Os olhos de Sui Lian se arregalaram, pois, repentinamente, tudo parecia estar se desfazendo ao seu redor. Todo o cenário mudou em questão de uma ou duas respirações.
— Bem, deve ser aqui, certo?
A voz trovejante a fez voltar à realidade. Sobre aquela enorme mão, ela já estava diante da capital do grande Império Violet.
“Como… tão rápido? Eu fugi por múltiplas matrizes de teletransporte...”
Sui Lian engoliu em seco. Mais uma vez, compreendeu que aquele que havia decidido ajudá-la e cuidar dela não era apenas um Imortal, mas sim um verdadeiro deus.
Se ela estava surpresa, a reação do Império Violet não foi diferente.
Um alvoroço tomou conta da capital. A enorme mão dourada, por si só, parecia capaz de fazer metade da cidade desaparecer, aterrorizando os corações de seus habitantes.
Naquele momento, várias figuras voaram de um enorme e majestoso palácio construído no centro da Capital. Sua aparência, por si só, arrancava suspiros de admiração.
A construção do palácio era feita inteiramente de Mithril Negro, conhecido como um dos três metais mais resistentes do Mundo Imortal, e de Minérios Espirituais Violetas, cujo valor era tão exorbitante que apenas as grandes Seitas poderiam arcar com seu custo. Esses minérios possuíam uma enorme utilidade na construção de matrizes de defesa.
Era uma fortaleza quase indestrutível.
Entre as figuras que haviam voado aos céus da Capital após o surgimento daquela terrível mão dourada estava Ming Chu, conhecido popularmente como Relâmpago Azul devido à sua extraordinária velocidade. Além disso, era o segundo príncipe do Império Violet.
Ao seu lado estavam o atual Imperador, Ming Liu, uma potência do Reino Imortal Dourado, e um terceiro homem: um velho de longas vestes de seda roxa e uma enorme barba branca.
Após os três se posicionarem, mais de dez mil das maiores potências do exército imperial surgiram dezenas de metros abaixo, formando uma imponente formação enquanto aguardavam as ordens de seu capitão, Lin Feng, outra figura do Reino Imortal Dourado.
O Imperador Ming Liu foi o primeiro a falar:
— Esta humilde pessoa poderia saber a honra da visita da grande divindade ao meu pequeno Império Violet?
Como uma das telas estava focada em Sui Lian, Kael moveu levemente a outra mão sobre a caixa, fazendo com que uma nova imagem fosse projetada à sua frente. Assim, finalmente pôde ampliar a imagem e enxergar melhor aquelas pequenas pessoas e quem estava falando com ele.
Por um momento, encarou os três.
Todos pareciam pomposos e bem-vestidos, trajando luxuosas vestimentas de seda. O velho vestido de roxo, porém, tinha, na opinião de Kael, um péssimo gosto para roupas.
“Será que são figurões desse imponente Império?”
Descendo um pouco mais o olhar, viu um grupo de homens armados com espadas de tonalidades roxa e preta, todas desembainhadas. Eles vestiam armaduras completamente negras e imponentes. Havia pelo menos alguns milhares deles.
Todavia, Kael também notou uma grande movimentação na cidade abaixo. Muitos indivíduos usando armaduras semelhantes àquelas estavam se reunindo por toda parte.
Parecia um enorme formigueiro de formigas negras, em sua opinião.
Eram tantos que seria difícil contá-los, mas ele estimava que já houvesse entre cem e duzentos mil soldados. E, pela intensidade com que continuavam surgindo de diversos pontos da cidade, não demoraria para que esse número chegasse aos milhões.
Seus olhos então se fixaram em alguns pontos que pareciam brilhar em branco de tempos em tempos.
Era como se fossem enormes portas de vidro sustentadas por armações de cores escuras e roxas. Sempre que uma delas brilhava, milhares de soldados usando armaduras negras surgiam de dentro.
“Hm... seriam essas as lendárias matrizes de teletransporte das webnovels de cultivo e fantasia? Isso é muito foda... Seria incrível se existisse algo assim na Terra.”
Ele coçou levemente a cabeça.
“Mas... vendo esse exército sair dessas matrizes sem parar, sinto como se tivesse jogado uma pedra em uma colmeia de abelhas... Será que vai ficar tudo bem com a minha mão?”
