Capítulo 9: Território de Caça
Logo após o amanhecer, o grupo preparou-se para partir rumo ao laboratório do dr. Leon.
Eles saíram do velho túnel após os grunidos dos monstros ficarem mais baixos. Após alguns minutos caminhando por uma avenida.
— Pessoal, vocês não estão achando tudo muito quieto por aqui? — perguntou o Soldado Enrique, com desconfiança olhando para o alto dos andares dos prédios. — Desde que chegamos não tivemos problemas com nenhum monstro.
— Bem, isso se deve graças às habilidades de percepção da Comandante Katerina — respondeu Maria enquanto continuava a caminhar.
— Como assim? — perguntou o Soldado Enrique, confuso. — As habilidades da Comandante Katerina não deveriam ser apenas ler mentes?
— Sim, isso é verdade — respondeu Maria ajeitando a mochila em suas costas. — Eu também não entendo muito bem o funcionamento dos poderes dela afinal até onde eu sei ela e o Gideon se tornaram Comandantes há pouco tempo. E entre ela e o Gideon dificilmente alguém a vê andando pelo bunker, por isso as pessoas quase não ouvem falar muito dela com exceção dos soldados homens que já viram ela e vivem tagarelando.
— Mas então... Eu também não perguntei antes, mas por que a Comandante Katerina não mandou nenhum de nós ficar de vigia na noite passada? — insistiu o Soldado Enrique. — Afinal, a cidade em ruínas é um dos lugares mais perigosos do mundo.
— Eu não sei — respondeu Maria pensativa. — Mas talvez isso confirme que as habilidades dela envolvam justamente a percepção avançada, além de sua capacidade de ler mentes.
— Nossa, isso é bem fantástico. Nunca tinha visto uma pessoa com duas habilidades antes se ela tiver mesmo duas habilidades diferentes não é à toa que virou uma Comandante — comentou Enrique enquanto olhava Katerina andando lá na frente.
Então o grupo continuou sua marcha desviando de grupos de monstros que eles encontravam pelo caminho. Até que a Comandante Katerina fez um gesto avisando para o grupo parar.
— Hum… Por que paramos? É algum monstro? — perguntou Carlos olhando para Katerina. — Se for não seria melhor evitá-los e continuarmos...
Antes que ele terminasse a frase, a Comandante Katerina fez um gesto sinalizando para o grupo ficar calado.
— Estou sentindo cheiro de sangue e de podridão vindo daquele beco. Vamos verificar — ordenou a comandante olhando para o grupo.
Katerina começou a caminhar em direção a um beco onde cada vez que se aproximava o fedor insuportável de carniça ficava mais forte. Carlos, Maria e Arthur cobriram seus narizes enquanto acompanhavam Katerina. Enrique vindo logo atrás do grupo e olhando desconfiado para todos os lados vendo se nenhum monstro estava por perto.
— Senhora, eu acho melhor não irmos. Vai que esse fedor de carniça é de algum monstro? — disse o Soldado Enrique, olhando Katerina à frente. — Acho que seria melhor verificar de longe primeiro para ter certeza de que não é um mutante, porque se for dos perigosos igual aqueles que atacaram…
Enrique se calou ao ver a Comandante Katerina parada olhando para ele.
— Será que dá para você calar a boca, Enrique? — disse Katerina encarando ele. — Eu já conferi utilizando minhas habilidades e não é nenhum monstro, parece ser apenas cadáveres humanos. Tsc. Eu preferia que a Soldada Ana tivesse vindo no seu lugar.
— Mesmo assim se tem cadáveres de pessoas mortas então há mais um motivo para não irmos, afinal o monstro que os matou pode ainda estar por perto e nos matar também — disse Enrique olhando para Katerina.
Arthur, Maria e Carlos se fizeram a mesma pergunta mentalmente. “Isso é sério? Um cara desses é um dos soldados de elite que foram pessoalmente treinados pela Comandante Lara.”
Carlos observando a conversa de Enrique e da Comandante Katerina, se perguntou mentalmente. “Já estou ficando preocupado se um monstro não vai acabar aparecendo do nada por causa de toda essa gritaria infantil.”
— Já chega, vamos continuar — disse Katerina olhando para Enrique.
Enrique continuou a tagarelar, mas Katerina ignorou completamente tudo o que ele dizia. Continuando a ir em direção ao beco de onde vinha o fedor de podridão. Ao chegar no beco, o grupo deparou-se com um corpo sem cabeça exalando um odor insuportável no chão, rodeado por marcas profundas de garras, sangue, vísceras, braços e pernas, estavam espalhados por todos os lados naquele local.
