Kael se esforçava para não deixar escapar um grito diante da dor agonizante em sua mão, mas, de repente, lembrou-se de que podia controlar se sua voz seria ou não ouvida naquele pequeno mundo.
“Caixa-artefato... rápido... desligue o áudio da minha voz para eles!”
Um leve som surgiu, seguido pela confirmação da mudança de configuração. A partir daquele momento, ninguém no mundo da caixa poderia mais ouvi-lo.
Ele respirou fundo, com lágrimas nos olhos.
— Que desgraçaaa!! Como dói essa merdaaa...! Ai, droga... Minha mãozinha toda está ardendo e nem posso tirá-la de lá agora! Caralho, esse velho quase arrancou minha pobre mão...
Kael tentou ao máximo controlar o tom da voz. Apesar de não ter vizinhos muito próximos, ainda havia pessoas que passavam pela rua em frente à sua casa.
Ele se ajoelhou sobre a cama, mordendo os lábios com força enquanto respirava fundo. Seu rosto estava tomado pela dor e pelo arrependimento de ter feito aquela promessa a Sui Lian.
— Porra... Aqueles malditos peitos saltitantes... aquelas curvas diabólicas... Eu só queria almoçar. Por que não desconfiei do cenário?
Suspirou pesadamente.
— Mas como eu poderia imaginar que, entre provavelmente trilhões de indivíduos neste mundo, essa ardilosa Sui Lian estaria envolvida em um daqueles possíveis arcos épicos de protagonista clichê?
“Garota... isso não vai sair barato... É melhor estar pronta, porque, quando este Kael entrar nesse mundo, cobrarei com altos juros!”
Jurou internamente.
Ele se sentia profundamente frustrado. Bastou baixar a guarda uma única vez para acabar sofrendo daquele jeito. E o mais frustrante era que aquele era apenas seu segundo dia explorando o mundo da caixa.
“Eu sabia que deveria ter mantido o perfil discreto... Merda... Preciso descobrir depois qual é o cultivo daquele velho fodido. Se eu encontrar outro como ele no futuro, posso acabar perdendo de verdade a mão ou vários dedos. Mas, por enquanto, estou muito puto!”
Um minuto se passou até que finalmente conseguisse recuperar a calma.
Seu olhar, no entanto, tornou-se frio ao encarar uma das imagens que flutuavam acima da bancada. Nela, estava a situação do velho que o havia atacado.
— Está na hora de este Soberano te dar o troco, velho desgraçado!
Enquanto isso, todos no Império Violet assistiram ao confronto entre seu ancestral fundador e aquela mão divina sobre a Capital.
Matrizes de transmissão se estendiam por mais de oitenta milhões de quilômetros quadrados do território do Império, mas a transmissão não terminava ali. Outros três imperadores — do norte, do sul e do oeste — acompanhavam o desfecho, juntamente com figuras fundamentais de seus respectivos territórios.
Todos observavam aquela cena com expressões sombrias.
Mas eles não eram os únicos.
Por meio de uma transmissão clandestina criada com o propósito de espionagem, o único Imperador do Continente Demoníaco acompanhava tudo com um sorriso sutil.
— O que acha disso, minha irmã? — Uma voz fria e áspera ecoou.
Era o Imperador Demoníaco, Doom Sadao.
Ele possuía um físico forte e estava sentado preguiçosamente sobre um trono feito de cristal escuro, cujo peculiar brilho prateado contrastava com o veludo carmesim que o revestia.
Um pouco abaixo dele, no salão do palácio, três figuras estavam sentadas em poltronas feitas de um material semelhante ao do trono, dispostas ao redor de uma grande mesa redonda. Todas encaravam uma grande projeção que iluminava a escuridão do local.
— Ming Qin tem sido um incômodo — uma voz feminina suave surgiu em resposta. — Seria bom que fosse esmagado até não restar mais nada...
Doom Sadao levantou-se e se espreguiçou, expondo sua altura de três metros. Seus olhos eram vermelhos, com pupilas cinzentas, e dois grandes chifres pontiagudos se projetavam de sua testa. Seu corpo era marcado por cicatrizes e estranhos padrões dourados desenhados sobre a pele acinzentada.
— Não é sobre isso que perguntei, Naomi — disse ele. — Foi aquela divindade que dizimou milhões do Clã Zi Chi recentemente. Além disso, ela também expôs seu rosto gigante sobre aquela Seita humana, assustando muitos dos meus súditos no Continente Demoníaco.
