Capítulo 05 — Traição
Eu sabia.
Quando uma maga diz “não é a porta, são as estátuas”, nunca é só drama decorativo.
As figuras de pedra ao lado da porta rangiam de um jeito… errado. Não era o som normal de rocha velha acomodando o próprio peso. Era mais como articulações acordando depois de séculos. As asas, antes coladas ao corpo, se abriram com estalos secos. Olhos de pedra ganharam um brilho opaco, quase oleoso.
— Garg… — comecei mentalmente.
— Gárgulas, — completou Gobe, sussurrando direto na minha mente. — Predadores alados. Fingem ser decoração. Adoram quando a presa chega perto achando que é seguro.
— Ótimo — pensei. — Arquitetura assassina. Meu tipo favorito.
As criaturas se desprenderam dos pedestais e caíram no chão com impactos pesados. Quatro delas. Grandes, musculosas, com presas de pedra e garras capazes de rasgar aço comum.
— CONTATO! — gritou Tricar.
A batalha começou em menos de um segundo.
Conna avançou primeiro, como era de se esperar. O machado de duas mãos descreveu um arco brutal… e ricocheteou. Faíscas voaram. A gárgula nem se moveu.
— O QUÊ?! — ela rosnou, girando o corpo para não ser atingida pelas garras.
Drubal disparou dois virotes de besta em sequência. Um quebrou. O outro cravou… e caiu, inútil, como se tivesse sido espetado em granito puro.
Leof avançou com o escudo erguido, recebendo o impacto de uma investida aérea. O choque ecoou pelo salão, empurrando-o vários passos para trás.
— Essas coisas são feitas de rocha viva! — ele gritou.
Foi então que a maga entrou em ação.
Freala ergueu as mãos, runas do Ar girando ao redor de seus pulsos.
— Lâmina de Vento!
Lâminas invisíveis atingiram uma das gárgulas em cheio. O impacto foi real — o monstro recuou no ar — mas… não houve dano visível. As asas bateram com força, estabilizando o voo.
— Droga… — ela cerrou os dentes. — Elas têm resistência natural ao vento. O próprio voo delas dissipa o impacto!
Outra gárgula mergulhou. Freala ergueu um Escudo de Vento no último instante. O golpe foi forte o suficiente para quase esmagá-la contra o chão.
— ATENÇÃO! — ela gritou, mantendo o escudo com dificuldade. — Ataques físicos comuns não funcionam! Concussão, perfuração, corte — tudo reduzido!
— Só magia direta ou armas encantadas causam dano total!
— Ou adamante… — murmurou Gobe, invisível para todos menos para mim. — Se ao menos eles tivessem armas de adamante. Esse metal ignora a resistência de criaturas pétreas.
— E eles têm? — perguntei, já sabendo a resposta.
— Claro que não. Mercenários. Adamante custa mais do que o orgulho deles.
A situação piorava rápido. As gárgulas começaram a coordenar ataques aéreos. Uma delas desceu em rasante direto sobre Freala, as garras abertas.
Ela não conseguiria manter o escudo.
Foi nesse momento que parei de pensar nos prós e contras.
Eles tinham me atacado antes, sim.
Mas não foi pessoal.
E, mais importante… eles eram minha melhor chance de sair dessa dungeon.
Salvar eles agora seria meu melhor cartão de visitas.
— Gobe — pensei. — Preciso de você.
— NÃO. — A resposta foi imediata. — Absolutamente não. Gárgulas ADORAM carne de gnomo. É tipo sobremesa!
— Confia em mim.
— Eu confiei em você quando saí da garrafa, olha onde isso tá me levando!
Mas foi ele mesmo quem deu a ideia.
— Mesmo que alguém puxasse a atenção delas… — resmungou. — Essas coisas focam em alvos menores e mais “apetitosos”…
Silêncio.
— …não ouse.
— Obrigado pela sugestão.
— EU NÃO SUGERI ISSO!
Tarde demais.
