# MULTIVERSOS QUEBRADOS
## CAPÍTULO 2
— Isso não faz o menor sentido!
— Para mim, faz.
Levantei-me novamente.
Minhas pernas estavam tremendo.
A espada parecia mais pesada agora.
Mas havia algo estranho.
Quanto mais eu segurava aquela espada, mais familiar ela parecia.
Como se minha mão já soubesse onde colocá-la.
ELE avançou.
Dessa vez, não pensei em anime.
Não pensei em filmes.
Não pensei em nada.
Apenas movi meu corpo.
Desviei do primeiro golpe.
Depois do segundo.
No terceiro, consegui bloquear.
ELE pareceu surpreso.
Foi a primeira vez que vi aquela criatura mudar de expressão.
Aproveitei.
Girei a espada e fiz um corte direto.
A lâmina passou pelo braço dele.
Um pequeno pedaço daquela massa negra se desprendeu.
Silêncio.
Eu fiquei olhando.
ELE olhou para o próprio braço.
Então olhou para mim.
— Um.
— ...
— Você conseguiu me acertar uma vez.
Eu comecei a sorrir.
— Então dá para fazer.
ELE sorriu também.
Mas não era o mesmo sorriso de antes.
Era um sorriso que parecia dizer que, finalmente, aquilo tinha ficado interessante.
— Agora faltam nove.
— Nove?!
A luta continuou.
Eu não sabia quanto tempo havia passado.
Meu corpo já estava cansado, meus braços doíam e minha respiração estava completamente desregulada.
Mas, pouco a pouco, comecei a entender os movimentos dele.
Segundo golpe.
Terceiro.
Quarto.
No quinto, eu quase caí.
No sexto, fui jogado contra o chão.
No sétimo, consegui acertá-lo novamente.
— Sete!
Eu já não estava lutando para provar que era forte.
Estava lutando porque queria entender aquela espada.
Queria entender por que ela parecia tão familiar.
E, principalmente...
Queria entender por que ELE havia escolhido justamente a mim.
No oitavo golpe, consegui cortar seu ombro.
No nono, a espada atravessou parte de seu peito.
ELE recuou alguns metros.
Eu estava completamente exausto.
Só faltava um.
Um único golpe.
Apertei a espada com força.
— Só mais um...
ELE levantou a cabeça.
Os quatro pontos de seus olhos começaram a se fechar lentamente.
Aquela mesma sensação do primeiro encontro voltou.
Fria.
Pesada.
Como se algo muito maior estivesse olhando através dele.
— Muito bem, garoto roxo.
Ele levantou a espada.
— Então vamos descobrir se você consegue realizar o último.
Avançamos ao mesmo tempo.
Minha espada encontrou a dele.
O impacto fez o chão abaixo dos meus pés rachar.
Eu empurrei com toda a força que ainda tinha.
ELE também.
Até que ele parou.
— Você quer o décimo golpe, não quer?
— Quero.
— Então vou dificultar um pouco.
— ...Como assim?
O chão começou a tremer.
Primeiro, pensei que fosse algum terremoto.
Até que percebi que não era o chão que estava tremendo.
Ele estava **subindo**.
— Que porra é essa?!
A terra começou a se erguer ao redor do Boiódromo, formando enormes montes de lama e barro.
E então...
Algo começou a sair de dentro deles.
Cobras.
Cobras feitas de lama.
Elas rastejavam para fora daqueles montes, algumas pequenas, outras enormes, com os corpos completamente deformados.
— Ah, não.
Uma delas avançou na minha direção.
— NÃO!
Corri.
A cobra passou por onde minha cabeça estava um segundo antes.
Outra surgiu pela lateral.
Pulei.
Mais duas apareceram atrás de mim.
— ELE! ISSO NÃO ESTAVA NO CONTRATO!
ELE continuava parado no alto de uma das elevações, apenas observando.
— A prova não dizia que seria fácil.
— MAS TAMBÉM NÃO DIZIA QUE TERIA COBRAS DE LAMA!
Uma delas veio por baixo.
Saltei por cima dela e continuei correndo.
Meu corpo já estava cansado.
Minhas pernas doíam.
Minha respiração estava cada vez mais pesada.
Mas eu ainda precisava acertá-lo uma última vez.
Olhei para ELE.
Ele estava distante.
Muito distante.
E as cobras estavam ficando cada vez mais rápidas.
— Beleza...
Apertei a espada.
— Se eu não consigo chegar até você...
Olhei para uma das enormes cobras que vinha na minha direção.
— ...então vou usar elas para chegar até você.
Corri em direção à cobra.
Ela abriu a boca.
No último instante, coloquei um pé sobre sua cabeça e usei o próprio corpo dela como impulso.
Fui lançado para cima.
— AGORA!
ELE levantou a espada.
As duas lâminas se encontraram no ar.
Mas, dessa vez, eu não tentei enfrentá-lo.
Girei o corpo e passei por ele.
Minha espada tocou seu peito.
Um pequeno corte apareceu.
Caí no chão.
Fiquei alguns segundos sem conseguir respirar.
ELE pousou atrás de mim.
Silêncio.
Então ouvi:
— Dez.
Levantei a cabeça.
ELE estava sorrindo.
— Você conseguiu.
Olhei para ELE, que começava a arrumar o chão para que ninguém pudesse ver o que havia acontecido ali.
