Gabriel liberou todo o Éter acumulado, junto ao Dominus que começava a obedecer a sua
vontade, por enquanto, entrando na Classe X para conseguir manter um combate contra
Kaelis.
— A partir de agora eu não vou mais me segurar. — Afirmou ele, olhando para a orbe de
Vivian. — Mas eu não quero destruir Aethernys, ou esse planeta, Vivian, por favor nos
teletransporte para algum planeta inabitado que possa suportar nosso máximo sem colapsar
de imediato. — Ele pediu.
Vivian o olhou através da transmissão.
— Ora seu moleque... desde quando eu sou obrigada a fazer o que você me pede. —
Murmurou ela.
Morgana ao seu lado se levantava com esforço, já preparando um portal para ambos.
“Essa pirralha... Eu preciso dar um fim nesse garoto” — Vivian fechou o rosto.
Mas Vivian cedeu e conjurou junto a Morgana uma pequena distorção, mas não o suficiente
para que eles atravessassem, afinal Kaelis e Gabriel estavam emanando tanto Thyr e Éter
que eles inconscientemente se opunham ao portal das duas.
— Tsc... esse pirralho! — Vivian murmurou.
Mary e Lilith a acompanharam, Mary abriu a asa de empoderamento solar, e Lilith conjurou
a Lua Negra.
— Nephilim Eclipsis!
Um domo foi conjurado ao redor delas, no ar a Lua Negra brilhava como em um eclipse
ofuscando mas não bloqueando o Sol, enquanto ambas se fortaleciam e conseguiam abrir o
portal para outro plano, onde os dois pudessem continuar o duelo sem consequências. Ao
ver o portal se abrir e engolindo ambos, Gabriel encarou Kaelis nos segundos finais antes de
irem para outro plano.
— A partir de agora... — O teletransporte o interrompeu, até ressurgirem em outro planeta.
— Este planeta está completamente inabitado, e para equilibrar um pouco, o Sol também
está quase próximo ao meio-dia. — Afirmou Morgana com um sorriso, transmitindo para
Gabriel através da orbe que os acompanhou.
— Obrigado Morgana. — Gabriel sorriu para a orbe, o que fez Morgana corar e se encolher
envergonhada mesmo a distância.
— Ei ei... — Kaelis interveio. — Vocês podem se atracar à vontade... — Ela completou. — Se
você sair inteiro daqui.
Gabriel liberou todo seu Éter e Thyr de uma vez, mesmo Kaelis recuou alguns passos para
trás tampando o rosto.
— Isso ai Gabriel...
O solo abaixo dele ao mesmo tempo que se destroçava, os fragmentos derretiam no mesmo
instante, Gabriel despertou novamente, um enorme feixe de luz e calor o cercava, o calor
queimava a vegetação ao redor, enquanto um enorme rio evaporava ao redor deles. O ar
ondulava ao redor dele, suas blusa rasgada se tornou um manto de chamas brancas aberto
no meio, junto a seus shorts, seus cabelos se tornou chama pura, ao abaixar a cabeça seus
olhos se pareciam com dois sóis em miniaturas, cada ferida era cauterizada em instantes, a
Incisão Solar perdeu sua forma física, ascendendo em uma chama branca tão pura que
distorcia e deformava o espaço ao redor dela, Gabriel soltou um suspiro de sua boca, o
vapor derreteu uma enorme rocha ao lado dele.
— A partir de agora... — Seu Thyr assumiu uma coloração alaranjada e rubra. — Eu vou para
matar! Faça o mesmo se quiser viver. — Ele afirmou sério.
Do outro lado da transmissão, todos assistiam surpresos e espantados.
— Aquele... é o nosso filho? — O pai de Gabriel estava em completo choque vendo sua
aparência.
Sua mãe pôs a mão sobre o ombro de seu marido.
— Ele ficará bem. — Afirmou ela, como se quem já soubesse o resultado desta luta.
— Ei, ei... EI! — Aeron exclamou. — O que caralhos é aquele Gabriel? — Sua voz tremulava.
— Ele... despertou novamente. — Mary comentou surpresa, os olhos fixos nas imagens de
Gabriel.
— Ele está... divino. — Comentou Amara.
— Quase como o próprio astro... o Sol. — Morgana completou.
Kaelis deixou o braço cair ao lado do corpo, sentindo a pressão térmica arranhar o espaço
entre eles.
— Então esse é o “para matar”... — Murmurou, o sorriso dela lentamente desaparecendo.
— ...ok, Gabriel, eu também vou para matar, mas não morra.
Ela girou a Estrela Singular, que se deformou em uma alabarda alongada, lâmina branca na
ponta, cabo negro que absorvia a luz. O ar em volta dela curvou como um funil invisível, sua
singularidade interna acelerando num pulso pesado, Gabriel desapareceu num clarão
branco, Kaelis moveu a alabarda diagonalmente sem sequer olhar. O impacto soou como um
trovão seco, e a onda gravitacional se espalhou em círculos. Gabriel foi lançado para cima, só
que desta vez, ele não voou, ele parou no ar à força, queimando a gravidade ao redor com o
Corona Flamma, o espaço tremia como vidro superaquecido.
— Eu disse... — Gabriel desceu com uma estocada direta, rasgando o ar em uma linha
branca — ...venha para me matar!
Kaelis cruzou a alabarda, e o choque entre as duas forças fez um buraco circular abrir no céu,
durante meio segundo, a atmosfera sumiu, puxada pela Singularis Nox de Kaelis que
absorveu parte do ataque.