— Que cena horrível... O que será que aconteceu aqui? — perguntou Arthur olhando para os restos dos cadáveres.
— Não sei, provavelmente foi obra de algum monstro de grande porte vendo o tamanho das marcas de garras no chão, e pelos formatos das garras há uma grande chance de que tenha sido um monstro do mesmo tipo que atacou o bunker há poucos dias atrás — respondeu Katerina agachada observando um dos cadáveres.
— Como assim foi um monstro igual aos que atacaram o bunker?! — exclamou o Soldado Enrique, horrorizado com o comentário enquanto olhava em direção de Katerina.
— Eu disse que há grandes chances de ser um monstro do mesmo tipo já que estamos atualmente na zona de caça deles — disse Katerina se levantando e olhando os arredores enquanto pensava. “Hum… isso é estranho minha percepção não está detectando nenhum monstro a quilômetros de distância, provavelmente algo deve ter assustado os monstros menores que eu estava sentindo antes. É melhor sairmos logo daqui.”
— Certo, pessoal, vamos seguir em frente — ordenou Katerina retomando a marcha.
— Mas então, a senhora não havia dito que os mutantes alados não ficam acordados durante o dia? — perguntou o Soldado Enrique indo até Katerina e olhando para o rosto dela de lado.
— Sim, eu disse. Mas pode ser também que essas pessoas tenham sido mortas durante a noite — respondeu Katerina olhando para frente enquanto caminhava.
— E quem é o retardado de andar por uma cidade fudida dessas à noite? — rebateu Enrique olhando para os lados notando um silêncio incômodo.
Após alguns segundos ele sentiu algo ao longe. Ele olhou rapidamente para Katerina e disse sussurrando baixinho. — Comandante Katerina você também notou que parece que tem algo seguindo a gente?
— Sim eu já notei, só faça silêncio ou você vai acabar causando pânico naqueles três que estão vindo atrás — disse Katerina enquanto continuava a caminhar. — Você não precisa se preocupar com nada. Pelo que sinto parece um grupo de três pessoas e não monstros. E pelo que consigo sentir logo, logo nos despistaremos eles mais a frente.
Longe dali Penny apareceu no topo de um enorme prédio da cidade em ruínas. Ela observou os arredores.
“Aquele abrigo de humanos me dá nos nervos. E aquele humano nojento não parava de ficar dando em cima daquelas mulheres que passavam na rua. E para piorar tudo aquelas humanas malditas ainda olhavam para mim com preocupação achando que aquele inseto imundo era meu pai. Eu realmente ia matá-lo se aquele outro humano não tivesse aparecido e levado ele da minha frente.” — pensou Penny projetando uma imagem em sua mente onde um outro soldado aparecia e avisava que o Comandante Raven estava chamando o Soldado Lucios.
— Bem de qualquer forma vou aproveitar meu tempo livre antes que aquele humano retorne para me encher — disse Penny olhando para os lados. — Agora onde estão os bebês dessa cidade.
Enquanto Penny estendia sua percepção que cobriu a cidade inteira ela viu Arthur, Maria, Enrique, Carlos e Katerina enquanto três pessoas os seguiam.
— Hum… uma perseguição… Não parece que estão apenas seguindo eles. que coisa entediante — disse Penny vendo em sua mente as três pessoas que seguiam o grupo da expedição — Eu não havia percebido antes mas parece que aquela humana tem uma percepção incrivelmente poderosa, ela está indo sempre em direção as rotas livres de monstros. Desse jeito a aventura perderá completamente a graça. Acho que sei como ajudá-los, haha.
Penny desapareceu e reapareceu em um prédio perto de onde o grupo da expedição estava. Completamente invisível ela obervava o grupo da expedição caminhando pela estrada lá embaixo. Após alguns minutos desde que o grupo da expedição havia passado as três pessoas que os perseguiam passaram logo atrás. Penny vendo eles passarem.
— Vocês são entediantes — disse ela apontando a mão direita em direção aos três que seguiam o grupo da expedição. — Se vocês não vão atacá-los então não há sentido nenhum em deixá-los vivos.
Enquanto apontava a mão em direção às três pessoas encapuzadas. Os olhos de Penny se incendiaram em um dourado divino e instantaneamente as três pessoas encapuzadas lá embaixo tiveram seus corpos desintegrados virando poeira que foi levada pelo vento. Elas nem tiveram tempo de reagir ao que aconteceu.
