15
Eu Queria Saber Mais
- Deve ser aqui como haviam dito.
Mark para, em frente a uma estrutura relativamente pequena em comparação com as outras que havia passado por nesse planeta, ela parece rústica, com grandes pilares ornamentados ao redor de sua porta principal, e um letreiro que não parecia brilhar como os outros brilhavam – Em poucos segundos, Dash derrapa ao seu lado, parando levemente ofegante.
- Corremos demais né? Foi difícil achar.
- Aqui é menor que os outros, embora chame atenção pelos.. Detalhes.
- Sim, é bem diferente na verdade.
- Mas é o lugar certo.
Ele se aproxima da entrada, um grande arco que Mark passa, e dá de cara com uma atmosfera que esfria mais, ao entrar, todo o barulho do planeta que não parava lá fora parece desaparecer, e dar lugar a algo diferente, quase como se adentrasse um local proibido – Mark por um segundo esquece de pairar sobre o chão, e toca com seus pés no chão frio, dando passos lentos enquanto observa estantes que se mostravam mais à frente.
- Que lugar bonito né? Lembra.. Não sei, um museu de filme ou coisa assim.
- É um ótimo lugar.. Que interessante.
Mark começa a se aproximar de uma estante, eram vários e vários livros, e embora não entendesse totalmente a princípio as frases escritas, e nem sequer o alfabeto que continha letras ligeiramente diferentes, ele continuava encantado por tanto assim.
- Éehh.. Só não sumam com nenhum livro aí..
Uma nublusiana em um balcão próximo, ela parece desinteressada mexendo em o que parece ser um computador sem sequer olhar para eles.
- Ah! A gente tem isso aqui, se te deixa menos preocupada.
Dash se aproxima do balcão e mostra para a alienígena, que olha de canto de olho desinteressada e só faz um gesto para que fossem logo, Dash assente e olha para trás procurando Mark, que nem estava mais ali – Ela suspira, e começa a andar pela biblioteca, se enfiando no meio das várias estantes que se mostravam, olhando para os livros que nem entendia direito.
- Nunca vi um lugar assim..
Ela continua andando, até achar algo que chama sua atenção, um guarda-corpo que ela se aproxima, até ver algo bem mais interessante, um grande buraco, uma descida em espiral na biblioteca, que parecia ter em torno de mais quatro a seis andares, cheios de estantes, e alienígenas andando de um lado para o outro, lendo livros, conversando, embora o silêncio parecesse pairar mais ainda, como um santuário – Ela começa a descer as escadas em espiral lentamente, olhando de um lado para o outro, admirando, mas a procura de Mark que havia sumido.
- Tem tanta coisa aqui.. Queria poder entender metade disso pelo menos.
Ela para em uma das estantes e puxa um livro, abrindo e tentando ler as palavras que não entendia, embora as letras na maioria das vezes fossem as mesmas do alfabeto que conhecia, como eram disponibilizadas era mais estranho – Embora ela tivesse aprendido um pouco com Reni, não teria entendido tudo, e nem procurado aprender mais que aquilo.
-
- Tá lendo o que aí?
Ela olha para trás sentindo o toque morno em seu ombro, dá um pulinho de susto e ajeita o seu óculos, fechando o livro que estava lendo instantaneamente, colocando atrás de si mesma como se tivesse vergonha.
- E-eu tava só.. Ah.. Você me pegou vai!
Ela tira o livro de trás, era o livro “Astrofísica para Apressados”, um livro famoso que explicava o que propusera, uma aula de astrofísica em formato de livro com curiosidades e coisas do tipo, não era o que costumava ler – Ela coloca o livro embaixo do braço, e tira uma mecha de cabelo do rosto, levemente envergonhada ainda.
- Astrofísica é? Decidiu estudar um pouquinho minha flor?
Ele puxa a garota pela cintura, beijando sua boca de forma bem apaixonada, enquanto tira o livro dela e distancia – A garota aceita o beijo, e abre um sorrisinho feliz soltando uma risada satisfeita.
- Você sabe.. Eu tô meio nervosa, olha o negócio que eu tô enfiada amor! É tudo tão.. Novo, e eu quero entender o máximo que conseguir sobre tudo isso!
