Capítulo 11 - O Nobre Mago
Acordei.. Ao olhar para o teto, vi um lustre dourado quase caindo no chão e rachaduras enormes que deixavam cair partículas de poeira.
"O-o que?"
"O que é isso?"
"Onde eu estou?"
Pisquei e olhei para baixo, eu estava em uma cama velha, e.. Amarrado, por correntes mágicas de cor roxa, eu tentei me mexer, mas estava difícil.
"P-por que? Eu estou preso?"
Comecei a olhar em volta, estava tudo completamente acabado.. Paredes com papéis descascando, mobílias de madeira arranhadas, esse lugar.. Pode desmoronar a qualquer momento!
Suspirei alto.
— O que é isso afinal?
— Isso é um calabouço ou algo parecido?
Me debati um pouco mais, tentando me livrar das amarras, mas o poder mágico delas era.. Incrivelmente forte.
"Poxa. Então era disso que o Rei estava falando?"
"Eu deveria ter imaginado que isso poderia acontecer.."
"Um estranho de outra raça, 'invadindo' o palácio real de sua família, mesmo no palácio Humano, isto teria acontecido."
"Muito provavelmente o invasor seria preso e morto mais tarde, como está acontecendo comigo nesse exato momento.."
"No que eu me meti.."
Uma rajada de vento de repente sopra no quarto desbotado, eu me virei, e vi uma figura muito interessante..
Era um elfo jovem, com certeza mais velho do que eu, quando ele apareceu, seu longo cabelo azul bebê em formato de rabo de cavalo se mexia suavemente.
Ele parecia ter aparecido do nada ali.. Ele estava voando com o vento e ao pousar, ajeitou com suas luvas o seu blazer branco em detalhes prateados e sua gravata verde que possuía o emblema da lótus prateada em seu centro.
Quando ele abriu os seus olhos e olhou fixamente para mim.. Era.. Tão belo, seu olho direito é da cor de seu cabelo, mas pulsava um brilho cristalino, logo abaixo ele possui três marcas de 'estrela' na qual eu sinto a presença de mana.
E o seu outro olho.. Possui uma cicatriz gigante que brilhava em roxo, sua pupila não parece mais o seu olho original, ele tem uma espécie de runa mágica, no lugar. O olhar dele é curioso e passa um pouco de medo..
Ele se aproxima alguns passos de mim e ajeita o seu monóculo do olho esquerdo.
— Ora, Ora..
— Quem seria você, meu caro? — Pergunta a figura em um tom baixo e curioso.
— E-eu é que pergunto! Quem é você? E por que eu estou preso nessa cama velha?
Ele se aproxima um pouco mais e cruza os seus braços ainda com uma expressão curiosa, e um leve sorriso em seu lábio.
— Que rude, jovem Príncipe, você está em meu quarto e estou lhe recebendo como convidado, por que ficar bravo?
Uma poltrona luxuosa surge atrás dele de forma abrupta, junto com uma mesa ao lado e um conjunto de chá. Ele se sentou graciosamente, esse jeito.. Deve ser o estilo dos Elfos.
— Se sabe que sou um Príncipe, por que perguntar quem eu sou?
— Hahahaha! — A figura cai na gargalhada por um instante.
— Eu apenas deduzi.. Já que está em nosso palácio real, e pelo jeito em que está vestido, imaginei que fosse uma figura da nobreza real.
Ele cruza as pernas e enche uma xícara de chá. Pegando-o com três dedos logo em seguida e balançando-o.
— Pelo emblema do leão dourado em seu ombro, você é o Príncipe Regente da casa Humana, certo?
A figura bebe o seu chá com uma nobreza sem igual, ele parece possuir bastante experiência de etiqueta.
— É.. Sou eu mesmo. Mas.. Vai me dizer agora por que estou preso aqui?
Ele parou de beber o seu chá e o colocou na mesa ao lado novamente, sua expressão ainda continua curiosa e neutra, não sei dizer direito.
— Na verdade, só queria lhe conhecer.. Príncipe Kamio.
Fiquei surpreso ao ouvir o meu nome, então ele me conhece? Então por que está me perguntando? Quer dizer.. Ele parece saber de muitas coisas.
— Me conhecer.. Se queria tanto me conhecer, por quê me apagou e me prendeu?
— Sabe.. Eu reconheço a sua desconfiança em mim, já que aqueles selvagens do palácio são assim.