Apesar de estar um pouco nervoso com a situação, Kael estava muito admirado com tudo o que via.
Era uma cidade tão extensa que ele chegou a pensar que, se tivesse uma proporção semelhante à de seu próprio mundo, somente aquela cidade poderia ter o tamanho de metade de um grande continente da Terra.
Ainda assim, olhando de sua perspectiva, tudo aquilo não parecia muito diferente de uma maquete extremamente bem-feita. Ele chegava a sentir que poderia esmagar uma parte daquele lugar sem muita dificuldade.
Depois de fazer uma pausa dramática para demonstrar seu prestígio, finalmente resolveu responder à pergunta de antes.
Foi apenas um minuto de silêncio, mas aquilo foi o bastante para fazer o Imperador se sentir apreensivo e preocupado com o futuro de sua nação.
“Nós somos um dos grandes impérios do Continente Imortal. Temos nosso ancestral fundador, uma figura que alcançou o Reino do Verdadeiro Imortal, além de meios para lidar com deuses menores. Eu, Ming Liu, não posso simplesmente baixar a cabeça e perder o prestígio diante do meu povo.”
Refletiu o Imperador enquanto aguardava silenciosamente a resposta daquele Ser. Porém, seu nervosismo era difícil de esconder.
Um pesado suspiro trovejou sobre o céu do Império Violet.
— Este Soberano veio aqui cobrar uma dívida de sangue! Uma de minhas queridas servas foi abusada pelo traste que vocês têm como primeiro príncipe...
Sua voz cessou brevemente.
Mas inúmeros olhos encaravam o céu, assustados e furiosos ao mesmo tempo. Afinal, para garantir sua boa performance, Kael já havia configurado a caixa-artefato para fazer com que sua voz ressoasse por todo o Império.
— Este Inestimável declara a sentença: entreguem-me esse cachorro que vocês chamam de príncipe e uma compensação pela honra de minha serva. Se fizerem isso, não moverei minha mão contra esta nação!
Ao ouvir aquela voz estrondosa falando de seu inútil irmão, Ming Chu tremeu levemente. Uma veia saltou em sua testa.
“Maldito lixo... Ficava posando de príncipe herdeiro, mas não parou com essa mania suja de abusar das mulheres inocentes ao seu redor. Verme imundo! Eu falei que um dia os céus cobrariam por sua lascívia!”
Com uma carranca no rosto, Ming Chu voou até a frente de seu pai, o Imperador, e se curvou, mantendo uma das mãos fechada dentro da outra.
— Pai real, vamos entregar esse inútil do Ming Lu... Ainda que seja o príncipe herdeiro, você sabe muito bem o que ele faz ou deixa de fazer. Nós não podemos lidar com a fúria dessa divindade. Você sabe disso!
Ming Liu cerrou os punhos ao escutar seu segundo filho. Em seguida, um estalo alto ecoou.
Com os olhos vermelhos, ele deu um tapa no rosto de Ming Chu, fazendo-o descer em alta velocidade e se chocar contra uma colina a pouco mais de cem quilômetros dali.
— Você está louco, Ming Chu? Seu irmão tem todos os defeitos, mas é o maior gênio do nosso Império! — Seu grito ecoou furioso.
Milhões de moradores da capital real bufaram em desdém ao ouvirem o que seu Imperador havia dito.
“Será que você prefere que o Império seja destruído por causa de um filho que não consegue manter o pênis dentro das roupas e que já estuprou milhares de mulheres? Como um Imperador pode ser tão cego?”
Era o que muitos pensavam, mas não ousavam dizer em voz alta.
O primeiro príncipe, de fato, era um gênio que havia se tornado recentemente um Imortal de Prata, mas seus métodos de cultivo eram imorais.
E, mesmo que isso já tivesse sido exposto a todos, o Imperador negava veementemente tudo, afirmando que não passava de uma calúnia e mandando prender todos que continuassem falando sobre o assunto.
Kael assistiu a tudo com admiração e interesse. Era como assistir a um daqueles dramas de monarquia.
Sua voz cortou os gritos do Imperador sem demora.