Ela se afasta do abraço dele, pegando o livro de volta e girando no corredor da livraria gesticulando como se apresentasse um projeto – Ele cruza os braços, o homem era um pouco mais alto de ela, bem apessoado, vestia um suéter marrom, tinha um cabelo castanho brilhando com o creme que havia passado aquela manhã, e suas calças jeans bem preservadas destacavam e traziam aquela personalidade arrumada para o homem.
- Não fica preocupada florzinha.. Você vai se dar bem, ainda falta um mês, por enquanto, vê se deixa os livros de lado, e vamos aproveitar esse tempo que resta juntos tá bom?
Ele coloca o livro na estante novamente, chegando próximo da garota e abraçando ela com certa força, ele beija a sua testa e passa a mão em seus cabelos loiros longos – Ela abraça ele de volta, com força, como se não quisesse mais soltar.
- Eu te amo amor, você é maravilhoso..
- Também te amo flor.
-
Ela coloca o livro de volta na estante, e olha para cima, encarando o teto de madeira do andar que estava, com ele encarando novamente – Ela volta seu olhar para frente, e continua andando a procura de Mark, até que após alguns minutos, ela o acha.
Mark estava sentado em uma mesa, haviam em torno de doze livros em seu redor, enquanto ele estava lendo um – Ela se aproxima lentamente, puxando uma cadeira e sentando no lado contrário da mesa, enquanto ele murmurava focado nos livros.
- Então.. Achou alguma coisa interessante?
- Eu ainda não sei ler essa língua de forma completa, estou limitado quanto aos conhecimentos que poderia tomar.. Então, pedi ajuda para nativos, e agora estou aprendendo sua língua antes de qualquer outro passo.
Ela se reencosta na cadeira, suspirando.
- Ah.. É?
- Você gostaria de estudar também? Tenho vários livros que acabaram me indicando.
- Não.. Acho que não funciono pra essa parte..
Ela dá uma risadinha enquanto flexiona um pouco os braços, se espreguiçando enquanto boceja um pouco e olha para o teto ainda.
- Eu acho que vou dar uma volta então, o que acha?
- Como você achar melhor, eu irei estudar por muito tempo, então faça como quiser.
- Tá bom.
Ela levanta da mesa, e anda até a saída do estabelecimento, subindo a escada novamente, e agora saindo da biblioteca – Ela dá alguns passos para fora a lua começando a tomar conta do céu que ela olha, o dia havia acabado já.
-
- Desculpa, eu tive que vir, mas eu prometo que até você ir eu tô de volta, tá bom flor?
- Você.. Poderia ter me avisado né? Eu fiquei um tempo te procurando.
- É que foi muito em cima da hora, eles nos chamaram e.. Sabe, eu não posso só não aceitar né?
- Tá bem.. Mas você promete que você vai estar de volta mesmo?
Ela segura o celular contra seu ouvido com certa força, enquanto olha para cima, as nuvens passando devagar entre aquele sol bonito.
No outro lado do mundo, ele pisa na neve fofa com suas botas quentes, arrumando seu casaco direito, se vira, e fecha o zíper da barraca rapidamente, saindo para fora naquele vento ártico que passava por seu corpo, o fazendo tremer bastante ao sair da tenda quente.
- Eu prometo flor, prometo, é algo rápido.
- Ei Joe! Vem ver isso aqui rápido mano!
Um colega acena longe, do outro lado da barraca, ele se vira vendo todos os outros chamando ele, ao envolta de um fogão aquecido enquanto pareciam comer algo que haviam trazido, eles estavam sentados em cadeiras virados para o horizonte, o lago congelado mais à frente refletia o céu noturno da noite polar, ele se aproxima, e senta em uma cadeira, deslumbrado pelo horizonte.
O céu a sua frente, brilhava em tons de cores arco-íris, as montanhas ao longe pareciam dar mais vida as paisagens que refletiam as estrelas no céu, uma variedade grande, que brilhava tão próximo, mas ao mesmo tempo tão perto assim.