Gobe surgiu no campo de batalha com a entrada mais teatral possível. Uma explosão de vento empurrou detritos para todos os lados, e ele apareceu no ar, braços abertos.
— SENHORAS E SENHORES! — gritou. — O PRATO PRINCIPAL CHEGOU!
As gárgulas viraram ao mesmo tempo.
— EU VOU TE MATAR DE NOVO! — ele gritou na minha mente.
Mas funcionou. No mesmo instante, o Gnomo canalizou mana e reforçou o escudo de vento de Freala, encaixando sua magia por dentro da magia dela. O impacto seguinte, que teria sido fatal, foi amortecido.
— O escudo… ficou mais denso?! — ela arregalou os olhos.
As gárgulas mergulharam atrás do gnomo. Todas. Em fila.
Perfeito.
Ergui a mão.
— Agulha de Água.
O feixe quase invisível atravessou o ar. Não uma vez. Várias. Ajustei a pressão, a frequência, perfurando os corpos de pedra como se fossem argila seca.
Um núcleo de mana explodiu.
Depois outro.
Depois outro.
As gárgulas despencaram como estátuas quebradas.
Silêncio.
Gobe caiu de joelhos.
— Eu… odeio… você…
— Missão cumprida — pensei.
Depois da batalha, o grupo se reuniu. Olhares desconfiados recaíram sobre mim… ou melhor, sobre Gobe.
— Então… — disse Tricar. — Esse gnomo é o mestre do esqueleto?
Antes que Gobe respondesse, o sistema piscou.
[Notificação: Deseja adicionar novos membros ao grupo?]
Aceitei.
— Eles conseguem ouvir agora, — pensei.
— Saudações — falei diretamente na mente de todos.
O susto foi geral.
Para evitar confusão… e possíveis execuções imediatas, me apresentei:
— Me chamem de Thasjo — o nome que Gobe me deu. Era o único que eu tinha, e admito que já tinha me afeiçoado a ele. — Sou um mago aprendiz. Fui transformado em esqueleto por uma maldição… e estou procurando algo para quebrá-la.
Gobe abriu a boca para questionar… e fechou.
— Menos honesto do que eu esperava… mas definitivamente menos trouxa, — pensou, aliviado. Tricar respirou fundo antes de falar, assumindo aquele tom de quem já explicou aquilo vezes demais, mas ainda precisava convencer alguém novo.
— Viemos até essa dungeon por um único motivo — disse ele. — Uma Poção de Sangue de Basilisco. Segundo as informações que compramos, ela estaria guardada em algum laboratório antigo nas profundezas deste lugar.
Ele fez um gesto amplo ao redor, indicando o ambiente.
— Não estamos aqui por glória, artefatos antigos ou conhecimento proibido. Isso é um trabalho contratado. A dungeon foi mapeada como abandonada, mas com registros antigos de alquimia avançada. O tipo de lugar onde alguém seria louco
— Ou desesperado o bastante para criar algo assim. Completou Freala
Seus olhos passaram rapidamente pelo comerciante antes de continuar.
— Nossa missão sempre foi simples: entrar, localizar a poção, sair vivos. O problema é que… nada aqui parece simples.
Foi então que Drubal tomou a palavra. Sua voz saiu mais baixa, menos arrogante, quase… gasta.
Ele falou de Iryna, sua esposa, e da doença conhecida como Escamas-de-Carvão.
Uma enfermidade lenta e cruel, que começava endurecendo pequenas áreas da pele, como uma crosta frágil de pedra. Com o tempo, essas áreas se espalhavam, rachando a cada movimento, formando padrões irregulares que lembravam escamas queimadas. A carne sob a superfície perdia a vitalidade, escurecia, morria.
— No começo, disseram que ela ainda tinha anos… — murmurou. — Mas agora as fissuras já cobrem quase todo o corpo.
Nos estágios mais avançados, explicou ele, a petrificação não se limitava à pele. Os órgãos começavam a endurecer. O sofrimento era constante. E quando a doença alcançava o cérebro… a mente começava a falhar.