— Você está melhor. — Kaelis admitiu, pressionando a alabarda contra a lâmina conceitual
de Ensis de Gabriel. — Mas ainda não é o suficiente.
Ela estalou o dedo com a mão livre.
— Pressura Hyperdensa.
A densidade ao redor do braço de Gabriel aumentou como se toneladas tivessem surgido de
repente, seu cotovelo quase dobrou, mas Gabriel rugiu, liberando chamas brancas pelo
braço inteiro, queimando a compressão com força bruta.
— Ainda não!
Ele girou o corpo e cortou horizontalmente, e Kaelis bloqueou novamente, mas dessa vez
seus pés afundaram um metro no chão recém evaporado. A gravidade dela resistiu, mas o
calor do Dominus estalava e rasgava o espaço ao redor.
— Tsc... — Kaelis cerrou os dentes. — Está começando a ficar irritante.
Ela avançou, a alabarda virou um rastro negro e branco, e Gabriel só viu quando a lâmina
negra passou rente ao seu pescoço, cortando o ar como um buraco no mundo. O impacto
seguinte foi um chicote gravitacional.
— Gravity Shear — O acertando pelas costas o fazendo girar no ar.
Kaelis apareceu acima dele e desceu com a alabarda, o espaço dobrando em um cone
escuro.
— Clypseus Coronae. — Gabriel cruzou os braços, e a colisão explodiu numa luz pálida que
cegou metade do planeta.
O chão abaixo deles virou poeira, a atmosfera subiu em colunas espirais, Kaelis desviou para
trás, os cabelos flutuando no vácuo temporário que ela mesma criara.
— Agora estamos falando a mesma língua. — Murmurou ela, inflando a gravidade ao redor a
níveis absurdos. — Vamos ver até onde você aguenta.
Gabriel sorriu, ainda que com sangue evaporando no canto da boca.
— Até que você ceda, ou esse planeta colapse. — Respondeu
Kaelis ergueu a alabarda sobre a cabeça, e o planeta tremeu.
— Supernova Collapse.
Uma luz negra pulsou no coração da arma.
Gabriel inspirou, sentindo o Sol ao longe queimando através de sua pele.
— Radiant Ascensus.
As duas técnicas colidiram, o continente virou uma cratera em um único instante,
montanhas inteiras se esfarelaram como cinza, o mar recuou dezenas de quilômetros.
A transmissão tremeu violentamente e por alguns segundos só havia estática e luz branca, e
então o silêncio, até que a imagem voltou. Gabriel voava para trás, com uma parte do torso
arrancada, e a metade do manto de chamas se apagando. Kaelis o perseguia como um
cometa gravitacional, a alabarda em posição de perfurar o coração, do outro lado da
transmissão, Morgana perdeu o ar.
— Ele... ele não conseguiu aguentar.
— ELE AINDA ESTÁ VIVO! — Ygerna gritou, de pé, os olhos arregalados. — ELE RECUPEROU A
POSTURA!
E na orbe, a imagem mostrava Gabriel estabilizando o voo no último instante, queimando o
sangue em chamas douradas e se regenerando lentamente, o Dominus pulsando como um
segundo sol, Kaelis sorriu. Um sorriso feroz e feliz.
— Gabriel... não morra agora.
E Gabriel avançou, o mundo tremeu. O simples ato de mover-se rasgou a crosta como vidro.
Kaelis se impulsionou ao mesmo tempo, e o choque dos dois foi tão violento que o
continente inteiro afundou alguns metros, liberando colunas de magma que jorraram como
geysers furiosos.
A transmissão tremeu.
— M–Mas que porra... — Aeron arregalou os olhos.
Eles se chocaram novamente, e o horizonte partiu. Uma onda de choque percorreu milhares
de quilômetros, cortando oceanos ao meio e levantando muralhas de água que se
evaporavam antes mesmo de cair, o planeta rugiu como um titã ferido.
Vivian apertou os dentes.
— Droga... eu mandei eles para um orbe vinte vezes mais resistente do que a Terra. — Ela
socou o assento, indignada. — E eles já estão começando a quebrar o maldito globo em
minutos!
Outro impacto, Kaelis socou Gabriel, ele a segurou pela cabeça e devolveu o golpe. A
atmosfera implodiu em um buraco branco de luz solar concentrada. O céu perdeu a cor,
anéis de vapor e plasma se formavam ao redor deles a cada troca de golpes.
Amara arfou espantada.
— Isso... nem devia ser possível...
O núcleo gravitacional do planeta oscilou, e a gravidade falhou por um instante, a montanha
mais próxima flutuou, se despedaçando em silêncio, Lilith deu um passo para trás.
— Eles... estão matando um planeta... só com força bruta.
Do outro lado da transmissão, Kaelis e Gabriel colidiam novamente. Desta vez, a placa
tectônica inteira se partiu como gelo fino. O magma expôs um brilho dourado quando o Éter
Solar de Gabriel queimou o subsolo a temperaturas absurdas.
— Filhos da... — Vivian passou a mão no rosto. — Esse planeta aguenta impacto de cometas
sem colapsar! Esses dois são uns desgraçados! — Ela encarava Gabriel com um olhar de
desejo por seu poder, ela reconsiderou dar um fim a ele.
O pai de Gabriel levou a mão à boca, pálido.
— Aquele... é o meu menino?
— Ele é muito mais que isso. — A mãe murmurou, sem desviar os olhos. — O próprio Sol!