Um pequeno grupo descia a escada escura.
O número de lamparinas diminuía; ao fim, restavam apenas duas — uma à frente, outra atrás.
O corredor era frio, quase úmido. Grades à direita, cada uma dando para uma cela vazia. O cheiro contrariava a aparência: havia sinais de uso recente.
Eles pararam diante da única cela com uma janela gradeada.
A única luz natural de todo o lugar.
Naquela cela, havia uma mulher.
Vestia um gibão e calças de linho. Não disse nada. Apenas fitou o grupo.
Manteve-se no fundo. A pele azulada. Quando a luz da lamparina tocava seu rosto, os olhos vermelhos se destacavam.
No pescoço, um grilhão com uma pedra negra no centro. O mesmo nos braços e pernas. Sem correntes.
Ainda assim… presa.
Um dos homens avançou até a grade.
— Rainha feérica. Esta não era a forma que eu esperava para nosso primeiro encontro. Sem protocolos, sem embaixadores, sem documentos definindo o que seria discutido. Ainda assim… é uma honra conhecê-la.
Ela não se moveu.
Ergueu a mão, como se tentasse algo. Parou no meio do gesto. Suspirou. Baixou.
— Língua comum? Um embaixador, presumo. Veio me oferecer indulgências antes da execução? Dar algum ar de justiça ao seu rei bárbaro?
— Perdoe meu sotaque — ele respondeu, agora na língua feérica. — Posso errar algumas palavras.
Fez uma pausa.
— Mas não sou um embaixador.
Silêncio.
— Sou esse rei bárbaro que você odeia.
Voltou à língua comum.
— Reconheço que as circunstâncias não são ideais… ainda assim, acredito que possamos nos beneficiar de uma conversa.
Ela deu um passo à frente. As mãos tremiam.
Raiva contida.
— Veio zombar? Ignorou todos os pedidos de negociação… e agora quer conversar? Aquele que traz a promessa da conquista quer conversar?
Uma cadeira foi trazida.
Almofadas ajustadas com cuidado.
Ele se sentou.
Sem pressa.
— Parece que a reputação do meu irmão chegou antes de mim.
Ele a encarou.
— Quanto às propostas… não são viáveis. Some a isso a morte dos meus irmãos, e entenderá por que nenhuma resposta foi enviada ao seu reino.
Uma breve pausa.
— Ainda assim… sua presença cria oportunidades.
Ela relaxou um pouco.
— Uma oportunidade… através de grades?
— Toda oportunidade começa de alguma forma.
Ele se inclinou levemente à frente.
— Comecemos nos apresentando.
Um breve silêncio.
— Seu nome eu já conheço.
— Rainha Vaelia… Senhora do Limiar.
Agora, ele.
— Eu sou Dom Duarte Nátor de Braganza.
Ela sussurrou:
— Serpe.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele.

