Capítulo 12 - Labirinto Mental
O corpo se revelou.. uma Elfa com vestido de empregada, cabelo verde preso em duas mechas grandes e um olhar voraz e desafiador. Seu rosto estava repleto de sangue que não parecia humano, sua roupa estava repleta da carne daquela besta gigante.
— N-Nily?!
— Já falei para não pronunciar o meu nome, Humano.
Eu estava de joelhos no chão, ainda segurando a mão de Sylph.
— P-por que?
— Porque é assim que o mundo funciona. Sabe.. Vocês Príncipes e Princesas.. Membros da realeza, se acham muito.
— Por que? — Minha voz vai ficando cada vez mais fraca.
— Eu fiz o que quis fazer, você sabe como é a vida de uma empregada da família real, jovem Humano? Eles tiram a gente de nossas famílias, nos obrigando a trabalhar para eles pelo resto da vida, sem direito a descanso, sem direito a sair do palácio.
Diz ela enquanto se aproxima aos poucos e se ajoelha em minha direção.
— Nós viramos marionetes sem emoções, e é exatamente isso que eles querem.
— POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? — Gritei em ódio e desespero, olhando-a no fundo de seus olhos verdes.
— Pensei que fosse mais inteligente Humano. — Ela sorri de uma forma desprezível.
— Humano.. Humano.. Você me trata igual a um lixo, desde que entrei no palácio real.. Você é igual a todos eles.
Ela se levantou, olhando para o corpo de Sylph.
— Eu nunca gostei de vocês. Eu jurei me vingar depois que me tiraram de minha mãe, membros da realeza são todos iguais, vocês só se importam com a própria pele, deixam a gente largado nas ruas para morrer e apodrecer.
— Na fome, no desespero, no sofrimento.. Enquanto estamos aqui, milhares de pessoas lá fora estão a beira da morte, você não enxerga isso?
Minhas lágrimas pararam de descer, meus sentimentos estavam indo embora aos poucos, virei a minha cabeça para baixo, encarando o chão gélido.
— Se eu não enxergo.. Hahaha.. É claro que enxergamos.. — Eu ri de forma sarcástica, enquanto meu punho se fortalecia segurando a mão de Sylph mais forte.
— Enxergamos? — Pergunta Nily de forma sarcástica e confusa.
— Eu e a Sylph, nós sempre enxergamos, nós estávamos tentando lutar pelo bem de vocês, todos os dias, quando eu acordava, observava a cidade com fé e esperança de um futuro melhor. E aposto que a Sylph fazia a mesma coisa.
— Eu vivi o pior terror que você pode imaginar, eu senti.. Com minha própria pele, o veneno da guerra, ela me paralisava por completo, eu vi corpos amontoados sob a estrada, eu vi o sofrimento nos olhos das pessoas, eu perdi a pessoa que mais me importava no mundo..
— E tudo isso pela tirania daqueles que estão no topo, esse Império está sob uma cortina negra que infecta a alta nobreza, e eu a Sylph, fomos os únicos a acreditar, os únicos a querer lutar contra isso.
Volto o meu olhar feroz para a empregada novamente.
— E você? O que te da o direito de buscar a vingança por trás de seus problemas? Você não é muito diferente deles fazendo isso.. Isso só mostra que você também já foi corrompida pelo ódio e tirania da política do Império.
Ela levanta suas sobrancelhas surpresa.
— Hahaha, Você tem razão Humano.. Agora eu sou parte desse sistema corrupto, não há como voltar atrás no que eu fiz, e eu nem voltaria, não me arrependo de minha decisão, e é por isso que vou lhe dar uma oportunidade única.
Ela de repente tira uma faca de um de seus bolsos do vestido de serviçal. E arremessa-o em minha direção, ela para bem em minha frente.
— Você sente ódio por mim Príncipe Kamio? — Ela começa a rodear-nos com passos firmes.
— Afinal, você acabou de perder uma pessoa querida, ela foi morta pelas minhas próprias mãos e eu estou aqui, na sua frente.