— Se isso acontecer… — a voz dele tremeu. — Eu não sei se ela ainda será… ela.
A Poção de Sangue de Basilisco não era uma esperança vaga. Era a única coisa conhecida capaz de reverter — ou ao menos interromper — o processo.
Pela primeira vez desde que o vi, não enxerguei um mercador ganancioso. Vi um homem correndo contra o tempo.
O desespero dele não era atuação.
Era cansaço. Medo. Algo quebrando por dentro.
Quando terminou, Tricar propôs:
— Aliança temporária. O Sangue de Basilisco fica com o comerciante. Espólios, sessenta por cento para nós, quarenta para você.
Aceitei. O laboratório era… errado.
Tubos, mesas, jaulas quebradas.
— Isso não era um laboratório — murmurou Freala. — Era um criadouro.
— Concordo — disse Leof. — Já vi isso antes. Quando eu era paladino do Templo de Elpis… lidamos com algo parecido. Era cheio de quimeras.
Mais adiante, estátuas.
Insetos gigantes. Humanoides. Expressões de terror congeladas.
— Isso… — Conna estreitou os olhos, caminhando lentamente entre as figuras. — Isso não parece escultura comum.
Ela passou a mão a poucos centímetros da superfície petrificada, sem tocar.
— Tem detalhe demais. Expressão demais. É como se… alguém tivesse parado no meio de um movimento.
Então eu a vi.
A poção estava contida em uma garrafa de vidro transparente, com base bulbosa e gargalo estreito, selada por uma rolha de vidro esférica, algo que eu nunca tinha visto antes. O líquido em seu interior, de um verde esmeralda vibrante, preenchia apenas a parte inferior do frasco, mas parecia… vivo.
A luz do ambiente se quebrava dentro do líquido, criando refrações e reflexos intensos, quase hipnóticos. Ao redor da garrafa, redemoinhos sutis de energia azul-esverdeada se erguiam como vapores etéreos, denunciando sem dúvida alguma a presença de magia ativa.
Ela repousava sobre uma superfície de tom marrom claro, que lembrava pergaminho grosso ou um tecido alquímico áspero, projetando uma sombra suave. Da base da garrafa, um halo verde mais claro se espalhava lentamente pela superfície, como se a poção pulsasse de dentro para fora.
Aquilo não era apenas um item.
Era um milagre engarrafado.
Quanto mais avançávamos entre as “estátuas”, mais algo me incomodava.
Não era apenas o realismo. Eram os detalhes.
Escamas individuais em insetos gigantes. Fibras musculares sugeridas sob a pedra. Expressões congeladas em um instante absoluto de pânico. Algumas figuras estavam incompletas, como se partes tivessem sido arrancadas depois de petrificadas.
— Isso não é decoração… — murmurou Freala. — Nem experimento alquímico comum.
Foi então que percebemos o espaço vazio.
Na extremidade oposta da sala, além das últimas figuras petrificadas, havia uma área ampla, livre de estátuas. O chão estava marcado por sulcos profundos, e fragmentos de pedra quebrada se acumulavam como restos de uma refeição. Algo respirava ali.
A criatura repousava parcialmente enrolada, colossal. Um corpo baixo e musculoso, coberto por escamas grossas e opacas, quase tão resistentes quanto metal. Espinhos largos se erguiam ao longo de suas costas, e sua cabeça… sua cabeça era larga, pesada, com mandíbulas capazes de partir pedra.
Quando abriu os olhos, senti um arrepio que não deveria existir em ossos.
— Um… basilisco… — sussurrou Freala.
Ela parecia em choque.
— Eu… eu li sobre eles. Em tomos antigos. Criaturas que petrificam com o olhar. Mas ninguém vê um basilisco há eras. Diziam que estavam extintos… ou que eram apenas lenda.
O olhar dela foi, lentamente, até a poção.
