendo com que os soldados pensem que fizeram um trabalho bem feito.
Ao chegarem na sala, Alexandre se sentou na cadeira, cansado, falando:
— Meu Deus, essa passou perto. Ainda bem que nenhum deles se desesperou. Agradeço a todos vocês por ajudarem.
Laura falou:
— Claro, Comandante, mas a sua oratória foi incrivelmente perfeita.
Marcos completou:
— Exatamente. E você completou seu álibi passando confiança, e nem mentiu.
Sanstone suspirou, sentada com as pernas cruzadas, enquanto olhava para o lado dizendo de forma fria e indiferente:
— Só quero ver até onde isso vai. Estamos apenas brincando até agora.
Alexandre apenas respirou e repreendeu Sanstone com palavras:
— Com todo respeito, Vice-Comandante Sanstone, você devia ficar um pouco mais positiva. Um passo de cada vez. Se avançarmos com muita imprudência, podemos colocar vidas em perigo; nossos soldados não sabem nem o básico.
Sanstone olhou com um olhar frio para Alexandre e falou com calma, sentada e de braços cruzados:
— Senhor, saiba que enquanto conversamos aqui, o castelo está sem nenhuma vigia! Nossos inimigos podem nos atacar a qualquer momento. Além disso, somos responsáveis pelo policiamento também, Comandante!
Alexandre então falou de forma calma enquanto soltava uma respiração. Marcos e Laura olhavam a briga de palavras de ambos os oficiais, indo de um lado para o outro.
— Escute, Sans. Eu sei que você é estudiosa, mas está esquecendo algo crucial: durante a posse do Vice-Comandante e Comandante, as ruas são policiadas nesse dia pelo Exército Real do Imperador, para evitar esse tipo de problema.
Sanstone então perdeu a compostura, mas quando ia se levantar para falar algo, lembrou-se em seus pensamentos: Ele... ele está certo… como pude esquecer de algo tão básico?! Eu fiz essa prova…
Sanstone então abriu a porta e saiu, dizendo que ia tomar um ar, batendo a porta. Alexandre apenas respirou e falou:
— Escutem, vou atrás dela. Deixo vocês de olho aqui e, se quiserem, podem descansar.
Os dois falaram animados enquanto olhavam um para o outro:
— Sim, senhor!
Alexandre saiu da sala de comando e foi andando atrás de Sanstone e falou:
— Sans, por favor, me escute. Não quis te humilhar lá.
Sanstone, enquanto caminhava rapidamente, respondeu:
— Claro, claro. Se você é tão bom assim, não precisa de mim por perto. Pode voltar lá e fazer o que faz de melhor, Comandante.
Alexandre alcançou Sanstone, segurando a mão dela, e disse calmamente:
— Sans, eu preciso de você. Sua liderança e iniciativa são cruciais…
Sanstone puxou a mão com força e se virou, cruzando os braços com um olhar repulsivo:
— Quem te deu permissão de me tocar?
Alexandre a interrompeu, respondendo:
— Sans, por favor, pare com isso. Eu imploro para você parar com isso. Se quiser eu até me ajoelho agora. Só quero que você continue trabalhando comigo, não quero distanciar você.
Sanstone ergueu a sobrancelha, respirando fundo pela primeira vez, mudando levemente seu olhar frio e ficando mais calma enquanto respondia:
— Não, Comandante, não precisa. A errada fui eu. Devia ter aceitado meu erro e não ter sido tão orgulhosa, mas fico contente que você seja meu superior.
Sanstone deu um leve sorriso. Alexandre ficou um pouco surpreso e também deu um sorriso, dizendo:
— Fico feliz que conseguimos resolver este pequeno contratempo. E o sorriso combina bastante com sua aparência bonita.
De repente, Alexandre e Sanstone ficaram vermelhos e Alexandre disse:
— C-claro que é apenas um elogio, n-não quis dizer nada demais.
Sanstone respondeu, ainda um pouco corada, tentando manter a compostura:
— E-entendo, Comandante. Agradeço o elogio sincero.
Sanstone e Alexandre caminharam então lado a lado para a sala de comando novamente para se encontrarem com Marcos e Laura, que estavam conversando alegremente um com o outro. Ao verem os dois voltarem, Laura perguntou:
— Sente-se melhor, Sans?
Sanstone, contente, falou que sim. Logo Marcos falou de forma provocativa:
— Vice-Comandante, tome cuidado com suas birras. Estamos num exército, não dê mais trabalho ao Alexandre.
Sanstone então, do seu olhar normal, voltou a ficar com um olhar frio com repulsa para Marcos e respondeu à altura:
— Quantas vezes tenho que falar, criatura repulsiva, que falar desse jeito com um superior é falta de disciplina?
Marcos ficou com um certo medo e Sanstone se aproximou dele e deu um soco que o derrubou novamente. Laura olhou para Marcos, que estava desmaiado, e comentou:
— Acho que ele mereceu essa.
Tanto Sanstone quanto Alexandre disseram:
— Com toda certeza!
Após um tempo, Sanstone e Alexandre decidiram que estava na hora de fazerem um pelotão de 25 soldados para realizar patrulhas na cidade e demonstrar que estão preparados. Alexandre falou:
— O plano é o seguinte: vamos fazer 20 soldados começarem as patrulhas por toda a cidade, enquanto os outros 4 soldados ficam protegendo a entrada do QG. A ideia é mostrar que estamos bem preparados para qualquer problema de roubo; isso vai fazer com que qualquer bandido fique com medo de atacar os civis e reduzirá problemas futuros. Nessas patrulhas, dividiremos os 20 soldados em 4 equipes de 5 soldados cada. Nós quatro vamos juntos de cada patrulha, nos dividindo.
Laura e Marcos se olharam preocupados e Laura resolveu falar:
— Comandante, com todo respeito, fazer parte das patrulhas não deixaria o QG desprotegido e sem uma liderança? O que os soldados vão fazer?
Sanstone respondeu por Alexandre:
— O Comandante resolveu apostar nisso apenas hoje para intimidar os bandidos. Os recrutas do quartel desarmados foram instruídos a fazer exercícios lá; mesmo que estejam desarmados, os quatro soldados estarão protegendo o QG. Além disso, temos a vantagem de nosso Quartel ser subterrâneo, e nenhum bandido vai ser louco de invadir uma base militar sabendo que só a entrada está sendo guardada por 4 soldados fortemente armados.
Alexandre acenou, agradecendo Sanstone, e os quatro iniciaram o plano.