# MULTIVERSOS QUEBRADOS
## CAPÍTULO 1
Já parou para pensar que você pode ser o protagonista do seu próprio mundo, mas só descobriu isso porque algo ou alguém te mostrou?
Não, né?
Bem, então vou te explicar tudo desde o começo. E digo uma coisa: se você está lendo esse meu diário, é porque você foi o escolhido para dar continuidade a algo que ELE deu a mim, e agora ELE quer passar a você. Ou também porque ELE estava no tédio e resolveu brincar com mortais de outro multiverso.
E sim, multiversos existem.
E eu diria que conheci os meus de uma forma beeeeem ruim e diferente...
De qualquer forma, seja bem-vindo ou bem-vinda à história que ELE me disse que se chama **Multiversos Quebrados**.
Aqui, no chamado Universo 0, existe uma coisa que os 10 Reis, também chamados de 10 Mandamentos, descobriram quando os dez se conheceram.
O que eles juntos formavam era simplesmente uma existência parecida com matéria negra. Então, eles acabaram elegendo um nome, e desse nome seriam formados multiversos dele, e cada um receberia uma “bênção”.
E adivinha qual foi o nome que eles sortearam?
E sim, esses caras **SORTEARAM** um nome.
**Lucas Felipe da Silva Conceição.**
E sim, esse é o meu nome...
E digamos que não foi bem uma “bênção” que foi dada aos MEUS multiversos.
Até porque, se você não pulou o começo, já sabe no que isso vai dar.
Mas, continuando...
Os 10 Reis, após darem as “bênçãos” aos multiversos do nome escolhido, fizeram com que a matéria negra se fechasse.
E simplesmente eles quase não conseguem mais abrir essa matéria.
É como se algo ou alguém estivesse bloqueando as ações deles.
Então, eles decidiram esconder isso do mundo.
E, até hoje, poucos sabem o que ELE fez.
Eu mesmo só fui saber no auge dos meus 17 anos, quando ELE finalmente apareceu...
Eu estava no Boiódromo. Tinha saído escondido dos meus pais para usar vape. Eu estava naquela idade, entendem?
Tenho certeza de que você, ou algum amigo seu, já usou.
E eu estava estreando meu novo pod quando olhei para o centro da arena.
Tinha um tipo de gosma saindo fumaça do nada.
Ela começou a se formar no formato de um corpo humano: braços, pernas, tronco e cabeça.
Mas não era uma forma física completa.
Tipo:
“Ah, o cara tinha cabelos castanhos e olhos muito escuros.”
Não.
Era uma massa disforme que simplesmente estava assumindo a forma de um corpo humano.
Pelo tamanho, devia estar mais ou menos na minha idade.
17 anos.
Faltavam duas semanas para eu completar 18.
Enquanto ele se formava no formato físico de um corpo, eu fiz o que qualquer pessoa que já viu filmes americanos de terror faria:
Tentar escapar de fininho.
Mas, é claro, tinha que ser a bendita latinha de Pepsi que eu estava bebendo a responsável por me fazer tropeçar.
Quando olhei para a coisa, onde estariam os olhos, havia dois círculos, com quatro pontas cada.
E aparentemente ela piscava.
Mas não totalmente.
As pontas se fechavam, igual fazemos quando vamos piscar, mas somente iam até o círculo e depois voltavam.
O que qualquer um diria?
**Que terror!!!**
Quando ELE me olhou, o lugar onde estaria a boca começou a se mexer, como se estivesse fazendo um sorriso contente por ter me encontrado.
E, nesse momento, eu pensei:
**Fudeu. Acabou. Vou ir de Vasco sem nem ter perdido a virgindade...**
Mas aí aquela coisa de fato fez uma boca.
E dela saiu uma voz normal, como se o corpo ali fosse normal também:
— Finalmente te encontrei, garoto roxo!
**O garoto roxo?**
O que essa coisa está dizendo?
Meus pensamentos estavam um turbilhão, então resolvi arriscar:
— O que... exatamente é o “garoto roxo” que você me chamou?
Sabe quando os pássaros te olham e dobram a cabeça?
Foi exatamente o que eu vi ele fazer.
Só que beeeeeem devagaaaaar.
E disse:
— Ah, você não sabe, garoto roxo? O que os que vocês chamam de 10 Mandamentos estão fazendo às escondidas? Afinal, é por seu nome que as coisas estão... diferentes no que chamamos de multiversos.
**Espera.**
Multiversos?
Isso existe?
O mundo acredita que sim, mas, até o momento, nada foi comprovado.
Mas aquela coisa à minha frente falou sobre isso como se fosse algo completamente normal.
— E o que está acontecendo, então?
Eu iria ficar fazendo perguntas para tentar entender aquela situação e, principalmente, tentar sobreviver.
— Pois então, eu vou te explicar. Nesse seu mundo, existe algo acontecendo. E você será aquele que eu testarei para ver se realmente é digno de tal missão!
Então ele disse:
— Levante-se e escute, Lucas Felipe da Silva Conceição.