— Bem, este Soberano é magnânimo. Por isso, tentei dar uma chance a vocês, mas vejo que a vida desse seu inútil filho é mais valiosa do que a vida de todos em seu Império...
Fez mais uma pausa, apenas para aumentar a tensão.
— Não me culpem, mortais, se todos desaparecerem em partículas de poeira... Culpem este lixo que os governa!
Kael se calou, esperando pela mágica que suas palavras iriam gerar naquele Império.
E não demorou muito.
De repente, estrondos e explosões começaram a ecoar pelas ruas da capital. Como vidro sob alta pressão, o espaço começou a trincar e depois a se despedaçar, enquanto uma grande batalha parecia estar acontecendo ali.
Algumas construções iam ao chão, outras se tornavam pó, e muitas eram engolidas por torrentes de energia ou simplesmente desapareciam no vazio do espaço rompido ao serem sugadas.
A destruição só não era mais catastrófica porque o Império era coberto por inúmeras matrizes que fortaleciam o espaço ao seu redor, permitindo que resistisse até mesmo a algumas trocas de golpes entre Verdadeiros Imortais.
A face do Imperador Ming Liu tornou-se sombria ao ver o que acontecia após as palavras daquele ser divino.
O capitão e o vice-capitão da guarda imperial, e até mesmo seu filho ingrato, Ming Chu, que ele acabara de disciplinar, estavam atacando seu querido filho, Ming Lu.
— Seus traidores desgraçados! Vocês ousam se opor à ordem de seu Imperador? — Ming Liu rosnou, fazendo o espaço estremecer levemente ao seu redor.
Ele estava pronto para descer e ajudar seu amado filho, mas uma mão firme pousou em seu ombro, impedindo-o.
Era o ancestral fundador.
— Será que devo destituí-lo de seu cargo de Imperador?
A voz áspera e fria do ancião fez seu corpo tremer.
— A-Ancestral Ming Qin... Será que é certo simplesmente cedermos ao que essa possível divindade diz? Onde estará nosso prestígio ou nossa moral no futuro?
O ancião ergueu o olhar e encarou aquela imponente mão dourada, com uma leve carranca.
— Eu não disse que simplesmente devemos ceder... Mas, como Imperador, seu dever é olhar para seu povo antes de si mesmo. Você é uma decepção como meu descendente!
Dito isso, o ancestral fundador, Ming Qin, tomou a frente da situação, liberando sua presença de Verdadeiro Imortal.
A matriz que protegia o Império contra oscilações espaciais tremeu e rachou, quebrando-se e rapidamente se reconstruindo, apenas para se despedaçar mais uma vez. Era um ciclo contínuo.
Kael observou atentamente a imponência daquele velhinho vestido de roxo. Ele estreitou os olhos.
“Esse deve ser o verdadeiro figurão deste lugar... Aquele que, nos romances, só aparece depois que o protagonista espanca todo mundo... Hum, parece que minha presença desencadeou o surgimento deste grande boss.”
A voz do ancestral fundador ecoou, tirando-o de sua profunda reflexão.
— Será que Vossa Excelência Divina aceitaria uma troca com este júnior, Ming Qin, antes de atender à sua exigência?
As mãos do ancião se juntaram em uma saudação marcial: a palma esquerda aberta e a direita fechada em punho, uma contra a outra.
Kael observou brevemente.
“Esse sujeito parece ser forte... Nem mesmo o espaço parece ser capaz de suportar sua presença. Mas talvez essa seja uma boa oportunidade para testar minha força contra alguma potência deste mundo. Assim, terei certeza de que, futuramente, posso ser mais ousado ou se devo manter o perfil baixo.”
— Bem — a voz trovejante surgiu em resposta —, este Soberano não se importa, mas você pode morrer...
Respondeu Kael, um pouco nervoso. Afinal, ele estava com a mão ali; era um pouco como colocar a mão em um formigueiro ou vespeiro. Havia certo receio de ser realmente mordido dessa vez.
De repente, a mão dele desapareceu de onde estava, deixando até mesmo o ancião surpreso. Mas sua voz ecoou para todos ouvirem:
— Me aguarde um momento. Este Grande vai deixar essa serva em um local adequado.
