Capítulo 10 - A Visita Desagradável
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2 Meses Depois
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A lua iluminava o palácio real do Império de Luminus, terminei os meus trabalhos no salão neutro, estava subindo as grandes escadarias circulares da torre neutra, meus passos ecoavam pelos cristais ocos no centro da escadaria, fazendo-os vibrarem.
Após subir a escadaria gigante, parei por um momento para respirar, eu estou muito cansado, as olheiras começaram a dominar os meus olhos por conta das tarefas burocráticas exaustivas, subir essas escadas não é uma tarefa fácil..
"Certo.. Os trabalhos de hoje estão concluídos."
"Que entediante.. Esses deveres que meu pai me da.. Ele deixa todo o trabalho pesado em cima de mim, sempre foi assim."
"Eu deveria voltar para o meu dormitório já que está tarde, mas.. Quero aproveitar um pouco mais a bela brisa dessa noite."
Continuei a caminhar no corredor da torre, enquanto os cristais de luz iluminavam o caminho conforme eu andava.
De repente um brilho surgiu como um flash, olhei para a direita, onde estava uma das janelas, me aproximei e a abri, apoiei os meus braços na beirada e comecei a admirar a paisagem.
Como sempre a capital está esplêndida, as luzes iluminam o céu que oculta um pouco as estrelas, mas não o suficiente para dispensar a luz da lua. Eu sorri.. Sempre quando vejo a cidade, me lembro da felicidade daquelas famílias, de suas vidas rotineiras, de seus sonhos.
Mesmo após décadas, eles ainda acreditam, eles possuem esperança, de um futuro pacífico e harmonioso.
Notei algo em minha visão periférica, virei a minha cabeça um pouco mais para direita com curiosidade. A Princesa Sylph estava lá, ela estava de pé no corredor de vidro da ala élfica.
O vento que batia no corredor, balançava as suas lindas mechas prateadas para trás, seu vestido acompanhava a suavidade da rajada. Seus olhos.. Estavam brilhando, ela estava olhando para a capital, com orgulho.
Assim como eu, a Princesa possui muita esperança, ela acredita que todas as raças possam conviver juntos nos próximos anos, e diferente de mim, ela não só acredita, ela quer lutar por isso.. Ela quer tornar isso realidade.
"Hahaha... Eu sou muito covarde perto dela.."
"Eu só tive esperança.. Eu só sonho por esse ideal, pois no fundo eu nunca agi, eu tenho medo, eu sou um covarde que não merecia ser Príncipe."
"E ela.. Mesmo na pior das situações, ela encontra um motivo para sorrir, para caminhar. Ela não só pensa no futuro, ela realiza ele."
A Princesa se vira para mim notando a minha presença, um lindo sorriso se ergueu em seus lábios, ela acena para mim enquanto fecha os seus olhos, seus cílios se mexem com a brisa suave.
Eu aceno de volta. Como eu disse, ela sempre está tão.. Feliz.
Repentinamente ela começa a mexer a sua mão, como se ela quisesse que eu encontrasse-a lá. Sem hesitar, andei para o corredor de vidro da ala élfica.
Quando cheguei, suas duas mãos estavam apoiadas na sacada, ela continuou olhando para a cidade, me aproximei, apoiando-se ao lado dela.
— Príncipe Kamio..
— Princesa Sylph, com licença..
O vento continua soprando sua leve brisa enquanto estávamos lado a lado.
— Não é belo? — Pergunta Sylph, ainda com os olhos brilhando em direção a cidade.
— É.. Eu acho.
A Princesa se vira para mim, me olhando profundamente, com uma expressão peculiar, ela parece ter percebido algo que ninguém jamais perceberia.
— Acho.. Você diz bastante isso Kamio..
— E-e-eu d-digo? — Fiquei um pouco nervoso..
A Sylph solta uma leve risada, abafada pela sua mão.
O Ambiente se silenciou por dez segundos, enquanto eu e ela admirávamos a paisagem.
— Kamio...
— Eu não sei sobre o seu passado e não vou força-lo a discutir.
