Após ouvir as palavras de Sui Lian, Kael pareceu, de uma forma milagrosa, recuperar as forças, tornando-se mais enérgico. Até sua expressão extremamente cansada desapareceu. Havia fogo nas profundezas de seus olhos.
Ele não se segurou mais e esticou a mão esquerda em direção a um dos seios da garota, que estava parcialmente exposto pela maneira como ela estava sobre a cama.
Kael engoliu em seco.
Em sua mão, sentiu o quão macio e quente era o seio que havia apalpado. Seus dedos afundavam quase por completo em meio ao seu aperto. Seu coração acelerou, completamente fascinado, mas rapidamente tentou se controlar e recuperar a compostura.
Ainda que fosse ousado, aquela era a primeira vez que ele se encontrava nesse tipo de situação com uma mulher. E, para completar, ela era muito sedutora, fazendo seu sangue ferver.
Ele estava pronto para continuar, mas interrompeu sua investida prontamente. Por um momento, fitou o rosto de Sui Lian, então suspirou e recuou a mão.
A garota estava com os olhos fechados, e seus cílios tremiam junto com todo o seu corpo. Era inegável que ela estava bastante assustada, bem diferente de sua entrega de agora há pouco.
Erguendo a mão novamente, tocou levemente o rosto dela com delicadeza. Kael não entendia ao certo tudo o que Sui Lian já havia passado em sua vida, apenas sabia o pouco que ela havia contado.
Não tinha como realmente mensurar o tamanho do impacto e da dor que tudo aquilo havia causado, ainda mais sem saber de tudo em detalhes. Afinal, cada pessoa tinha sua própria maneira de reagir diante da dureza que era a vida.
Ele não poderia simplesmente ignorar seus traumas e medos apenas para saciar sua própria luxúria. Kael não se considerava o homem mais decente do mundo, mas tinha seus próprios princípios. Ainda que sua mente fosse, às vezes, até um pouco duvidosa e meio sombria, jamais esqueceria os ensinamentos de seu pai e de sua mãe.
Os dois, quando vivos, ainda que passassem pouco tempo em casa, sempre lhe ensinaram e deram exemplos por meio de seu próprio amor um pelo outro.
Seu pai, Mikhael, sempre disse que um homem deveria respeitar os limites e sempre saber enxergar as entrelinhas das inúmeras situações.
Já sobre as mulheres, falou especificamente que era dever do homem saber quando agir e também quando recuar, e nunca, em hipótese alguma, forçar uma garota contra sua vontade. E, ainda que houvesse consentimento dela, deveria manter a cabeça de cima sã para observar bem se, de fato, ela estaria pronta para dar um passo adiante.
E esse não era o caso de Sui Lian. Havia muito medo gritando em sua expressão facial, na reação de seu corpo após ele tocar o seio dela. Era óbvio que existia um trauma profundo ali.
Sua mãe, Katia, afirmou veementemente que boa parte das mulheres não era confiável e que ele deveria ser sábio, pois ainda existiam joias raras em meio às pedras. Se um dia encontrasse uma boa mulher, fosse como parceira ou mesmo amiga, deveria valorizá-la e cuidar bem dela, com carinho e amor. Afinal, isso era algo cada vez mais raro em um mundo onde homens e mulheres se tornavam cada vez mais frios, frívolos e egoístas.
Por um momento, Kael tocou suavemente o rosto de Sui Lian. Em seguida, levou a mão até sua cabeça e fez um leve cafuné em seu cabelo antes de afastar a mão e recuar um pouco.
Só então notou o corpo dela parar de tremer e sua expressão suavizar.
Diante disso, deixou o ar sair lentamente entre os lábios, recuperando a compostura e acalmando seus desejos intensos.
Sua voz logo surgiu suavemente.
— Não se force, minha pequena Lian. Este Soberano vê sua dor, dor que ainda perturba aí dentro deste bondoso coração...