— Mas essa era a única forma de falar com você, sem com que o Rei o decapitasse.
— Então não era um plano do Rei Elfo.. Espera.. Então era você que estava me observando desde a entrada do palácio??
Suas sobrancelhas se levantaram surpresos por menos de um segundo.
— Parece que você tem uma boa intuição Príncipe Kamio.
Ele se ajeita em sua poltrona luxuosa.
— Sim.. Era eu que estava lhe observando, que curioso hahaha...
— O que é curioso??
— Pensei ter ocultado a minha presença aquela hora..
"Mas não ocultou.. Ele é um mago?"
— Bom, chega de mistérios, irei me apresentar.
A figura se levanta abruptamente da poltrona, ela e a mesa somem junto a partículas de magia.
— Eu me chamo Mellian Loft.. Sou o Nobre Mago da família real Élfica, prazer em conhece-lo Príncipe. — Ele se curva majestosamente, então aquilo? Era tudo uma brincadeira?
— Ah.. P-prazer..
— Você está perguntando o por que de estar aqui.
— S-Sim..
— Hmmm, queria lhe perguntar uma coisa, jovem Humano.
— Perguntar? O que? Inclusive.. Você pode me soltar primeiro?
— A minha pergunta é... Pergunto a você, Príncipe Kamio...
O Nobre Mago caminha em volta da cama até parar na frente dela.
— Em um mundo governado por nobres tão obstinados e corruptos quanto os nossos, você realmente acredita em um futuro de paz e harmonia?
"O-o que??"
"E-eu já ouvi essa pergunta antes?"
— Pense bem na sua resposta, aluno prodígio.
"O-o-o Q-que? Como?"
Ele começa a caminhar em direção a porta.
— Ei, esperaa!!
De forma repentina, com um brilho divino, ele some, sem deixar rastros.
"Por que.. C-como ele sabe?"
"Isso é muito estranho."
"E-eu preciso sair daqui."
Comecei a me debater de novo violentamente, tentando me libertar das amarras mágicas. Infelizmente não obtive sucesso.
"Droga.. Isso não vai adiantar."
"Eu preciso de outra coisa."
"Hmm.. Pensa Kamio, Pensa.."
"Hmmm.."
"Já sei! E se eu usar a lâmina de vento? Não.. Essas amarras provavelmente selam o poder mágico, esse mago não seria tão ingênuo."
"Ah, mas.. Não custa tentar."
Concentrei a mana na ponta de meus dedos, o calor de meu peito fluía pelo meu braço de forma fácil e constante, a lâmina de vento surgiu em minhas mãos! Fraca, mas era de fato uma lâmina cortante!
"Certo!! Deu certo! Talvez aquele mago seja ingênuo.."
Apesar de meus braços estarem dentro da 'prisão', eu consegui erguer um pouco a minha mão, fazendo a lâmina de vento encostar nas amarras mágicas.
Um pouco de faísca saiu, e minha lâmina foi desfeita rapidamente. Apenas metade da corrente foi cortada, o resto, foi dissipado.
"Aaah.. Que chatice."
"O que esse cara quer de mim?"
"Certo! De novo! Dessa vez com as duas mãos!"
Preparei ambas as lâminas de vento e aproximei-as novamente das amarras. Dessa vez, com um pouco mais de força, consegui! Consegui quebrar uma das amarras.
"Isso!!! Agora só faltam mais.. Algumas."
Inesperadamente, as amarras que eu havia acabado de cortar, se regeneraram, me apertando ainda mais.
"O quee?!! Está de brincadeira comigo!"
"Tssc.. Que cara irritante."
"Ele queria que eu respondesse a uma pergunta?"
Me virei olhando a porta arranhada de madeira, por onde ele sumiu.
"Um mundo governado por nobres tão obstinados e corruptos quanto os nossos, se eu realmente acredito em um futuro de paz e harmonia?"
"..."
"Ela me fez a mesma pergunta aquele dia.. Quando a conheci."
"Eu cansei de ver o sofrimento dos inocentes, respondi.. Mas no fundo, eu estava desesperado, o meu trauma pisou em cima de meu rosto com força total, eu não sou capaz de defender ninguém."
As amarras brilharam em um roxo intenso.
"Só que.. Ela acreditou em mim, mesmo que eu fosse fraco e covarde, ela me escolheu em estar ao lado dela."
