"Hyo, me espera Você sabe que sou mais lento que você" gritou Kataki, tentando recuperar o fôlego enquanto corria com todas as suas forças.À frente dele, o vento batia no cabelo de seu melhor amigo, que sequer parecia cansado do esforço físico. Hyou olhou para trás com um sorriso travesso no rosto, diminuindo o ritmo apenas o suficiente para provocar. "Ah, Taki... Eu não tenho culpa de você ser um fracote, hihi!" rebateu ele com uma risada leve, antes de disparar novamente, deixando o irmão adotivo para trás mais uma vez Eles continuaram correndo pela calçada, com Kataki tentando inutilmente alcançar o amigo, até que dobraram a esquina da rua onde moravam. Hyou chegou primeiro, tocando o portão de ferro da casa com as duas mãos e gritando vitória."Ganhei de novo! Você me deve um lanche, Taki!", comemorou Hyou, limpando uma gota de suor da testa, embora seu fôlego estivesse praticamente intacto.Kataki desabou no degrau da entrada, apoiando as mãos nos joelhos enquanto tentava fazer o pulmão voltar ao normal. "Você trapaceou, Hy... Você começou a correr antes do sinal."Hyou deu uma risada alta e puxou o amigo pelo braço para entrarem. Aquela era a casa da família de Hyou, mas para Kataki, era o seu único lar. Cinco anos atrás, quando Kataki era apenas uma criança pequena, seus pais biológicos foram mortos de forma brutal. Sem nenhum parente, ele teria ido para um abrigo, mas o pai de Hyou, que era o melhor amigo de seu pai, não permitiu. Ele adotou Kataki no mesmo dia. Desde então, Hyou e Kataki cresceram juntos, dividindo roupas, segredos e o mesmo quarto, como se fossem verdadeiros irmãos de sangue.Assim que empurraram a porta da frente, o cheiro de comida caseira invadiu o ambiente. Na cozinha, os pais de Hyou terminavam de arrumar a mesa para o almoço."Olha só quem chegou. Pelo barulho no portão, aposto que o Hyou ganhou a corrida de novo", disse o pai, largando o jornal e sorrindo para os dois rapazes.A mãe apareceu logo atrás com uma travessa de comida quente. "Não provoque o Kataki, querido. Lavem as mãos, meninos, o almoço está servido."Durante a refeição, a atmosfera era de pura paz. Eles conversaram sobre a escola, sobre o futuro e os pais elogiaram o esforço de Kataki nos estudos. Hyou, orgulhoso, bateu no ombro do irmão adotivo, dizendo que Kataki seria um gênio enquanto ele seria o atleta da família. Ninguém ali dentro imaginava que aquelas seriam as últimas memórias felizes que teriam juntos.Depois de ajudarem a limpar a cozinha, a tarde passou rápido entre jogos e conversas no quarto. Quando o relógio marcou sete da noite, a lua já estava alta e o céu completamente escuro. Hyou deu um pulo da cama e pegou um casaco."Ei, Taki, o céu está limpo hoje. Vamos lá no parque da colina ver as estrelas? Os pais deixaram a gente sair se voltarmos antes das nove", chamou Hyou, já abrindo a porta do quarto.Kataki hesitou por um segundo, olhando para a janela. Por algum motivo, a noite parecia mais silenciosa do que o normal, e o vento que batia nos vidros trazia uma sensação estranha e gelada. Mas, ao ver o sorriso animado do amigo, ele deixou o pressentimento de lado."Está bem, vamos. Mas dessa vez sem corrida", respondeu Kataki, pegando seu casaco e seguindo o irmão para fora de casa, sem saber que estava caminhando direto para o pior pesadelo de sua vida.