Kade não dormiu naquela noite.
Sempre que fechava os olhos, ele via o rosto do pai — não como se lembrava dele, mas como Serath o havia descrito. Um homem capaz de mentir. Capaz de esconder. Capaz de tocar em algo proibido... e chamar isso de necessidade. O peso da descoberta assentava em seu peito como uma pedra física, fazendo cada respiração parecer rasa e insuficiente.
Quando o sol finalmente despontou sobre o horizonte de Valthorin, Kade já estava acordado há horas, observando a cidade se agitar. As torres ainda projetavam sombras longas, e o vento carregava o som distante de aço colidindo nos pátios de treinamento. Era um som familiar, um som que normalmente trazia uma sensação de ordem, mas hoje parecia uma nota dissonante em uma sinfonia de segredos.
Serath também não tinha saído. Ele permanecia perto da janela, uma silhueta escura contra a luz incipiente, com a postura rígida e inflexível.
"Você ainda acha que Cyprian é a resposta?", perguntou Serath, sem virar a cabeça. Sua voz estava rouca pela falta de sono, carregando um tom afiado de ceticismo.
Kade levou um longo momento para responder, com o olhar fixo no tábuas do chão.
"Acho que ele é a única coisa que me impede de tomar uma decisão da qual não posso voltar atrás", admitiu Kade. "Se eu for até ele, torna-se oficial. Se eu não for... sou um fugitivo em minha própria casa."
Serath soltou um suspirar tenso e afiado que soou quase como um rosnado. "Ou ele é a única coisa garantindo que alguém vai sangrar por isso. Você sabe como o Conselho funciona, Kade. Eles não procuram a verdade; procuram um culpado para manter o status quo."
Eles trocaram um olhar breve. Foi um momento pesado e sufocante em que anos de fraternidade pareceram tensionados pela invasão repentina da realidade. Nenhum dos dois confiava totalmente no outro mais — e ambos sabiam disso. A suspeita era um sabor novo e amargo entre eles.
Foi então que Kade notou algo que não tinha visto antes. As armas pareciam diferentes.
Não mais inertes. Não mais apenas relíquias antigas de um tempo esquecido.
Uma marca quase invisível pulsava em sua superfície, lenta e rítmica — como um coração que acabou de acordar após um século de sono. O ar ao redor dos objetos parecia vibrar com um zumbido de baixa frequência que ele sentia nos dentes, em vez de ouvir com os ouvidos. E, pela primeira vez, Kade teve a sensação clara e perturbadora de que a decisão já estava sendo tomada por eles. As armas não estavam esperando que ele escolhesse; elas estavam escolhendo a ele.
Kade se aproximou devagar, suas botas estalando suavemente contra o chão.
A caixa jazia aberta ao lado da cama, vazia, agora reduzida a um receptáculo inútil de madeira e veludo. Foi só então que ele percebeu: o silêncio no quarto não era natural. Não era a ausência de som, mas um vácuo. Algo estava... suspenso. Expectante. Como se o próprio quarto estivesse prendendo a respiração, esperando por um catalisador.
Ele segurou a bainha primeiro. O toque fez sua respiração engatar por um instante, um solavanco de eletricidade estática disparando pelo seu braço.
A espada, ainda parcialmente envolta em suas amarras desgastadas pelo tempo, emitia um brilho negro tênue — não uma luz comum, mas algo mais denso, como se a escuridão tivesse sido condensada até o limite da visibilidade física. Não iluminava o quarto; parecia sugar a luz existente para dentro de si, criando um vácuo no espaço. As sombras no canto se curvavam sutilmente em direção a ela, atraídas como limalhas de ferro para um ímã, reconhecendo algo antigo e primordial.
Ao lado dela, o escudo quebrado reagiu da mesma forma.
Uma luz branca começou a se formar em suas rachaduras profundas, suave e quase silenciosa, contrastando de forma perturbadora com o preto agressivo da lâmina. Não era um branco puro e sagrado — havia um peso nele, uma presença que parecia antiga e julgadora. Um tipo de calma que não suavizava a alma, mas a julgava por suas falhas.
Kade sentiu o peito apertado, o ar no quarto de repente parecendo fino demais para respirar. "…não", sussurrou ele, com sua própria voz soando estranha para si mesmo.
Ele olhou de volta para a caixa, e a compreensão o atingiu como um golpe atrasado: aquela caixa nunca tinha sido apenas um cofre destinado a proteger ouro ou documentos. Seriam a carta e aqueles caracteres estranhos e oscilantes algum tipo de selo? Uma fechadura que apenas seu sangue ou sua presença poderiam girar?
O brilho aumentou, quase imperceptivelmente, como uma respiração se aprofundando após um confinamento longo e forçado. Kade sentiu algo se reorganizar ao seu redor — o ar, o Theus ambiente, talvez a própria estrutura do espaço em si. Era um realinhamento da realidade.
Como se aquelas armas estivessem... se lembrando de quem eram. E, ao fazer isso, estivessem se lembrando dele.
Então veio a certeza que fez seu estômago revirar de pavor. Isso não ficaria restrito a este quarto. Um poder dessa magnitude não desperta em silêncio. Era um sinalizador no escuro, um sinal de fogo para qualquer um sensível o suficiente para sentir as marés mutáveis de energia. Se o selo estivesse realmente se rompendo, então alguém — ou algo — sentiria. Qualquer um que soubesse como reconhecer aquele poder ascendente e sufocante.
