Prólogo — O Despertar
Antes de começar a contar como vim parar neste mundo de espadas e magia, preciso contar como deixei o outro para trás.
Meu nome era Alexander.
Eu era uma pessoa comum. Roupas simples, vida simples, sonhos simples.
Minha maior paixão eram MMORPGs. Entre o trabalho e os estudos, sempre encontrava algum tempo para jogar, mesmo cansado. Era minha forma de escapar da realidade por algumas horas.
Meus favoritos eram Mu Online e Ragnarok Online. Passei boa parte da adolescência neles, fazendo amizades online que, estranhamente, pareciam mais fáceis do que conversar cara a cara com alguém.
Não que eu fosse antissocial.
Eu conseguia conversar normalmente… mas criar conexões reais era difícil.
Ainda assim, não posso reclamar da vida que tive.
Tive uma boa família. Pais amorosos. Uma casa simples, mas confortável. Meu maior sonho era, um dia, construir algo parecido para mim mesmo.
Por isso me esforçava nos estudos.
Não era um gênio, nem o melhor da turma. Só alguém comum tentando garantir um futuro estável. Uma boa faculdade, um emprego decente… talvez uma família feliz.
Mas a vida raramente segue os planos de alguém.
Com o tempo, perdi meu pai.
Restamos apenas eu e minha mãe.
Naquele momento, abandonar tudo para seguir meus próprios sonhos parecia errado. Então comecei a trabalhar em tempo integral para ajudá-la. Meus planos foram adiados sem que eu percebesse.
Os anos passaram rápido.
Minha mãe começou a parecer cada vez mais cansada, mais frágil… embora sempre escondesse isso de mim com um sorriso.
Ela nunca queria me preocupar.
E foi nesse período que deixei de existir naquele mundo.
Naquela noite, voltei do trabalho como sempre fazia.
Desci do ônibus, caminhei pelas ruas familiares e cheguei em casa já pensando em tomar banho e dormir.
Mas algo parecia errado.
A porta da frente estava entreaberta.
Uma fresta fina deixava a luz do corredor escapar para fora.
Pensei que minha mãe tivesse esquecido de fechar direito.
Segurei a maçaneta e empurrei a porta devagar.
— Mãe, cheguei.
Silêncio.
Estranho.
Apenas a luz do corredor estava acesa.
Deixei minha mochila perto da entrada e caminhei até o quarto dela.
Tudo estava revirado.
Gavetas abertas.
Roupas jogadas.
O coração começou a bater mais forte.
Foi então que percebi uma silhueta sentada no sofá da sala.
Por um instante, senti alívio.
Mas quando acendi a luz…
Meu corpo congelou.
— …Mãe?
Ela estava imóvel.
Uma mancha vermelha escorria lentamente por sua cabeça.
Minha mente recusava entender o que estava vendo.
— Não… não… mãe… acorda…
Toquei seu rosto.
Gelado.
Sem reação.
Sem vida.
E naquele instante percebi tarde demais.
A casa havia sido invadida.
Eles ainda estavam ali.
Antes que eu pudesse reagir, ouvi passos atrás de mim.
Me virei no reflexo e vi um homem apontando uma arma na minha direção.
Talvez tenha sido instinto.
Talvez raiva.
Talvez desespero.
Eu avancei.
A única coisa que lembro depois disso foi um som parecido com um trovão.
Então calor.
Dor.
O homem fugindo.
E eu… me arrastando lentamente até minha mãe.
Minha visão escurecia a cada movimento.
O ar parecia pesado.
Frio.
Distante.
Até que tudo desapareceu.
Ou pelo menos foi o que pensei.
Porque, quando abri os olhos novamente…
Eu estava em uma sala completamente branca.
E, no centro dela, havia um velho sentado me observando.