A Princesa coloca sua mão delicada em meu peito, ela estava um pouco gelada, mas.. Apesar disso e de estar um pouco envergonhado, era tão.. Reconfortante.
— Você deve ter marcas profundas em seu coração.. Eu também sofria, e carrego marcas que talvez nunca se curem.. Mas apesar de tudo, eu aprendi que da mesma forma que coisas terríveis aconteceram, coisas boas também aconteceram e vão acontecer..
Ela fecha os seus olhos e inclina levemente a sua cabeça.
— Não se agarre ao passado dessa forma.. Ele existe, eu sei disso.. Não é possível apaga-lo, mas o que realmente importa, não é o que aconteceu e nem o que vai acontecer, o que importa é.. O que acontece nesse exato momento.
Ela abre os seus olhos novamente, minha visão ficou um pouco turva, talvez seja os meus olhos que estão refratando a luz da lua em minhas lágrimas.
— S-Sylph...
De forma inesperada, ela me abraça, minhas lágrimas voam de meu rosto em direção ao abismo da altura, longe do corredor de vidro.
Serenamente ela começa a me tranquilizar, acariciando as minhas costas. Meus olhos brilharam ainda mais.
— Kamio.. Não sou sua mãe, não sou seu pai, posso não ter nascido na mesma família que a sua, mas.. Eu sempre estarei do seu lado.. Eu quero estar do seu lado.. Eu escolhi isso.. Desde o dia que o destino nos uniu pela primeira vez..
— S-Sylph...
Eu não abracei-a de volta.. Fiquei completamente paralisado, eu queria.. Eu queria ter a coragem dela, queria ter a coragem para agradece-la da maneira correta.
Eu sempre vivi atarefado, devo seguir as ordens a risca, sobrecarregado por tanto excesso e estresse, a Sylph foi a única que percebeu.. Ela foi a única a notar que apesar de estar bem por fora, profundamente o meu coração se machucava com o arame farpado de uma culpa que não existia.
Que eu carrego a dor, o sofrimento do meu passado, esse abismo no fundo de minha alma se enchia a cada dia com um vazio que se acumulava aos poucos, mas quando a conheci, naquele dia.. Uma chama se acendeu..
Algo havia mudado em mim, aquele vazio que sentia, aos poucos foi sendo substituído por flores violetas lindas, e percebi uma coisa.
A Sylph não só decidiu me ajudar a realizar o nosso desejo, mas quis assumir a minha dor, junto comigo, ela não quer me ver sofrer, talvez isso machuque muito ela.. Me ver sofrer.. E-eu não quero que ela sofra, nunca mais!
Envolvi os meus braços em seu corpo e finalmente tomei a coragem de abraça-la também, ficamos abraçados por longos segundos. Naquele momento, nossas dores se misturam em um mar de caos que juntos estávamos superando, deixando os lindos campos de nossa alma florescerem.
"Desculpa por fazer você se preocupar.. Sylph."
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O vento se intensificava conforme caminhávamos de volta para o palácio élfico, Sylph me convidou para jantar, porém estava muito nervoso com a ideia.. Já que membros de outras raças só visitavam os outros palácios para tratar de assuntos diplomáticos e não para algo informal.
Quando adentramos o grande palácio da ala élfica, guardas estavam enfileirados aos lados do corredor, onde se estendia um tapete verde e dourado glorioso.
— Apostos guardas! A Princesa está no palácio! — Um guarda grita para os outros, imediatamente eles levantam suas lanças prateadas ao lado do corpo, em posição formal.
Eu estava logo atrás de Sylph, eles viraram os seus olhos para mim.. Com uma cara de desprezo total, que estava estampada no rosto deles. Engoli a saliva que prendia em minha garganta.
— Não ligue para eles Kamio. Eles foram forçados pelo meu pai a tratarem membros de outras raças desse jeito..
— E-entendi!
Seguindo o tapete verde até o final do corredor, senti algo peculiar.. Como se alguém estivesse me observando.. Minha nuca começou a formigar, olhei para trás abruptamente enquanto eu colocava minha mão na nuca.