— Por que não acabar logo com isso? Pegue a faca e me mate. — Ela da uma volta e se ajoelha na minha frente, de forma totalmente rendida.
Eu mordo meus dentes, enquanto eu olho para a faca.
— Você está sofrendo agora, não? Por que não acabar com o seu sofrimento? Me matar vai te libertar, não? A Sylph não desejaria que você a protegesse?
Eu rapidamente pego a faca do chão e aproximo-a no pescoço da empregada, ela fecha os seus olhos. Mas eu parei a lâmina.. A ponta dela perfurou de leve o seu pescoço enquanto minhas mãos estavam trêmulas.
— Vamos lá Kamio.. Você irá deixar a Sylph partir sem dignidade? Termine com a minha vida aqui e agora e você será livre de sua culpa..
— Tssc.. — Eu engulo a minha saliva.
— A natureza humana é tão.. Peculiar.. Movidos por emoções, mas sabe, até a emoção mais profunda pode te trair nos momentos mais importantes. Então.. Esqueça tudo isso me apagando, você não sentirá remorso.
Eu afasto lentamente a faca, ainda tremendo.
— Ahn? — A Nily fica surpresa.
— A Sylph não iria querer isso.. Ela jamais iria querer que eu matasse a pessoa que a matou. Ela não faria eu carregar esse fardo tão grande.. Provavelmente até brigaria comigo.
— E como pode ter tanta certeza se ela está morta? — Pergunta Nily enquanto sorri maleficamente.
— Por que eu sei disso.. A alma dela é pura. E como eu já falei, te matar não me faria diferente daqueles tolos do palácio.
Um silêncio perturbador assola o local escuro, joguei a faca que estava em minhas mãos para longe, ela se perdeu na escuridão.
— Continuarei lutando pela paz e a harmonia, pela Sylph.. E por mim.
— Então você continuaria lutando mesmo com a morte da pessoa mais querida para você?
— Sim, porque eu carrego marcas em meu coração, e talvez elas nunca se curem, mas apesar de tudo, eu aprendi que da mesma forma que coisas terríveis aconteceram, coisas boas também aconteceram e vão acontecer..
— Foi isso.. Que ela me ensinou. — Observo a Sylph enquanto acaricio o seu cabelo com as minhas mãos repletas de seu sangue.
Nily fica surpresa com minha fala novamente.
— Entendi.. Muito obrigado por responder a minha pergunta, Príncipe Kamio.
— O-o que?
O brilho de minha mão se intensifica junto com a luz no fundo do corredor, repentinamente algo me arremessa para aquela luz brilhante, na qual ficava cada vez mais forte conforme chegava mais perto.
Vi a silhueta da empregada e de Sylph sumirem aos poucos, a última coisa que me lembro antes de tudo ficar branco, foi de eu ter estendido minha mão para a Sylph..
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Está tudo branco, completamente branco. Meu corpo está vagando pelo vazio da luz. Enquanto pareço voar para um lugar bem distante, pequenas partículas puras colidem com o meu corpo, limpando-o do sangue.
"Ahn?"
"Isso.. É real?"
"Afinal de contas, o que é a realidade?"
"Até onde sei eu posso já estar morto. Talvez Deus seja generoso comigo."
Uma voz ecoa no fundo desse plano brilhante.
"Não se preocupe jovem Humano, as respostas que você almeja, serão respondidas no momento certo."
"O que você quer de mim? Mago Mellian." — Minha voz estava fraca, mas apesar disso, consigo me mexer e falar um pouco.
"Então você já descobriu.. Nunca duvidei de suas capacidades Príncipe Kamio."
"Eu tenho minhas dúvidas em relação a isso." — Respondi de forma sarcástica.
"Escute Kamio, o nosso reino está corrompido por uma força do vazio, cuja suas raízes estão plantadas no solo a milênios. Cada ano que passa, ela se fortaleçe, buscando novos hospedeiros para realizar os seus desejos."
"O que quer dizer com isso?"
"Detentores do poder divino da Árvore Ancestral são a chave para combater essa corrupção, você precisa achar Kamio.. A chave, ela é a nossa única salvação! Preciso que mergulhe um pouco mais fundo, não há como voltar atrás, eles estão esperando por você a anos.."
