O Homem Vazio
Capitulo 1 - O Que É Viver?
O cenário era um galpão mergulhado em um silêncio absoluto e cortante.
No centro daquele vazio, um homem repousava sobre uma cadeira velha.
Trajava um manto preto que ocultava sua silhueta, mas o movimento revelava o brilho frio de uma armadura por baixo do tecido.
Entre as mãos, sustentava um livro com o título: O Homem Vazio.
Com uma caneta firme, ele abriu uma página em branco e deixou a tinta fluir devagar:
"Assim começa o homem vazio..."
Subitamente, a realidade se fragmentou, saindo de uma página branca, para um cenário vívido.
O breu do galpão foi devorado pelo brilho ofuscante de uma praia. O sol ardia no alto, o rugido das ondas preenchia o espaço e o aroma salgado do mar impregnava o ar.
Pessoas caminhavam pela areia, as risadas e conversas criavam a ilusão de um mundo vibrante — uma miragem dolorosa diante do planeta morto que restava lá fora.
O homem de armadura caminhou. O metal de suas botas afundava na areia quente. O som era real demais para um lugar que não existia. Ele atravessava a multidão como um erro na realidade.
Ele então parou, finalmente, diante de uma mulher, de cabelos pretos e longos, um vestido branco que brilhava ao sol.
Para sua surpresa, ela não o atravessou com o olhar. Ela o enxergou. Encarou aquele ser de rosto oculto, onde apenas os olhos eram visíveis e a mão exposta carregava o aspecto de pele ressecada.
Com a voz carregada de confusão, ela murmurou, o olhar perdido num turbilhão de memórias distantes:
— Então, é aqui que deseja me levar depois de todos esses anos? Eu realmente não entendo... Mas, espera um instante... você não é o Gustavo, não?
O homem permaneceu estático. Um monumento de silêncio, apenas observando.
Ela inclinou a cabeça, um fio de curiosidade superando o medo.
— Você... é diferente de tudo o que eu já vi. Por que seu rosto está tampado?
A curiosidade daquela mulher era palpável, mas deveria ser acreditada?
Ela estendeu a mão, buscando o toque no capacete dele.
No mesmo milésimo de segundo, o aço da espada deixou a cintura.
A lâmina brilhou sob o sol e, num movimento cirúrgico e veloz, cortou a cabeça da mulher.