Em um vazio de escuridão sem fim, antes de haver matéria, energia ou o próprio espaço-tempo, uma garotinha flutuava.
Ela aparentava ter cerca de dez anos, com cabelos loiros que reluziam como fios de ouro puro e olhos de um amarelo cortante.
Seu nome era Penny.
De repente, em meio àquele breu absoluto, uma explosão violenta de energia iluminou a imensidão.
Era o Big Bang.
O início do universo acontecia bem diante dela.
Penny apenas suspirou, cruzando os braços com os lábios emburrados.
- Que chatice...
- resmungou ela.
- Quem é que assiste uma história desde o início, sendo que é muito mais divertido ir direto para as melhores partes?
Ela fechou os olhos.
Quando os abriu, suas pupilas brilharam tanto que a dimensão escura se tornou inteiramente branca.
Penny piscou mais uma vez, executando um salto temporal de exatos treze bilhões de anos. Chamem de Fast Forward.
Quando reabriu os olhos, o cenário era completamente diferente.
Ela agora pisava em uma rua esburacada de uma cidade em ruínas.
O ar fedia a sangue coagulado e carne podre. Carros enferrujados e retorcidos bloqueavam os caminhos.
Para onde quer que olhasse, criaturas decrépitas se arrastavam: era um mundo apocalíptico tomado por zumbis.
Um estrondo ecoou atrás dela.
Ao longe, três pessoas corriam desesperadas: um homem de aproximadamente trinta anos, uma jovem de uns vinte e cinco e um rapaz de vinte.
Vestiam roupas velhas, rasgadas e sujas de terra, segurando bastões de madeira repletos de pregos oxidados.
O motivo do pânico era uma silhueta colossal de vinte metros de altura que vinha logo atrás. O zumbi gigante caminhava esmagando carros e os zumbis menores como se fossem insetos. A cada passo do monstro, a terra estremecia.
Ao avistar a garotinha parada no meio do caos, vestindo roupas perfeitamente limpas, o homem de trinta anos arregalou os olhos e gritou a plenos pulmões:
- Garotinha! Não fica aí parada! Você não está vendo esses monstros atrás da gente?!
Por um breve milésimo de segundo, o homem se perguntou por que os zumbis comuns ao redor estavam desviando da menina, como se ela fosse uma parede invisível.
Mas o pânico falou mais alto.
Ele ignorou o mistério e focou na sobrevivência.
Ao passar correndo por Penny, o homem a agarrou com um único braço, içando-a contra o peito sem diminuir o ritmo.
O coração dele batia feito um tambor ensandecido.
Penny, por outro lado, nem piscou.
Estava achando aquela carona humana incrivelmente divertida, como uma montanha-russa de baixo orçamento.
Exaustos, os sobreviventes mergulharam na escuridão dos degraus de um velho túnel de metrô.
No mesmo instante, a mão colossal do zumbi gigante invadiu o túnel, tateando o teto de concreto.
Os dedos massivos agarraram a mochila do jovem de vinte anos.
- Carlos, solta a mochila!
- gritou o homem mais velho.
Carlos soltou as alças imediatamente.
A bolsa foi puxada para fora e esmagada.
Sem conseguir passar pela entrada estreita, o monstro soltou um rugido frustrado e se afastou, fazendo as paredes vibrarem.
Mas o perigo não tinha acabado.
No fundo do túnel, cerca de oito zumbis comuns vagavam.
Ao sentirem a presença de carne fresca, as criaturas avançaram com gritos ensurdecedores.
- Pela esquerda!
- berrou a mulher, descendo seu bastão de pregos contra o crânio do primeiro zumbi.
O impacto foi forte, mas a madeira ficou presa no osso da criatura.
Ao tentar puxá-la, um segundo zumbi surgiu pelas costas dela, com as mandíbulas escancaradas.
- Mana, cuidado! Atrás de você!
- gritou Carlos.
O jovem avançou com tudo, cravando seu próprio bastão na cabeça do monstro com um estalo seco.
O zumbi desmoronou no chão arenoso do metrô.
