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Dragão de Nome Impronunciável
- É.. Acho que agora já tá em uma distância legal..
Veronika finalmente para, em meio a um beco aleatório da cidade, eles devem ter caminhado por talvez cinco minutos, lá o barulho da cidade era bem mais baixo, embora ainda desse de ouvir longe.
- Então, o que você quer me falar hein Veronika?
- É sobre o Stile.. Ele, meio que deu uma surtada na Associação, eu tava lá sozinha e ele apareceu.
- Hm.. Continue.
- Então, eu tava deitada no sofá, ele não me viu, e começou a gritar com ele mesmo, falando umas coisas do tipo “Eu não sou assim”, ele começou a chorar, e deu um tiro no vidro do prédio! Depois o Mark deu um jeito de arrumar ainda.
- Ele.. Deve ter sido depois que a gente discutiu, mas é difícil aceitar isso, talvez seja o estresse do que aconteceu.
Bane começa a andar de um lado para o outro enquanto fala, como se alinhasse seus pensamentos.
- M-me deu medo..
Veronika murmura baixinho, talvez na esperança de que ele escutasse, mas ela não queria ter que realmente aceitar isso.
Bane olha para ela, agachando de joelhos no chão, ficando quase de sua altura, ele levanta o rosto dela levemente, um ato até que bem gentil em contraparte com seu jeito agressivo ou até bobo para Veronika.
- Medo? Por que ficaria assustada com ele? É só mais um maluco dos vários que você já enfrentou, até sozinha.
- É-é que..
- Ele é um colega? Um herói mundial? Por isso mesmo que você não deveria ter medo dele, você já conhece ele a cinco anos, já sabe todas as fraquezas e vantagens dele.
Ele tira a coroa e passa a mão no cabelo da garota, que dessa vez aceita, seu rosto com um rubor visível, ela parecia de certa forma confortável, embora seu rosto indicasse talvez mais conforto do que deveria.
- E de qualquer forma, ele não vai mexer com você tá bem? Se tentar, tem gente bem mais forte que ele junto com você.
Ele dá um sorriso, era desajeitado, nem um pouco bonito, mas talvez fosse o que ela queria ver naquela hora, Veronika dá uma risada baixinha, e abre um pequeno sorriso também, agora mais tranquila quanto a toda a angústia que carregava depois de tudo aquilo.
- T-tá bom Bane.. Obrigada.. Eu fico muito feliz de ouvir isso..
Sua fala se tornava mais arrastada, mais desajeitada, mais envergonhada a medida que falava, ela vira o rosto, evitando encarar ele.
-
Por alguns segundos, o barulho da cidade parece cessar totalmente, se tornando quase como um zumbido insignificante entre o clima gerado pelos dois, mas antes que qualquer um pudesse dar um passo adiante com qualquer coisa.
- SEUS CLEPTOMANÍACOS BOSTINHAS! ESSA COROA AÍ É MINHA!
Uma voz arranhada vem de um dos becos, uma silhueta de pouco mais de um metro e meio de altura, praticamente a altura de Veronika, vem andando com confiança na direção dos dois, cada passo mais largo que o outro, assim que a silhueta aparece na luz, a figura é visível.
Uma armadura alaranjada cobre quase todo o seu corpo, na cabeça, um capacete amarelo cobrindo acima do que seria um lagarto talvez? Ele tem dois chifres com acessórios dourados por toda a parte, uma coroa amarela grande com rubis nas pontas, e em sua boca e olhos, grades, quase como se estivesse preso na armadura, ele tem uma capa azulada em um dos ombros, cobrindo seu braço esquerdo quase totalmente, além disso, ele tem mais um tecido azul que se assemelha com uma saia cobrindo suas pernas que também estavam armaduradas, uma cauda amarela com grandes anéis em seu comprimento poderia ser vista balançando atrás de seu corpo, além de um baú pequeno preso no lado esquerdo de sua armadura, e em sua mão, uma espada até que grande, com cabo laranja e amarelo, e detalhes alaranjados, além de um cristal também em sua ponta – Ele era bem laranja.
Claramente alguém odiável só de olhar, ainda mais para Veronika, Bane levanta, já arrumando sua luva na mão, e Veronika se afasta para trás pegando seu cajado.
- Essa coroa nem é sua irmão, é da menina aqui!
Bane pega a coroa e coloca na cabeça de Veronika novamente, ainda encarando o ser que se aproximava lentamente.
- NADA DISSO! Dá a coroa, e vocês saem ilesos.
Veronika se aproxima de Bane por trás, ela fica na ponta dos pés tentando alcançar a orelha dele, mas sem sucesso, então ela só sussurra.
- Vamos lutar?
- Se ele partir pra cima, sim.
O Alienígena levanta a espada, tomando uma pose de batalha, embora pequeno, talvez ele soubesse lutar.
- A gente não quer briga, desiste dessa loucura, e daí a gente vai embora.
- Desistir? SE ALGO É MEU, É MEU!
