Chegaram a um galpão industrial decadente, onde o segundo dispositivo estava instalado. Luna se aproximou, e seu poder brilhou intensamente, iluminando a escuridão do local com uma luz dourada e quente. Empty observou, hipnotizado pelo fenômeno. Quando o mecanismo foi ativado, um estrondo profundo ecoou pelas paredes, seguido por um tremor no solo.
— Conseguimos! Ativamos o segundo, e o Perseguidor não estava guardando! — comemorou Raphadun, um sorriso raro de alívio em seu rosto.
De repente, o chão sob seus pés começou a ceder. Um rugido de metal retorcido e concreto rachado encheu o ar. Uma cratera monstruosa se abriu, dividindo o grupo: Empty de um lado, Luna e Raphadun do outro, à beira do abismo.
— Que merda é essa?! — gritou Raphadun, segurando a irmã para não cair.
Eles sentiram uma presença esmagadora se aproximando, vinda das profundezas do galpão. Empty já tinha a espada em mãos; a maldição se movia em sua direção.
— Pode ser ele! Raphadun! Teleporta a gente! — gritou Luna.
— Mas o Empty está ali! — protestou o irmão, os olhos fixos na figura solitária do outro lado.
— Deixe ele! É agora! — ela gritou, puxando seu braço.
Raphadun fechou os olhos, a dor da decisão estampada no rosto. Um brilho azulado os envolveu no exato momento em que o chão ao redor de Empty desabava completamente. Sozinho no vácuo da cratera, Empty aguardou o ataque.
...
A maldição surgiu das sombras: uma aberração de dois corpos fundidos, um de forma feminina e distorcida, outro monstruoso e angular, suas mãos permanentemente entrelaçadas. Empty esquivou-se dos projetos negros enviados, com uma calma absoluta e um pensamento de uma possível pena. Durante o caótico embate, um dos tiros acertou sua espada em cheio, arrancando-a de suas mãos. No ar, a maldição se preparava, sua forma pairando sobre ele como um pássaro de rapina sinistro.
...
"No pátio varrido pelo vento da Zona Infernal, onde nem a sombra de uma única planta ousava esticar-se, Raphadun e Luna materializaram-se entre os escombros.
— Vamos correr para o terceiro mecanismo! — disse Luna, ofegante. Ela olhou para trás e viu o irmão paralisado, encarando o galpão em ruínas. — Vamos, Raphadun!
— E se... não for o Perseguidor? E se for outra coisa... Ele está lutando, eu posso sentir a energia...
— Isso não importa!
— Importa, sim! Ele está lá... lutando por nós... Nós temos que ajudá-lo!
Sem pensar duas vezes, Raphadun correu de volta para a entrada do galpão, agora bloqueada por uma montanha de destroços.
— Me ajude a tirar isso daqui! — gritou, começando a puxar pedaços de concreto com as mãos nuas.
O retorno ao galpão foi um lembrete da batalha que ainda acontecia. No instante em que o golpe fatal descia, uma nova lâmina — negra como o breu, fria como o vácuo — manifestou-se na mão de Empty. Ele a golpeou com uma velocidade que desafiava os olhos, um movimento único e devastador.
A maldição caiu, mas não estava derrotada. Empty concentrou a escuridão sob seus pés, criando impulsos que o fizeram saltar e ricochetear pelas paredes do galpão. A maldição saltou em sua direção, mas Empty já não estava lá. Com um gesto imperioso de sua mão livre, ele fez emergir do solo uma estaca colossal de trevas, que atravessou a criatura e a prendeu no ar, suspensa e vulnerável. Empty saltou, aceitando o impacto de vários tiros que perfuravam sua armadura, e retalhou a maldição com uma série de golpes precisos e brutais.
...
O exterior do galpão era um túmulo de concreto e ferro retorcido, o ar da Zona Infernal carregado com o cheiro metálico de poeira e desgraça. Luna, relutantemente, juntou-se ao irmão, ambos removendo pedras com dedos já sangrando.
...
Com a derrota final da maldição, Empty caiu de joelhos no chão, a energia negra ao seu redor se dissipando como fumaça. E então, como sempre acontecia, a visão o atingiu: um mundo novo, a memória fragmentada daquilo que ele havia eliminado. Nos restos da aberração, as duas mãos ainda permaneciam entrelaçadas, um último vínculo. A parte feminina da criatura pareceu voltar seu rosto diluído para Empty, e uma voz, suave e carregada de uma dor antiga, ecoou em sua mente:
"Eu tento entender quando foi o dia que eu te perdi..."
Na visão, o rosto da maldição tornou-se humano — olhos marejados, um sorriso triste — antes de se desfazer em pó.