CAPÍTULO EXTRA 04.1: PROTOCOLO DO CAFÉ DE BENÍCIO

Que o nosso querido KEBHD despreza o café dos outros e valoriza apenas o seu próprio não é nenhuma novidade — a maior parte das ações seguem essa dinâmica quando se trata do doutor. O problema é: querer surpreendê-lo!
Segue a lógica, você faria do seu amado assistente uma cobaia se ele te agradasse? Não! Pelo menos, essa era a linha que Rubem estava seguindo e precisava crer nela para se sentir bem menos pressionado.
Havia uma pequena possibilidade de Érico ser dono de uma receita própria para fazer o seu maravilhoso café, se este fosse o caso, como poderia Ribeiro colocar as suas mãos nesse tipo de protocolo extraconfidencial?
— KEBHD! — Chamou sem escrúpulos.
— O que você quer? — Balbuciou Benício de olhos vermelhos.
— Como você gosta do seu café?
Perguntou sem rodeios, sendo recebido com um revirar de olhos violentos, como se essa questão fosse boba e irreverente, mas se virou contra seu assistente com a pior expressão de desgosto possível e respondeu:
— Eu gosto dele preto, sem açúcar e bem amargo, igual a minha alma — sorriu com os olhos semicerrados, fazendo crer um sadismo naquela expressão.
— Credo, não faça mais essa cara não, por favor — pediu com as mãos juntas em falsa súplica.
— Que drama — retornou o olhar para a LC-MK1. — Por que perguntou isso?
— Quero fazer café para você! Deve ser solitário ser o único que sabe qual o ponto do seu café — lamentou com farisaica tonalidade.
— Sei, meia-noite te conto um segredo — KEBHD corou, sorriu e partiu sem dar o gosto de explicar mais do que isso.
Agora, tinha três coisas à espreita para descobrir: a receita do café de Benício, o segredinho de Benício e a pequena chance de não ser mais cobaia de Benício!
Era uma tristeza as associações que nosso querido assistente executou, as três podiam muito bem se entrelaçar. Se soubesse do protocolo de Benício-cafeína, seria a sua cobaia particular — o encarregado de fazer o seu café quando o próprio quisesse! E infelizmente, não parava por aí.
Ao afirmar que queria ser capaz de fazer o café do doutor, muito bem fez parecer que não queria deixá-lo sozinho no mundo! Um flerte descarado com a travessura da ingenuidade — azar, muito azar de Rubem. E o segredinho de Benício? Vamos ver adiante.
Badalou meia-noite no software que Rubem usou apenas para trazer um tom mais dramático ao laboratório, quando Benício surgiu ao som de Toccata and Fugue in D minor por Bach. Ninguém riu, ambos levaram o jogo em frente.
— Caro Rubem — cumprimentou.
— Sim, Milorde? — se levantou, pronto para obedecer qual fosse a missão secundária.
— Venha à minha sala sob a minha companhia — e partiu, sem demora.
Ribeiro seguiu o doutor, conhecendo melhor o local que o laboratório habitava. Sempre que chegava, passava pela recepção, pelo corredor e entrava direto naquele espaço branco. Mas agora, a partir da recepção, abria um leque de corredores tenebrosos.
Todos brancos e iluminados, apesar da falha de algumas luzes, o problema não era o ambiente, mas a sensação que este causava. Desceram uma escada no fim de uma daquelas fileiras sinistras e se deparou com uma iluminação a partir de velas aromáticas.
Havia uma pequena chance de estar descendo ao inferno para ser servido em um altar para o diabo como sacrifício agora mesmo. Até que o lugar não pareceu discernir calor de frio, como se o vácuo ocupasse o espaço e não houvesse troca de calor, o ar estagnado favorecia os cantos de serem um ou outro.
O salão largo que se estendeu ao terminarem de descer não captava bem a luz das velas, em contraste, uma leve névoa permanecia no centro desse âmbito de beleza. Enfim, segurou no braço de Benício, se guiando a partir dele de olhos fechados. O que os olhos não veem o coração não sente, não é?
Érico parou um instante antes de continuar, talvez estivesse em choque com o súbito toque, mas aceitou, colocando a sua própria sobre a mão de Rubem em seu braço. Ambos caminharam mais um pouco até chegarem de novo a uma repartição.
Eles seguiram por uma e o calor certo voltou, fazendo com que o assistente sentisse novamente os nós e as pontas de seus dedos. A iluminação voltou em conjunto ao aroma que os levou ali com certa motivação.
— Vamos, vou te ensinar como se faz — brandiu Benício, já colocando um avental.
Ingredientes:
50ml de chá preto concentrado
50ml de café coado forte
100ml de água tônica ou água com gás
Muito gelo, rodelas de limão e hortelã
Modo de Preparo:
Em um copo alto com gelo, adicione o café e o chá. Complete com a água tônica/com gás. Finalize com limão e hortelã.
E Voilà, o famoso chafé gelado com hortelã estava pronto, uma bebida refrescante, doce e com uma cor caramelizada, bem oposta à descrição anterior. E honestamente, bem melhor e mais gostosa!
— Só que durante a noite — Benício se aproximou de Rubem, baixando o tom com um semblante gentil que este nunca viu. — Eu misturo com 100ml de gin pura — se abaixou lentamente na direção do assistente e abriu uma portinha, pegando a garrafa.
Subiu lentamente ainda mais próximo rindo da expressão de choque de Ribeiro, e pegou o copo da mão dele. O doutor fez a mudança de chafé para drink e ofertou para Rubem, entregando a ele o mesmo copo. Ele não negou, pegou e bebeu estagnado na mesma expressão.
— Uma delícia.
— Realmente, e como você disse, agora que você sabe fazer, quero que pegue a minha lista de horários para café e siga ela.
Partiu com seu próprio drink cafeinado, deixando seu assistente atônito no porão do estabelecimento.
— Que cara estranho, meu Deus — balbuciou Rubem, já discando o número de Lena no seu celular para comentar sobre a nova peripécia esquisita de seu chefe e o novo drink que aprendeu a fazer.
“Calma aí, o doutor bebe em serviço durante a noite! Então, nas noites anteriores ele… ah, não é da minha conta.” Concluiu seu pensamento e retornou ao laboratório em ligação com a sua divina colega de campus.

¹ A cada quatro capítulos, um extra canônico marcado pelo tom de sitcom será lançado. Aproveite o alívio cômico que estes extras periódicos trazem.
Espero que gostem dos extras curtos e canônicos bobinhos, pois eles realmente têm que cumprir a função de aliviar o clima. ☀️🤡 Enfim, até a próxima, meus lindos!