— Q-que foi Kamio?
Não tinha nada.. Os guardas estavam de pé na mesma posição, não senti nenhum resquício de mana e não via nada atrás dos pilares.
— Ah. Deixa pra lá, vamos seguir!
Chegamos ao final do corredor, a porta era grandiosa, feita de carvalho escuro com detalhes ornamentados prateados em volta, eles brilham com o reflexo do emblema da lótus prateada no meio da porta.
— Hmm.. — Pigarreia o guarda da porta.
— Princesa Sylph, a senhora irá levar um humano para dentro do palácio real a essa hora?
— Sim! Ele irá jantar conosco hoje.
— Porém a senhora sabe que o rei não vai deix..
— Não importa, eu o convidei de maneira formal, agora abra a porta. — Interrompe Sylph com um olhar que me da um pouco de medo.
— C-claro Vossa Alteza..
As grandes portas são abertas pelos guardas, o atrito com o chão de pedra faz o ambiente vibrar.
— Muito obrigada! — Reverencia Sylph rapidamente.
Nós continuamos a seguir o caminho até o refeitório real da ala élfica, não vou mentir, o lugar era muito grande, os corredores eram tão extensos que parecia até um labirinto.
Agora entendo como a Sylph é muito boa em navegar e se localizar..
Depois de uma longa caminhada, chegamos ao refeitório real. Quando entramos, duas empregadas Elfas estavam dispostas na parede, prontas para acolher qualquer ordem.
O lugar era fabuloso, uma grande mesa com talheres prateados e pratos de porcelana fina, o ambiente em volta era repleto de flores e plantas.
— Você gosta bastante de plantas Sylph?
— Gosto! — Ela se vira para mim com um olhar empolgado.
— Sabia Kamio? As plantas possuem a capacidade de curar a alma mais ferida.
— E minha vó diz que elas purificam o ambiente por mais insalubre que seja!
— Que legal, sua vó parece ser uma pessoa bem sábia.
— Hum hum, ela é! — Sylph coloca suas mãos na cintura de maneira determinada e precisa.
— Nily. — Ela se vira para uma das empregadas.
— Sim Vossa Alteza, como posso lhe ajudar. — A empregada se curva fazendo com que seu cabelo verde preso em duas mechas caiam para a frente.
— Pode prepa..
— Não se preocupe Princesa, já planejamos e preparamos tudo, a refeição logo sairá. — Interrompe a empregada com uma voz firme e baixa.
Ela começa a caminhar em direção a uma das cadeiras e a puxa graciosamente.
— Por favor Alteza.. Se sente aqui, este é o banco mais confortável.
— Obrigada Nily! — Com um movimento tranquilo, Sylph ajeita o seu vestido para a frente, se sentando na cadeira, enquanto ajeita as suas tranças para atrás de suas orelhas pontudas.
— E o Humano.. Pode se sentar no lugar que quiser. — A empregada me olha de um jeito assustador, os olhos verdes dela são tão assíduos como uma espada, será que ela quer me matar?
— Não se preocupe Nily.. O Kamio é uma boa pessoa, não trate ele de forma diferente por favor..
— Como desejar minha Princesa.. Assim farei. — A empregada reverencia novamente e dessa vez o seu olhar assustador foi quebrado, como se ela tivesse mudado de "protocolo" logo depois de ouvir a Sylph.
Ela caminhou até o lado oposto de onde Sylph estava sentada e puxou a cadeira ainda de maneira um pouco agressiva.
— Sente-se aqui Humano.
— Eh.. Obrigado, Nily né?
— Apenas a Princesa pode proferir o meu nome. — Diz Nily enquanto mantinha suas mãos na frente do vestido de empregada e os seus olhos fechados, ela nem sequer queria olhar para mim.
— D-Desculpa..
— Não precisa pedir desculpa Kamio! Nily, se comporte, por favor.
— Sim, minha Princesa.
O ar ao redor do salão estava um pouco denso, era difícil de respirar, mas com o tempo, ele foi se acalmando.