Como um raio ele dá um passo e aparece com a espada a centímetros do rosto de Bane, que desvia com certa dificuldade, um corte pequeno mas limpo sendo feito em sua bochecha.
O ser para atrás dele, e tenta desferir um golpe em Veronika também, que sai voando e começa a pairar em cima dos dois, apontando o cajado para ele, o inimigo bufa com certa tristeza pelo desvio.
- Oque?..
Bane toca na ferida, o pouco de sangue que havia saído – Não era incomum que inimigos o ferissem, mas que o pegassem desprevenido assim? Foi talvez a primeira vez.
- Veronika! Fica aí em cima, eu vou tentar lidar com ele, me ajuda se conseguir!
Bane tira o facão com a linha enrolada de dentro de sua luva, ele prepara uma pose de combate, se o inimigo é tão rápido assim, enrolar e diminuir sua mobilidade seria o lógico.
“Mais cautela.”
Bane pensa, antes de colocar a arma novamente para dentro da luva, e puxar a sua espada de sempre, gostaria de ser mais cuidadoso com o oponente, pelo menos no começo dessa batalha.
- Eu dou uma segunda chance! Você vem com essa espadinha, achando que tem chance contra mim, é grande, é alto, mas eu sou bem mais forte do que você! Então eu digo, voltem pra tua casa, mas deixem os seus pertences, e voltem pra lá sem nada além da nave. Antes que eu mude de ideia e acabe com a raça de vocês cinco.
“Cinco?”
Bane e Veronika pensam na mesma hora, eles se entreolham – Ele sabia de algo além do que deveria.
- Então vem ô douradinho! Vamo ver se é mais forte que eu mesmo.
Bane prepara a pose, um pouco mais defensiva que o normal, esperando que ele viesse da mesma forma que veio antes.
O inimigo bufa, ar saindo da cavidade para a sua boca na armadura, quase como vapor – E de um segundo para o outro, ele se lança para cima de Bane com a espada, que deflete o ataque e segura a força do alien, que parecia fraco embora fosse rápido.
Os dois entram em uma luta de espadas, sem realmente se acertar. As faíscas se tornavam mais intensas conforme as espadas se batiam, até que bane observa o jeito do inimigo.
“Aqui!”
Ele vê uma brecha no padrão de ataques, aproveitando, e atacando contra a barriga do pequeno dragão, que se defende de forma desajeitada, e é jogado para trás com a força do golpe de Bane, rolando no chão.
Conforme o ataque bem feito, Veronika vê momento para atacar, e prepara várias magias em “X” seguidas uma da outra, ativando assim que o dragão para de rolar no chão, as flechas de luz descem com fúria, guiadas e seguindo o inimigo.
Ele vê, e assim que a primeira chega a atingir ele, ele pula para o lado, e recompõe a postura de batalha com certa facilidade pelo seu corpo pequeno, começa a correr em direção a Bane novamente, mas tomando cuidado com as flechas enquanto desvia em zigue-zague – De forma praticamente perfeita, Veronika ativa uma última flecha que pega na direção esquerda do dragão, que quase perfeitamente deflete a flecha, a jogando em um prédio logo ao lado naquele beco.
Ele bufa, parecendo impaciente com a situação, olha para Veronika, e percebe que não havia jeito para alcança-la.
- Eu lido com o grandão primeiro, o mais forte né? Não chega nem perto de mim.
Bane agora não saberia dizer se aquilo talvez pudesse ser verdade, ele não era forte, mas rápido o bastante para que houvesse certa dificuldade em acertar.
Em um passo novamente, ele vai para cima de Bane, que rapidamente deflete o ataque, fazendo o dragão passar reto, ele dá alguns passos e bufa mais uma vez, cada vez que fazia esse gesto, o vapor parecia maior.
Bane continua em posição defensiva enquanto pensa antes de partir realmente para cima – Os ataques não eram imprevisíveis, pareciam ter um certo padrão até que bem simples, talvez ele não fosse tão bom com a espada assim, e somente fosse rápido o bastante para que seus ataques pegassem qualquer um desprevenido.
O dragão parte para cima em velocidade novamente.
“Pela esquerda.”
Bane posiciona a espada onde o dragão atacaria, afinal os outros ataques foram assim – Mas não estaria mais errado, no meio da corrida, o inimigo dá um pulo e começa a pairar no ar, sua espada entra em chamas como se fosse mágica, e daquela luz, como um ataque descendente, ele vai até Bane, que se joga para trás, mas não antes que o dragão acertasse um corte em seu peito, rasgando um pouco de sua camiseta e queimando sua pele.
A dor era grande, Bane segura o ar por alguns segundos, e levanta com a ajuda da espada, sua postura agora um pouco torta, mas ele dá um sorriso confiante o bastante para que o dragão acreditasse que não havia o afetado, enquanto o sangue descia e se misturava ao tecido da roupa.