"Chave? Como assim? É só me dizer onde está.."
"Você encontrará.. Apenas siga o seu coração."
A voz e o ambiente ao redor começam a se desmoronar em fendas espaciais, a luz começa a vazar para fora das trincas, espalhando pequenas partículas azuis de mana.
"E lembre-se Príncipe Kamio, quando acha-la, guarde-a no fundo de sua alma."
"E-e C-como eu vou saber o que é essa 'chave'?"
As fendas foram quebradas, eu estou caindo no vazio que se formou, a pouca luz que restava estava se apagando aos poucos até sumir completamente. De repente eu fechei os meus olhos.
Ao abri-los novamente, estava de pé no corredor do palácio élfico, ainda está de noite e o corredor mal iluminado ainda reflete a luz da lua.
— E-eu voltei? — Fiquei indignado pelo que acabou de acontecer, então tudo isso era uma ilusão do mago Mellian?
Olhei para ambos os lados do corredor, tentando procurar alguma brecha de resposta, e pelo menos tentar entender o que acabou de acontecer.
— C-certo.. Preciso encontrar a Sylph!
Comecei a vagar pelos largos corredores cuidadosamente, eles não mudaram muito desde que eu me lembre antes de apagar. Ainda está escuro, será que se passaram apenas alguns minutos?
"Chave.. O que seria exatamente isso? E por que vai nos ajudar a eliminar as 'sombras' do nosso mundo?"
"Esse mago enigmático, ele fica apenas falando coisas complexas, eu não consigo acompanhar, parece até um pouco com a Luna."
"Ele disse que quando eu achar essa tal chave, eu irei saber, só que.. Como?"
"E o que ele quis dizer com reino corrompido? O reino sempre esteve corrompido.."
Continuei a vagar pelo corredor enquanto as perguntas batiam em minha mente, não estava indo para lugar nenhum com isso.
— Sylph?! — Tentei a chamar gritando baixo para não acordar ninguém do castelo, mas parece que isso não vai funcionar.
"Esse palácio é gigante, não tem nenhuma marcação, talvez eu devesse entrar nos quartos para procurar? Mas isso não seria invasão de propriedade? Não quero que a Sylph brigue comigo hehe.."
— Certo.. — Com um tom baixo e confiante disse.
Me aproximei da primeira porta a direita do corredor, coloquei minha mão na maçaneta gelada e a abri de forma furtiva, fazendo o mínimo de barulho possível.
De repente um clarão imenso fez os meus olhos se fecharem, coloquei meus braços sob o meu rosto para protege-los.
Quando os abri, eu estava em outro local, era um campo florido, as rosas vermelhas possuíam uma cor digna e forte, o céu estava impecável, totalmente limpo e brilhando em um azul intenso.
— Que bonito.. — Fiquei sem palavras com a paisagem deslumbrante.
Olhando para frente vi uma silhueta sob a luz do sol se aproximando, até ser revelada pela sombra da linda árvore de folhas laranjas ao lado.
Ela é uma mulher Humana de grandes e bonitos cabelos azuis que esvoaçavam com o vento, seus olhos de mesma cor brilhavam ao olhar em minha direção, ela sorriu enquanto fechava os seus olhos.
— Não é bonito Melli?
— Melli? — Perguntei em dúvida.
— É sim mamãe!
Uma outra figura passou correndo através de meu corpo, levei um leve susto, porém quando olhei para o rosto da criança.. Senti algo familiar, e esse nome? Melli?
— Não corra Melli! Você pode acabar se machucando.
— Desculpa mamãe!
Ela puxa o seu vestido branco com as duas mãos e se senta no meio do campo de rosas, olhando para a criança com um sorriso sincero no rosto.
A criança se ajoelha ao seu lado em sua direção, carregando consigo um pedaço de pão velho, ele o estende com suas duas mãos na direção da mãe.
— Aquii! Pegaa!
— HumHumHum — Ela ri de forma doce, colocando sua mão sob a cabeça do pequeno.