Após limparem a área, o silêncio pesado retornou, quebrado apenas pelas luzes antigas do túnel que piscavam.
Ofegantes e suados, os três adultos olharam para a garotinha loira que o homem ainda carregava no colo.
Ela não tinha um único arranhão, não parecia assustada e, bizarramente, sorria.
O homem a colocou cuidadosamente no chão. Penny espanou a poeira invisível de seu vestido e fez uma pequena reverência graciosa.
- Olá novamente. Meu nome é Penny. Muito obrigada por terem me salvado
- disse ela, usando a voz mais doce e inocente que conseguiu fingir.
Os três se entreolharam, intrigados.
Quem era aquela garota? Como uma criança tão limpa poderia sorrir naquele inferno? O homem de trinta anos limpou o suor da testa e respondeu:
- Meu nome é Arthur. E esses são Maria e o irmão dela, Carlos.
- Prazer em conhecer você, Penny... - disse Carlos, ainda tentando recuperar o fôlego e achando tudo muito estranho.
Maria olhou para os grandes olhos amarelos de Penny e sentiu o coração amolecer.
Que garota fofa e lindinha, pensou. Com um sorriso caloroso, ela se agachou para ficar na altura da menina:
- É um prazer, querida. Você quer vir com a gente? Estamos indo para um abrigo subterrâneo, lá existem outros sobreviventes. É seguro.
Penny manteve o olhar sereno enquanto ponderava internamente: "Bem, já que estou aqui para observar a história deste livro, não faz mal andar com os personagens locais por um tempo.
Isso vai ser divertido."
- Sim, eu adoraria ir com vocês!
- respondeu Penny, juntando as mãos.
Arthur olhou para o fundo do túnel e ajeitou o bastão em mãos.
- Ótimo. Pessoal, vamos logo. O abrigo fica a quase três dias a pé daqui.
Eles entraram nos trilhos escuros. Arthur e Carlos acenderam suas lanternas de plástico, cortando a escuridão enquanto iniciavam a marcha.
Após três longos dias cruzando florestas densas e desviando de hordas, o grupo finalmente avistou a base de uma montanha rochosa.
Era ali, escondido sob a terra em um antigo bunker militar, que ficava o abrigo subterrâneo.
O verdadeiro palco daquela história de sobrevivência.
O interior do bunker militar era um labirinto de concreto úmido, superlotado com centenas de sobreviventes maltrapilhos que haviam conseguido escapar do horror da superfície. Mas o que realmente chamou a atenção de Penny não foram as pessoas assustadas, e sim os guardas: eles não carregavam armas de fogo, mas sim espadas longas e reluzentes, perfeitamente limpas.
Antes que pudesse analisar melhor aquela bizarrice, passos pesados ecoaram.
O comandante daquela guarnição marchou na direção deles.
Era um homem robusto, de expressão gélida.
- Arthur, vocês voltaram vivos? Que surpresa agradável...
- disse o comandante.
Sua voz era grossa e arrastada, carregada de um desapontamento disfarçado, como se ele genuinamente esperasse que eles morressem lá fora.
- Agora me diga: você conseguiu encontrar os arquivos de pesquisa do Doutor Leon?
Arthur sustentou o olhar, sem esconder o desprezo que sentia pelo homem.
- Não havia nada lá. E, para piorar, fomos emboscados por um mutante gigante no caminho de volta
- respondeu Arthur, o tom de voz tenso.
- Um mutante? Isso é impossível
- o comandante semicerrou os olhos, genuinamente surpreso.
- Nosso esquadrão de reconhecimento vasculhou aquela área inteira. Só deveriam existir zumbis comuns por lá.
Arthur manteve a boca fechada, mas seus pensamentos fervilhavam: "Ele acha que eu não sei. Ele nos mandou para aquele inferno justamente para morrermos."O comandante soltou um riso nasalado, retomando sua postura de superioridade.
- Bem... Isso é o esperado de soldados comuns e sem poder algum, como vocês. Dise o comandante com um tom de deboche.