Suspirou brevemente.
— O Clã Zi Chi já entrou em contato com meu filho Maou sobre a possibilidade de mover o Segundo Exército Imperial, apesar de os demais Clãs, felizes com a situação deles, estarem se opondo.
Naomi deixou escapar uma leve risada.
— Bem — disse ela com um sorriso brincalhão —, meu pequeno sobrinho Maou está em um impasse. Os Clãs e as grandes seitas já estão se movendo para escolher qual dos cinco príncipes apoiarão na disputa. Acabou que a chegada dessa divindade fez essa roleta, antes parada, voltar a girar...
Seu olhar se estreitou.
— Mas você sabe, Sadao... essa sua irmã não quis brigar com você pelo trono, mas não digo o mesmo dos meus filhos... Logo, este Império Geena entrará em uma guerra interna entre os de sangue real.
Doom Sadao coçou o ouvido, achando a situação interessante.
— Você, Naomi, sempre foi a mais sensata entre nós cem irmãos. Por isso, é a única, além de mim, que continua viva. Não tinha como eu matar uma irmã que me entende tão bem.
Fez um breve silêncio.
— Desde o primeiro Doom, aquele que governa sempre deve ser o mais forte, seja em força ou em conspiração. Sendo o último de pé, é quem governará.
Seu olhar fitou uma grande janela que mostrava parte da capital imperial.
— Logo terei que exceder o Reino Divino Demoníaco. Isso tem que ser resolvido até o próximo século... Você também deve se apressar e exceder. A grande guerra entre o Grande Dao e o Grande Caos tem se intensificado.
Doom Naomi encarou brevemente a situação pela tela de transmissão enquanto o escutava.
— Você tem razão, Sadao. Esse é um bom momento para conseguirmos méritos dos Soberanos que governam os Seis Mundos Divinos Demoníacos, para nosso Clã Doom escalar mais alto — respondeu ela secamente. — Já sobre essa divindade que surgiu... se aquilo for tudo que ela tem, não precisamos nos preocupar.
Seu olhar se tornou frio.
— Em última situação, destruiremos os elos de ligação que ele tem com o Mundo Imortal. Assim, o Grande Dao vai restringi-lo. Em casos mais extremos, temos nossas cartas na manga.
Cruzou as pernas, expondo suas elegantes coxas de uma sutil cor cinza.
— Até então — continuou —, por que não deixamos as crianças brigarem entre si e fazerem o que quiserem a respeito da situação? Podemos ver a queda de alguns dos impérios humanos e apreciar a disputa entre os príncipes e meus filhos... Vamos ver quem sobrevive.
Outra figura entre eles tomou a palavra. Era a líder do Clã dos Elfos Negros.
— Esse ser do Reino Divino deve estar apenas brincando com esses humanos... — respondeu Dralruhrac Loonnae. — Não devemos subestimá-lo. Eu presenciei de perto a guerra de dez mil anos atrás para brincar diante disso agora.
Ela mordeu levemente os lábios.
— Como sempre, o Clã Doom continua a subir sem olhar para trás... mas nós que ficamos aqui não temos esse privilégio... Quantos mais precisam morrer enquanto vocês sobem?
Doom Sadao deu um sinal de aprovação com o polegar diante daquelas palavras.
— Nossa velhinha Loonnae está correta. Sendo assim, vamos deixar os inúteis do Continente Imortal testarem os limites daquela divindade e depois colhemos os frutos... Agora, sobre a incapacidade dos Elfos Negros e das demais raças do continente... Bem, Loonnae, ser um bando de inúteis é mérito de vocês, certo?
Caminhando até estar diante dela, ele se curvou levemente, pegando uma mecha do longo cabelo escuro da Elfa e cheirando-a de leve.
— Não é por isso que permanecem estagnados aqui há dezenas de milhares de anos?
Ele riu baixinho após ela dar um tapa em sua mão.
— Vejam vocês...
Seu olhar parecia zombar.
— Minha tataravó Doom Jasmim, assim como meu bisavô, pai e mãe, todos subiram para um dos seis mundos do Reino Divino Demoníaco. Mas, em tantos séculos, quem mais, além dos Dooms?
A bela Elfa Negra encarou o Imperador com frieza e fúria nas profundezas de seu olhar. Levantando-se silenciosamente, apenas saiu, sem se importar em dizer mais nada ou dar uma segunda olhada para trás.