"Ela sabia, ela sempre soube que eu me desmerecia, que eu me desprezava por dentro, mas mesmo assim, ela escolheu ficar ao meu lado."
"Ela se tornou uma pessoa muito especial para mim, ela é a própria essência da esperança que me falta, e eu quero lutar ao lado dela."
Minha expressão se tornou determinada e séria, fechei os meus punhos com força.
— A minha resposta?
— Assim como ela, eu acredito em um futuro de paz e harmonia, e assim como ela, eu vou escolher lutar por isso, usando todo o meu treinamento e todo o meu ser.
— Não vou deixar ninguém mais se machucar, nunca mais, por mais que me doa, eu escolhi isso.. E não vou voltar atrás com a minha palavra.
As amarras antes roxa, cintilou em um verde intenso e vívido, elas foram se afrouxando aos poucos até sumirem completamente, elas se desfizeram em partículas verdes que pareciam vagalumes voando por conta própria na sala.
"O que?"
"Eu consegui?"
Me levantei da cama, porém ainda sentado na beirada. Comecei a me despreguiçar, ficar tanto tempo na mesma posição não me fez tão bem..
Ao notar um brilho, olhei para minha mão direita, na palma dela, havia um ponto branco luminoso, que pulsava suavemente pelo ambiente.
"Ann?"
"E esse brilho branco? O que esse mago fez comigo?"
Fechei o punho.
— OK! Preciso sair daqui e procurar a Princesa imediatamente. Antes que aquele mago perceba..
Caminhei em direção a porta velha e a abri, me deparei com um corredor longo em ambos os lados, eles são tão extensos que não consigo ver o seu fundo e o brilho dos cristais nas paredes são sutis, não está totalmente escuro, mas é difícil enxergar.
— Onde eu estou?
Olhei para os dois lados bem perdido, não sei para onde seguir.
— Hmm, acho que vou pela esquerda.
Começo a caminhar pelo corredor da esquerda, até ouvir um rugido alto, bem no fundo do corredor, que fez as minhas vestes e cabelo esvoaçarem.
— É-é.. O caminho da direita parecia melhor né, hehe...
Dei meia volta e comecei a caminhar pelo caminho oposto. Conforme eu andava, os cristais do caminho, pareciam ficar cada vez mais apagados, o ambiente ficava cada vez mais escuro.
"Que lugar assustador.. Será que aqui é o porão do palácio real élfico?"
"E por que está tudo caindo aos pedaços??"
De repente uma pequena luz esverdeada no fundo do corredor se acende, e começa a vir para minha direção.
Quando chegou perto, era um 'orbe' verde, ele parecia voar com consciência própria em meu entorno, poderia ser isso um espírito? Mas em um lugar como esse?
Ele parece indicar algo, como se pedisse para o segui-lo.
— Você é um espírito? O que faz por esses corredores carinha?
— O que? Você quer que eu te siga?
"Em circunstâncias normais isso poderia ser uma armadilha.. Mas não tenho muita escolha já que eu quero sair daqui."
— Tudo bem.. Vou te seguir..
O orbe começa a voar rapidamente para o final do corredor, eu estava logo atrás dele. Ele foi 'abrindo' caminho para mim, me guiando pela estrutura que parecia mais uma calabouço do que um quarto de visitas.
Chegando no que parece ser o 'destino final', me deparei com uma sala retangular enorme, ela está vazia e o orbe que estava seguindo, sumiu abruptamente.
— Espírito??
— Espírito? Para onde que você foi?
*Boom!*
A entrada atrás de mim se fecha em pedras.
— É...
Eu engoli minha saliva, e ao olhar para frente, uma bufada violenta saiu do nariz de uma besta que estava ao fundo. Era um javali enorme? Mas ele não parecia um animal normal, era alguma criatura mágica, conseguia sentir sua mana, bem naquela gema da testa dele... Um momento..
— Espírito?!!
O orbe verde que eu segui, se posicionou no centro da gema na testa do monstro e brilhou intensamente.
"Mas é óbvio que era uma armadilha.. O que eu estava esperando?"
Fiquei em posição de combate enquanto erguia para baixo a minha lâmina de vento.
Com um passo firme, o grande javali começou a correr em minha direção com os olhos vermelhos de raiva. Joguei minha lâmina para frente do corpo, para tentar bloquear o ataque.
Ele atingiu a minha lâmina em cheio com a sua grande presa, ela foi estilhaçada em pedaços e voei para longe, batendo minhas costas na parede.