Sui Lian abriu os olhos e piscou algumas vezes, mas, ao notar aquele olhar de seu Senhor, que parecia tão carinhoso, baixou o rosto lentamente. Não disse nada, mas algumas gotas cristalinas ainda caíram sobre os lençóis da cama.
Vendo-a chorar silenciosamente, Kael segurou a mão dela, algo que não pareceu incomodá-la tanto.
— Você é uma serva que escolhi... Obviamente, não quero nada menos que sua felicidade. Esperarei até você estar pronta ou, se for realmente difícil, não precisa acontecer — disse ele, tentando consolá-la.
Sui Lian levantou o rosto e olhou para aquela face que era a de um garoto bem mais jovem que ela e que parecia tão frágil e debilitado, mas que, na verdade, era bem maior e incomparável do que ela sequer poderia imaginar.
“Será que... ele se mostrou assim para mim por entender tudo o que já passei...?”
Ela mordeu os lábios.
“... Um deus se fez fraco e pequeno para me consolar depois de me salvar... Por que isso? O que eu tenho para oferecer?”
Apertou a mão quente que segurava a sua.
“Eu só tenho meu corpo e minha alma, e mesmo isso eu não entreguei de forma sincera... mas ele não me força e nem me rejeita, mesmo quando o decepciono.”
Kael não sabia ao certo o que se passava na cabeça dela, mas, pelo seu olhar, ela parecia sentir que havia falhado com ele e que o decepcionou.
Por um momento, refletiu sobre o que deveria fazer sobre isso. Então, sem tirar os olhos dela, sorriu e levou a mão ao rosto de Sui Lian, enxugando as lágrimas de seus olhos.
— Menina boba, você não me decepcionou, não pense muito sobre isso — disse ele. — Mas que tal isso?
Terminando suas palavras, sua mão desceu até o pequeno queixo dela. Em seguida, seu rosto se aproximou do dela. No susto, ela fechou os olhos, mas não recuou.
Kael uniu seus lábios aos dela e, sem resistência, sua língua entrou na pequena boca da garota e se moveu, chamando aquela suave língua dela para uma dança.
Após trinta segundos de um intenso beijo, Sui Lian abriu os olhos brevemente, e seus olhares se alinharam naquele momento.
Era estranho para ela. Aquele medo que a dominava, fazendo-a querer recuar o rosto, desapareceu pouco a pouco e, sem perceber, já estava se entregando àquele beijo tão estranho, em que suas línguas pareciam dois apaixonados inseparáveis.
Kael notou que ela havia se acalmado um pouco e agora aproveitava o beijo.
Para ele, não era diferente. De certa forma, aquela garota foi a primeira que ele beijou. Ainda estava aprendendo na prática; antes, só tinha referências de novelas, filmes e séries.
“Beijar é ainda melhor do que eu imaginava...”, refletiu. “A boca dela é pequena, seus lábios são macios e tão doces. De fato, aquele sabor de antes era por conta do sangue... mas agora é diferente. Beijá-la é tão bom que eu poderia fazer isso por horas facilmente, mas... um homem deve saber a hora de parar.”
Após três minutos, ele recuou os lábios dos dela, deixando uma fina linha de saliva se estender antes de se romper.
Sui Lian respirou ofegante, como se ainda estivesse se recuperando, mas seus olhos não se desviaram da pessoa à sua frente.
Kael riu e tocou o rosto dela delicadamente.
— Até você estar pronta, este Soberano só irá até esse ponto com você... No futuro, quem sabe, se for sua vontade, pode até ter um filho meu...
Essa última parte ele não falou com seriedade. Era apenas porque não sabia o que dizer diante daqueles olhos tão intensos o encarando.
Ainda assim, as palavras que disse tiveram um significado bem mais profundo para Sui Lian. Por um momento, uma memória lhe veio à mente: quando fugiu grávida de cinco meses.