Seguindo seu exemplo, os outros dois que estavam sentados nas poltronas restantes também se levantaram. Ambos possuíam o mesmo tipo de olhar.
Um deles era o antigo chefe da raça dos Homens Feras, Thorgard Barak, com seus mais de três metros de altura, fortes músculos visíveis sob sua vestimenta, junto a uma pelagem de cor marrom nos antebraços e em outras partes do corpo.
A outra era quem liderava uma raça tão antiga quanto os Elfos Negros, chamada Sangue Carmesim, Nykos Nayra. Tinha longos cabelos loiros, olhos de um vermelho profundo e pele branca e pálida. Ela apenas bufou e saiu.
Doom Sadao assistiu aos três irem embora, esboçando um sorriso sarcástico diante da cena.
— Você deveria parar de irritá-los, Sadao — sussurrou Naomi ao se aproximar dele.
Ele, por outro lado, riu diante de seu comentário, desaparecendo do local e surgindo sentado em seu trono a poucos metros.
Doom Naomi lambeu os lábios sutilmente e flutuou, pousando sentada no colo de Sadao.
Seu corpo voluptuoso, com seios fartos e curvas de alto nível, se encostou contra o peitoral de seu irmão.
— Esses tolos nem imaginam que todos aqueles dez são nossos filhos. Afinal, os Doom devem ser puros — disse ela antes de beijar a boca de Sadao, o qual não recusou, deixando a sua língua correr na pequena boca da irmã.
Naomi estalou os dedos enquanto o beijava, e todo o salão interno brilhou com padrões desconhecidos. Tudo foi selado. Ninguém de fora poderia ver ou ouvir sobre o que acontecia ali.
Em seguida, ela deixou os braços de seu irmão Sadao e fez seu corpo flutuar alguns metros à frente dele. Logo, toda a sua roupa caiu ao chão, expondo sua formosura voluptuosa. Movendo uma mão, convocou uma cama luxuosa de sua dimensão de bolso, fazendo-a subir até o centro da sala, alguns metros acima da mesa onde antes conversavam.
Subindo até a cama, deitou-se de lado, completamente nua, encarando-o com um olhar de desejo.
Sadao lambeu os lábios.
— Você tem um fogo que nunca desaparece, Naomi...
Ele se levantou. Sua roupa desapareceu, expondo seu corpo nu. Em seguida, elevou-se até a cama. Ela o puxou rapidamente e se deitou sobre ele.
— A guerra precisa acontecer — disse ele quando Naomi montou sobre ele, fazendo seu pênis desaparecer ao penetrar o interior quente e molhado dela.
Ela movimentou os quadris para cima e para baixo, fazendo o som de seus corpos se chocando ecoar pela sala, acompanhado de seus gemidos.
— Só são necessários dois sobreviventes entre nossos filhos, uma fêmea e um macho. Além disso, temos aquela criança cuja existência ninguém conhece para gerar a próxima linhagem dos Dooms, a partir do último que permanecer vivo.
Naomi gemeu ao se mover mais algumas vezes. Sua voz suave e um pouco ofegante surgiu em resposta.
— ... Precisamos acumular o máximo possível de almas de Imortais para conseguirmos exceder o Reino Divino Demoníaco — expressou ela entre os gemidos. — Também precisamos fortalecer nossas almas pseudo-divinas. Quanto aos nobres Dooms de sangue puro... os nove que caírem serão mais do que suficientes.
Pegando Naomi pela cintura, Sadao a virou, e ela ficou de joelhos sobre a cama, deitando-se e empinando seu traseiro. Com força, ele penetrou, fazendo os olhos dela revirarem e um sorriso de prazer se esboçar.
— Recebi notícias de que nós, os Dooms do Reino Divino Demoníaco... temos uma chance de controlar o Sexto Mundo Demoníaco. Não devemos perder tempo. A chegada dessa divindade estrangeira vai nos poupar muito trabalho!
Afirmou ele enquanto puxava os braços de Naomi para trás e penetrava tudo, fazendo seus seios fartos subirem e descerem. Em seguida, deixou seu fluido encher o útero dela. Todavia, mesmo após isso, os dois não pareciam nem perto de terminar.
Enquanto isso, Kael ainda bufava entre dor e raiva.