Tentei usar meu escudo de vento para amortecer o impacto, de certa forma funcionou, mas ainda me feri.
— S-seu.. Mago maldito, ele queria isso o tempo todo.. Me matar.. M-mas eu não vou cair tão fácil, eu tenho pessoas para cuidar!
Me levantei ainda desorientado pelo impacto.
"Não vou ter tempo de ressoar a magia, vou ter que usar assim mesmo."
Com as duas palmas abertas e com um joelho no chão, em direção ao monstro, comecei a fluir uma grande quantidade de mana ao redor dele, a sala em volta começou a ventar, eu utilizei o meu escudo de vento, para prende-lo.
O monstro batia suas presas no grande escudo, e elas eram repelidas rapidamente, ele urra de raiva.
— Não olhe para mim assim! Você que começou..
Comecei a diminuir o suprimento de mana, isolando-a em uma área menor, o escudo começou a reduzir de tamanho, lentamente, enquanto o grande javali se debatia furiosamente dentro da cúpula.
Até que o escudo ficou tão pequeno a ponto de preencher todo o seu corpo, comecei a força-lo ainda mais, tentando conter o javali lá dentro.
— E-eu não vou aguentar.. D-desse jeito, o escudo vai se romper..
— Urrgh...
— Kamio!!
Uma voz cristalina ressoa no salão. E repentinamente, uma figura bela aparece ao meu lado, era a Sylph!
— Sylph?! C-como?
— Se concentre Kamio! Depois eu te falo!
Com um toque, seu cajado se ergue em suas mãos de forma mágica, a pedra na ponta começa a brilhar, e uma bola de água bem definida começa a surgir acima, aumentando aos poucos.
— Kamio, quando eu disser, libere a barreira, entendeu?
— S-sim! — Continuo mantendo a barreira firme e forte, porém já estou fazendo bastante esforço, mas não vou desistir agora!
— Só mais um pouco..
— Confio em você Sylph!
— Só mais um pouquinho..
— Acho que vou desmaiar.
— Só mais um pouco!
— Arrgh..
— Certo! Kamio, libere a barreira!
Liberei a barreira, caindo imediatamente no chão de cansaço, com uma velocidade surreal, a bola de água no cajado de Sylph percorre em direção ao monstro, o projétil de água, começou a se moldar em uma forma de broca e o vento gerado pelo disparo nos atingiu.
O grande javali foi atingido em cheio, caindo violentamente no chão, um buraco enorme em sua cabeça se formou.
— Conseguimos! — Gritei de felicidade, mas ainda no chão.
— Sim, conseguimos! — Sylph comemora comigo sorrindo docemente para mim.
— Mas e então.. Que lugar é esse? Um tal de Mellian me prendeu aqui Sylph..
— Eu fiquei sabendo.. Aquele mago! Ele sempre faz essas coisas.. Não se preocupe com isso Kamio!
— Aqui é a masmorra do palácio, nossos ancestrais construíram com o objetivo de prender traidores da nossa raça, que se envolviam com outras raças...
— P-prender? Por isso? Que absurdo!
— É.. Antigamente, nas primeiras gerações do palácio real, a família real élfica era totalmente reclusa, eles não suportavam as outras raças, muito menos queriam interagir com elas.. É por isso que criaram uma regra pessoal. Era proibido interagir com outras raças.
— Por que alguém faria uma coisa dessas?
— Por causa de seus orgulhos.. Os Elfos sempre foram uma raça orgulhosa, qualquer conquista que fazíamos, guardávamos para nós mesmos, e isso se repetiu, por longos séculos.
— E essa desconfiança e reclusão, afetou o equilíbrio da harmonia das outras raças também.. Fazendo-as a adotar a mesma lei. E por um bom tempo, todas as raças viveram sob um silêncio absoluto.
— E-eu não sabia disso.. Então teve alguém que quebrou essa lei?
Ela começa a rir colocando a mão em seu lábio.
— Claro! A cada geração, nascem novos nobres que possuem uma visão diferente do mundo, eles são especiais, porque eles são a chave da harmonia do mundo.
— Porém.. — Sua expressão muda para um tom mais sério.
— As pessoas dessas gerações, são mortas antes mesmo de fazerem alguma coisa. É por isso que a paz nunca andou.. Sempre tem pessoas nos lados mais profundos do palácio que só querem o caos..
"Luki.."