Onde foi capturada, sua barriga foi aberta e seu bebê foi morto diante de seus olhos. Mesmo diante de tamanha dor, nem morrer ela pôde, pois foi completamente curada e levada para continuar sendo abusada.
Ela mordeu os lábios levemente.
“Meu bebê ficaria feliz se eu seguisse em frente... Será que realmente posso?”
Sui Lian fitou Kael.
“Mas... já houve alguém que me tratou tão bem como ele? Alguém que foi tão bom para mim quanto o meu Senhor?”
Depois de todo esse tempo em silêncio, finalmente ela falou.
— Sua Sui Lian é alguém tão pequena e comum... Por que um deus como o Soberano se importa tanto e até... quer me dar a honra e a alegria de ser uma das mães de um filho seu...?
Sua voz falhou brevemente.
Ela não era tola e sabia bem que provavelmente não seria a única mulher nos braços de seu Senhor. Não teria como, sendo alguém tão simples como ela, tê-lo só para si. Isso era inegável. Mas ter um filho dele...
Ainda que suas lembranças ainda a adoecessem profundamente, como poderia negar seu profundo desejo de ser mãe? O desejo tornava-se ainda mais forte se fosse filho de quem a salvou, de quem a escolheu.
Kael coçou levemente a cabeça. A garota levou suas palavras bem mais a sério do que ele imaginou; era o que os olhos dela diziam.
“... Interpretar esse papel de Soberano dos Nove Céus está se tornando cada vez mais trabalhoso... Mas tanto faz. Vamos apenas seguir em frente.”
Com um leve suspiro, respondeu:
— Minha Lian não precisa pensar tanto sobre o porquê. Apenas esteja ciente de que foi escolhida por mim. Isso é mais que o suficiente, certo?
A garota piscou os olhos algumas vezes e então sorriu docemente.
— Sim... meu Senhor tem razão. É mais que o suficiente...
Ela fez uma breve pausa. Seu rosto corou um pouco, nervosa.
— No futuro... se não incomodar... permita-me estar perto do Soberano e... ser mãe de um filho seu. Então serei feliz!
Kael sugou o ar.
Ouvir tal coisa quando ela estava minúscula dentro do mundo em miniatura não o faria pensar muito nem o deixaria nervoso, mas era bem diferente com ela sentada à sua frente, sobre sua cama.
O dragão adormecido entre suas pernas ficava cada vez mais duro e rígido, completamente violento, querendo partir para uma intensa batalha. Era realmente difícil se controlar vendo essa garota tão disposta a ser dele, mesmo diante de seu trauma.
— Certo, minha querida Lian — respondeu ele. — Te concederei esse seu desejo quando você estiver pronta. Não se preocupe muito... Este Soberano é atencioso e cuida muito bem de suas servas.
Ela sorriu e assentiu com a cabeça. Sentiu-se bem relaxada com suas palavras.
Kael pegou brevemente o celular e olhou o horário. Já eram oito da noite. Sinceramente, ele estava com medo de pensar sobre sua mão agora. Ela parecia muito feia e inchada e também estava, aos poucos, perdendo o movimento dos dedos. Até a dor não era mais tão intensa, como se estivesse perdendo a sensibilidade.
Nesse estado, Kael deduziu que, se fosse a um hospital, provavelmente amputariam sua mão. Isso, para ele, era inviável. Estava planejando procurar uma maneira de curá-la na caixa. Talvez, nos anéis de armazenamento daquele Yechen, houvesse algo que pudesse ajudá-lo.
A caixa-artefato disse que Sui Lian usou o próprio sangue, que havia passado por um leve aperfeiçoamento após ela comer o pedaço de grão de arroz que ele deu a ela.
Sinceramente, ele não compreendia como aquilo funcionava. Era meio sem lógica, em sua opinião.