A existência de uma divindade superior se tornava cada vez mais conhecida por todo o Mundo Imortal, porém ele nem sequer imaginava isso, muito menos o que acontecia no Continente Demoníaco, principalmente entre os dois irmãos que lideravam aquele lugar.
Se soubesse, teria ficado completamente boquiaberto e pasmo.
Deixando o ar escapar levemente entre seus lábios, sentou-se sobre a cama. Sua mão latejava, mas ele só se sentiria melhor quando desse o troco no velho que o feriu.
Reajustando a configuração para que todos ouvissem sua voz, ele voltou a falar. Sua voz logo reverberou, aterrorizando os que escutavam.
— É justo que este Soberano devolva essa picada de mosquito...
Abrindo outra tela que mostrava a manifestação de Ming Qin tentando se manter no ar com dificuldade, Kael estendeu sua outra mão, com sangue nos olhos.
Naquele momento, a capital do Império brilhou intensamente em uma forte cor roxa, e uma nova matriz se estendeu a partir daquela já existente, expandindo-se centenas de metros acima e cobrindo o ancestral fundador e seu General de Guerra.
Kael riu em desdém.
Gritos se sobrepunham entre os habitantes do Império ao verem uma segunda mão dourada surgir do nada e simplesmente despedaçar a matriz com um soco antes de agarrar a manifestação marcial de seu ancestral.
“Hmp! Pensam que minha fúria é brincadeira?”
Estalos ecoaram.
“É bem parecido com quando segurei um boneco do Max Steel, quando tinha meus oito anos... mas parece bem mais frágil”, pensou, antes de aumentar o aperto em sua mão esquerda.
Rachaduras se amontoaram cada vez mais sobre o General de Guerra de Ming Qin. Então, um grito de dor ecoou do centro da manifestação marcial.
“Está doendo, seu velho fodido das bolas murchas? Devia ter pegado mais leve com minha querida mão. Agora aguente a minha fúria divina!”
Os olhos de Kael brilharam com loucura.
Todo o caos que antes havia se acalmado um pouco explodiu novamente. A cada aperto da enorme mão dourada, pedaços caíam da Manifestação Marcial, desfazendo-se em partículas roxas.
Mais uma vez, o espaço que acabara de se emendar rompeu-se em pedaços, deixando um vazio escuro diante de seu aperto. Em seguida, até aquele vazio parecia se distorcer diante da força exercida.
Um estrondo surgiu, e uma força de sucção irrompeu. Enquanto, para os que assistiam, aquilo parecia o fim do mundo, para Kael era apenas uma retribuição.
Quando seu aperto chegou a cerca de metade de toda a sua força, a imponente manifestação marcial, o General de Guerra, desfez-se em pedaços, tornando-se partículas de Ki Verdadeiro que se dispersaram pelo ambiente.
Já o minúsculo ancestral fundador caiu em queda livre, sem força alguma, mas, naquele momento, algo semelhante a um relâmpago azul o alcançou, salvando-o de ser engolido pela sucção gerada pelo rompimento do tecido do vazio além do espaço.
Ming Chu voou com todas as suas forças, levando seu tataravô Ming Qin, que havia esgotado todo o seu Ki Interno.
O silêncio tomou o lugar. Ninguém ousava dizer uma única palavra.
Mas foi só agora que Kael notou que seu adversário havia escapado de sua mão. Por um momento, pensou em esmagá-lo de uma vez por todas, mas, respirando fundo, desistiu da ideia.
Ampliou a imagem para ver a situação da cidade e notou algumas mulheres e crianças chorando, além de vários corpos.
Ele mordeu levemente os lábios. Era uma sensação estranha. Talvez, por serem minúsculos, não sentisse uma grande culpa, mas ainda sentiu culpa, afinal, tudo isso aconteceu porque ele foi intrometido e quis impressionar a bela Sui Lian.
“Eu... matei aquelas pessoas? O confronto entre eu e esse Ming Qin ocasionou isso...”
Seu olhar fitou o ancião debilitado. O velho só esteve se defendendo de sua invasão.
“Eu realmente não sei como me sinto... mas é diferente do que imaginei quando lia webnovels no passado... é amargo, o fraco perece em um simples movimento dos poderosos. Essa é a realidade deste mundo.”
Diante dessa compreensão, resolveu deixar essa situação entre os dois como se estivessem quites. Todavia, ele não poderia voltar atrás agora, ou toda a imagem que criou se perderia.
