O Flagelado
Antes que pudesse desferir o golpe e matar Gabriel, Kaelis surgiu junto aos demais, quebrando a espada de Riven com as mãos, e o socando no rosto, fazendo ele colidir contra uma árvore e recobrar a razão.
— Mas que porra você tá fazendo Riven? — Kaelis perguntou furiosa.
— Esse garoto, ele não pode fazer parte do nosso grupo. — Alastor respondeu perturbado. — Ele vai acabar como aqueles três.
— Chegamos a tempo. — Disse Amara, curando Gabriel, que caiu inconsciente com a chegada de Kaelis. — Mas que porra você fez com ele Riven? — Amara perguntou furiosa.
— Fica fora disso sua maga quebrada. — Riven respondeu com desdém.
Alastor sacou suas adagas olhando para ele com intenção assassina.
— Ei seu merda, repete isso, quero ver se tem coragem. — Alastor provocou.
— Vai mesmo defender ela? Claro... deve ser por que você é outro inútil quebrado, os demais aqui sabem que você perdeu sua Umbracinese? — Riven retrucou.
Alastor foi em direção a Riven, visando sua cabeça, mas foi impedido por Aeron.
— Ei ei, chega disso vocês dois. — Disse Aeron, segurando as duas mãos de Alastor, mas suas manoplas se quebraram com a pressão.
Riven pegou sua espada quebrada, e a posicionou contra o peito.
— Sim Aeron, chega dessa merda. — Declarou Riven, desmaiando em seguida com a intervenção de Lilith, que o colocou para dormir com sua magia.
Aeron levou os dois de volta ao castelo, Amara cuidou dos ferimentos de ambos, deixando Gabriel em seu quarto, e levando Riven para o dele, onde todos o esperaram acordar para o interrogarem.
— Que porra foi aquela Riven? — Amara perguntou furiosa.
— Eu só queria ensinar a ele uma lição de como é o mundo real, e vocês interviram. — Respondeu Riven de cabeça baixa, desnorteado.
— Ensinar uma lição? — Alastor interveio furioso. — Você iria matar ele se a gente não tivesse te parado.
Riven virou seu rosto, cerrando os punhos com força, fazendo suas unhas rasgarem sua palma.
— Eu, aceito qualquer punição sobre meus atos, mas aquele garoto não pode fazer parte do nosso grupo. — Riven retrucou.
— O Gabriel não é igual a Karla, Edd e o Geo. — Kaelis o repreendeu. — Ele é mais forte do que eles, e capaz de se defender, foi para isso que treinamos ele por todo esse tempo, por que eu vi o potencial dele, e quis lapidar ele.
— Eu não posso... eu não posso deixar outra criança morrer, não de novo, não depois de matar aqueles três. — Riven respondeu, com flashes da morte dos três passando pela sua memória. — Aquela Theronyx.
Uma quimera, com cabeça de leão com pernas curtas e garras enormes como as de um urso, um corpo coberto por escamas e espinhos, com duas caudas, uma de escorpião, e a outra sendo uma serpente, Karla foi morta pisoteada por suas patas, Edd foi atravessado pela cauda dele, que parecia como um ferrão, e Geo foi devorado, antes de Kaelis despertar o Excidium e Ensis e cortar a cabeça do Theronyx.
— Se não fosse a minha ganância pela fama, meu ego, aqueles três ainda estariam vivos. — Afirmou Riven chorando.
No corredor, Gabriel ouviu a conversa deles, assim como a culpa que Riven carrega.
— Se você queria o bem dele, por que atacou ele pra matar? — Alastor perguntou.
— Foi o Excidium. — Aeron respondeu. — Ele foi consumido pela insanidade do Excidium. — Esclareceu.
— Por isso você tentou se matar com a espada, por ter levantado sua espada para um garoto com a intenção de tirar sua vida, estou errada? — Lilith perguntou, mas Riven permaneceu em silêncio, apenas balançando sua cabeça.
— Você não vai ser punido Riven, mas você vai ter que se desculpar com Gabriel, e vai ser agora. — Kaelis afirmou.
