— Amanhã a gente pode ir ao shopping. O que vocês acham? — perguntou uma das amigas.
— Aaaah, vamos! Eu estava precisando sair para comprar roupas, já que o clima está ficando frio. Você vai poder ir, Miku? — disse outra amiga.
— Ah, vou sim. Que horas a gente vai? — respondeu Miku.
— Pode ser às dez da manhã — sugeriu a outra.
— Sim! — concordaram as duas.
Depois disso, elas terminaram de arrumar suas coisas para ir embora.
No portão da escola, as três se despediram.
— Tchau, Miku e Minami. A gente se vê amanhã!
— Tchau, até amanhã! — disse Miku.
— Tchau! — respondeu Minami.
As três seguiram caminhos diferentes.
— Então, tchau, Miku. Amanhã nos vemos.
— Claro. Até amanhã! — respondeu Miku.
Minami foi embora, e Miku continuou caminhando sozinha.
Ela olhou para a rua quase vazia. Já estava anoitecendo, e um vento frio soprava pelas calçadas.
Ao passar por uma máquina de refrigerantes, decidiu comprar uma lata. Abriu-a e começou a beber enquanto caminhava.
Quando chegou a uma faixa de pedestres, esperou o sinal abrir.
O vento ficou mais forte.
O sinal mudou para verde.
Miku começou a atravessar a rua.
Faltavam apenas alguns passos para chegar ao outro lado quando ouviu o som agudo de pneus derrapando.
Ela virou a cabeça.
Uma luz intensa veio em sua direção.
Tudo aconteceu em um instante.
A lata de refrigerante escapou de sua mão e caiu no asfalto.
O silêncio da rua foi quebrado por um forte impacto.
E então, havia apenas sangue espalhado pelo chão.
— Meu Deus! Ela vai ficar bem?
— Eu estava passando e a encontrei caída aqui!
— Por favor, afastem-se!
Os paramédicos correram até a garota.
— Ela está perdendo muito sangue na cabeça!
— Tragam os curativos, rápido!
Um dos socorristas se ajoelhou ao lado dela.
— Ei, você está me ouvindo, garotinha? Vai ficar tudo bem, tá bom?
Miku tentou abrir os olhos.
"O... quê...?"
Sua visão estava embaçada. As vozes pareciam distantes.
Pouco depois, ela foi colocada dentro da ambulância.
As sirenes ecoaram pela noite enquanto o veículo seguia em direção ao hospital.
---
No hospital, os pais de Miku aguardavam sentados na sala de espera.
O silêncio era pesado.
Quando um médico se aproximou, a mãe se levantou imediatamente.
— Doutor! — disse ela, com lágrimas nos olhos. — Minha filha vai ficar bem, não vai?
O médico respirou fundo antes de responder.
— Ela está se recuperando melhor do que esperávamos. No momento, seu estado é estável.
Os pais suspiraram aliviados, mas o médico continuou.
— Porém, ainda não sabemos quando ela irá acordar.
O clima voltou a ficar tenso.
— Infelizmente, o acidente deixou cicatrizes permanentes. A maior parte dos ferimentos atingiu o rosto.
A mãe levou a mão à boca.
— Mas houve sorte em meio à tragédia. Apenas um lado do rosto foi gravemente afetado.
O médico abaixou os olhos por um instante.
— Também não sabemos se houve perda de memória ou alguma outra sequela. Precisaremos realizar mais exames quando ela despertar.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da mãe.
— Não...
O pai a abraçou com força.
— Vai ficar tudo bem — disse ele, embora sua própria voz estivesse trêmula.
Os dois permaneceram abraçados, esperando por notícias da filha.
**1 mês antes**
Durante o intervalo, Miku estava sentada com suas amigas no pátio da escola, tomando uma caixinha de suco.
— Miku, o que você quer ser quando crescer? — perguntou uma das garotas.
Miku pensou por alguns segundos antes de responder.
— Hum... acho que eu gostaria de abrir uma cafeteria.
