Já estava amanhecendo quando o cavalo chegou ao acampamento dos anões.
O alvoroço causado por aquela chegada deixou claro para todos que algo grave havia acontecido.
Afinal, aquele era o cavalo de Morin, e ele jamais retornaria sozinho — ainda mais assustado, sem a carroça e sem o condutor.
Naquela mesma manhã, um mensageiro retornava à vila élfica trazendo notícias de Rions sobre o que fora descoberto em Dunnas.
Diante do líder Fangnar e de sua filha mais velha, Lilith, Guirrer relatou:
— O rastreador confirmou que Síron realmente se esconde em território de Dunnas. Segundo ele, os sombrios estão com pouca proteção. Ao que parece, os Renegados se dividiram: parte permanece com Síron, oculto nas Cordilheiras da Morte, e o outro grupo estaria em território de Azhes. Ele suspeita que os sombrios romperam a magia que selava as tumbas imperiais e que agora estão escondidos ali.
— E há mais, meu senhor — continuou Guirrer. — O rastreador afirma que Black não passou por Dunnas e acredita que ela possa estar com o segundo grupo, aquele que vai às tumbas.
Lilith, de pé ao lado do pai, comentou:
— Esse movimento deles está completamente fora do usual… não estão agindo como sombrios.
Fangnar assentiu, pensativo.
— Não importa o nosso tratado. A verdade é que os sombrios nunca foram capazes de lidar com seus próprios problemas, e agora estão mexendo com relíquias e solo sagrado de outros tempos.
— Obrigado, mensageiro Guirrer. Pode retornar ao seu posto.
O elfo se retirou, e Lilith voltou a falar:
— Tenho certeza de que meu irmão quer agir, e desta vez concordo com ele. Não podemos deixar Síron livre para fazer o que quiser.
Fangnar respondeu com voz serena, mas firme:
— Não se precipite, minha filha. As ações desses sombrios não devem afetar o nosso povo. Que os humanos ajam — as relíquias e os templos estão em terras deles.
— Não discordo do senhor, meu pai — disse Lilith, cruzando os braços. — Mas os humanos são incapazes de enxergar o perigo das ações dos Renegados.
O líder dos elfos permaneceu em silêncio por um instante, pensativo. Então deu uma nova ordem:
— Vá ao Templo Élfico e pesquise nos pergaminhos antigos tudo o que puder sobre o Báculo de Asterion. Veja também se encontra algo sobre o antigo império e suas tumbas.
Lilith assentiu, montou em seu cavalo branco e partiu rumo ao Templo do Carvalho, uma grande construção élfica erguida não muito distante do vilarejo.
Ali eram treinados os elfos aptos à manipulação mágica, e o local abrigava uma biblioteca repleta de livros e pergaminhos com histórias e lendas antigas.
Assim que chegou à entrada, deparou-se com uma escadaria de marfim que levava até o enorme salão principal. Ao subir, foi recebida por um jovem mago.
— Saudações, feiticeiro Jeremy — disse ela. — Sou Lilith, filha de Fangnar. Venho em nome dele em busca de conhecimento sobre o Báculo de Asterion e as tumbas do antigo império.
O mago curvou-se levemente.
— Seja bem-vinda, senhorita. O pergaminho que contém informações sobre essa relíquia está no andar superior, nos corredores azuis. Já a história sobre o Império de Galanty pode ser encontrada no subsolo, nos corredores de tons marrons e pretos.
— Agradeço — respondeu Lilith.
E pensou:
Começarei pelo báculo.
Seguiu então para os corredores azuis, passando o resto do dia lendo inúmeros pergaminhos sobre antigas relíquias, até que finalmente encontrou um texto que mencionava o báculo roubado.
Leu em voz baixa:
— “Em um passado muito distante, esse báculo pertenceu a um feiticeiro humano de grande poder. Por ser um dos puros sacerdotes daquela era, recebeu-o de presente do Oráculo Eterno. Criado com o propósito de desfazer selos e castigos, o báculo era uma arma misteriosa e única, usada nas batalhas contra os Deuses.”
Depois, Lilith desceu ao subsolo, pelos corredores marrons. Não demorou a encontrar os textos sobre as tumbas do antigo imperador.
Descobriu que as tumbas haviam sido construídas para separar o sangue imperial dos demais, e que apenas membros da família real poderiam visitar ou ser sepultados ali.
O imperador escolhera aquele local por ser o mesmo onde enfrentara a deusa Havent pela última vez — e onde, segundo os registros, aprisionou a magia dela naquelas terras.