Riven hesitou, mas concordou, indo ao quarto de Gabriel, e se espantando ao ver seu quarto vazio, voltando para avisar os demais.
— O quarto dele está vazio, — Riven anunciou.
Todos ficaram preocupados com seu sumiço repentino, procurando Gabriel dentro do castelo, alertando os guardas, até mesmo Kaelis, Riven e Alastor tentaram usar seus Sentire, para o rastrearem por entre o vilarejo, mas sem êxito.
— Onde será que ele se enfiou? — Kaelis perguntou preocupada.
No mesmo instante, Aeron teve um momento de clareza.
— A caverna dos orcs. — Aeron supôs. — Eu disse para ele que no fim do treinamento dele você o levaria para dar um fim naqueles orcs que atacaram sua vila.
— Mas que porcaria Aeron. — Kaelis o repreendeu. — Lilith, você selou a entrada da caverna com sua magia, nos teletransporte para lá imediatamente.
— Não vai dar, minha barreira foi removida. — Lilith respondeu.
— Gabriel? — Questionou Amara. — Mas ele acabou de aprender sobre o fluxo da magia, e já consegue desfazer magias assim com tanta facilidade.
Riven e Kaelis partiram em direção a caverna.
— Merda, merda, merda, se algo acontecer com ele, eu nunca vou me perdoar. — Riven murmurava nervoso e preocupado.
— Tenha um pouco de fé no garoto. — Respondeu Kaelis o tranquilizando. — Afinal ele te pressionou bastante, até mesmo te cortou.
Na entrada da caverna, Gabriel desfez o selo de Lilith, e entrava na caverna escura, junto a sua espada, fazendo uma pequena chama surgir em sua mão com o Éter, e usando seu Sentire para sentir o seu redor. — Você vai me reconhecer Riven. — Afirmou Gabriel.
Conforme ia adentrando a caverna, Gabriel notou a presença de orcs, que o atacaram, mas Gabriel os derrotou sem dificuldades, até se deparar com um orc similar ao que enfrentou no passado, cortando seu corpo ao meio com um balançar de sua espada, ele continuou, derrotando todos os orcs que encontrava, até notar uma fenda a fundo da caverna, que o fez encarar algo que o espantou.
— “Essas presenças, deve ter centenas deles...” — Gabriel se deparou com o ninho dos orcs.
Descendo pela fenda, atraindo a atenção de todos os orcs que existiam ali.
— “Uns cinquenta pequenos, vinte dos médios, vinte e um... magos? E... oito grandões, e um líder sentado em um trono de caveiras... humanas?” — Gabriel apontou sua espada para eles. — Assim como vocês destruíram e mataram aqueles do meu vilarejo, eu vou extinguir vocês! — Gabriel declarou.
Indo para cima dos orcs pequenos, que correram em sua direção, ativando seu Éter.
— Afinidade, Impetus e Sentire.
Gabriel cortou os goblins com facilidade, até que os magos o conjuraram uma enorme bola de fogo, e atiraram em sua direção, os orcs se afastaram de Gabriel, que parou o ataque no ar a moldando em flechas de fogo com seu Éter e carbonizando o restante dos orcs menores junto aos magos, com exceção de um que correu para próximo do que aparentava ser o líder, os orcs medianos foram para cima de Gabriel, que esquivou de todos os ataques.
— Tão fracos. — Afirmou Gabriel, pulando e cortando a cabeça de todos os vinte que tentaram o atacar.
— REFORÇAR! — Conjurou a última maga orc, aumentando os atributos dos oito restantes.
— Uma orc que fala... impressionante. — Gabriel comentou, atacando os demais, que desviaram, e contra atacaram.
— Aegis! — Gabriel manifestou uma muralha transparente, bloqueando e defletindo os ataques, fazendo os orcs serem arremessados para longe, tentando atacar a última maga restante, mas sendo impedido pelo líder dos orcs, que conjurou uma parede de chamas.
— MURALHA DE CHAMAS! — Evocou o líder dos orcs.