— Que coisa irritante, consigo ver que no futuro próximo em exatos uma hora e cinquenta e quatro minutos, aquele humano maldito vai voltar para a cabana onde eu estava é melhor eu andar rápido — disse Penny com seus olhos voltando ao amarelo normal enquanto ela abaixava sua mão.
Ela fechou os olhos e estendeu sua percepção pela cidade inteira. E viu uma criatura aterrorizante que andava em quatro patas em meio a enormes raízes.
— Ha… haha… eu sabia que iria encontrar algo divertido — disse Penny abrindo os olhos. — Vou mandar essa magnífica criatura em direção àquele grupo. Assim posso até descobrir se aquela humana tem alguma outra habilidade interessante.
De volta ao grupo da expedição vindo logo atrás de Enrique e Katerina que iam na frente. Carlos, Maria e Arthur ainda debatiam entre si sobre o que tinha causado a morte daquelas pessoas, ou de onde elas eram.
— Talvez essas pessoas fizessem parte do grupo de bandidos que vivem na região próxima a essa cidade — sugeriu Maria olhando para Arthur. — O que você acha, Arthur?
— Acho que é possível — limitou-se a dizer Arthur enquanto continuava a caminhar e pensava mentalmente. “A Comandante Katerina e o Enrique estavam cochichando alguma coisa, o que será que era? Tanto faz eles não me diriam de qualquer forma.”
— Então Comandante Katerina de onde a senhora acha que essas pessoas mortas eram, nós achamos que eles fazem parte da facção de bandidos que ficam nessa área — perguntou Maria olhando para as costas de Katerina.
— Sim, isso é bem provável que seja do grupo de bandidos — concordou Katerina enquanto continuava a caminhar e pensava. “Que estranho do nada sentir que a presença deles três que nos seguiam sumiram do nada, o que será que está acontecendo aqui. De qualquer forma pelo menos parece que despistamos aquelas pessoas.” — Certo, pessoal, parem de ficar falando sobre os mortos e vamos seguir com a nossa expedição.
Então após alguns minutos de marcha, o grupo alcançou uma ponte que fica em uma das áreas mais profundas da cidade, onde de longe Katerina sentiu a presença de uma grande horda de zumbis vagando pelas avenidas.
— Pessoal, parem — ordenou Katerina parando enquanto estava de olhos fechados sentindo os arredores.
— Hum… o que foi que aconteceu por que paramos? — perguntou Enrique olhando confuso para Katerina que estava de olhos fechados.
— Estou sentindo uma grande horda de zumbis bloqueando o nosso caminho à frente — disse Katerina com os olhos fechados enquanto imagens de um imenso grupo de zumbis apareciam em sua mente.
— Mas Comandante Katerina já é de conhecimento geral no bunker, que dificilmente se encontra zumbis nesse lugar, dizem que os mutantes comem os zumbis então como ainda pode haver uma horda de zumbis nesse lugar — pontuou Arthur olhando para Katerina.
— Eu não sei, assim como você eu também pensava a mesma coisa a respeito disso — disse Katerina abrindo levemente os olhos. — Diferente dos zumbis que não atacam uns aos outros, os mutantes agem como animais selvagens, eles caçam outros mutantes e até os de sua própria espécie, desde que não façam parte de seu bando. Quando os mutantes surgiram os zumbis eram bem fáceis deles caçarem e comerem, por isso não era para existir mais zumbis aqui. Isso que está acontecendo é extremamente preocupante, e o estranho é que essa horda é massiva contendo centenas deles. Não vamos conseguir passar por aqui não, teremos que dar a volta.
— Se não era para existir mais zumbis aqui então como ainda pode existir essa quantidade? — perguntou Maria olhando preocupada em direção a Katerina, enquanto segurava firme as alças de sua mochila.
— Eu não sei, não consigo dizer como existe esse tanto em um só lugar, ou muito menos o porquê de nenhum mutante ainda ter aparecido para comê-los — admitiu Katerina virando em direção ao grupo. — De qualquer forma esqueçam isso por enquanto. Vamos dar a volta para encontrar logo uma rota mais segura.
— Certo — respondeu Arthur, Carlos, Enrique e Maria todos juntos.
Então o grupo mudou de direção e pegou um novo trajeto. Após quase uma hora de marcha o grupo chegou a uma parte da cidade que havia sido completamente tomada por raízes imensas e árvores gigantescas, assemelhando-se a uma floresta urbana.
