Da nuvem de poeira, partículas do raio lançado por Riven anteriormente ainda se
dissipavam, mas de dentro dele, algo fazia todos que portavam o Aethirion vibrarem.
— Ela também...? — Murmurou Kaelis, enquanto Mary sorria, animada.
Após a tentativa Riven em atacá-la, Amara surgiu em meio a nuvem de poeira, emergindo de
um casulo de teias negras, intacta. A Verdade da Alma transformou-se em linhas que a
entrelaçavam como veias vivas, abrindo-se em fios negros e prateados que a envolviam
como um manto. A seda escura terminava em franjas semelhantes a teias, as longas mechas
loiras dela ganharam pontas negras, descendo como tentáculos finos, e sob cada um de seus
olhos surgiram pares de pupilas vermelhas como as de uma aranha.
— Ah, você também... — Resmungou Riven. — Vejamos do que é capaz.
— Ela... tá tão... incrível! — Exclamou Alastor, boquiaberto com a transformação da irmã.
Do céu, Amara olhava para si mesma, sentindo o Aethryon fluir junto à graça de Mary.
— Eu deixarei você guiar... — Murmurou ela.
Riven gesticulou, um de seus satélites disparou na direção de Amara que permaneceu
imóvel, encarando o disparo ionizado, um único fio de seu cabelo chicoteou para frente,
interceptando o ataque e o dissipando em um instante.
— Mas o quê? — Riven estava incrédulo.
Amara desceu lentamente e, ao tocar o chão, espalhou Éter e Thyr pelo solo. Tentáculos de
teias negras ergueram-se como raízes vivas, atacando Riven. Ele recuava, seus satélites
disparando sem efeito, decidindo então atrair todos um ponto e atirar um raio para os
destruir de uma vez.
— Impetus! — O raio assumiu uma aura vermelha, atravessando tudo à frente e abrindo um
rastro de destruição.
Quando a poeira baixou, o feixe havia passado de raspão por Amara.
— Riven... errou? — Murmurou Aeron.
— Como? — Kaelis estava confusa.
Riven olhou para a mão, vendo uma linha negra presa ao seu pulso.
— Entendi... você redirecionou meu ataque com esse fio...
Amara sorriu e puxou o fio, balançando-o no ar e fazendo-o colidir contra paredes e solo.
— ORA SUA—! — Riven gritou, agarrando a linha. — ENSIS! — Arrebentou-a, gerando outro
raio na mão, mas esse emanava uma coloração e aura branca, o disparando.
Amara desviou usando os cabelos para se locomover.
— Isso acaba agora, Riven! — Exclamou, prendendo-o novamente e conjurando um pilar de
luz.
Mas Riven se soltou, revestindo todo o corpo com Ensis e emanando uma aura elétrica
branca. Desviando do ataque de Amara e disparando em direção a ela. Amara lançou uma
enxurrada de fios negros. Riven girou o raio em sua mão rasgando os fios, usando o impulso
elétrico para aparecer atrás dela.
— O quê...? — Amara murmurou.
— Acaba agora... — Riven golpeou com o raio.
Mas a imagem dela dissipou-se como ilusão, enquanto a verdadeira Amara apareceu atrás
dele, preparando um canhão de luz concentrado para disparar. Antes que o fizesse, um dos
satélites de Riven a atingiu de trás, atravessando seu estômago.
— O quê? — Amara indagou, sangue escorrendo de sua boca. — Eu... fui acertada?
— AMARAAA! — Alastor gritou preocupado.
— Boa jogada, Riven — Elogiou Kaelis, assistindo de longe.
— Mas como? — O rei não entendia.
Mary explicou.
— Quando ele destruiu os tentáculos de Amara pela primeira vez, ela criou uma ilusão de luz
e ficou invisível por refração da luz, mas Riven sentiu ela, o Sentire dele é surpreendente.
— E após isso ele colocou um de seus satélites em um ponto cego dela sem que ela
percebesse. — Completou Kaelis.
— Entendo... ambos são ótimos estrategistas, fico contente por serem os heróis de
Aethernys — Afirmou o rei.
O corpo de Amara cambaleava, ela pressionava a mão contra a ferida.
— Seu... — Ela rangeu os dentes.
— Você foi bem, Amara, ser pressionado assim por uma maga. — Admitiu Riven.
Amara cedia lentamente.
— Ei Mary, já pode encerrar o duelo — Comentou o rei.
Mas Mary mantinha os olhos focados em Amara.
Riven desativou seu Éter, caminhando de volta, até que de repente sentiu um arrepio, a
Flecha Versátil ressoou, e ele se virou abruptamente. Amara estava de pé, como um zumbi
semi-inconsciente. Sua ferida havia sido fechada, os órgãos suturados pelas próprias teias
negras. Os fios vivos agora convergiam para o cajado, que tremia nas mãos dela. A Verdade
da Alma pulsava forte, formando uma esfera concentrada de Éter, luz e sombras na ponta do
bastão, o ar ao redor se tornou rarefeito, o chão abaixo dela se rachava em círculos, até os
satélites de Riven pararam de orbitar, vibrando em pânico, causando uma sensação
sufocante que tomou todos no pátio.
— O que... é isso? — Murmurou Kaelis, empalidecendo.
O cajado de Amara arqueou para trás, pronto para liberar o disparo. Os olhos dela já não
pareciam humanos, só luz pura. Mas, antes que o ataque se libertasse, seu corpo colapsou,
o manto de fios se desfez em pó de. A esfera colapsou com um estalo. Amara caiu de
joelhos, inconsciente antes de tocar o chão.