- Idiota! E ainda tem a indescência de sorrir para mim? Seu merdinha, SEU BOSTINHA!
Ele buffa com mais força, sua espada volta a queimar, mas com mais intensidade, uma chama que agora talvez não acabaria tão cedo, embora Bane não pudesse ver o olhar do dragão, ele sabia que queimava com a intensidade da luta.
- Vem aqui douradinho! Não tô vendo força nenhuma nesse seu golpe aí não!
Antes que o dragão partisse para cima, Veronika fazia mais magias de ataque, mas antes que cancelasse todas, e arrumasse somente uma de “+”.
- Bane! Dá um jeito de vir aqui! Eu preciso de uns segundinhos!
Bane olha para cima, e assim que vê Veronika, ele olha para o dragão que vem em fúria, Bane desvia do ataque, sem qualquer tentativa de contra-ataque, e sobre no prédio que não era tão alto quantos os outros, com somente um pulo, chegando lá em cima, assim que ele sobe, Veronika ativa sua magia, que logo vai até o peito de Bane, curando parcialmente sua queimadura, ele dá um sorriso para ela, recompondo a postura e se esticando um pouco, enquanto o dragão observa lá de baixo, gritando algumas coisas que não importavam agora.
- Me dá suporte, que eu lido com ele.
- C-claro Bane!
Ela sobe novamente, Bane pega a sua espada, e antes que pudesse fazer qualquer coisa, um corte vindo de baixo passa toda a estrutura do prédio, a luz das chamas brilha mais que o próprio sol naquele momento, Bane se joga para o lado, rolando no chão enquanto a parede que ele estava era cortada ao meio, com o inimigo pulando furioso para cima também, agora ele não bufava vapor, e sim as chamas em si, parecia mais irritado do que antes.
O brilho da espada do dragão era mais forte, e chamava atenção o bastante.
- Não ouse me deixar para lutar sozinho! VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO!
Ele arrasta a espada no chão com ódio, a chama fazendo um rastro chamuscado pelo topo do concreto cinzento do prédio
- Opa, opa, calma corno, só porque tem dois chifres não quer dizer que é touro!
O dragão novamente parte em fúria, com Bane defletindo o ataque, que agora, mesmo sendo defendido, ainda queimava suas mãos que seguravam a espada, praticamente impossível não se machucar – o Inimigo passa reto novamente, enfiando a espada no chão para que parasse de deslizar, mas como estava queimando, ao enfiar no concreto ela desliza junto, cortando totalmente aquela parte do teto.
Ele começa a girar a espada em fúria, bufando mais ainda, as labaredas de fogo eram deixadas como rastro da espada pelo ar.
O dragão dá um pulo, e tenta novamente um ataque descendente, Bane desvia com certa facilidade, já pronto dessa vez, mas o dragão não desiste e avança em mais um ataque que o herói deflete, seguidamente de outros três, e por final um ataque de baixo, que Bane segura com sua espada com somente uma mão, que queima a medida que mantém contato com a espada, mas naquele segundo, Bane já havia decidido seu ataque – Com a outra mão, ele estende e faz o cabo de uma arma aparecer, rapidamente ele troca a mão que segurava a espada, por seu pé que continua fazendo força mantendo o dragão contra o chão, que sem ver, é atingido por uma espada a mais que Bane guardava dentro da luva, uma espada simples mas efetiva com a força de Bane, que joga o dragão para trás com a pressão dele, ele desliza, tentando cravar a espada no chão em vão, e quase cai do prédio.
- Acabou.
Antes que o inimigo pudesse se recompor, ele é atingido pelas costas com três flechas de luz de Veronika, que jogam ele para frente, fazendo com que caia ainda segurando a espada – Bane aproveita e parte para cima, recuperando sua espada principal no chão, ele chega no corpo do dragão caído contra o concreto, mas antes que agisse, sua visão é ofuscada por uma grande labareda de fogo, e ele anda para trás confuso.
Assim que recupera os sentidos, Bane percebe o inimigo novamente de pé, mas agora, sua armadura inteira pegava fogo, até seus chifres, criando uma silhueta quase diabólica, suas bufadas eram praticamente sopros fortes de fogo de algum dragão da ficção, e sua espada já não poderia ser mais vista em meio a tantas chamas fortes – Não mais uma chama avermelhada normal, ela explode por mais uma vez, se tornando uma chama totalmente azul reluzente, era imponente, e assustador de ver embora o tamanho ridículo do inimigo,
Bane dá alguns passos para trás, olhando para Veronika que também se afasta, o calor do inimigo poderia ser sentido a metros de distância já.
- Nada disso. Acabou pra vocês, eu já dei todas as chances que poderia, agora vocês.. VOCÊS VÃO MORRER COM AS MINHAS CHAMAS!
O chão abaixo do dragão quase derretia enquanto ele pisava, o calor era visível, era infernal.
“O que a gente faz?”
Era o que os dois pensavam ao mesmo tempo enquanto olhavam para o inimigo.