Longe dali no alto de um arranha-céu observando a horda de zumbis lá embaixo. Estava um homem vestido de capuz. Enquanto ele observava os zumbis lá embaixo utilizando um binóculo, uma mulher encapuzada saiu da escuridão da porta de entrada daquele andar e foi em direção a ele.
— Senhor, os três que mandamos para seguir aquele grupo ainda não voltaram — disse a mulher encapuzada fazendo uma reverência ao homem.
— Não precisa se preocupar com algo desse tipo, nossos planos estão indo super bem — disse o homem abaixando o binóculo e um sorriso sádico apareceu em seu rosto. — Eles devem ter morrido para algum monstro afinal estamos na cidade em ruínas. O importante é que logo, logo vamos atrair a atenção da criatura mais poderosa desse lugar, um monstro aterrorizante que surgiu recentemente, nos relatos dos nossos homens que o viram diziam que parecia um demônio que saiu do próprio inferno, estou ansioso para ver esse tal demônio, hahahaha.
De volta ao grupo da expedição Carlos olhava para as raízes das árvores que pareciam abraçar os prédios. Ele sentiu em meio aquele silêncio uma profunda melancolia, um tipo de sensação que ele não conseguia explicar o que era.
“Que sensação estranha, esse lugar me faz sentir como se eu estivesse vazio, e como se algo nesse lugar estivesse mexendo com a minha mente.” — pensou Carlos olhando as raízes e galhos das árvores que cresciam na cidade.
— Como é que existem árvores desse tamanho no meio de uma cidade? — perguntou Carlos, olhando para Arthur.
— Eu não sei — disse Arthur observando as árvores, onde algumas eram maiores que os prédios. — Acho que devem ter crescido de forma anormal com o tempo. Afinal, não há nada de normal restando neste mundo.
Após mais de uma hora e meia andando por aquela floresta imensa que crescia na cidade. O grupo parou por um breve momento para descansar. Carlos, Maria, Arthur e Enrique sentaram-se nas raízes, e Maria tirou uma garrafa de água onde após beber deu para Carlos que após beber foi passando para os outros.
Já a Comandante Katerina, caminhou alguns metros à frente, ela fechou os olhos e puxou ar pela boca, onde ao soltá-lo aos poucos, sua percepção mística se expandiu cobrindo dezenas de quilômetros ao redor de onde eles estavam. Em sua mente ela projetou imagens de cada canto ao redor deles, vendo monstros imensos em sono profundo dentro da escuridão dos prédios, entre as esquinas ela via monstros pequenos com a aparência de lobos sem olhos, e que tinham as costelas à mostra, eles brigavam entre si pelo cadáver de um outro monstro que parecia ter sido morto na noite passada. Ela até sentiu um imenso monstro que dormia nas águas dos esgotos do subsolo. Ela até sentiu os monstros ao longe, mas esses não representavam nenhum perigo. Após essa checagem ela abriu lentamente os olhos.
— Certo, pessoal. Parece que não há perigo por perto, então vamos avan…
Ela foi abruptamente interrompida, pois ao abrir os olhos ela percebeu que entre as folhas de um arbusto um monstro estava encarando ela o tempo todo, ela não conseguia ver o rosto do monstro mas viu seus olhos cinzas. A criatura lentamente saiu do arbusto revelando a forma de uma silhueta deformada de um cervo com aparência macabra. A criatura era totalmente desprovida de pele no rosto, exibindo apenas uma caveira com chifres de cervo, sua boca principal era cheia de dentes afiados, além de uma segunda boca enorme e sinistra que abria do peito até a barriga.
Ao verem o monstro sair do arbusto o Soldado Enrique se levantou com grande velocidade. Levando sua mão em direção à imensa espada em suas costas no mesmo instante.
— Comandante Katerina! Tem um monstro bem ali! — gritou o Soldado Enrique, em pânico olhando para a criatura.
— Não precisa gritar, Soldado Enrique, estou vendo o monstro, afinal ele está bem na minha frente — respondeu Katerina, tensa enquanto encarava o monstro. — Maria, Carlos e Arthur, recuem e se abriguem naquele prédio bem ali, lá é seguro eu já conferi, enquanto isso eu e o Soldado Enrique iremos lidar com este mutante.
— Entendido, senhora! — responderam os três em sincronia, afastando-se rapidamente.