Kael olhou à procura do tal Imperador Ming Liu. Sua intenção era terminar aquilo rapidamente. Mas a pessoa em questão parecia ter desaparecido. Não importava onde olhasse, não o encontrava.
Nesse momento, outra figura surgiu. Era uma mulher vestida com um longo vestido vermelho, adornado com padrões de Fênix.
Ela se prostrou em pleno ar e baixou a cabeça em reverência.
— Grande Divindade... Esta humilde serva, Wumi, suplica... poupe nosso ancestral e meu filho, Ming Chu. Deixe meu povo viver!
Sua voz surgiu alta e desesperada, em súplica. Kael olhou silenciosamente para ela. Fosse pela dor latejante em sua mão ou por finalmente ter percebido tudo aquilo, a situação estava parecendo um pouco pesada demais para ele processar. Ainda assim, seguiu mantendo o seu personagem.
— Levante o rosto para que eu veja, pequena mortal! — disse ele.
Ainda trêmula, ela olhou para cima. Medo, dor, tristeza e desamparo estampavam seu rosto. Essa visão fez Kael sentir uma pontada de culpa ainda mais forte.
Ainda que estivesse com um pouco de raiva e receio, ele não podia ser hipócrita e ignorar sua parcela de culpa.
Mas, em vez de responder à súplica dela, fez uma breve pausa para organizar os próprios pensamentos antes de continuar.
— Onde está o Imperador e o primeiro príncipe, que pedi desde o início?
A pergunta fez a Imperatriz Wumi demonstrar um profundo ódio em seu olhar.
— Respondendo a Vossa Excelência Divina... — Ela fez sua voz ecoar intencionalmente sobre a Capital Violet. — O Imperador fugiu com o príncipe herdeiro Lu... Ele prefere que seu povo pereça do que...
Seus olhos se encheram de lágrimas, como se não conseguisse terminar. Parecia genuína, mas Kael estreitou os olhos.
“Essa mulher está atuando, sem dúvidas... Está se aproveitando da situação para dar um golpe de Estado. Bem, não importa. Isso não é problema meu.”
Focando seu pensamento na figura do Imperador Ming Liu, uma imagem surgiu no interior da caixa. Recuando para fora da caixa a mão que usou para esmagar a manifestação marcial, logo a estendeu em direção à nova imagem.
Sua mão desceu sobre um imponente deserto e se fechou sobre uma figura que carregava alguém pelos ares. Depois, mudando o cenário, ela ressurgiu sobre a Capital Violet.
Levemente, lançou o que havia pegado contra a cidade abaixo, e um estrondo ecoou.
Pessoas se reuniram ao redor da cratera e viram um homem sair enquanto segurava um jovem gordo, todo ensanguentado.
Era o Imperador Ming Liu e o príncipe herdeiro Ming Lu.
Todos sugaram o ar, admirados. Principalmente aqueles que sabiam que o Imperador havia usado matrizes de deslocamento espacial para fugir por milhões de quilômetros da capital imperial.
Mais uma vez, compreenderam que não eram nada diante daquele ser divino.
A voz trovejante ressurgiu além dos céus.
— Este Soberano reconhece a coragem daquele mortal. Ele ousou erguer sua arma contra uma divindade para proteger seu império — disse ele, referindo-se ao ancestral Ming Qin.
— Embora sua força seja insignificante diante deste Grande, sua determinação merece respeito. Por isso, decidi poupar sua vida.
Fez uma breve pausa dramática, observando o terror no olhar das centenas de milhares ou até mesmo milhões de pessoas que olhavam para o céu, trêmulas.
Ele suspirou internamente.
“Eu já vim até aqui, só resta ir até o fim... Sui Lian, que problemão você me arrumou. É melhor estar pronta para me devolver o favor.”
Sua voz cortou o silêncio novamente.
— Quanto ao Império Violet... este Soberano também cumprirá sua palavra.
— Entreguem o primeiro príncipe fujão que devolvi a vocês há pouco. E agora, por me fazer perder tempo...
Kael calculou mentalmente uma porcentagem que demonstrasse sua benevolência. Que parecesse uma punição, mas não parecesse um roubo à luz do dia.
— Trinta por cento da riqueza de seu Império — declarou secamente. — Quinze por cento pela honra roubada da minha serva e os demais quinze pela grande oportunidade que dei ao seu ancestral de tatear o caminho divino.