A mão de Kael voltou à colina onde antes havia encontrado Sui Lian.
— Me espere aqui. Vou resolver esse pequeno contratempo e depois volto para te buscar.
A garota assentiu com a cabeça em resposta.
Ele então virou a mão quando estava a poucos metros do chão da colina, coberto por um denso gramado. Sui Lian soltou um leve grito de susto com a queda repentina, mas suspirou aliviada ao perceber que a altura era pequena e havia grama abaixo dela.
Sem mais demora, a mão desapareceu diante de seus olhos.
Ela encarou o vazio à sua frente, cheia de preocupação. Perguntava-se se tudo realmente ficaria bem com Aquele que lhe havia estendido a mão.
De volta ao céu do Império Violet, a mão de Kael ressurgiu diante de todos. Havia passado apenas alguns segundos.
— Certo, pequeno mortal — a voz dele cortou o silêncio que havia tomado o lugar —, venha, dê-me seu melhor golpe! Para ser justo com você, este Soberano usará apenas uma mão.
Todos que escutaram sugaram o ar, nervosos. Alguns, porém, ficaram irritados, acreditando que seu ancestral estava sendo ridicularizado. Para Ming Qin, por outro lado, aquilo não parecia ser uma ofensa.
Antes, quando aquela mão parecia carregar algo, ele havia sentido uma pressão sutil, porém controlada. Todavia, agora que havia uma clara intenção de confronto entre os dois, sentia uma supressão que o pressionava fortemente. Ainda assim, não era insuportável como havia imaginado.
Seu olhar se estreitou.
“Será que esse ser do Reino Divino vai usar apenas uma pequena fração de seu poder ou... será que essa é sua real força?”
Kael notou a peculiaridade no olhar da outra parte. Havia desconfiança, e ele parecia estar subestimando-o.
“Esse velho não deve estar pensando nada de bom sobre mim... Droga, não é possível que minha mão seja decepada, certo? Não. Eu preciso derrubar a confiança desse velho malicioso.”
— Para um mero mortal, você tem pensamentos bem divertidos e uma imaginação bem fértil, hein?
Ming Qin estreitou o cenho.
Aquelas palavras fizeram um alerta soar em sua mente. Recentemente, havia recebido uma notícia do antigo Imperador do Norte, Nie Long, sobre uma suposta divindade que atuava no Mundo Imortal e possuía a irritante capacidade de ler mentes.
Uma risada forçada escapou de seus lábios.
— Parece que pensei besteira... — murmurou baixinho, sem se importar mais em esconder seus pensamentos.
Em seguida, o Ki Verdadeiro ao seu redor surgiu como uma torrente roxa, e todo o espaço à sua volta se rompeu, deixando para trás apenas o vazio.
Nuvens negras se reuniram, formando vórtices escuros no céu, enquanto raios passavam a cortar as nuvens, percorrendo o vazio e, ocasionalmente, descendo sobre a capital do Império e muitas outras cidades. Uma matriz de proteção, porém, surgiu a tempo, impedindo que os raios destruíssem tudo.
Para Kael, tudo aquilo era muito interessante e preocupante ao mesmo tempo.
Ele realmente não sabia a dimensão do poder daquele velho, mas havia notado que as densas nuvens negras cobriam dezenas de milhões de quilômetros quadrados. De acordo com a estimativa da caixa-artefato, aquilo por si só já era motivo para acender um alerta.
Lembrou-se de Yechen, o possível protagonista daquele mundo. Quando lutou contra Feng Li — ou melhor, quando espancou seu dragão —, fez com que nuvens negras percorressem uma área de apenas trezentos a quatrocentos mil quilômetros quadrados.
O efeito produzido por aquele velho, porém, era centenas de vezes mais exagerado.
A voz do ancestral surgiu, fazendo Kael deixar seus pensamentos de lado.
— Já que Vossa Senhoria é uma divindade, eu, Ming Qin, não vou me segurar!
Ao fim de suas palavras, uma manifestação humanoide de cor roxa, crepitante de relâmpagos, surgiu, tendo-o como centro.
A manifestação cresceu até atingir centenas de milhares de metros de altura. Era como a representação de um general empunhando uma gigantesca alabarda envolta em relâmpagos azuis e roxos. Todo o corpo da manifestação era coberto por uma armadura militar feita de energia negra, enquanto seu corpo era completamente roxo.