Um silêncio absoluto pairou pelo local por um instante, Mary estendeu a mão encerrando o
duelo
— Chega por hoje — Disse num tom que misturava alívio e orgulho. — Ela ultrapassou o
próprio limite. — O Vencedor é Riven.
Mary foi em direção a Amara, a curando e logo em seguida curando Riven, que caminhou
até Amara, a levando no colo para junto de Alastor.
— A seu... — Alastor rugiu sutilmente para Riven.
— Foi mal, hehe. — Ele respondeu
Com um único gesto, Mary reconstruiu novamente o pátio. A poeira se assentou devagar,
como se o próprio pátio respirasse aliviado após a tensão. O rei, que assistira tudo de pé,
levou a mão à boca num reflexo contido.
— Inacreditável... ela quase fez o impossível. — Murmurou, o olhar alternando entre
Amara e Riven.
Riven pousou Amara ao lado de Alastor, que a segurou instintivamente, ele se sentou logo
após, respirando fundo, tentando se manter consciente após o duelo. Gabriel pousou a mão
em seu ombro.
— Belo trabalho. — Disse apenas, com uma expressão respeitosa.
O rei deu um passo à frente, recuperando a compostura.
— Se este é apenas o início do treinamento... — Comentou, mais para si mesmo. —
Aethernys está, de fato, em boas mãos.
Do outro lado do pátio, Kaelis girava a Estrela Singular, com os olhos fixos na arena
recém-restaurada. Aeron batia o Égide das Mentes e a Severidade da Dor uma na outra.
— Parece que é a nossa vez. — Disse Aeron, arqueando uma sobrancelha.
Kaelis sorriu de leve.
— Vamos ver o que aprendemos observando os outros.
Mary se levantou, afastando-se para o centro da arena.
— Recuperem o fôlego. A próxima luta começa quando vocês estiverem prontos. —
A tensão voltava a crescer, não mais pelo estrondo de um ataque, mas pela expectativa
silenciosa do próximo confronto.
— Finalmente veremos como a heroína mais forte de Aethernys luta. — Afirmou o rei.
Kaelis avançou para o centro do pátio, a Estrela Singular girando suavemente em sua mão
como um cometa prestes a colidir. O ar ao redor dela cintilava, estalando com microfraturas
de luz, Aeron bateu as lâminas do Égide das Mentes contra a Severidade da Dor, o som
metálico ecoando no silêncio expectante, Alastor, ainda com Amara apoiada no colo, ergueu
os olhos para o centro. Gabriel inclinou o corpo para frente, apoiando os cotovelos nos
joelhos, Riven cruzou os braços, recuperando o fôlego. Até Lilith, normalmente relaxada,
tinha o olhar fixo no espaço entre Kaelis e Aeron.
Toda a atenção e foco estava sobre Kaelis e Aeron, Mary ergueu uma das mãos para cima.
— O rei quer espetáculo... — Comentou Mary, reerguendo uma barreira translúcida em
torno da arena para conter os ecos do combate.
— Não vamos decepcioná-lo — Respondeu Kaelis com um meio sorriso.
Aeron caminhou até ela, cada passo reverberando como um tambor.
— Treinamento ou não, eu não vou segurar nada. — Sua voz soou grave, mas havia um
lampejo de respeito nos olhos.
— Ótimo. — Kaelis girou a Estrela Singular sobre a cabeça, formando um arco de luz
cintilante. — Também quero ver o que você esconde por.
O rei inclinou-se sobre o parapeito improvisado, ansioso.
— Eles se estudam antes de se atacar... é como assistir predadores medindo distância —
Comentou em voz baixa.
Mary levantou a mão, e a pressão no ar aumentou.
— Preparados?
Kaelis e Aeron assentiram ao mesmo tempo.
— Então comecem!
A palavra ainda não tinha ecoado quando Aeron desapareceu num borrão, a Severidade da
Dor e o Égide das Mentes cruzaram o espaço num arco brilhante, tentando encurralar Kaelis
que saltou para trás.
— Bom reflexo — Disse Aeron, sorrindo. — Mas vamos ver até onde vai.
Ele afastou-se, ambos machado e escudo brilhando em um tom frio. Um arco psíquico
reverberou pelo pátio, Kaelis deslizou para o lado, girando a Estrela Singular e desviando do
golpe, o corte da lança riscava o ar, junto a uma pequena ranhura na barreira de Mary, que
observava com os olhos semicerrados, como se calculasse o ponto de ruptura da barreira. —
—Estão testando o limite um do outro antes de liberar tudo. — Gabriel comentou.
Aeron abriu os braços, o Éter condensou-se num único ponto entre ambas as armas. Um
clarão azul-esbranquiçado se formou.
— Égide das Mentes... Severidade Total! — Ele desferiu um corte no vazio, e a onda de
choque atravessou a arena como um relâmpago.
Kaelis cravou a lança no chão, usando-a como eixo para girar o corpo e escapar do impacto.
O clarão atingiu o solo e fez a barreira de Mary tremer. Quando a poeira baixou, Kaelis
estava de pé, a Estrela Singular ainda firme, traçando um arco no ar. Ela avançou num estalo,
saltando em direção a Aeron, girando a lança, Mary sentia que a própria massa de sua lança
aumentava conforme sua excitação com a batalha, e com um sorriso golpeou Aeron, que
bloqueou com seu escudo, causando um estrondo por toda a barreira de Mary. fazendo o rei
se ergue instintivamente.
— Eles vão derrubar o castelo inteiro se continuarem assim...