— Então, é a primeira vez que você visita outro palácio? — Pergunta Sylph com um olhar curioso e doce.
— Ah, na verdade visitei apenas o palácio dos Anões, para tratar de um assunto comercial em suas terras.
— Você foi a trabalho então. — Ela olha para baixo, encarando a mesa.
— Eu nunca tive contato com nenhuma outra raça. Meu pai não deixava eu sair do palácio, ele dizia que as outras raças eram violentas e que iriam me caçar se eu saísse..
— Mas eu nunca acreditei nisso..
A Princesa começa a mexer nos talheres ao lado.
— A única visão que eu tinha sobre as outras raças, era da janela do meu quarto, todas as noites eu ficava parada observando, a capital iluminada do Império. Pedi secretamente para Nily um binóculos, porque eu queria ver mais de perto..
"A Princesa.."
"O Erich me disse aquele dia, quando vi ela pela primeira vez, que ela era reclusa, não saía do palácio da ala élfico."
"Naquele instante, cheguei até a pensar que ela não saía, por não querer ver a nossa cara, julgando nós como todos os outros."
"E quando a conheci.. Percebi na hora o meu erro, e agora, entendo o motivo."
— E quando fui convidada pelo meu pai a representar a nossa raça na reunião das quatro casas, eu fiquei muito feliz! Pela primeira vez, eu pude ver com os meus próprios olhos, as outras pessoas..
— Sylph.. Isso é..
Ela voltou os seus lindos olhos para mim, com um sorriso que iluminava a chama mais escura de meu coração.
— Não fique com pena de mim! Eu consegui realizar o meu sonho, pelo menos naquele momento, não sabia o que ia acontecer depois da reunião, mas eu aproveitei cada momento.
— Viver no presente.. — Saiu de minha boca, quase que de forma automática, eu estava começando a entender ela..
— Você é muito forte Sylph.. Eu admiro a sua coragem e a sua determinação. — Sorrio para ela genuinamente.
— Eu vou tentar melhorar, por mais que doa, eu quero te alcançar!
— Kamio.. — Seus olhos brilharam repentinamente, e suas sobrancelhas levantaram surpresas.
A segunda empregada do salão, saiu de uma porta ao fundo, carregando um carrinho de serviços, com bandejas de prata sob a superfície.
A empregada Nily pegou ambas as bandejas e as posicionou na mesa, organizando-a com maestria. E sem hesitar, ela pega também uma pequena toalha do carrinho, se aproxima de Sylph e coloca sob o seu colo.
Logo em seguida ela abre a bandeja dela, revelando um prato glorioso de legumes do reino élfico, o cheiro sobe no salão, é muito bom!
Nily se afasta e fica parada, talvez aguardando novas ordens, ela nem sequer olhou mais para mim, como se minha presença não estivesse lá.
Abri a bandeja com minha mão e o prato também era divino.. Mas percebi que além de ter menor quantidade de comida, as escolhas dos legumes não pareciam ter sido boas.. Assim como no palácio Humano, eles veem as outras raças como escória.
— Nily... — A Sylph olha para a empregada com um olhar feroz, mas mesmo brava, ela ainda continua sendo graciosa.
— Por que nossos pratos estão diferentes? Eu não disse para tratar o Kamio como um convidado? Sinceramente..
— Não se preocupe Sylph.
Senti algo me observando novamente.. Dessa vez.. ali na porta!
Quando me virei, meus olhos encontraram a grandiosa porta, não tinha nada de novo. Que estranho..
Voltei o meu rosto para o prato e comecei a come-lo. O gosto estava completamente incrível! Era bem diferente da culinária humana, mas ela tinha a sua própria identidade.
De repente a porta se abre com um estrondo violento.
— Sylph! O que significa isso?!
Era o Rei Elfo, seus olhos azuis violeta como as de Sylph porém menos saturado, estavam serrados e sua expressão era de desprezo.
Seu cabelo dourado era curto, e o penteado arrepiado declarava imponência absoluta. Ele está vestindo uma armadura que possui o símbolo da lótus prateada em seu peitoral.
