As principais luzes da cidade subterrânea são ativadas, ecoando brevemente um som mecânico de poucos segundos, como se fossem mecanismos, enquanto começavam a brilhar com mais intensidade, iluminando o ambiente. O que antes eram apenas as ruas iluminadas com postes de média estatura, revelando parcialmente a caverna á noite, agora todo o seu interior se mostrava perante as luzes brancas, posicionadas de forma estratégica próximas ao teto da cidade.
Após poucos minutos, os olhos de Annastasia começam a se abrir lentamente, conforme sua visão se tornava mais nítida, depois de se revirar algumas vezes em sua cama, de um lado a outro. Erguendo a parte superior de seu tronco levemente, e levando uma de suas mãos até seus olhos, os esfregando com cuidado, transmitindo ainda um semblante um pouco cansado, ainda que com muito mais energia, ela esboçava uma fala característica de quem ela sempre foi e de quem sempre será:
— Eu sinto como se tivesse ficado doente e feito flexões pela primeira vez...
Ela leva suas mãos até seus braços, os esfregando calmamente. Sua musculatura se recuperava do dia anterior, Annastasia sentia seu corpo doer de forma moderada, um lembrete de tudo que o grupo havia passado no dia anterior. Ethan estava escorado próximo a saída do local de descanso, ao olhar para Anna, o guerreiro comentava para ela brevemente.
— Você deveria fazer, faz bem para a saúde.
A jovem lançava seu olhar para ele, seus olhos corriam até encontrar os de Ethan, logo dizendo para ele, com um breve sorriso carismático. Anna com certeza não era alguém que gostava de muito exercício físico, e não demonstrava ser alguém que se entregaria de forma tão fácil a tal prática.
— Eu acho mais fácil chover hidromel, do que eu me entregar a musculação!
Anna logo enxergava Allianore de relance, ainda deitada em sua cama, em silêncio, seu sorriso se desfaz, enquanto ela a observa. A pistoleira logo perguntava, parecia óbvio e a resposta estava diante de seus olhos. Mas, Annastasia parecia não querer acreditar no que seus olhos presenciavam
— Alli não acordou ainda?
— Não — Ethan comentava, prosseguindo ao se desencostar da entrada do local de descanso em que estavam — Os anões disseram que ela deveria descansar até o amanhecer.
Anna inclinava sua cabeça para baixa, sentando-se á beira de sua cama. Ela pegava suas botas de couro e começava a calçar as mesmas, as amarrando e, enfim, se levantando com um semblante ainda preocupado. Sua fala apenas ressaltava o que sentia por sua amiga inseparável, assim como, a dor que corroia o seu coração.
— Que ela acorde ainda hoje...
— Devíamos andar um pouco pela cidade, enquanto isso — Ele comentava para sua companheira
Annastasia olhava para Ethan, ela sabia que não conseguiria se distrair tão facilmente, contudo, era ou tentar ou morrer de ansiedade por sua amiga. Ela acenava com a cabeça, em positivo, se colocando ao lado do guerreiro e, logo, dizendo para ele:
— Vamos ver o que o povo daqui costuma inventar, espero que tenha um mecanismo de lareira necessitando de teste para nós.
Ambos seguiam para fora da área de descanso, o som das botas se mostravam presentes a cada passo, mesmo que suave e sem intenção de se mostrar. Caminhando pela cidade, os olhos da dupla corriam por todo o local. Anna logo avistava uma espécie de mercado, onde gnomos exibiam suas bugigangas, além de ousarem da persuasão, em busca da capacidade de venderem suas invenções. Os dois olhavam as barracas presentes no local, os olhos de Annastasia brilhavam em curiosidade, como se fosse algo novo para ela, e realmente era.
— Eles tem cada ideia, quem dera eu ter tanta criatividade assim. Com certeza eu iria inventar algo para aguentar aquele calor de casa, e iria vender como água! — Annastasia comentava, enquanto seus olhos observam as peripécias dos gnomos.
— Não seria uma má ideia.
Ethan correspondia para Anna, em seguida mudando o assunto da conversa. Ele já sabia como Annastasia e Allianore se conheceram a anos atrás, contudo, a pergunta que vagava em sua mente, sobre o que faziam após o incidente em seu vilarejo, se pronuncia para a jovem ao seu lado.
— Aliás, o que você e Allianore faziam para sobreviver, após tudo o que passaram?
Annastasia ajeitava a borda de seu chapéu com uma de suas mãos, enquanto ouvia o gladiador e, logo, se relembrava dos tempos que havia passado com sua amiga no Oeste. Um sentimento de nostalgia enchiam o seu coração e parecia quase transbordar, enquanto ela dizia para ele.
— Fazíamos alguns serviços básicos aqui e ali. Claro, não era grande coisa. Mas, de pouco em pouco a galinha enche o bico.
Ela olhava com o canto de seus olhos para Ethan, enquanto o mesmo a observa a comentar para ele, assim finalizando a sua resposta, ao voltar as suas atenção para as amostras dos gnomos.
— Eram bons tempos. Depois que teve o decreto para nossa região ser esquecida de vez, Alli decidiu largar do crescimento pessoal para ajudar a todos de nosso lar a serem lembrados.
— É uma história interessante — Ethan esboçava a sua opinião sobre a trajetória de ambas — Ela está mais que decidida a isso.
— Com toda certeza, e eu vou ajudá-la acima de tudo — De forma inusitada, a jovem logo avistava um objeto peculiar que chamava a sua atenção e a prendia de maneira eficiente — Olha! Uma bússola, sempre quis ter uma, e sabe o que dizem? Oportunidades de ouro só aparecem uma vez na vida, vou levar.
Annastasia comprava o objeto, enquanto Ethan comprava um mapa da região Norte, ele o enrolava e o segurava em uma de suas mãos. Anna observa brevemente a bússola, a manuseando por alguns segundos, seu ponteiro corria e apontava sempre para a mesma direção, o que indicava estar funcionando de forma eficiente.
— Acho que já se passou um bom tempo, vamos voltar
Annastasia comentava, enquanto seu companheiro acenava em positivo com a cabeça, a acompanhando de volta ao local de descanso. Ao chegarem, a pistoleira adentrava por primeiro, seus olhos corriam até a cama onde antes estava Allianore, seus olhos brilham e um sorriso se ergue em seu rosto, ao ver sua amiga a se levantar lentamente e se sentar em sua cama. Alli leva uma de suas mãos até sua testa, seu longo cabelo ruivo passava por entre os seus dedos, seus fios longos desciam por sua mão, enquanto a jovem se recuperava do dia anterior.
— Alli!
Annastasia dizia em um tom finalmente mais alegre, ela dava um passo a frente, afim de ver como sua companheira estava. Mas, de imediato, Allianore retirava a mão de sua testa e olhava primeiramente na direção da voz de Annastasia, sua voz se revelava, ao dizer brevemente seu nome:
— Anna... — Seu olhar se desvia, caminhando pelo local e chegando até o guerreiro — Ethan...
Sua cabeça se ergue e ela levanta de sua cama, seus sentidos ainda voltavam aos poucos, contudo, sua próxima fala iria fazer Ethan e Annastasia entrarem em choque e a olharem com olhos sérios e atenciosos para que com o que Allianore teria a dizer para ambos.
— Há coisas que vocês precisam saber.