— Sério? — perguntou outra amiga.
— Sim. Eu gosto de lugares tranquilos. Além disso, eu queria ter um namorado e, quem sabe, uma família no futuro.
As amigas sorriram.
— E vocês? — perguntou Miku.
— Eu quero ser uma VTuber! — respondeu uma delas imediatamente. — Não estou a fim de ficar presa em um escritório trabalhando o dia inteiro.
As outras deram risada.
— E eu também queria ter um namorado.
— E você, Minami? — perguntou Miku.
Minami levou a mão ao queixo, pensativa.
— Bom... assim como vocês, eu também gostaria de ter um namorado um dia.
— Só isso? — perguntou uma das amigas.
— Quanto ao futuro... eu realmente não sei o que quero fazer ainda.
— Você tem bastante tempo para decidir — disse Miku com um sorriso.
As três continuaram conversando enquanto aproveitavam o intervalo.
A cena corta para a biblioteca da escola.
— Miku, acorda! A gente precisa da sua ajuda.
Miku abriu os olhos lentamente, ainda sonolenta.
— Hã...? Onde eu estou?
Uma de suas amigas deu uma risada.
— Você está na escola, na biblioteca.
— Esqueceu? Você disse que ia nos ajudar a estudar.
— É mesmo — confirmou Minami. — Até agora há pouco você estava explicando a matéria para a gente, mas acabou dormindo.
Miku bocejou e esfregou os olhos.
— É que eu estudei bastante ontem. As provas estão chegando, então acabei ficando acordada até tarde.
— Você leva os estudos muito a sério — comentou uma das garotas.
— Alguém precisa tirar notas boas nesse grupo — respondeu Miku com um sorriso.
A cena corta para um karaokê.
— A gente vai fazer isso mesmo? — perguntou uma das garotas.
— É claro que vamos! Eu fiquei sem comer o dia inteiro esperando por esse momento! — respondeu outra amiga animada.
Miku olhou para a porta.
— Tem alguém vindo aí miku?
Não ninguém.
Ela continuou encarando a entrada por alguns segundos.
— Ei, Tsukasa, essa mochila aí é sua?
— Hã? — Tsukasa olhou para as próprias costas. — Ah, é sim.
Agente tinha combina de eu trazer na mochila.
— Eu não estava achando minha mochila mais cedo. Se não encontrasse, ia acabar trazendo tudo em uma sacola.
— Ainda bem que você encontrou — comentou uma das garotas.
— É, ainda bem mesmo — concordou Miku.
Tsukasa tirou a mochila das costas e colocou sobre a mesa.
— Então, vamos começar!
Ela abriu o zíper.
Pacotes de salgadinho, doces, bolinhos e garrafas de refrigerante começaram a aparecer.
— VAMOOOS! — gritaram todos ao mesmo tempo.
---
Algum tempo depois...
A mesa estava quase vazia.
— Eu não aguento mais comer... — reclamou uma das garotas.
Mas duas pessoas ainda continuavam firmes na disputa.
Miku e Tsukasa.
— Só sobrou esse refrigerante... — disse Miku.
— Eu não vou deixar! — respondeu Tsukasa, quase caindo da cadeira de tanto comer.
— Então venha me impedir!
— Só falta esse bolinho!
Tsukasa conseguiu pegar o último bolinho.
— Eu venci...
Logo depois, caiu para trás.
— Tsukasa!
Miku aproveitou a oportunidade e tomou o último gole do refrigerante.
— Consegui!
Ela levantou os braços em comemoração.
Mas alguns segundos depois...
— Acho que eu também exagerei...
E caiu ao lado de Tsukasa.
O resto do grupo caiu na gargalhada
**Semanas depois...**
Miku estava deitada na cama do hospital.
Lágrimas escorriam silenciosamente por seu rosto.
Seus olhos se abriram lentamente.
Por alguns segundos, ela ficou confusa.
O teto branco.
O cheiro de remédios.
O som distante de máquinas.
"Onde eu estou...?"
