O deserto de Kush não era mais feito de areia, mas de um pântano de fluidos cadavéricos e fumaça ionizada.
O choque entre as duas forças foi uma sinfonia apocalíptica de metal contra carne putrefata. Através da Rede Neural, Madoc processava milhões de bits de informação por segundo desde os status de integridade das Esfinges, o nível de energia das joias de Prana da Legião de Anúbis e a pulsação constante do Olho de Rá acima dele.
— Vanguarda, avanço em cunha! — o comando mental de Madoc disparou como um relâmpago.
Ele impulsionou seu camelo de guerra, mas a montaria foi subitamente cercada por uma dezena de Cadáveres Modificados, seres cujas costelas haviam sido transformadas em lâminas externas. Madoc saltou da sela antes que as criaturas pudessem cercá-lo. No ar, sua Aura explodiu em um azul cobalto tão denso que o ar ao redor dele chiou. Ele girou a khopesh, e um arco de energia pura decapitou os monstros, transformando a carne podre em cinzas antes mesmo que tocassem o chão.
Enquanto Madoc abria caminho por terra, o céu era um inferno escarlate. Araziel, o general de pele vermelha, mergulhou das nuvens de fumaça, suas asas de couro batendo com um som de trovão seco. Ele soltou um grito sônico imbuído de Prana corrompido, tentando sobrecarregar os sensores do Disco Voador.
— Vocês são escravos da luz! — a voz de Araziel ecoou na mente de todos os soldados, tentando plantar o vírus do desespero.
Três Esfinges de Guerra giraram suas cabeças colossais em uníssono. Os Escribas em seus núcleos entoaram o Mantra da Verdade Solar. Seus olhos de cristal brilharam e três feixes de plasma dourado cruzaram o céu. Araziel desviou com uma agilidade sobrenatural, mas o rastro de calor dos disparos incinerou centenas de seus servos alados menores. O Faraó Kanak, do alto de seu Disco, ajustou o foco do canhão principal.
— Araziel é uma distração, Madoc! — Kanak transmitiu, sua voz ressoando com a autoridade de um deus. — Vou manter os céus limpos, mas os Behemoths estão flanqueando as Esfinges terrestres!
No flanco direito, a Legião de Anúbis encontrou seu maior desafio. Argus-Zul, o Nephilim de quatro braços, movia-se como um borrão de pele morena e olhos cintilantes. Suas quatro espadas rituais eram uma barreira intransponível. Cada vez que um Soldado de Anúbis disparava uma rajada de sua lança, Argus-Zul parecia prever o movimento milissegundos antes, desviando ou aparando os tiros com um desprezo cruel.
— Máquinas sem alma... — zombou Argus-Zul, enquanto degolava três soldados de Anúbis simultaneamente. — O mestre Dahaka nos prometeu a eternidade, e vocês só oferecem luz que se apaga.
Imotepe, percebendo a queda do flanco, enviou um pulso de reforço espiritual através da rede. Os soldados de Anúbis recalibraram suas frequências vibratórias, entrando em um modo de combate sincronizado onde cada movimento era calculado para sobrecarregar a previsão de Argus-Zul.
Madoc corria, seus pés mal tocando a areia ensanguentada. Um Behemoth de Carne, uma massa de trinta metros feita de braços e pernas fundidos, bloqueou seu caminho. Antes que o monstro pudesse esmagá-lo, Madoc canalizou sua Aura em um ponto focal na ponta da espada.
— Técnica de Aura: Corte do Horizonte!
Um feixe horizontal de Aura azul pura cortou o Behemoth ao meio, mas a criatura continuou a se mover, as duas metades tentando se regenerar. Foi então que uma Esfinge, seguindo as coordenadas de Madoc, disparou um feixe de desintegração que reduziu o monstro a nada.
Finalmente, a poeira baixou o suficiente para revelar o alvo.
Malphas, o Baluarte de Obsidiana, estava parado sobre uma pilha de destroços egípcios. Ele era uma montanha de pele negra e chifres retorcidos. Ao seu redor, o chão estava rachado e uma energia negra pulsava, agindo como um inibidor que impedia o Olho de Rá de travar a mira nele.
— Então você é o melhor guerreiro do Egito? — a voz de Malphas era como o ranger de placas tectônicas. Ele ergueu o martelo de ossos de titã, e a pressão gravitacional aumentou tanto que a armadura de Madoc começou a gemer. — Você cheira a suor e medo, humano. Dahaka me disse que o Egito me daria um adversário digno, mas vejo apenas um homem cansado.
Madoc fincou os pés na terra, sua Aura lutando contra a gravidade imposta pelo gigante. Ele olhou para cima, vendo o Disco Voador de seu irmão ser atacado por milhares de gárgulas de carne, e para os lados, vendo seus soldados lutarem contra a horda infinita.
— O Egito não é grande por causa de suas pedras, monstro — disse Madoc, apertando o cabo da khopesh enquanto o brilho azul de sua alma se tornava branco-incandescente. — É grande porque homens "cansados" como eu nunca param de lutar até que coisas como você voltem para o abismo de onde saíram.
Madoc disparou. Ele não era mais apenas um homem, mas um projétil de energia pura indo de encontro à montanha de obsidiana.