A garota era comum, e um pedaço de grão do arroz de seu mundo, que ela nem sequer havia comido todo, fez sua estrutura biológica evoluir a ponto de seu sangue poder curá-lo da febre e da possível infecção generalizada que havia contraído por conta da ferida.
Em contrapartida, ele próprio poderia comer quilos de arroz e, mesmo assim, o destino de sua mão ainda seria ser amputada. Nada disso fazia sentido.
A voz de Sui Lian o tirou dos pensamentos.
— Meu Senhor... você tinha me pedido para guardar isso — disse ela, mostrando um anel prateado com leve brilho turvo.
Por um curto momento, ele encarou o anel. Então, seus olhos brilharam. Era ali que estava trinta por cento da riqueza do Império Violet. Se não houvesse nada capaz de curar sua mão ali, ele realmente se sentiria muito decepcionado.
Kael pegou o anel silenciosamente, escondendo a alegria em sua face.
Depois disso, chamou a garota para dormir. Se ele tinha que fazer algo, seria longe dos olhares dela. Afinal, um Soberano Divino usando um tesouro de um império mortal para curar sua mão seria uma grande perda de prestígio para ele.
Sui Lian se sentia bastante abençoada depois de todos os anos de sofrimento. Seu choro durou muito tempo, mas finalmente a alegria chegou para ela.
Seu Soberano era bem diferente do que ouviu das pessoas sobre os Imortais. Talvez fosse por ele ser um deus... mas o curioso, em sua opinião, era que, mesmo sendo poderoso, parecia bem mais humano do que muitas pessoas que já viu em sua vida. Isso era algo que a surpreendia bastante.
Primeiro, era o fato de que, mesmo ela sendo uma mulher comum e simples, ele a olhava com um desejo tão intenso que a deixava intrigada. Se não fosse por esse medo que ainda não conseguia controlar e pela bondade dele em respeitar sua dor e lhe dar tempo, já teria se entregado completamente a ele.
Outra coisa que chamou sua atenção era a maneira como ele a tratava. Era um afeto estranho e bom ao mesmo tempo, ou talvez um cuidado, algo desconhecido para ela. Não apenas por nunca ter experimentado algo assim, mas porque nunca viu tal coisa nem mesmo entre pessoas casadas.
Na sua experiência de vida, as mulheres não tinham voz diante de seus parceiros. Elas ficavam sempre caladas e se esforçavam para parecer bem apresentáveis. Já quase todos os maridos eram frios, distantes e pouco conversavam com suas parceiras. Independentemente de terem duas ou mais esposas, isso sempre foi o comum para Sui Lian.
Na família Sui, onde nasceu, não era muito diferente. Status, aparência e honra sempre foram os pontos principais e, caso a existência de algum membro representasse uma ameaça para a família, todos o abandonavam sem pensar muito. Fosse esposa, filho ou filha.
Por isso, ela se perguntava se os humanos que se diziam a raça justa do mundo imortal não deveriam ser como seu Soberano e ter um coração quente e acolhedor.
Essas coisas tomavam sua mente ao se deitar, virada para a parede. Às vezes, refletia se tudo não passava de um bom sonho e se logo acordaria para sua dura realidade.
“Ser querida, apreciada e desejada com carinho por alguém... isso é tão reconfortante e me traz uma paz tão boa...”, pensou ela.
Kael observou Sui Lian. Mesmo olhando-a de costas para ele, ela ainda era uma tentação muito difícil de resistir. Em silêncio, deitou-se atrás dela, resistindo à grande vontade de devorar a garota.
Na verdade, já havia se comunicado com a caixa-artefato por pensamento sobre um assunto.
Ainda que fosse um grande prazer ter Sui Lian, uma garota voluptuosa, gentil, bonita e obediente, por perto, era arriscado demais. Fora do mundo em miniatura, não tinha como controlar a situação ou saber como tudo se desenrolaria.