Ela levou a mão ao rosto e percebeu as lágrimas.
Sem entender o motivo, tentou limpá-las.
Então seus dedos tocaram algo estranho.
Curativos.
Muitos curativos.
Seu coração acelerou.
Com cuidado, ela passou a mão pelo lado esquerdo do rosto.
As faixas cobriam grande parte daquela região.
Assustada, tentou tocar o olho esquerdo.
Mas algo estava errado.
Ela não conseguia sentir nada.
Miku ficou imóvel.
Seu corpo começou a tremer.
Naquele instante, a porta do quarto se abriu.
Seu pai entrou carregando uma bandeja de comida.
Ao olhar para a cama, ele congelou.
A bandeja escapou de suas mãos.
Os pratos caíram no chão com um estrondo.
— M-Miku...?
Os olhos dele se encheram de lágrimas.
— Miku!
Ele correu até a filha.
Sem conseguir conter as emoções, a abraçou com força.
— Você acordou...
Sua voz falhou.
— Você finalmente acordou...
As lágrimas continuavam escorrendo pelo rosto dele.
— Ainda bem, filha... você acordou... — disse seu pai, abraçando-a com força.
As lágrimas escorriam pelo rosto dele.
Miku ainda estava confusa demais para entender o que estava acontecendo.
— Espera um minuto. Vou chamar sua mãe.
Ele se afastou rapidamente e saiu do quarto.
Sozinha, Miku olhou ao redor.
As paredes brancas.
Os aparelhos ao lado da cama.
O cheiro forte de hospital.
Tudo parecia estranho.
Poucos segundos depois, a porta se abriu novamente.
— Filha...!
Sua mãe entrou correndo.
Os olhos estavam vermelhos de tanto chorar.
— Graças a Deus...
Ela abraçou Miku com cuidado.
— Você acordou...
Miku continuava sem entender.
— Mãe... por que eu estou em um hospital?
A mulher ficou em silêncio por um instante.
— Você... não se lembra, filha?
Miku a encarou.
Então balançou a cabeça lentamente.
— Não.
— Você não se lembra de nada?
Miku tentou pensar.
Mas sua mente estava completamente vazia.
Nenhuma lembrança vinha à tona.
Nem de onde estava.
Nem do que tinha acontecido.
Nada.
— Eu... eu não sei...
Sua voz saiu trêmula.
A mãe levou a mão à boca, tentando conter o choro.
— Meu Deus...
As lágrimas voltaram a escorrer por seu rosto.
Naquele momento, o medo tomou conta dela.
Miku havia acordado.
Mas parecia não se lembrar de absolutamente nada.
O pai de Miku voltou para o quarto acompanhado por um médico.
— Olá, Miku. Que bom que você acordou. Como está se sentindo? — perguntou o médico.
— Eu... estou me sentindo estranha. Não sei explicar direito.
O médico fez um pequeno aceno com a cabeça.
— Entendo. Vamos fazer algumas perguntas, tudo bem?
— Tudo bem.
— Você sabe onde está?
Miku olhou ao redor do quarto.
— Em um hospital.
— Certo. E sabe quem são essas pessoas?
Ela olhou para seus pais.
— São meus pais.
Os dois suspiraram aliviados.
O médico anotou algo na prancheta.
— Muito bem. E consegue me dizer seu nome completo?
— Miku...
Ela respondeu sem dificuldade.
O médico sorriu levemente.
— Ótimo. Agora me diga, você se lembra do motivo de estar aqui?
Miku tentou pensar.
Sua testa se franziu.
Mas não importava o quanto tentasse, não conseguia encontrar nenhuma resposta.
— Não...
— Você se lembra do acidente?
— Acidente?
O coração dela acelerou.
— Que acidente?
O médico e os pais trocaram olhares preocupados.
— Entendo... — disse o médico. — Parece que algumas memórias ainda não voltaram.
Miku apertou os lençóis.
Cada resposta parecia trazer mais perguntas.
— O que aconteceu comigo?