E pensei:
**“Ok... se eu quase morri várias vezes contra esse cara, tenho medo. E sinto que realmente vou precisar me esforçar se precisar bater de frente com minhas versões que representam os pecados.”**
ELE então me olhou.
Depois, ficou de costas para mim e disse:
— Parabéns, Lucas. Tome!
Algo saiu de dentro dele e veio parar perto de mim.
Era um anel.
E, por algum motivo, ele tinha um encaixe perfeito no meu dedo, como se tivesse sido feito para mim.
Na parte de cima havia o mesmo símbolo dos olhos de ELE:
Um círculo...
E quatro pontas ao redor.
Olhei para o anel.
Depois olhei para ELE.
E ele apenas deu um sorriso.
— Esse anel te dará um poder que já existe neste universo. Ele dominará a energia já existente nele, chamada de **Clideologia**.
Eu olhei para o anel, ainda tentando entender.
— Clideologia?
— Sim. Essa Clideologia, agora com o anel, estará conectada à energia corporal que já existe em você. Ou seja, se você estiver cansado demais, sua Clideologia também estará baixa.
— Então, basicamente, se eu estiver morto de cansado, meu poder também vai estar?
— Exatamente.
— Isso é meio injusto...
ELE não respondeu.
Apenas caminhou até onde estava a espada que havia me dado.
Ele a pegou.
Assim que a espada entrou em contato com seu corpo, ela se reconectou a ele.
Por alguns segundos, a espada sofreu uma transformação.
Então ela saiu novamente de seu corpo.
ELE a segurou.
E, de repente...
Ela desapareceu.
— O que aconteceu com ela?
— Olhe seu bolso — respondeu ELE.
Coloquei a mão no bolso.
E encontrei uma caneta.
Era daquelas simples, em que você aperta o botão na parte de cima para fazer a ponta sair.
— Uma caneta?
ELE sorriu.
— Essa caneta, quando você apertar duas vezes, vai se transformar na espada que estava usando.
Olhei para a caneta, completamente confuso.
— E não se preocupe em perdê-la. Ela está conectada a você e possui sua própria Clideologia.
— Então eu posso perder a caneta e ela volta?
— Exatamente.
ELE continuou:
— A não ser que você adicione mais Clideologia a ela para torná-la mais forte.
— Então ela também pode ficar mais poderosa?
— Sim.
Olhei novamente para a caneta.
Definitivamente, aquilo não parecia uma arma.
Parecia uma caneta que alguém pegaria emprestada e nunca devolveria.
— E você poderá deixá-la em três modos diferentes: uma espada média, uma katana ou uma adaga de cinquenta centímetros.
Olhei para a caneta.
Depois para ELE.
Depois novamente para a caneta.
— ...Eu tenho uma caneta que vira uma espada.
ELE apenas sorriu.
Naquele momento, comecei a perceber que talvez minha vida normal tivesse acabado de vez.
— Por hora, vai para casa e tente descobrir mais de si mesmo. Sei lá... vai descansar.
E então ELE some.
Eu me levanto e vou para casa. Pulo o muro silenciosamente, tentando não fazer barulho a ponto de meus pais ouvirem.
Vou até meu quarto, fecho a porta e me deito.
Foi quando percebi que, no canto da minha visão, do lado esquerdo, havia uns três pontos.
— Que porra é essa?
Penso em como abrir aquilo.
E abriu.
Na minha frente apareceu algo parecido com um inventário.
Nele estavam a caneta, o anel e o Pood.
Então, objetos que estivessem nos meus bolsos ou presos ao meu corpo apareceriam ali.
Isso é até legal!
Percebi que até mesmo mostrava uma descrição sobre o objeto em si. O Pood estava com a descrição:
**Pood de maracujá, 20.000 puxos, bateria 77%, essência 67%.**
Mas a descrição do anel era bem mais interessante, na minha opinião:
**Anel da Clideologia Roxa:** anel dado por **ghvwlqdwdulr**, cada ponta do anel dará um poder que será concedido pelo círculo. 25% do anel já conectado ao corpo, ou seja, o poder de teleporte já virá garantido. Os outros 3 eu teria de desbloquear de alguma forma.
Mas o que seria **ghvwlqdwdulr**?
Seria um tipo de código Morse, ou até a famosa cifra de César?
Olhei a descrição da caneta, mas a descrição era a mesma que ELE havia dito. Só tinha uma nota que olhei e li:
“A Clideologia que vinha dentro dela era possível eu colocá-la no meu corpo, caso precise, mas a espada em si iria ficar fraca e, possivelmente, seria fácil quebra-la"
“O que eu deveria fazer para corrigir os tais 7 multiversos? Teria de matar as minhas cópias ou então dar um jeito de tirar os pecados de cada um? Mas, afinal, eles seriam o quê? Em cada um, seriam iguais a mim ou a personalidade e o corpo seriam diferentes? Além do mais, poderia até mesmo ser que eles estivessem em outro país, outra época e tal...”
Até que então apareceu uma mensagem de texto na minha visão, falando:
**MISSÃO COMPLETA:** questionamento sobre quem você é.
**RECOMPENSA:** +25% de poder desbloqueado do Anel da Clideologia Roxa.
**Copyrhigt Purple:** habilidade de copiar e deformar o que foi copiado.
**Número de usos de acordo com o nível:** 5 vezes.