— É por isso que a Poção de Sangue de Basilisco é tão rara. Não porque seja difícil de fazer… — ela engoliu em seco. — Mas porque não é fácil encontrar o ingrediente principal e continuar vivo.
O monstro se moveu.
E a pedra ao redor dele rangeu.
Um rastejar pesado.
Olhos que não deviam existir.
O Basilisco emergiu.
— NÃO OLHEM NOS OLHOS! — gritou Freala, virando o rosto com tanta força que quase caiu. — O olhar dele petrifica! Segundos! É tudo que ele precisa!
O grupo inteiro desviou o olhar ao mesmo tempo, como se alguém tivesse puxado um fio invisível ligado a todos os pescoços. E foi aí que eu entendi o verdadeiro problema daquela luta.
Como se enfrenta algo que não se pode olhar?
Tricar foi o primeiro a reagir. De cabeça baixa, espadas cruzadas à frente, usando o reflexo distorcido na lâmina polida para se orientar.
— Formação! Leof na frente! Conna, flanco esquerdo! Ninguém encara!
A criatura avançou. Não rápido — basiliscos não precisam ser rápidos — mas com a paciência pesada de quem nunca perdeu uma refeição.
Conna atacou primeiro, é claro. Machado de duas mãos, arco completo, toda a força daqueles braços absurdos descendo contra o flanco do monstro.
CLANG!
O som não foi de carne. Foi de ferraria. O machado ricocheteou nas escamas soltando fagulhas, e Conna cambaleou para trás com as mãos formigando.
— Mas que…?! Isso é couro ou bigorna?!
Uma flecha passou zunindo e se despedaçou contra o pescoço da criatura. O atirador praguejou de algum lugar atrás de uma jaula quebrada.
E eu? Eu fiz a única coisa que ninguém ali podia fazer.
Eu olhei.
Sem pupilas, sem pálpebras, sem medo de contato visual — alguém tinha que ser os olhos do grupo, e o candidato natural era o único membro cujos olhos eram dois buracos vazios.
— Escutem — pensei, e minha voz ecoou na mente de todos. — Ele está virando para a esquerda. Conna, recua DOIS passos. A cauda… CAUDA!
A cauda varreu o salão como um mastro de navio. Conna pulou por cima por um triz. Leof não teve a mesma sorte: o impacto pegou no escudo alto e o arremessou contra uma mesa de alquimia, num estrondo de vidro e metal.
— Esqueleto! — Tricar gritou, ainda de olhos baixos. — Você consegue olhar pra essa coisa?!
— Vantagens de não ter globo ocular — respondi. — Eu narro, vocês lutam. Confiem em mim.
— Confiar no esqueleto. Claro. Por que não. — Conna rosnou, mas obedeceu quando avisei que a mandíbula vinha na direção dela.
Freala ergueu as mãos, runas de vento girando nos pulsos.
— Lâmina de Vento!
A lâmina de ar atingiu o dorso da criatura… e deslizou pelas escamas como chuva em telhado. O Basilisco nem registrou o insulto.
Minha vez. Focus 1, MP 1.000, nenhuma experiência. O pacote completo.
— Labareda!
O jato de chamas envolveu a cabeça do monstro. Por um segundo glorioso, achei que tinha funcionado.
Então o fogo escorreu pelas escamas como água morna, e o Basilisco atravessou as chamas SEM FECHAR OS OLHOS, e eu me lembrei — tarde demais, como sempre — de que criaturas com pele comparada à de dragões provavelmente tem resistencia a fogo.
— Agulha de Água!
O feixe de altíssima pressão acertou onde eu queria: a junção entre duas escamas do pescoço. E pela primeira vez, a criatura reagiu.
Uma escama lascou.
O Basilisco parou. Virou a cabeça. E me encontrou.
Os olhos dele acharam os meus — ou as cavidades onde os meus deviam estar — e o mundo ficou estranhamente quieto. Um segundo. Dois. Aquela pressão sobrenatural rastejando pelos meus ossos, procurando algo para agarrar.