— Pai?! — Sylph foi pega completamente de surpresa, ela se levantou abruptamente de sua cadeira.
Ele se aproximou de mim, as sua botas metálicas batiam no chão ecoando um som supremo. Ele desembainhou sua espada da cintura, apontando-a para o meu rosto. Eu gelei, meu coração começou a bater mais rápido..
— O que esse Humano insolente está fazendo no nosso palácio real?!
— Para Pai! — Grita a Sylph desesperada.
— O que você está fazendo com a minha filha?! Que coragem a sua seu verme, vou fazer a sua cabeça rolar pelo chão aqui e agora.
— Não, Não Pai!
Ele afasta a lâmina, preparando-se para dar o golpe misericordioso final, como a fúria de um Deus, a lâmina começa a correr na direção de meu pescoço, o tempo em volta ficou lento.
"Então.. Esse é o meu fim?"
As duas empregadas ficam paradas apenas olhando, sem esboçar nenhuma reação, acho que elas até queriam ver isso..
Inesperadamente, eu vejo lindas mechas de cabelo prateado em minha frente, elas voavam em um movimento veloz, me empurrando para trás, eu caí no chão, era.. A Sylph?
Ela se posicionou em minha frente, fechando os seus belos olhos enquanto tremia o seu rosto. Ela.. Se fez de escudo.. Para me proteger?
Com um piscar de olhos, a lâmina para a três dedos do pescoço de Sylph, ela toca em uma de suas mechas, derrubando um pequeno fio de seu cabelo que fora cortado pelo contato.
O salão ficou paralisado por segundos, a reação das empregadas era de desespero pelo que a Princesa acabou de fazer. O Rei Elfo fechou acirrando ainda mais os seus olhos.
— Por que? Minha filha.
— Por que proteger esse Humano? Essa escória do Império?
Sylph para de tremer e respira fundo.
— Porque...
— Eu me importo com ele.. Eu jurei para ele, proteger o nosso ideal.
Seu olhar se abre, era um olhar voraz, pura determinação e coragem..
— Não vou deixar colocar suas mãos no Kamio! Muito menos a sua lâmina.
— Tssc... — O Rei guarda a sua espada novamente na cintura e começa a se afastar do salão, totalmente derrotado, na grandiosa porta, ele vira o seu rosto de perfil, seus olhos me perfuram com uma fúria que eu jamais presenciei.
— Não ache que vou deixar isso assim.. Humano. Se você continuar a perseguir minha filha, eu vou fazer você se arrepender de ter nascido.
Ele se afasta com passos furiosos, deixando apenas os resquícios de sua presença.
Engulo a minha saliva enquanto me reergo.
— Desculpa pelo meu Pai. — Ela se vira para mim preocupada.
— Não se preocupe Sylph. Eu vou ficar bem.
Ela sorri para mim, enquanto a montanha russa de emoções daquela noite se encerrava com maestria.
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Já estava muito tarde.. O que aconteceu hoje no salão, foi muito estressante, vou precisar de um belo banho quente nas saunas depois disso..
A Sylph falou que eu podia dormir aqui hoje e me reservou um quarto próprio, que ficava ao lado do quarto dela, ela precisava falar com o seu Pai, então eu fui na frente sem ela.
O corredor estava frio, as luzes estavam apagadas, apenas iluminada pela luz da lua que atravessava as janelas.
Conforme eu caminhava, eu senti aquele olhar de novo. Minha nuca formigou e senti um leve belisco, me virei rapidamente, colocando a mão na nuca.
— Q-Quem está aí??
"O que?"
Não vi ninguém, mais uma vez.. Eu senti um arrepio, meus olhos ficaram opacos repentinamente, o meu corpo começou a se mover, sozinho, para o lado oposto do dormitório.
"Ah, eu tenho que resolver isso né?"
"Eu estou indo, mestre"
Caminhei no denso corredor apagado, minha visão estava ficando cada vez mais escura conforme andava, até se apagar completamente, apenas com uma lembrança vaga de uma ordem estranha.