De uma forma bem japonesa, afinal, eu gosto muito dos japoneses. Então, de zoeira, eu finjo fazer os comportamentos de um anime.
Ajoelhei-me e encarei ELE à minha frente, para enfim ouvir o começo daquilo que iria mudar minha vida...
Pelo que eu entendi daquilo que ELE me contou, quando um universo nasce, uma entre as bilhões de pessoas daquele universo é escolhida para ter seus próprios multiversos.
E não existe exatamente um limite para isso. Essa pessoa pode ter alguns multiversos... ou até mesmo uma quantidade infinita deles.
Só que, no meu caso, foi um pouco diferente.
Lembra dos 10 Reis? Pois é... aqueles mesmos que fizeram toda aquela besteira que eu contei antes.
Eles fizeram algo que, aparentemente, não deveriam ter feito. Depois disso, decidiram mandar para os meus multiversos tudo aquilo que eles consideravam estar fora de questão no Universo 0.
Ou, para falar de um jeito mais simples...
Eles pegaram aquilo que não queriam mais aqui e jogaram nos meus multiversos.
E parece que isso acabou quebrando alguma coisa.
O resultado?
Multiversos meus que são... bem...
Digamos que são perigosos pra caramba.
— E o que exatamente eles mandaram para lá, senhor?
Achei que deveria chamá-lo respeitosamente, para ele não me pulverizar.
— Conhece a história dos maiores 7 pecados?
7 pecados?
Eu ouvira bem?
— Pois é... nos 7 multiversos que existem além do seu, em cada um deles existe um dos 7 pecados: gula, luxúria, preguiça e os outros que você ainda conhecerá.
Isso explicava o motivo de Jordanésia estar tão calma.
Não estava tendo tantos roubos e outras coisas como antes.
A cidade estava tranquila... até demais.
E esse era um dos motivos de eu estar ali, fumando.
— E como eu posso ajudar nisso tudo? — perguntei, curioso.
Afinal, a adrenalina tinha subido depois de receber informações como aquelas.
ELE então levantou a mão.
Dela, começou a se formar uma espada.
A espada simplesmente se desprendeu de seu corpo e veio parar perto de mim.
Eu olhei para ela, sem entender.
Então ELE refez a espada, mas dessa vez ela ficou presa ao seu braço.
E então disse:
— Antes de tudo, preciso ver se você é de fato capaz de, ao menos, conseguir me enfrentar. Se conseguir me acertar dez vezes com essa espada, eu o considerarei capaz de realizar a missão de salvar seus próprios multiversos.
Na minha mente, só ficou uma frase:
**Fudeu.**
Peguei a espada.
Ela tinha o encaixe perfeito na minha mão, como se tivesse sido feita sob medida para mim.
E, como eu já havia visto muitos mangás e cenas de anime, fiquei em posição de guarda.
Mas acho que eu deveria ter prestado atenção primeiro no meu oponente...
Quando levantei os olhos, ELE não estava mais na minha frente.
— Ué?
Olhei para os lados.
Nada.
— Cadê ele?
Foi quando ouvi uma voz atrás de mim:
— Primeiro erro.
Virei rapidamente.
A espada dele estava a poucos centímetros do meu rosto.
Consegui me abaixar por puro reflexo.
A lâmina passou por cima da minha cabeça.
— CARALHO!
Rolei pelo chão e me levantei rapidamente.
Meu coração parecia querer sair pela boca.
ELE continuava parado no mesmo lugar, como se nem tivesse se mexido.
— Você está pensando demais em como um personagem de anime lutaria.
— E isso é ruim?
— Muito.
Ele desapareceu novamente.
Dessa vez, eu não esperei.
Levantei a espada e girei meu corpo.
**CLANG!**
As duas espadas se chocaram.
A força do impacto quase fez meus braços se dobrarem.
— Ah...
Eu mal conseguia segurar.
ELE empurrou a espada contra a minha e me fez recuar vários passos.
— Você possui força suficiente para segurar essa espada.
— Isso é bom, né?
— Não significa que saiba usá-la.
— Ah.
Era uma informação que eu poderia ter recebido antes de começar a quase morrer.
Ele avançou novamente.
Eu tentei atacar.
Um corte para a esquerda.
Ele desviou.
Outro para a direita.
Desviou.
Tentei uma estocada.
Ele simplesmente inclinou o corpo.
— Você é previsível.
— EU SEI!
Continuei atacando.
Não porque eu sabia lutar.
Muito pelo contrário.
Eu estava atacando porque, naquele momento, meu cérebro só conseguia pensar em uma coisa:
**Eu não quero morrer.**
ELE bloqueou outro golpe e me acertou com o cabo da espada no estômago.
— Ugh!
Caí de joelhos.
Minha respiração sumiu por alguns segundos.
— Um.
— O quê?
— Um golpe.
Ele apontou a espada para mim.
— Você precisa me acertar dez vezes.
Olhei para ele.
Depois para a espada.
Depois novamente para ele.
— Você está contando os golpes que eu recebi?
— Sim.
do cap 1