— Pode comer meu filho.. A mamãe já está satisfeita.
A criança afasta o pão, deixando-o em seu colo, ele se senta cruzando as pernas.
— Mamãe, po que você nunca come?
A mãe começa a acariciar a cabeça de seu filho, enquanto mantinha o sorriso em seu rosto, e a criança comia o pão, seus olhos brilharam imediatamente.
— A mamãe não precisa comer querido.. Você precisa! Tem que comer para crescer saudável e ficar forte, você não quer ficar forte Melli?
— Aaa! Eu quelo ficar forte que nem a mamãe! Quelo ter muitos músculos! — Ele coloca ambas as suas mãos na perna de sua mãe, o pão que ele comia caiu em seu colo novamente.
A brisa do vento ficou um pouco mais forte, fazendo as lindas rosas balançarem suavemente, e folhas laranjas começaram a cair da árvore.
A mãe olhou fixamente para o horizonte, com os olhos firmes e convictos.
— Escuta a mamãe Melli, os tempos estão cada vez mais difíceis, quero que aproveite o máximo possível, nossa casa está bem no meio de um pequeno borrão sombrio, aquele dia está cada vez mais próximo.
Ela voltou a sorrir novamente, olhando para o seu filho enquanto pequenas lágrimas escorrem pelo seu rosto.
— Mamãe? Tá cholando?
— Quando o dia chegar, você estará por conta própria meu pequeno.. Não confie em ninguém, não acredite em ninguém, as únicas pessoas em que poderá confiar e abrir seu coração, aparecerão no momento certo.. Melli.. A mamãe te ama muiiito!
Ela o abraça, suas lágrimas percorrem suas costas, mas não eram lágrimas de tristeza, eram de felicidade, eu sinto que ela conseguiu cumprir com o seu objetivo, mesmo estando perto de um fim?
— Também te amo mamãe!
O sol se põe ao fundo das colinas, era um momento muito belo entre eles, seus cabelos eram completamente parecidos, com certeza eram mãe e filho.
— Mellian? — Me aproximei devagar debaixo da árvore onde ambos estavam.
Conforme me aproximava, a imagem foi ganhando tons sombrios, as rosas antes vívidas e vermelhas, estavam ficando pretas e murchando, a árvore que possuía lindas folhas laranjas, foram caindo e sumindo um por um, deixando apenas uma árvore sem folhas, como o outono.
O dia mudou para a noite repentinamente, a lua estava banhada por sangue. Porém mesmo diante da mudança abrupta do cenário, eles ainda estavam lá.. Abraçados e juntos.
A imagem foi se apagando aos poucos, deixando apenas uma memória feliz distante e escondida do mundo real.
Eu pisquei, dessa vez, estava em uma cidade élfica, ela estava em chamas, construções se tornaram escombros e cinzas, corpos estavam largados nas ruas rompidas, eles estavam preenchidos por uma espécie de 'veias negras', que pulsavam rigidamente, cobrindo os seus corpos aos poucos.
— O-o que aconteceu aqui?
Comecei a andar pela cidade, presenciando o terror que acabara de acontecer, de repente eu vi a jovem criança, ele estava correndo rápido, parecendo procurar por algo. Eu o segui.
Quanto mais fundo na cidade íamos, mais corpos eu via empilhado sobre essas veias negras, alguns corpos já estavam completamente cobertos, outros estavam sendo consumidos.
A criança chegou até uma casa isolada, ela estava no chão, ainda com a fumaça dos materiais subindo.
— Mamãee!!
Em um ato de desespero, ele se ajoelha no meio aos escombros e começa a tira-los do caminho, jogando-os para longe.
— Mamããee! — Grita a criança em desespero, as suas lágrimas tingem os blocos de argila nos escombros.
Após tirar um último escombro, um rosto é revelado, era sua mãe, ela estava ofegante e fraca, porém ainda viva.
— N-não, mama!!
— M-meu f-filho querido.. Fu-ja..
— Não! Não! Não vou te deixa mama!
Ela tira os seus braços trêmulos do peso dos materiais no chão, e coloca a sua mão sob o seu rosto, ele ainda chora incessantemente.
