Naquela noite.
Quando Gray chegou ao apartamento.
Algo o incomodava.
Não era o prazo.
Não era a Academia.
Nem mesmo o risco de perder tudo.
Era o Froakie.
A imagem do pequeno Pokémon parado diante dos portões continuava voltando à sua mente.
Observando.
Sem dizer nada.
Sem ir embora.
Até que ele desaparecesse de vista.
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— Está pensando nele.
Victor comentou durante o jantar.
Gray quase derrubou o copo.
— Como sabe?
— Porque você está olhando para a comida há cinco minutos.
Raichu assentiu.
Confirmando a acusação.
— Não estou pensando nele.
— Claro.
— Estou pensando em Pokémon.
— O Froakie.
— ...
Victor sorriu.
— Entendi.
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Gray foi dormir.
Mas demorou horas para conseguir pegar no sono.
No dia seguinte.
Seu último dia.
Sua última chance.
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O céu ainda estava alaranjado quando chegou à Academia.
Seu coração estava pesado.
Ele sabia exatamente o que aconteceria caso falhasse.
Todos os seus anos de estudo.
Todo o esforço.
Tudo acabaria naquele dia.
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— Froa.
Gray parou imediatamente.
A voz vinha atrás dele.
Virou-se.
E lá estava ele.
O Froakie Shiny.
Sentado tranquilamente próximo ao portão.
Como se estivesse esperando.
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— Você de novo.
Froakie desviou o olhar.
Tentando agir como se aquilo fosse mera coincidência.
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— Certo.
Coincidência.
Froakie assentiu.
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— Aham.
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Os dois começaram a caminhar.
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Durante toda a manhã.
Froakie aparecia.
Sumia.
Voltava.
Desaparecia novamente.
Era quase como uma sombra.
Sempre próximo.
Sempre observando.
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— Estou procurando um parceiro.
Gray comentou enquanto caminhava pelos jardins.
— Froa.
— Eu sei que você não se importa.
— Froa.
— E eu sei que você provavelmente está me julgando.
Froakie assentiu.
Sem vergonha alguma.
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— Inacreditável.
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Pela primeira vez em dias.
Gray riu.
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As horas passaram.
Nenhum Pokémon se aproximou.
Nenhum vínculo surgiu.
Nenhuma oportunidade apareceu.
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Quando o relógio marcou cinco horas da tarde.
Gray já sabia.
Era o fim.
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O sol começava a desaparecer atrás dos prédios de Lumina.
A luz dourada cobria os jardins externos da Academia.
Gray caminhava sozinho.
Sem direção.
Sem esperança.
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Foi quando ouviu uma explosão.
BOOM.
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Depois outra.
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E outra.
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— O que...
Gray correu imediatamente.
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Os sons vinham de uma área isolada atrás dos campos de treinamento.
Uma área pouco frequentada.
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Quando chegou.
Congelou.
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Froakie estava lutando.
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Sozinho.
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Do outro lado havia um treinador.
Provavelmente alguns anos mais velho.
Dezessete.
Talvez dezoito.
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— Fique parado!
O rapaz segurava uma Pokébola.
— Você vale uma fortuna!
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Ao lado dele estava um Golbat.
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— Use Air Cutter!
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Lâminas de vento atravessaram o campo.
Froakie desviou.
Mas por pouco.
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— Pare!
Gray gritou.
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O treinador virou-se.
— Cai fora.
— O que você está fazendo?
— Capturando ele.
— À força?
— É um shiny.
E daí?
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Gray sentiu raiva.
Uma raiva genuína.
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Na Academia.
Todos aprendiam a mesma coisa.
Um Pokémon não era um objeto.
Não era um prêmio.
Não era uma mercadoria.
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E aquele sujeito estava ignorando tudo isso.
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Golbat avançou novamente.
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Froakie tentou reagir.
Mas estava cansado.
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Outro golpe.
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Outro.
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Outro.
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O pequeno Pokémon foi empurrado para trás.
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— Acabou.
O treinador sorriu.
— Agora use Bite.
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Golbat mergulhou.
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Foi nesse instante.
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— Froakie!
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O Pokémon olhou imediatamente para Gray.
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Os olhos dos dois se encontraram.
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E pela primeira vez.
Gray não viu indiferença.
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Viu confiança.
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Instintivamente.
Sua mente começou a funcionar.
Analisando.
Calculando.
Prevendo.
Como fazia ao assistir batalhas.
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— Não recue!
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Froakie permaneceu firme.
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— Espere ele se aproximar!
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Golbat continuava descendo.
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— Agora use Smokescreen!
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Uma nuvem surgiu.
Golbat atravessou a fumaça.
Sem enxergar.
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— Salte para a direita!
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Froakie obedeceu imediatamente.
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Golbat passou direto.
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— Agora Water Pulse!
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A esfera de água atingiu Golbat em cheio.
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BOOM.
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O Pokémon voador caiu no chão.
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O treinador arregalou os olhos.
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— O quê?!
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Gray continuou.
Sem hesitar.
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— Não dê espaço!
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— Quick Attack!
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Froakie disparou.
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Golbat tentou levantar.
Tarde demais.
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Impacto.
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Golbat foi lançado vários metros.
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Silêncio.
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Então.
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— Golbat incapaz de batalhar.
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O treinador ficou imóvel.
Incrédulo.
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Ele havia perdido.
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Para um Froakie sem treinador.
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E para um garoto que sequer possuía um Pokémon.
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O homem recuou.
Resmungando.
Guardou Golbat.
E desapareceu rapidamente antes que alguém da segurança chegasse.
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A respiração de Froakie estava pesada.
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Gray aproximou-se.
Devagar.
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— Você foi incrível.
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Froakie o observou.
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Sem desviar o olhar.
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Sem fugir.
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Sem se afastar.
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Por alguns segundos.
Nenhum dos dois disse nada.
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Então.
Pela primeira vez.
Froakie caminhou na direção dele.
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Um passo.
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Depois outro.
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E mais um.
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Até parar bem à sua frente.
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Gray sentiu o coração acelerar.
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O pequeno Pokémon levantou a mão.
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E tocou seu joelho.
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Como se estivesse finalmente tomando uma decisão.
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Ao longe.
As luzes da Academia começavam a se acender.
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Sem que nenhum dos dois percebesse.
O prazo estava terminando.
Mas talvez.
A resposta que Gray procurava estivesse diante dele o tempo inteiro.