— Outro orc que fala, e mais um mago, isso tá ficando chato. — Afirmou Gabriel.
Sendo atacado por um dos orcs que foi repelido por Gabriel anteriormente após serem defletidos.
— Muito lento. — Disse Gabriel, desviando e partindo seu peito fora, o fazendo ficar coberto com o sangue do orc.
— REFORÇO QUÁDRUPLO, HINO DOS GIGANTES, BENÇÃO DA MÃE DE GUERRA. — Conjurou a orc, nos que restaram.
Quadruplicando o tamanho deles, junto de suas forças, um deles foi para cima de Gabriel com um soco, Gabriel bloqueou com sua lâmina, mas sem sucesso ao cortar, fazendo apenas um arranhão superficial.
— Éter... — Deduziu Gabriel, reforçando sua espada, já apresentando sinais de exaustão, devido sua luta anterior com Riven.
Indo para cima do orc novamente, conseguindo cortar sua mão e braço ao meio.
— BERSERKER. — Conjurou a orc, fazendo com que o corte cessasse o sangramento, e se fechasse temporariamente.
— Excidium? — Gabriel se surpreendeu, desviando de um soco a queima roupa do orc, que pegou de raspão em sua cabeça, abrindo um pequeno corte sobre sua sobrancelha esquerda.
— O QUÊ QUERES AO PROFANAR NOSSO NINHO DE FORMA TÃO ABRUPTA E CEIFANDO A VIDA DE MEUS FILHOS, SEU PEQUENO INSOLENTE?. — Questionou o líder orc em um tom arrogante.
Gabriel respondeu surpreso o orc, após o ouvir falando.
— Vocês atacaram minha vila primeiro, incendiaram nossas casas, nos executaram como se fossemos animais, não venha pedir motivo agora, isso é uma retaliação! — Respondeu Gabriel, expressando ódio.
— INSENSATO! HUMANOS DÉBEIS, NADA SOIS SENÃO PRESAS DIANTE DE NÓS. VOSSA FRAGILIDADE CLAMA POR SUBMISSÃO. O QUE VOS INFLIGIMOS NÃO É CRUELDADE, MAS O DIREITO INEVITÁVEL QUE NOS CABE SOBRE VÓS, VOSSA FRÁGIL RAÇA, NOSSA PROPRIEDADE. — Afirmou o líder dos orcs com desprezo e superioridade.
Gabriel ouviu sua declaração, fazendo seu sangue ferver, e atacando-o, sem sucesso, sendo impedido pelos orcs restantes, que o fazem voar para longe, colidindo com as paredes da caverna, sendo soterrado por algumas rochas que desabaram sobre ele.
— VÊS AGORA, HUMANO TOLO? EIS O ABISMO QUE NOS SEPARA, NÃO APENAS EM FORÇA, MAS EM ESPÉCIE. AGORA, CURVA-TE AO DESESPERO E PROVA O QUÃO ÍNFIMO ÉS PERANTE A MIM O SOBERANO DOS ORCS— Afirmou o líder dos orc, o menosprezando novamente.
Gabriel se levantou dos escombros, sem muitos danos.
— Infelizmente pra você, soberano de merda, o desespero só me fortalece. — Retrucou Gabriel, emanando a aura magenta de seu Éter ainda mais forte do que antes, sendo atacado por três orcs ao mesmo tempo, estendendo a mão em direção ao peito de um deles. — Rift. — Fechando a mão e arrancando o coração de um deles, o matando instantaneamente. — Vocês são pouca bosta pra mim.
— INSOLENTE! PAGARÁS CARO POR TAL BLASFÊMIA. HEI DE FAZER-TE DEFINHAR, ATÉ QUE AGONIZES, AFOGADO NA MÍSERA POÇA DE TEU PRÓPRIO SANGUE. — Respondeu o rei dos orcs
Os outros dois o atacaram simultaneamente.
— HINO INCENDÁRIO! — Conjurou a orc sobre os dois, fazendo emanarem um ar quente ao seu redor, queimando o ar.