— Mellian... Es-cuta a mamãe, me pro-meta.. Que você vai.. Vi-ver.
— Mama não quelo!
— Ah Melli, meu que-rido, você cresceu tanto, mas ago-ra, terá que t-trilhar o seu próprio rumo.. N-não confie em ninguém, a-s pessoas boas, v-você encontrará um dia..
— Mama, não mi deixe!
Um barulho ecoa no alto dos escombros, uma figura sombria aparece andando, ele possui cabelos pretos e olhos azuis, só que seus olhos.. Eles estão dominados por uma chama negra que me incomoda um pouco. E sua armadura velha, está repleta de sangue.
— Ora.. Então sobrou pessoas vivas? Pensei que tinha eliminado todas.
A mãe joga o jovem Melli utilizando sua magia de vento para longe.
— Vá, M-Me-lli.
Conforme ele ia se afastando de sua mãe, um clarão intenso surgiu no local devastado, uma explosão avassaladora gerou uma onda de choque que o empurrou ainda mais.
— Que poder.. — Fiquei surpreso.
— E quem era aquela pessoa? E e-ele fez tudo isso? Sozinho?
Depois, o clarão foi ficando cada vez mais intenso, e fui 'enviado' para outra memória, agora eu estava em um tipo de escritório, talvez de um palácio real? As paredes e os carpetes eram extremamente luxuosos.
Uma batida compassada na porta ecoou, rapidamente ela se abriu, era o jovem Mellian, porém bem mais crescido.
— Com licença, minha Senhora..
— Jovem Melli, então você veio, que felicidade! — Disse uma figura feminina que estava sentada na poltrona atrás da mesa ornamentada, a imagem estava cortada, não conseguia ver o seu rosto e nem parte de seu corpo.
— Então.. Já decidiu? — Pergunta a figura enquanto cruza as suas pernas.
— Sim. — Ele se ajoelha em uma perna, abaixando a sua cabeça em reverência.
— Eu aceito Anciã.
— Hmm.. Você sabe que não tem como voltar atrás depois disso né?
— Eu sei, mas eu quero mesmo assim.
A figura se levanta da poltrona e caminha lentamente até ficar parada na frente de Mellian.
— Qual é a sua motivação, minha jovem criança?
— Motivação? Não tenho uma, só sinto que é a coisa certa a se fazer, minha Senhora.
— Entendi.. Talvez um dia.. Querido Mellian, você encontrará a sua motivação, talvez demore meses, anos, séculos, mas eu tenho certeza que a encontrará. E eu esperarei ansiosamente por isso!
— Se é isso que acha minha Senhora.
A figura coloca a sua mão sob a cabeça do jovem Mellian, runas mágicas roxas surgem atrás de sua palma.
— Uau, quem é ela?
— Esse poder.. É incrível, ela possui um nível de mana surpreendente.
Dessa vez um clarão roxo distorceu a imagem, me jogando para muito longe, será que estou cada vez mais fundo nas memórias do mago?
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Parei no chão.. Está tudo branco novamente. Porém uma árvore surgiu repentinamente, ela é gigante, possui centenas de metros de altura, troncos claros que espiralavam e brilhavam vividamente, e belíssimas folhas azuis translúcidas, que exalavam grandes quantidades de mana como a própria semente da vida.
"Ahn? Onde estou agora.."
Ao me aproximar da árvore, senti um calor reconfortante subir pelos meus pés até a minha cabeça. Quando finalmente cheguei, uma presença serena surgiu atrás da árvore, andando em volta até minha direção.
É uma Elfa, seu longo e lindo cabelo verde claro balançava para trás, liberando pequenas partículas verdes de magia. Seus olhos são amarelos e brilhavam tão forte como estrelas, não eram olhos de uma pessoa comum. Ela usava um belo vestido branco preenchido por elementos naturais daquela árvore.
— Olá Kamio.. Eu estava te esperando.
— Me esperando?
Uma rajada de vento de um lugar do além sopra suavemente, fazendo nossas vestes esvoaçarem para o lado.