- Lindy! Espera um segundo, eu.. Eu só queria dizer que, o céu tá lindo. Eu queria que você estivesse aqui comigo tanto, eu te amo, muito, e vou estar contigo pelo tempo que resta.
- Eu também te amo, queria que você tivesse aqui..
O som súbito de Lindsay desligando deixa um silêncio naquele momento, Joe abaixa o celular e guarda em um bolso mais quente dentro de sua blusa apeluciada, ele pega uma garrafa de bebida em uma caixa ao lado, e abre, bebendo um gole.
- Eu vou estar aí.. Prometo..
-
Ela senta no chão, e se encosta na parede da biblioteca, tirando seu capacete e descansando a cabeça, ela arruma seu cabelo e olha um pouco para o céu, que mesmo com as luzes da cidade, mostra estrelas brilhantes por todo o seu comprimento – De pouco a pouco, seus olhos se fecham, e ela cai no sono com certo cansaço.
-
Horas se passam, e devagar, ela abre os olhos e estranhamente, seu capacete ainda estava do seu lado, e agora a luz do sol começava a raiar, em seu lado, de pé Mark pairava olhando para o céu – Ela arruma o capacete rapidamente como se estivesse assustada, e se levanta.
- Parou de estudar foi?
- Eu precisava me alimentar.
Ela olha para ele estranhando, mas olha para o sol, e concorda – Olha para dentro da biblioteca, e para si mesma novamente.
- Também tô precisando comer alguma coisa.. Me acompanha?
Mark olha para ela por um segundo, mas logo assente, decidindo a acompanhar – Dash se vira, e começa a andar pela rua com certa calma, aproveitando um pouco a mudança de ares.
- Você encontrou alguma coisa? Conseguiu estudar o que queria?
- Eu aprendi a língua deles acredito, foi um estudo demorado de certa forma. Mas, de resto, acabei não estudando sobre o arqueólogo ou seus cachorros.
- Entendi, mas pelo menos conseguiu aprender o mais importante né! Depois a gente volta, e daí você continua os seus estudos!
- Claro, é claro.
Os dois andam por mais alguns minutos, até acharem o que parece ser um restaurante ou café, com mesas em um local na parte de fora, e alienígenas de diversas raças comendo – Eles se entreolham, mas entram sem pensar muito, sentando em uma das mesas que já tinha cardápios em cima, os dois abrem e começam a ler, Dash tenta ler cada uma das frases no cardápio, mas assim como o livro, não havia entendido nada.
- Ei.. Mark, você entendeu algo?
Ela toca no braço dele que estava do outro lado da mesa, meio nervosa na situação – Mark olha para ela, e começa a ler o cardápio em voz alta.
- Primeira coluna, temos Yfir em Tech com Almógebras, Grenal ao Molho, Fizitor, na segund-
Ela para ele no meio de suas frases com um tapinha no braço.
- Não é como se eu fosse entender os nomes estranhos Mark!
- Eu sei todos esses ingredientes, estudei um livro de culinária alienígena, eu entendo tudo.
- Então pede uma coisa que acha boa aí!
Ele levanta a mão, esperando um garçom nublusiano aparecer, logo ele chega na mesa, e Mark aponta para um dos pratos no cardápio.
- Eu quero esse, Leveni salgado.
- Ótima escolha senhor!
Ele anota o pedido em um de seus tablets, e sai em direção ao que talvez seja a cozinha.
- Tem certeza que isso é bom? É tipo o que?
- Macarrão.
- Eu amo macarrão!
Os dois esperam em torno de dez minutos enquanto conversam sobre o dialeto alienígena, logo depois, o garçom aparece novamente com uma tigela, e deixa na frente dos dois no meio da mesa – Dentro da tigela, uma sopa verde com o que pareciam folhas de alguma planta boiando no líquido, Dash tira o capacete, se aproxima, olha, e sobe o olhar lentamente olhando na máscara sem expressões faciais que Mark usava.
- Isso não é macarrão.
- Eles devem ter feito o pedido errado.
- Então vamos reclamar!
- Não vamos.
- Mas por que? O pedido tá errado não tá?
- Segundo as regras desse planeta, o restaurante sempre tem a razão.
- Que regra estranha.