- Se isso era tudo, comandante, meus amigos e eu estamos indo descansar
- cortou Arthur, exausto demais para iniciar uma discussão.
E o comandante com os pensamentos fervendo de raiva da atitude de Arthur pensou.
"Esse merdinha so por que e próximo da comandante Lara acha que e algum superior."
E bom ele entender que mesmo eu sendo o comandante mais fraco ainda sou um dos quatro comandantes dessa estalação.
E antes que Arthur e seu grupo pudessem dar o primeiro passo, os olhos do líder militar finalmente pousaram na figura loira e impecável que observava tudo em silêncio.
- Não havia reparado antes... Mas quem é essa criança atrás de você, Maria?
- Nós a encontramos cercada por zumbis na superfície e a salvamos
- explicou Maria, colocando a mão protetoramente no ombro da garota.
O comandante franziu o cenho, antipático.
- Nossa instalação já está superlotada. É bom vocês não ficarem trazendo qualquer boca a mais para alimentar aqui dentro, mesmo que seja uma criança.
- Eu vou cuidar dela até que os pais apareçam.
-rebateu Maria, firme.
-Se é que eles ainda estão vivos
-Dise o comandante.
- Tanto faz
- desdenhou o comandante, virando as costas com total indiferença.
O trio caminhou pelo bunker até alcançar a ala dos alojamentos.
Arthur e Carlos se despediram na entrada do dormitório masculino, enquanto Maria conduziu Penny para a ala feminina.
Mais tarde, após um banho demorado e sob o silêncio pesado do bunker, Maria finalmente pegou no sono.
Na beliche ao lado, os olhos amarelos de Penny se abriram na escuridão.
Ela encarou o teto de concreto e suspirou, entediada.
"Bem... Essa história até que é interessante, mas o ritmo está ficando devagar demais."
Com um único pensamento, Penny ativou suas habilidades.
O espaço ao redor dela se distorceu e, em um piscar de olhos, ela desapareceu da cama.
No milésimo de segundo seguinte, Penny já estava flutuando alto no céu, bem acima da cidade em ruínas.
Passava das duas e quarenta da madrugada. O vento frio da noite agitava seus cabelos loiros.
Ao olhar para a linha das nuvens escuras, ela avistou o verdadeiro horror daquele mundo: monstruosidades grotescas rasgavam o céu. Era um enxame de trinta zumbis mutantes voadores, parecidos com morcegos gigantes em carne viva e estado avançado de decomposição.
Cada criatura media entre dez e quinze metros de envergadura, exibindo caudas longas que terminavam em ferrões venenosos.
Em vez de horror, o rosto de Penny se iluminou.
Um sorriso empolgado e sádico surgiu em seus lábios.
- Que criaturas adoráveis!
- exclamou ela, batendo palminhas.
- Seria tão divertido ver as pessoas daquele abrigo tentando lutar contra isso...
Ela tombou a cabeça para o lado, os olhos brilhando intensamente na madrugada.
- Isso, sem dúvida alguma, vai deixar essa história muito mais empolgante!
Penny fechou os olhos.
Emanando sua autoridade invisível, ela enviou um comando mental direto para a mente das feras aladas, ordenando que todo o enxame marchasse em direção ao bunker militar.
Com um estalo de dedos brincalhão, ela desapareceu do céu noturno e reapareceu instantaneamente em sua cama no abrigo, puxando o cobertor como se nada tivesse acontecido.
O caos estava prestes a começar.
Fim do Capítulo 1
⚠️ Nota do Autor: Pessoal, se vocês notarem qualquer detalhe que pareça não fazer sentido no enredo — como o fato de haver 30 monstros no céu no final do Capítulo 1 e apenas 27 serem derrotados no pátio no Capítulo 2 —, não se preocupem! Isso não é um erro de digitação ou de lógica. Tudo faz parte do enredo e essas pequenas pontas soltas serão explicadas e exploradas detalhadamente nos próximos capítulos. Fiquem de olho, pois cada detalhe importa! Boa leitura!