Ele parou à beira do caminho, onde a vegetação murcha cedia lugar ao cascalho puro. Suas pernas fraquejaram e ele caiu de joelhos com um baque surdo. Não era uma postura de adoração reverente; era o colapso de um homem quebrado.
Adonias não buscou palavras rebuscadas. Ele socou o chão seco com uma fúria desesperada. Sentiu as pedras afiadas cortarem a pele de seus nós dos dedos, o sangue quente escorrendo e se misturando à terra poeirenta. Estranhamente, aquela dor física era um alívio, uma distração necessária para a agonia lancinante que rasgava sua alma.
— Por que me abandonaste!? — ele gritou para o vazio, a voz ecoando contra as encostas de calcário. — Que pecado eu cometi que mereça ver minha linhagem definhar na poeira? Se a retidão leva à morte, e a maldade à vida, que ordem é esta que Tu estabeleceste?
Ele inclinou a cabeça até que sua testa tocasse a terra fria. O cheiro de pó e morte estava em suas narinas.
— Senhor, não me abandone neste mundo cruel! Não deixe que eu me torne aquilo que eu desprezo apenas para sobreviver!
Ele esperou. Esperou por um trovão, por um anjo, ou por um sussurro de esperança. Mas o vento apenas continuou sua dança monótona, devolvendo-lhe o som da areia se movendo entre as pedras. O silêncio de Deus era a sua resposta mais difícil.
Adonias permaneceu ali por um tempo que pareceu uma eternidade. As estrelas começaram a pontilhar o manto negro da noite, indiferentes ao drama humano que se desenrolava abaixo. Ele limpou o sangue das mãos em sua túnica remendada.
Ele sabia que, ao se levantar, teria apenas duas escolhas: caminhar em direção à luz bruxuleante de sua casa com a fé remanescente, ou deixar que a escuridão do caminho o consumisse para sempre. Ele pensou no sorriso de Sara e na resiliência de Mara.
Se Deus estava em silêncio, talvez fosse porqu ele estava esperando que Adonias fosse a resposta para sua própria oração, encontrando forças onde não havia nenhuma. Com um suspiro que pareceu carregar todo o peso de Judá, ele se levantou. Suas mãos estavam feridas, seu estômago vazio, mas seus olhos, embora vermelhos de choro, fixaram-se na pequena luz que brilhava ao longe — a luz de sua casa, que ele protegeria até o último suspiro, mesmo que o céu continuasse sendo de bronze