- Eu também acho, por isso, não vamos reclamar.
- Eu quero reclamar, eles tem que entender de onde viemos, e entender que o prato tá errado!
- Come isso daí mesmo, não tem diferença.
- Eu não vou comer essa sopa estranha, quero macarrão!
- Hoje não tem macarrão, acabou no estoque, é o que me disseram.
- E quando falaram isso?
- Eu encontrei o garçom na biblioteca enquanto você dormia.
- O que?
- Sim.
- Eu não sei se acredito em você.
- Pois deveria, eu estou certo.
- Uhh..
Eles começam a se olhar por alguns segundos, um clima levemente estranho se instaura – Mas antes que qualquer um pudesse dizer outra palavra, uma mão cai sobre o ombro de Mark, pesando e quase derrubando ele da cadeira, a mão sequer cabia em seu ombro direito.
- Posso provar um pouquinho da comida?
Uma silhueta grande para atrás dele, Dash afasta levemente a cadeira já preparada para qualquer coisa – Era um grande ser, de dois metros, talvez um pouco mais que esse número em si, ele tinha quatro braços cheios de cicatrizes, seu tom de pele era um azul que se mostrava mais escuro em certas partes, um peito branco, e um rosto redondo, com uma boca que demonstrava um sorriso confiante, os olhos grandes e amarelados tinham cicatrizes vermelhas descendo como lágrimas. Além disso, aos lados de sua cabeça duas grandes antenas se mostram, ele tem grandes pernas e pés com cascos, que parecem manter ele em um equilíbrio quase perfeito com seu corpo pesado, em suas costas, uma grande canoa de madeira com dois remos, e escritas estranhas em seu comprimento.
Mark para, sem olhar para trás e olhando somente para Dash por alguns segundos.
- Pode, claro que pode senhor..
Ela se levanta devagar, pegando a sopa e entregando para ele, que aceita com uma de suas mãos e bebe em pouquíssimos segundos, deixando o prato na mesa com certo cuidado.
- Eu não vou sair mentindo aqui, não sou que nem os outros que vem com todo um papinho de mentira.
Ele retira a mão do ombro de Mark e se afasta devagar, seus passos ecoando com o peso.
- Eu tô aqui pra matar os cinco, é simples, mas, não vou ser covarde e atacar de surpresa! Eu sou um bom adversário! É o mínimo não acham?
Mark se levanta e vai até o lado de Dash, que começa a sussurar baixo enquanto o alienígena se afasta.
- Não faz nada agora, deixa que eu tento conversar.
O inimigo sai do restaurante, e vai até o meio da rua, esperando os dois enquanto dá uma certa risada – Eles se aproximam lentamente, tomando cuidado com qualquer movimento brusco.
- Então, que bom que explicou isso né! Eu não gosto de quem ataca de surpresa!
- Te entendo perfeitamente menina! É um saco lidar com quem vem desse jeito que eu julgo covarde, tem que ter coragem, tem que ter confiança!
Ela tenta manter uma pose confiante na frente dele, cruzando os braços embora estivesse pronta para desviar a qualquer segundo.
- Gostei de você, parece forte! Eu tenho uma proposta, a gente luta aqui, eu deixo teu amiguinho ir embora, e depois quando você estiver morta, eu caço vocês! Quero dar uma chance para que fujam do planeta, a gente não busca matar ninguém!
- Ó-ótima proposta! Uma luta de um para um! Por mim tá ótimo.
Ela se vira para Mark rapidamente e sussurra.
- Mark, vai embora.
- Como achar melhor.
Sem pensar, Mark some de vista como luz, enquanto Dash se mantém ali no meio da rua encarando a grande ameaça que estava em sua frente, era um inimigo tão confiante, que faria até a garota começar a duvidar de si própria.
- Então tá ótimo, vem aqui, um cumprimento antes da luta.
Ele estende a mão, ela se aproxima com cuidado, e aperta a mão do alien, que não aperta tão forte assim, com certa modéstia – Logo depois, os dois se afastam, Dash coloca um pé para trás e flexiona levemente os joelhos, para entrar em velocidade assim que a luta começasse.
- Então vamos lá menina!