Eros caminhava sem rumo definido.
Ele não sabia por onde procurar, nem como aquele lugar deveria parecer. Para ser sincero, nem mesmo tinha certeza se realmente existia um local específico para aventureiros.
Ainda assim, continuou andando.
Depois de alguns minutos, ele percebeu que não poderia seguir daquele jeito para sempre. Precisava de informações.
Avistando um guarda patrulhando a rua, Eros respirou fundo e tomou coragem. Aproximou-se com passos cautelosos, o coração acelerado.
Ele não sabia como aquele mundo funcionava.
Não sabia sequer se conseguiria se comunicar direito.
E se eles não entenderem minha língua?
E se acharem que sou um inimigo...?
Mesmo assim, reuniu toda a coragem que tinha.
— Olá... — disse, com a voz um pouco hesitante. — Poderia me dizer onde fica o local dos aventureiros?
O guarda franziu o cenho imediatamente, estranhando o jeito de falar e a pergunta em si.
— Como assim você não sabe onde fica a área dos aventureiros? — respondeu, com um tom incrédulo.
Ele apontou para a rua à frente.
— Siga reto por esta rua. Depois, dobre à direita cinco ruas adiante. É o maior complexo da região, você vai reconhecer pelo portão enorme. A área dos aventureiros fica lá dentro.
Eros piscou algumas vezes, assimilando a informação.
— Obrigado... — disse, aliviado.
Então eu consigo entender a língua deles... e eles conseguem me entender, pensou Eros.
Isso facilita as coisas.
Sem perder tempo, seguiu na direção indicada.
Pouco depois, ele chegou ao local.
A rua à sua frente era completamente diferente das outras.
Era uma rua inteira dedicada aos aventureiros.
Havia lojas de armas, lojas de armaduras, vendedores de poções, um campo de treinamento, além de aventureiros negociando itens, exibindo equipamentos e discutindo contratos.
Os olhos de Eros brilharam.
A empolgação voltou imediatamente.
Ele caminhava observando tudo ao redor, tentando absorver cada detalhe daquele mundo que sempre existira apenas na imaginação.
Mas, mais uma vez, os olhares começaram.
Alguns desconfortáveis.
Outros curiosos.
Antes que pudesse pensar em como reagir, uma voz o chamou.
— Ei, garoto! — disse uma mulher, saindo da porta de uma loja de armaduras. — Venha aqui!
Eros se aproximou, um pouco confuso.
A dona da loja o analisou de cima a baixo, com atenção especial aos tênis que ele usava, claramente sem entender que tipo de sapato era aquele.
— De onde você é? — perguntou. — Nunca vi esse tipo de roupa antes. Quer me vender? Eu compro tudo de você.
Eros hesitou por um instante.
— Tudo bem... — respondeu. — Mas você poderia me conseguir algumas roupas e informações? Eu só tenho isso.
A mulher sorriu.
Pouco depois, Eros estava com uma camiseta simples, uma calça velha e botas gastas. Em troca, recebeu algumas moedas — cujo valor ele sequer sabia calcular — e algo muito mais importante: informações.
— O nome desta cidade é Ayland — explicou a mulher. — É a cidade inicial dos humanos. A maioria dos que querem se tornar aventureiro começa aqui.
Eros ouviu atentamente.
— Se você é iniciante, recomendo a Loja dos Novatos — continuou ela. — Fica no final da Rua dos Aventureiros.
Eros assentiu.
— Obrigado por tudo — disse, sinceramente.
Com as novas roupas, algumas moedas no bolso e um destino claro em mente, ele seguiu adiante.
No final da rua, a Loja dos Novatos o aguardava.