Mas a caixa-artefato disse que poderia enviá-la de volta a qualquer momento sem problemas. Isso lhe deu um pouco de alívio, pois, no dia seguinte, teria que encontrar sua tia Ashley. Antes disso, também planejava finalizar a situação com a Seita Dao Infinito e cultivar.
De madrugada, quando Sui Lian estivesse dormindo, ele planejava ver como retiraria as coisas daquele anel de armazenamento. Na pior das hipóteses, imploraria pela ajuda de sua grande amiga caixa-artefato que, por incrível que parecesse, disse estar disposta a lhe dar uma pequena ajuda em sua entrada no caminho do cultivo.
Claramente, isso o deixou feliz, porém desconfiado. Afinal, por que um artefato tão mesquinho e ranzinza iria querer ajudá-lo de repente? Mas não importava muito. Não havia ganhos sem riscos.
Após colocar seus pensamentos em ordem, ele se aproximou um pouco das costas da garota à sua frente.
“Porra... ela cheira tão bem... isso seriam os feromônios femininos de uma predadora silenciosa?”
Ele olhou um pouco e notou que, apesar de o corpo dela tremer um pouco no início com sua aproximação, logo se acalmou.
Kael lambeu os lábios levemente.
“Poxa... parece que ela está disposta, mas não posso arriscar machucá-la ou deixá-la triste.”
Sua voz soou suave.
— Lian... vire de frente para seu Senhor, deixe-me ver seu rosto um pouco.
Após suas palavras, por alguns poucos segundos, ela não se moveu, mas então virou lentamente, cobrindo o rosto com as mãos em seguida.
Kael levantou a mão e, por um momento, encarou-a. Era a sua mão direita, ferida, e estava muito feia. Ele meio que não sentia mais os dedos nem a palma agora. Ainda assim, esticou-a, fazendo um cafuné em Sui Lian.
— Você não precisa ter medo, sabe... — disse baixinho. — Venha, chegue mais perto.
Em silêncio, ainda cobrindo o rosto, ela se achegou, movendo-se lentamente pela cama. Agora, a distância entre eles era de dois centímetros.
Kael levou seu rosto até o pescoço dela e respirou fundo, como se quisesse gravar aquele doce aroma feminino. Sui Lian soltou um leve gemido, sendo pega de surpresa. Ele não resistiu e riu baixinho da sua reação, bem ao lado do ouvido dela.
— Pequena Lian, você ainda está bastante assustada... vou te dar uma escolha — sussurrou ao seu ouvido. — Você pode recuar e deitar mais distante, se quiser. Não vou dizer nada a respeito e nem ficar decepcionado. Ou você pode ficar assim, perto de mim. Este Soberano deixa a decisão em suas mãos.
Sui Lian retirou as mãos lentamente de seu rosto. Ela ainda sentia a respiração de seu Senhor arrepiando seu pescoço.
O olhar dela se voltou para aquele lugar estranho e parcialmente iluminado pela luz que entrava através de uma estrutura de cristal.
Ela entendeu a intenção de seu Soberano. Não era assustá-la, mas lhe dar a oportunidade de se acostumar com a aproximação dele, ajudá-la a vencer aquele medo dentro dela.
Por um lado, Sui Lian sentia uma grande vontade de fugir. Era como um instinto de sobrevivência que adquiriu em seus dias mais difíceis. Por outro lado, ela queria ficar perto daquele que a escolheu, que fez tanto por ela. Queria agradá-lo e, no fundo, gostava de ser tão valorizada e desejada, a ponto de ser cheirada como se fosse uma flor de perfume raro.
Sui Lian mordeu os lábios e segurou levemente o tecido da camisa de seu Senhor. Estava nervosa demais para dizer alguma coisa, mas, para Kael, foi o bastante para entender sua resposta.
Sem dizer nada, beijou o pescoço dela. O corpo dela se contorceu levemente, fazendo-a apertar sua camisa ainda mais forte. Seus gemidos eram hipnotizantes para ele.
