Os cavalos continuavam a viagem pelo norte, deixando marcas de seus cascos sobre a neve. Até mesmo eles não suportavam mais o frio e o cansaço da jornada, que seguia adentro. Os dedos da mão de Ethan envolviam a rédea do cavalo branco de Allianore, o puxando para prosseguir com eles. A jovem de cabelos ruívos se mantinha desacordada, estando no mesmo cavalo de seu companheiro. Sua ausência nas interações trazia preocupação no coração do grupo, principalmente de sua grande amiga, Annastasia, que lançava sempre seu olhar cabisbaixo para ela, na esperança de vê-la enfim acordar novamente.
Ambos se mantinham em silêncio, o peso daquele momento, assim como, o desafio que continuava a os atormentar e os trazer mais incertezas que respostas, fazia com que nenhuma palavra fosse lançada de qualquer boca que ousasse se pronunciar naquele momento. Ethan olhava á frente, seus olhos novamente atentos, encontrar a cidade subterrânea não era mais uma simples necessidade, era uma obrigação. Até que, em meio a neve e a nevasca que baixava a sua guarda por um breve momento, o guerreiro conseguia vislumbrar mais ao longe, uma luz levemente amarelada, como tochas ou sinalizadores naturais. Sua revelação era capaz de fazer a esperança de Anna aumentar e um breve sorriso aparecer em seu rosto, pela primeira vez durante um bom tempo
— Olhe, há algo mais á frente! Acho que finalmente a encontramos.
Annastasia sentia seu coração bater mais forte a cada passo que os cavalos davam, a medida que se aproximavam. Por um momento, o mundo a sua volta parecia silencioso e, nem mesmo o frio, importava mais a ela. Dúvidas tomavam conta de sua mente, como sussurros em um mar de medo. Ao finalmente chegarem diante do local, ambos presenciam uma descida iluminada por tochas que resistiam aos ventos gélidos. Os cavalos prosseguem, até pararem diante de um grande portão semiaberto, feito de madeira com coloração mais clara, um anão com armadura e uma barba expressiva estava diante dele.
— Alto lá! — Ele se pronunciava, prosseguindo — Qual o motivo e desejo de adentrarem a cidade subterrânea do norte?
Annastasia estava com seu cavalo de cor caramelada um pouco mais a frente, ela levantava uma de suas mãos, seus dedos endurecidos e frios pelo clima. Seu olhar se lançava até o guarda do portão, seu chapéu não cobria seus olhos, os quais não mentiam para ele, ao dizer em tom de preocupação para que com Allianore.
— Tivemos um problema durante nossa vinda a região, nossa amiga está desacordada e com muito frio. Além do mais, eu soube que vocês tem chocolate quente, camas com cobertor aquecido e colchões confortáveis!
O guarda franzia suas sobrancelhas, observando Allianore, sua pele estava pálida, sua cabeça inclinada para baixo, seus fios de cabelo de fogo desarrumados, cobriam boa parte de seu rosto. Ele também observa brevemente Ethan e Annastasia, seus corpos quase cedendo, não apenas para o frio, como também, para a exaustão. Suas sobrancelhas então se arregalam e, em meio a uma exclamação, ele pedia para o grupo adentrar a cidade para socorrer principalmente Allianore.
— Tragam-na para dentro imediatamente! — Ele se virava em direção ao grande portão de entrada da cidade, logo ordenando a alguns anões que cuidando da região de dentro da cidade — Preparem três camas quentes e chamem os curandeiros!
O grupo adentra a cidade subterrânea, ao atravessarem o portão, o interior de uma grande caverna se revelava para a dupla, parecia ter sido escavada cuidadosamente a anos. Pilares resistentes sustentavam o teto da caverna, casas e edifícios se erguiam conforme avançavam rapidamente com os cavalos. O anão os conduzia até uma área de repouso e de cura, três camas estavam sendo preparadas e, ao final do preparo, o corpo de Allianore é repousado em uma delas. Curandeiros começavam a analisar suas condições com eficiência. Ao terminarem, o anão que havia os recepcionado na entrada, lançava seu olhar para a dupla e, então, comentava para eles:
— Parece que apesar da situação, o destino teve piedade de sua companheira — Ele revelava, em seguida — Mas, eu não poderia dizer o mesmo se tivessem demorado, mais alguns minutos e ela teria morrido.
— Quanto tempo até ela se recuperar? — Ethan perguntava, sentando-se em sua cama e relaxando os seus ombros
— Ela vai precisar descansar até o amanhecer, vocês deveriam fazer o mesmo, já está muito tarde da noite, e nenhum dos dois me parece que vão aguentar mais um segundo de pé.
— Eu só espero que Alli fique bem. Muito bem, eu vou tentar dormir. Mas, amanhã eu quero acordar com um chocolate quente servido!
— Pensarei no seu caso, é bom eu não dar muita mordomia a vocês, por mais da situação que enfrentam — O anão comentava, ele estava preocupado. Mas, as características de tal povo ainda podiam ser descobertas por meio de suas interações.
Quando todos se retiram e Allianore está estabilizada, Annastasia deita em sua cama, deixando seu chapéu sobre a coberta em cima de seu corpo. A jovem suspira profundamente, seu corpo não mais respondia qualquer movimento que ela ousasse fazer, apenas conseguindo esboçar um breve comentário, antes de fechar seus olhos pesados e, enfim, descansar para o próximo dia
— Nós temos que cumprir nossa missão, mesmo que isso custe menos horas de sono de beleza...
Ethan olhava brevemente para Anna, seu corpo também não aguentava mais o cansaço que enfrentava, ainda assim, ele comentava para ela, antes de retirar a sua armadura e deitar em sua cama, também no aguardo do próximo dia
— Chegamos em um momento que esforço só não basta, teremos que superar essa jornada a qualquer custo.
A noite se aprofunda, o tempo continua correndo e o destino se mantém em execução, imprevisível e misterioso. Mas, todos estes acontecimentos poderiam trazer uma certeza para a dupla, naquele momento todos eles partiriam para tentar reerguer sua terra natal, mesmo com os mais amargos sacrifícios, esta não era mais uma questão de desejo ou esperança, era uma questão de tudo ou nada.