[Você foi alvo de: “Olhos de Basilisco” — Petrificação]
[Alvo inválido: organismo não-vivo]
[Efeito anulado]
…
Oh.
OH.
Desde que acordei nesse mundo reclamando de não ter estômago, e a morte finalmente resolveu pagar dividendos.
O Basilisco inclinou a cabeça. Se monstros pudessem fazer expressões, aquela seria a de alguém que apertou um botão três vezes e o elevador não veio. Ele olhou. Olhou COM VONTADE. Eu continuei ali, ossudo e inteiro, possivelmente o primeiro ser em eras a vencer uma disputa de encarar contra um basilisco.
— Gente? — pensei. — Notícia boa e notícia ruim. A boa: o olhar dele não funciona em mim.
— Como assim não funciona?! — Freala, em pânico intelectual genuíno, quase olhou para verificar.
— A ruim: acho que isso o deixou MUITO irritado.
O rugido que se seguiu fez os frascos das prateleiras explodirem. O Basilisco veio na minha direção com a delicadeza de um desmoronamento, e eu corri — corri como uma presa em fuga — enquanto a mandíbula capaz de mastigar pedra destroçava a mesa onde eu estava.
— RECUAR! — berrou Tricar. — Todos para a entrada! REC…
Foi então que eu o vi.
Drubal, já na porta. E apertado contra o peito gordo, como um recém-nascido, um brilho verde-esmeralda.
A poção.
Em algum momento, entre rugidos e desabamentos, enquanto lutávamos pela vida — inclusive pela dele —, o comerciante tinha atravessado a sala, recolhido o milagre engarrafado… e decidido que aquilo bastava.
— DESCULPEM! — anunciou ele.
Por um instante, os olhos dele encontraram as minhas órbitas vazias. Não havia triunfo neles. Havia medo, vergonha e uma conta já fechada: lá fora, Iryna endurecia um pouco mais a cada dia. Aqui dentro, um monstro separava a cura da saída. A matemática do desespero não deixava troco.
Eu ainda o vi puxar algo — um cordão, uma alavanca, a própria dignidade — antes do clarão.
BOOOOOM!
A explosão engoliu a entrada. O teto desabou em blocos do tamanho de carroças, e a única saída conhecida daquela sala virou uma parede de escombros e poeira.
O silêncio que veio depois durou exatamente o tempo de uma respiração.
— Ele… — a voz de Conna saiu estrangulada. — Ele selou a saída. COM A GENTE DENTRO!
— A poção! — Leof se ergueu dos destroços, sangrando na testa. — Ele levou a poção! A única coisa que viemos buscar!
— Faz sentido… — a voz de Freala saiu fina, quase um riso sem humor. — Pra que pagar o resto do contrato, se o tesouro já está no bolso e as testemunhas viram estátua?
— Depois! — Tricar cortou, mas a voz dele tinha uma rachadura nova. — Depois a gente entende! Agora…
Agora.
Agora estávamos presos numa sala sem saída. As armas tiravam fagulhas. As magias tiravam poeira. Atrás de nós, escombros. À frente, um predador que a história tinha esquecido, cercado pelas estátuas de todos os que já tinham tentado exatamente o que nós estávamos prestes a tentar.
O Basilisco se ergueu sobre as patas, espinhos roçando o teto, e nos olhou um por um — devagar, sem pressa, do jeito que se olha para um prato fundo.
Gobe se materializou no meu ombro, tremendo tanto que meus ossos chacoalharam junto.
— Thasjo… — sussurrou ele, pela primeira vez sem nenhum teatro na voz. — Eu já vi muita coisa nessa masmorra. Mas isso… isso aqui é onde os aventureiros viram decoração.
O pânico se instalou de vez. A respiração curta de Freala. Leof murmurando uma prece. Conna xingando Drubal com um vocabulário impressionantemente específico.
E eu, parado entre quatro pessoas vivas e a única criatura no mundo que não podia me matar com um olhar, comecei a pensar na única coisa que importava: como sair dali.