“Pai... mãe... deem força a esse filho de bom coração para suportar essa deliciosa tentação”, rezou, controlando a vontade de pular sobre Sui Lian.
“Bem... vou aproveitar só até onde posso ir... quem sabe eu não morra amanhã? Se fosse isso, seria um grande arrependimento não aproveitar agora.”
Kael pareceu ouvir um bufado meio mecânico, meio feminino após esse pensamento.
“Caixa-artefato... você está com ciúmes? Você é uma caixa e eu sou um homem, não combinamos, sabe?”
Agora, sentiu que havia ouvido uma risada zombadora, e o silêncio a seguiu.
“Vai entender...”, refletiu, antes de voltar o foco para Sui Lian.
A garota estava comportada entre seus braços. Era como um gatinho, na sua opinião.
— Lian — falou ao ouvido dela. — Olhe para mim.
Ela levantou o rosto lentamente e o observou com aqueles belos olhos azuis, que pareciam carentes e assustados ao mesmo tempo.
Ele sorriu e aproximou o rosto do dela. Entendendo a intenção dele, o coração dela acelerou, e ela fechou os olhos, fazendo um biquinho com os lábios.
Kael quase gargalhou com a cena, mas continuou a investida, aliviado por ela também desejar aquilo. Mais uma vez, sentiu aqueles lábios macios e deliciosos e logo entrou com a língua na pequena boca dela.
A respiração de Sui Lian acelerou.
Ele, porém, tentava manter a calma, apesar de estar se deliciando com o momento. Sua língua era como um guerreiro imparável, travando uma batalha com a maestria de um campeão.
Pela reação da garota diante de seu beijo, Kael deduziu que beijar deveria ser um dos talentos ocultos que ele antes desconhecia. Agora, percebeu que ser charmoso para as cultivadoras não era a única novidade.
De repente, Sui Lian abriu os olhos, admirada. Seu Senhor tinha técnicas estranhas, em sua opinião. Uma língua entrar na boca do outro ainda era algo com que ela estava se acostumando.
Não era algo ruim. Pelo contrário, ela particularmente gostou bastante. Porém, antes que pudesse se acostumar, surgiu algo novo: seu Soberano chupou sua língua como um bebê chupa o seio de sua mãe. Isso lhe deu um leve choque. Era uma sensação boa e estranha ao mesmo tempo.
“Será que... existem mais coisas que os deuses fazem nesses momentos usando a língua?”
Ela estava curiosa ao refletir, até com certa expectativa pela descoberta. Mas, enquanto sua mente imaginava o inimaginável, Sui Lian pressionava as pernas uma contra a outra, pois um fogo subia intensamente em sua virilha.
“Essa maneira dele comigo...”, pensou ela. “Eu posso acabar me viciando nisso...”
Kael não percebeu sua reação. Ele só estava apreciando o prazer de beijá-la e aperfeiçoando sua técnica.
Todavia, agora, finalmente compreendeu por que seus pais se beijavam tanto quando estavam juntos. Era porque aquilo era realmente muito prazeroso.
Após dez minutos beijando a boca de Sui Lian e, em seguida, chupando mais algumas vezes seu saboroso pescoço, finalmente deu descanso a ela, que já estava com o rosto tomado por um intenso rubor e a respiração ofegante. Então, simplesmente a abraçou, deixando o rosto da garota encostado em seu peito, e fechou os olhos, pois estava cansado.
Ela, por outro lado, ficou meio sem reação, pois imaginava que, depois disso, iria até o fim com ele, mas seu Senhor simplesmente parou ali e dormiu.
Diante disso, Sui Lian riu baixinho ao perceber os próprios pensamentos, sentindo-se extremamente feliz nos braços de seu Senhor. Logo após o fogo em seu corpo se acalmar, dormiu nos braços daquele que a escolheu.