Os três entraram na escuridão do velho prédio em ruínas, que tinha seus andares iluminados apenas pela luz que vinha das fendas na parede.
— Ok, agora eles já estão seguros, Soldado Enrique, vamos matar esse monstro! — Comandou Katerina, puxando um rifle pesado que trazia preso às costas.
Vendo Katerina apontar o rifle em direção ao monstro que estava os encarando. Enrique rapidamente projetou cenas do massacre do bunker em sua mente vendo a infantaria atirarem nos mutantes alados, enquanto eles se regeneravam de forma incompreensível e brutalmente dilaceravam a infantaria.
— Mas, Comandante, a senhora não havia dito que armas normais não funcionavam contra os mutantes? — perguntou o Soldado Enrique, confuso olhando para o rifle nas mãos de Katerina.
— E quem foi que disse que essa arma é comum — disse Katerina mirando no monstro, e levando o dedo levemente ao gatilho.
Ao apertar o gatilho ela disparou um projétil massivo de energia mística que mesmo debaixo da luz do sol, a luz do projétil iluminou o local. Contudo, antes que o feixe luminoso pudesse atingir o alvo, o cervo mutante moveu-se em uma velocidade assustadora, desviando-se do golpe. O disparo que errou o alvo perfurou atravessando diversos prédios de trás de onde o monstro estava, até que a energia explodiu abrindo uma cratera colossal de centenas de metros.
— Tsc… eu errei — disse Katerina abaixando levemente sua arma enquanto olhava para o monstro que estava de trás deles a dezenas de metros.
“Pelo visto a habilidade principal dessa coisa é a velocidade, acho que vai ser fácil matar ele, já que sua habilidade principal não é focada em regeneração, é só eu destruir sua cabeça que ele morre. O problema agora é que esse desgraçado tem uma velocidade quase que comparável à da Comandante Lara, isso vai ser trabalhoso, preciso de uma isca para pegá-lo desprevenido.” — pensou Katerina olhando para Enrique ao seu lado que observava surpreso pela cratera que o disparo da Comandante causou.
— Soldado Enrique, pare de ficar só olhando e me ajude também — disse Katerina voltando a encarar o monstro.
— E o que a senhora espera que alguém como eu faça contra essa coisa? — perguntou Enrique olhando para ela.
— Eu quero que você sirva de isca, assim eu poderei achar um lugar de onde eu possa matar esse monstro — disse Katerina caçando um lugar entre os prédios que pudesse lhe proporcionar uma boa mira.
“Aquele prédio ali tem um ótimo lugar para se mirar.” — pensou Katerina olhando para um prédio velho de trinta metros de altura.
— A senhora é louca se eu enfrentar sozinho essa coisa eu vou morrer — gritou Enrique apontando para o monstro enquanto via Katerina correr na direção do prédio.
— Pare de arranjar desculpas esfarrapadas e faça alguma coisa ou eu juro que farei questão de relatar à Comandante Lara que você é um desgraçado inútil que não serve para nada! — disse Katerina logo após entrar dentro do prédio.
— Tudo bem, eu consigo… — disse Enrique tentando encorajar a si mesmo, enquanto sua mente fervilhava ao lembrar das ordens de Katerina: “Maldita Katerina… Essa desgraçada fica ameaçando a gente com isso só porque eu fui burro e acabei deixando ela saber que eu tenho medo da Comandante Lara. Espero que esse mutante arranque a cabeça dela!”
Vendo o monstro começar a bater os cascos em sua direção, Enrique parou de resmungar mentalmente focando-se no perigo à sua frente. Ele com uma única mão sacou a espada de suas costas e avançou em velocidade sobre-humana em direção à criatura. No instante em que ele ia desferir um golpe no pescoço do monstro, a criatura mutante sendo massivamente mais rápido, abaixou a cabeça antes de ser atingido e investiu com seus enormes chifres, como um aríete.
Os chifres colossais perfuraram o abdômen do soldado, empalado-o no ar antes de arremessá-lo violentamente contra a parede de concreto de um monumento em ruínas. Ao colidir contra a estrutura, o impacto foi tão bruto que o ar escapou brevemente dos pulmões de Enrique, os ossos de várias partes de seu corpo foram quebrados, e o sangue jorrou de sua boca, enquanto escorria do buraco das feridas de perfuração em seu abdômen.
