Na manhã seguinte, Atsuji estava mais quieto que o normal no café da manhã, a colher tilintava contra a porcelana da xícara, o único som no silêncio que ele criava. "Querido, você está bem? Você não comeu nada", perguntou sua avó, sua voz cheia de preocupação. Atsuji piscou, como se saísse de um transe. "Ah, sim, vó. É só a tensão das provas, sabe como é." A mentira saiu fácil, mas o peso do documento em sua mochila era uma verdade física que ele não podia ignorar. Na escola, a tensão era palpável. Atsuji mal conseguia focar na lousa. Cada ranger de giz, cada sussurro no corredor, o fazia sobressaltar. Ele estava carregando um segredo perigoso, e o mundo de repente parecia um lugar cheio de olhos e ouvidos. Durante o intervalo, enquanto Kaito falava animadamente sobre um novo jogo, os olhos de Atsuji vagaram pela sala. Eles encontraram Akemi Hoshizora, sentada em seu canto habitual. Ela não estava olhando para a janela hoje. Seus olhos verdes estavam fixos nele. Diretamente nele. Não era um olhar de interesse ou curiosidade. Era um olhar de advertência. Atsuji sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela sabia. De alguma forma, ela sabia. Ele olhou para baixo, o coração martelando em seu peito. As aulas da tarde se arrastaram. Atsuji sentia o tempo correr como areia através de seus dedos. A fábrica. O endereço no documento. Sojiro Mazanaki. Atsuji chegou no endereço que estava no papel e chegou numa fábrica, ele olhou para o prédio de cima a baixo e disse "espero que aquilo que estava no papel seja verdade... Tô começando a me arrepender de vir pra cá." Atsuji levantou o capuz da blusa para esconder seu rosto e começou a procurar coisas suspeitas. Ele encontrou uma entrada por uma janela enferrujada. Ele entrou e começou a procurar coisas para usar como provas, mas não encontrou nada. Até que ele encontrou um corredor com jaulas, ele iluminou uma delas e viu um cachorro de costas para ele "ah... É só um cachorro... Mas porque ele está enjaulado?" Sua pergunta foi respondida quando o cachorro se virou para ele e no lugar do rosto dele tinha tentáculos de carne, o cachorro pulou na direção de Atsuji fazendo ele cair no chão com o susto, mas o grito acordou as outras criaturas enjauladas que começaram a fazer muito barulho. Atsuji levantou-se e ouviu passos humanos, ele desligou a lanterna e se escondeu atrás de uma caixa. "Calem a boca, suas criaturas feias!" Um homem armado gritou. Mais homens armados apareceram escoltando dois homens de terno. "Os resultados estão ótimos." Um dos homens de terno disse, o outro homem de terno olhou para uma das jaulas e disse"a Yakuza vai ficar muito feliz com esses resultados." Atsuji entrou em desespero ao descobrir que a Yakuza também estava envolvida, mas nada poderia ser mais desesperador do que o seu celular começar a tocar do nada. Os homens armados ouviram e miraram suas armas na direção de Atsuji, mas ele já estava correndo. Ele conseguiu sair da fábrica pela mesma janela que entrou, mas os homens ainda estavam atrás dele. Atsuji correu o mais rápido possível, mas acabou parando num beco sem saída. Os homens armados apareceram com as miras em Atsuji "é só um moleque." Um dos homens disse, mas outro respondeu: "não importa. Se quisermos ser pagos não podemos deixar nenhuma testemunha." Alguém em cima do prédio ali perto viu o que estava acontecendo e deu um sorriso. Atsuji olhou para os homens e gritou"espera! vocês não precisam fazer isso!eu fico de boca calada!eu prometo!" Os homens riram dele e apontaram as armas para ele. Atsuji fechou os olhos esperando os tiros, mas de repente uma bomba de fumaça caiu entre ele e os homens armados. A fumaça tampou a visão dos homens que em resposta começaram a atirar mas Atsuji não estava mais lá. Sentindo muito vento no rosto Atsuji fala "então eu estou no céu?" Até que uma voz animada respondeu "infelizmente não, garoto!" Atsuji abriu os olhos e viu que estava voando acima dos prédios, ele sentiu uma mão segurando sua blusa, virou o rosto e viu um homem de cabelos brancos e óculos escuros com raios elétricos em volta. O homem pousou em cima de um prédio e deixou Atsuji no chão que olhava para ele com espanto. "Você... É um caçador?" Atsuji perguntou e o homem logo respondeu "sim! é prazer te conhecer. Meu nome é shin Steele e serei o caçador mais forte do mundo! Mas agora eu tô sem tempo, então adeus." Shin já estava se virando quando Atsuji gritou "espera!a Yakuza tá criando um exército de monstros e quer me matar!" Shin que já tinha pulado do prédio voltou num piscar de olhos e perguntou"o que foi que você disse?" Atsuji respondeu no exato momento "a Yakuza quer me matar!" Shin subiu no prédio de volta e disse "isso é o de menos. Onde esse exército está?" "Shibuya. Naquela antiga fábrica da manazaki." Shin deu as costas para Atsuji "fui!" Atsuji correu até a ponta do prédio e disse "tá indo aonde?" Shin que já ia pular do prédio de novo "eu vacilei com o meu chefe e agora tenho que me redimir. Tchau!" Atsuji gritou "espera!com certeza eles já devem estar os monstros para outro lugar agora e você precisa de provas para convencer seus superiores a atacarem a mazanaki." Shin parou por um segundo "você tem razão... É só eu roubar os dados da mazanaki pra provar meu ponto. Valeu garoto." Atsuji correu até a beirada do prédio e gritou "deixa eu ir contigo!" Shin apareceu como se estivesse voando e falou "e por que eu deveria te levar?" Atsuji respondeu "porque eu sou pequeno, ágil e... Eu quero ser caçador?aí você pode ganhar pontos com o se chefe por trazer um ótimo recruta" shin olhou para ele com uma cara neutra e disse "essa foi a pior tentativa de convencimento que eu já vi... tá eu te levo... Mas Só porque você iria encher o meu saco até eu te levar." Atsuji deu um grito animado "isso!"