Como um minúsculo ponto brilhante, Ming Qin permanecia no centro daquela grande manifestação, que cresceu até atingir um tamanho ligeiramente maior que a mão dourada suspensa no céu.
“Porra... isso é tipo um Megazorde...”
Os olhos de Kael quase saltaram de seu rosto. Ele engoliu em seco, sentindo que aquilo era perigoso.
“Esse velho... ficou maior que minha mão... Droga, a aparência dele é realmente muito foda, mas temo pela minha mão.”
Ele quase puxou a mão de dentro daquele pequeno mundo por puro susto, mas lembrou-se de sua performance. Se fizesse isso, perderia todo o seu prestígio de Soberano Divino.
A manifestação criada por Ming Qin ergueu a alabarda em direção ao céu. Um pilar de relâmpagos roxos e azuis se entrelaçou ao redor da arma, crepitando intensamente antes de perfurar as nuvens escuras. Em seguida, a alabarda, tomada por raios, desceu violentamente em direção à mão dourada.
Kael estreitou os olhos.
Ainda que aquilo não fizesse parte de seu plano, não dava para simplesmente receber aquele ataque de frente sem reagir.
Fechando o punho com força e rompendo o que restava do espaço ao redor, ele inclinou o corpo e desferiu um soco em direção ao corte da alabarda de relâmpagos.

Um alto estrondo reverberou, e toda a capital imperial foi sacudida como se atingida por um intenso terremoto. Muitas fendas surgiram no solo, engolindo prédios inteiros, enquanto gritos ecoavam por toda parte. Até mesmo o tecido do vazio escuro começou a se romper, como se aquela região tivesse ultrapassado o próprio limite de destruição.
As ondas de energia se espalharam, desintegrando tudo o que tocavam. Nesse momento, porém, a capital do Império foi coberta por um brilho azul intenso, que se sobrepôs às matrizes de proteção já existentes. Até mesmo o solo brilhou quando uma plataforma roxa e translúcida surgiu, sustentando a população que havia sido engolida pelas fendas abertas no solo da capital e salvando muitas vidas.
Ainda assim, era inevitável que alguns entre os habitantes da capital não tivessem tanta sorte. Em meio ao caos, pelo menos dezenas de milhares dos que permaneceram na cidade perderam a vida — uma tragédia cuja verdadeira dimensão Kael nem sequer imaginava.
Fora da caixa, naquele momento, ele mordia os lábios, segurando o grito de dor que queria soltar. Sentia como se sua mão estivesse sendo eletrocutada. Era quase como tocar em um fio desencapado.
O único alívio era que aquela descarga de eletricidade não ultrapassava os limites do pequeno mundo, não alcançando o restante de seu corpo. Ela só podia ir até o limite entre seu antebraço e aquele lugar.
Se não fosse assim, Kael sentia que, mesmo que não morresse eletrocutado, no mínimo desmaiaria e sofreria queimaduras graves.
Se a situação dele não estava boa, também não era muito diferente para Ming Qin. Toda a sua Manifestação Marcial exibia rachaduras e, com dificuldade, mantinha sua forma. Ele próprio, no centro dela, cuspiu vários goles de sangue e também sentiu que sua alma imortal havia sofrido um grave ferimento.
Seu olhar se estreitou enquanto encarava a mão que ainda pairava sobre a capital imperial, envolta em um intenso brilho dourado. Parecia não ter sofrido dano algum.
— Vossa Excelência só usou o poder de uma divindade de baixo nível… Eu, Ming Qin, sou grato por sua benevolência...
Sua voz rouca ecoou alto o suficiente para todos ouvirem, enquanto sua Manifestação Marcial, conhecida como General de Guerra, era lançada por mais de mil quilômetros antes de finalmente parar, com grande dificuldade.
Kael encarou a situação com vontade de xingar o velho até a morte.
“Benevolência é a minha bunda... Esse filho da puta... quase arrancou minha mão fora. Se não fosse pela maneira brilhante como ela aparece neste mundo, eles poderiam ver o profundo corte e as queimaduras de segundo grau...”