“Droga, está doendo muito acho que eu quebrei algum osso… Esse maldito é rápido demais! Eu nem conseguir ver seus movimentos”, pensou Enrique, o pavor misturando-se à adrenalina. “Como a Comandante Katerina espera que eu distraia essa coisa? Meu Deus, será que eu realmente vou morrer aqui…” — pensou Enrique olhando para seu sangue que ficou nos chifres do monstro enquanto em sua mente ele lembrava das palavras de sua mãe onde ela dizia, Sobreviva.
“Não! De jeito nenhum eu sobrevivi até hoje só para morrer nas mãos da porra de um mutante de merda desses! Não vou morrer aqui, não depois de já ter sobrevivido ao treinamento infernal da Comandante Lara!”
Mordendo os lábios em uma tentativa de suportar a dor, ele se ergueu dos escombros. Sentiu imediatamente os ossos de seu corpo começarem a se mover sozinhos e estarem como se tivessem vida própria. Em segundos seus ossos já tinham se consertado, e os buracos em seu abdômen já haviam se fechado.
— Droga, essa maldita regeneração sempre dói muito! — resmungou Enrique enquanto pensava. “Ainda bem que eu tive meu corpo modificado quando fui escolhido para entrar no esquadrão de elite, se não eu sem dúvidas estaria morto agora.”
Já totalmente curado, Enrique se impulsionou utilizando sua perna, e avançou novamente com uma velocidade sobre-humana em um contra-ataque feroz. Sua lâmina cortou o ar em um arco preciso, desferindo um golpe potente contra as pernas dianteiras do monstro. O corte foi profundo, deixando algumas das patas da criatura com o osso da canela à mostra, e uma das patas dianteira quase foi inteiramente decepada, ficando grudada apenas pelo couro do monstro, e em um breve milésimo de segundo, o tecido muscular do mutante borbulhou e regenerou-se instantaneamente, impedindo que o membro fosse decepado. Após se curar o cervo mutante olhou para Enrique.
— HRRRRR-SKEEEEEEEE-RRRAAAAAAAAH-HHKT!
A criatura rugiu em fúria liberando uma energia esverdeada levemente negra. O monstro ergueu as patas dianteiras e com uma força avassaladora, ele golpeou o chão. O impacto estremeceu a terra, criando uma onda de choque que desestabilizou o equilíbrio de Enrique por um instante. Aproveitando a brecha, a criatura avançou como um raio aparecendo de trás de Enrique e cravando suas enormes mandíbulas no ombro direito do soldado.
Os dentes afiados da criatura perfuraram profundamente a carne esmagando ossos como um triturador. A dor insuportável fez os dedos de Enrique perderem a força, deixando sua espada cair pesadamente no chão. Desesperado, ele usou o braço esquerdo livre para socar o focinho da criatura que estava pintado pelo seu sangue. Mas os socos não adiantaram muito e a criatura mordeu com mais força como se estivesse tentando arrancar o ombro inteiro dele.
— AAAAAAARRGH! — berrou Enrique, em puro desespero enquanto socava o focinho do monstro e gritava. — Monstro maldito! Me solta! Solta!
Enquanto o recruta lutava pela vida, no topo de um edifício vizinho, a Comandante Katerina estabilizava sua postura, apontando a mira de seu rifle pesado diretamente para o crânio da abominação.
— Agora eu peguei você, seu desgraçado… — sussurrou Katerina olhando para a cabeça da criatura através da mira de seu rifle.
Ela puxou o gatilho, disparando uma rajada de energia concentrada. O feixe luminoso foi mais fraco que o anterior para não obliterar o Soldado Enrique, mas atingiu o alvo com precisão cirúrgica. O impacto da energia mística atravessou a cabeça da criatura indo para dentro de seu corpo e explodindo o corpo inteiro do monstro em uma chuva de carne podre, sangue, e vísceras.
Após ter se libertado da criatura graças à ajuda de Katerina o Soldado Enrique revirou os olhos e desmaiou imediatamente, caindo inerte entre as raízes que cobriam o asfalto da rua.
Ao perceberem o fim do combate, Arthur, Maria e Carlos deixaram o esconderijo de dentro do prédio e correram em direção ao pátio para prestar socorro.
— Enrique, você está bem?! — perguntou Maria, após chegar ao local e se ajoelhar ao lado do corpo desmaiado de Enrique, ela rapidamente tirou um kit de primeiros socorros de sua mochila para tratar os ferimentos dele.
— Maria, ele está desmaiado — pontuou Carlos, aproximando-se logo atrás de Arthur com um semblante tenso.
Fim do Capítulo 9