Gray praticamente não dormiu naquela noite.
Ele e Victor comemoraram até tarde.
Pediram comida.
Assistiram antigas batalhas da Liga Regional.
Até mesmo Raichu parecia animado.
— Amanhã você finalmente vira treinador.
Victor ergueu seu copo.
— Amanhã eu finalmente viro treinador.
Os dois brindaram.
Naquele momento tudo parecia perfeito.
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Na manhã seguinte.
Gray acordou antes mesmo do despertador.
Tomou banho.
Vestiu o uniforme da Academia Central.
Pegou seus documentos.
Respirou fundo.
E saiu.
Era o primeiro dia da sua nova vida.
Ou pelo menos era o que ele acreditava.
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O campus estava muito mais movimentado do que no dia da prova.
Os aprovados caminhavam pelos corredores.
Mas havia uma diferença.
Agora eles não estavam sozinhos.
Pokémon andavam por toda parte.
Um Treecko estava sentado no ombro de um garoto.
Uma Torchic seguia uma menina.
Um Piplup corria atrás de outro aluno.
Um Riolu caminhava ao lado de um rapaz mais velho.
Pokémon de pequeno porte podiam permanecer fora das Pokébolas dentro da Academia.
Era considerado importante para a formação do vínculo entre treinador e parceiro.
Gray observava tudo fascinado.
Era exatamente como imaginava.
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— Você é o primeiro colocado.
A voz veio de trás.
Gray virou-se.
Uma garota de cabelos negros observava um tablet.
— Hã?
— Gray Hale.
Ela levantou os olhos.
— Noventa e nove vírgula oito.
— Você decorou minha nota?
— Eu decorei a lista inteira.
Ela sorriu.
— Sou Luna Voss.
Ao lado dela estava um Eevee.
O Pokémon parecia tão sério quanto sua treinadora.
— Gray.
— Eu sei.
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Pouco depois conheceram outro aluno.
Um garoto alto.
Cabelos vermelhos.
Confiança exagerada.
Ego gigantesco.
— Então você é o tal primeiro colocado?
Ao seu lado estava um Chimchar.
— Sou Kael Orion.
— Prazer.
— Não precisa.
Gray ergueu uma sobrancelha.
— Porque em poucos meses eu vou ser o melhor aluno da Academia.
O Chimchar cruzou os braços.
Claramente acostumado com aquele comportamento.
Luna suspirou.
— E começou.
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O auditório principal estava lotado.
No palco havia dezenas de Pokémon.
Charmander.
Bulbasaur.
Mudkip.
Treecko.
Piplup.
Chikorita.
Totodile.
Snivy.
Tepig.
E muitos outros.
Todos criados especialmente para futuros treinadores.
O diretor subiu ao palco.
— Hoje vocês escolherão seus parceiros.
A tensão tomou conta do ambiente.
— Lembrem-se.
Sua voz ficou séria.
— Vocês não escolhem apenas um Pokémon.
Vocês escolhem um companheiro para toda a vida.
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As escolhas começaram.
Um a um.
Os estudantes aproximavam-se.
Interagiam.
Conversavam.
E formavam vínculos.
Alguns Pokémon escolhiam rapidamente.
Outros demoravam.
Mas todos encontravam alguém.
Até chegar a vez de Gray.
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Ele caminhou até um Charmander.
Desde criança adorava aquela linha evolutiva.
Agachou-se.
— Olá.
O Charmander inclinou a cabeça.
Gray estendeu a mão.
O Pokémon observou.
Cheirou.
Pensou.
Então simplesmente virou as costas.
Silêncio.
Gray piscou.
— Ah...
Alguns alunos riram.
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Tudo bem.
Ainda existiam outros.
Ele aproximou-se de um Mudkip.
O pequeno Pokémon de água parecia amigável.
Gray tentou conversar.
Tentou brincar.
Tentou criar uma conexão.
Mudkip olhou para ele.
E saiu andando.
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Outro.
Outro.
Outro.
Outro.
Nenhum.
Absolutamente nenhum.
Conforme os minutos passavam o ambiente ficava cada vez mais estranho.
Os professores começaram a trocar olhares.
Os alunos cochichavam.
Kael sorria.
— O gênio não consegue nem pegar um inicial.
Luna lançou um olhar mortal para ele.
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Uma hora depois.
Todos os estudantes haviam encontrado parceiros.
Menos um.
Gray.
Ele estava sozinho.
No centro do salão.
Enquanto dezenas de Pokémon o observavam à distância.
Como se algo estivesse errado.
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— Isso nunca aconteceu antes.
Um dos professores comentou.
— Não com um aprovado.
— Muito menos com o primeiro colocado.
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Gray apertou os punhos.
Seu peito doía.
Ele tinha estudado durante anos.
Sabia tudo sobre Pokémon.
Tudo.
Mas naquele momento nenhum Pokémon queria ficar ao seu lado.
Nenhum.
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O diretor aproximou-se.
— Gray Hale.
— Sim.
— A Academia reconhece seu desempenho excepcional.
O auditório ficou em silêncio.
— Por isso abriremos uma exceção.
Murmúrios surgiram imediatamente.
— Você receberá um prazo especial.
Dois dias.
— Dois dias?
— Sim.
Você poderá procurar um parceiro fora da Academia.
Se encontrar um Pokémon disposto a formar vínculo com você...
Poderá continuar seus estudos normalmente.
Gray sentiu uma pequena esperança surgir.
— E se eu não encontrar?
O diretor permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu.
— Seu registro será cancelado.
O mundo pareceu parar.
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Naquela noite.
Gray voltou para casa sozinho.
Sem Rotom Phone.
Sem Pokémon.
Sem uniforme oficial.
Sem nada.
Victor abriu a porta.
E imediatamente entendeu.
— Não conseguiu.
Gray apenas balançou a cabeça.
O ex-treinador ficou em silêncio.
Então colocou a mão em seu ombro.
— Ainda tem dois dias.
— Pai...
— Ainda tem dois dias.
— E se eu não encontrar ninguém?
Victor sorriu.
Um sorriso estranho.
Como se lembrasse de alguma coisa.
— Então procure onde ninguém mais procura.
Gray ergueu os olhos.
— O que quer dizer?
Victor encarou a cidade iluminada através da janela.
— Às vezes os melhores parceiros não estão esperando dentro de uma Academia.
E pela primeira vez.
Desde que tudo aconteceu.
Gray sentiu que talvez existisse uma resposta.
Em algum lugar lá fora.