— Então, nós somos as pessoas dessa geração?
Ela olha profundamente para os meus olhos, depois sorri fechando-os e inclinando a cabeça.
— Sim. É por isso que temos que fazer o nosso melhor! Pois o perigo sempre espreita o nosso a redor Kamio.
Sua expressão se torna séria novamente.
— Coisas terríveis podem acontecer com a gente. E você tem que estar preparado para isso! Quando menos esperamos, os nosso próprios aliados podem nos atacar pelas costas.
— S-Sylph?
Ela começa a caminhar em direção ao fundo da sala.
— Vamos indo?
— Ah.. Claro..
Começo a seguir logo atrás dela, enquanto encaro suas costas.
"Ela está agindo de maneira diferente do habitual.."
"Será que o Mellian fez alguma coisa com ela?"
— Esse mago é bem problemático Kamio.. Mas ele tem suas utilidades quando é preciso..
— Entendi..
"Hmm.."
Quando chegamos no final do salão, a pesada porta de pedra se abriu, revelando outro corredor sem fim..
— Aaa... Mais corredores.. O que ele quer da gente afinal? — Murmurei mexendo em meu cabelo.
— Não sei.. Mas sinto que ele tem um motivo para isso.
Começamos a caminhar pelo corredor, estava escuro igualmente, mas dava para ver o chão. Esse ambiente ainda da um pouco de medo.. Eu engulo minha saliva da garganta.
De repente, conforme nós estávamos andando, um outro brilho apareceu no final do corredor, dessa vez era um brilho branco, que pulsava sutilmente, senti minha mão formigar e quando olhei, parecia que a luz no fundo estava em sintonia com a luz da minha mão.
— Ali Kamio!! — Ela aponta para a luz.
— Ali é o final! Nós vamos sair daqui finalmente!
— Então é ali a saída?! Não sei não Sylph.. A última vez que vi essa mesma luz era uma armadilha, e cair duas vezes na mesma armadilha, é demais até para mim.
— Não se preocupe! A sua adorada professora irá te ajudar se esse for o caso! — Ela coloca suas mãos na cintura de forma determinada enquanto sorri.
— Sylph..
Continuamos a nossa saga rumo a luz no fim do túnel! O ambiente parecia ficar cada vez mais escuro, porém o brilho de minha mão pulsava ainda mais forte a cada passo.
Em um piscar de olhos, um estrondo violento começa a ecoar pelo corredor, ele começa a vibrar como um terremoto. Me posicionei ao lado da Sylph para protege-la, coloquei minha mão em seu ombro a abraçando delicadamente e me preparando para afastar qualquer coisa que venha!
— Fique agachada Sylph!
— T-Tá..
Algumas pedras caíram do teto e uma névoa de poeira se levantou sob os nossos joelhos.
Após alguns segundos, o 'terremoto' parou, a sala ficou um pouco mais escura, e o alto barulho do tremor se apaziguou.
— Certo.. Não sei o que foi isso, mas fique em alerta Syl...
*SHLICT!*
Quando me virei para o lado.. O peito de Sylph estava atravessado por uma presa grande, a presa daquele javali.. Ela cuspiu o sangue quente de sua boca em meu braço.
— K-k-kami-o... — Ela vira o seu olhar para mim e estende o seu braço trêmulo enquanto seus olhos vão perdendo o brilho celestial.
— SYLPH!!! — Gritei em dor e desespero.
O seu corpo caiu no chão de lado, sem vida.. Eu estava apertando a sua barriga inutilmente para tentar conter o sangramento.
Eu chorava de desespero, comecei a apertar a sua mão, enquanto minhas lágrimas escorriam através de seu braço.
Essa cena.. Eu já vi ela em algum lugar.. Minha mãe.. Morreu praticamente do mesmo jeito e meu Pai ao seu lado...
Quem diria que iria acontecer a mesma coisa comigo.. A história, a vida.. Está se repetindo novamente.
Com passos largos de um salto, ouço algo vindo em nossa direção, olhei para trás, tremendo, ainda com lágrimas em meu rosto. A figura escura que estava vindo foi se revelando aos poucos, conforme a poeira abaixava.
O corpo se revelou.. uma Elfa com vestido de empregada, cabelo verde preso em duas mechas grandes e um olhar voraz e desafiador. Seu rosto estava repleto de sangue que não parecia humano, sua roupa estava repleta da carne daquela besta gigante.
— N-Nily?!