Kade segurou a bainha com mais força, os nós dos dedos ficando brancos, o brilho negro se refletindo em seus olhos arregalados. Talvez o erro não tivesse sido tocá-las. Talvez o erro tivesse sido permitir que elas acordassem em um mundo que não estava pronto para elas. E agora, qualquer que fosse a decisão... já era tarde demais para fingir que nada tinha mudado. O sino tinha sido tocado, e não podia ser des-tocado.
Kade deu um passo para trás e, com um cuidado quase reverente, apoiou a espada e o escudo de volta contra a cama. O brilho não parou — apenas se estabilizou em um pulso baixo e ameaçador. Ainda assim, a sensação de estar sendo observado por olhos invisíveis não o abandonou.
Ele deu uma respiração profunda e trêmula. Pegou seu comunicador com uma mão levemente trêmula e verificou a hora projetada na tela em números frios e digitais.
01:40.
Ele ficou parado por alguns segundos, o polegar pairando sobre o comando de chamada, o coração martelando contra as costelas. Ele pensou no olhar duro de Serath. Pensou na serenidade desconcertante de Cyprian. Pensou, contra a sua vontade, nos segredos que seu pai tinha levado para a tumba.
Então pensou em Bria. A única pessoa que não olhava para ele como um "Vexar", mas apenas como Kade. Ele ligou.
O sinal tocou uma vez. Duas vezes. O silêncio entre os toques parecia uma eternidade.
"Kade...?", a voz dela veio baixa, pesada de sono, mas se ajustando imediatamente a um tom de alerta. "Aconteceu alguma coisa? São quase duas da manhã."
Ele fechou os olhos por um momento, como se a pergunta simples e terrena dela fosse pesada demais para suportar. "Desculpe ligar a esta hora", disse ele, forçando a voz a permanecer firme, tentando esconder o tremor. "Eu... eu não consegui dormir. Minha cabeça está girando."
Do outro lado, ele ouviu o farfalhar suave de tecido, o som dela se sentando, o pequeno estalo de uma luminária sendo ligada. "Você nunca liga no meio da noite por nada", respondeu ela, agora totalmente acordada, a voz se afiando com preocupação. "O que foi? Você está em perigo?"
Kade caminhou até a janela e a abriu o suficiente para deixar o ar frio e cortante entrar. A cidade de Valthorin dormia lá embaixo, alheia à tempestade que se formava em seu quarto. Postes de luz distantes piscavam. Um silêncio falso e frágil.
"Parece que quando estou sozinho, tudo volta de uma vez", disse ele após alguns segundos lutando para encontrar as palavras. "Durante o dia, eu consigo... funcionar. Consigo colocar a máscara. Com Serath por perto, é mais fácil fingir. Mas agora, no escuro..."
Ele parou. Não sabia como terminar aquela frase sem parecer que estava perdendo a cabeça. Não podia contar a ela sobre as armas brilhantes ainda. Não por um sinal que poderia ser interceptado.
"Tudo bem, isso é normal. Às vezes a tristeza simplesmente sobe como uma maré", respondeu Bria suavemente, a voz um bálsamo confortante. "Sem aviso. Ela simplesmente... aparece e afoga todo o resto."
Kade soltou um suspiro curto e sem humor. "É. Realmente afoga. É uma maré pesada, Bria."
Houve um silêncio breve e confortável. O tipo que só existia porque ela estava lá, um elo com o mundo real.
"Você quer que eu vá aí?", perguntou ela, a voz simples e direta, oferecendo a única coisa de que ele mais precisava: presença.
O olhar de Kade deslizou involuntariamente para a cama. Para o brilho negro pulsante. Para a luz branca sangrando das rachaduras do escudo. Ele não podia deixá-la ver aquilo. Não aqui. Não na mansão Vexar, onde as paredes tinham ouvidos.
"Não", respondeu ele rápido demais, quase em pânico. Então, ele suavizou o tom imediatamente. "Quero dizer... não agora, mas você pode me encontrar em uma hora? Na ponte velha? Eu só precisava ouvir sua voz para ter certeza de que ainda estava no chão."
Ela não pressionou. Conhecia-o bem demais para saber quando ele estava escondendo um tipo diferente de dor. "Então fale comigo", disse ela. "Sobre qualquer coisa. Fale sobre o tempo, fale sobre o treinamento, mesmo que não seja nada. Vou ouvir até você estar pronto para desligar."
Kade encostou a testa contra o vidro frio e inflexível da janela. "Promete que vamos nos ver amanhã? Ou... em uma hora?", sussurrou ele.
"Eu prometo", respondeu ela sem um segundo de hesitação. "E, Kade?"
"Hm?"
"Obrigada por ligar. Fico feliz que tenha me procurado em vez de apenas ficar aí sentado no escuro."
Ele engoliu em seco, um nó se formando em sua garganta. "Claro, Bria. Você é... você é muito importante para mim. Mais do que eu digo."
Mas assim que ele desligou a chamada, o brilho ao lado da cama pulsou uma vez — uma batida sincronizada de preto e branco — como se algo muito mais antigo e perigoso do que Bria também estivesse ouvindo a batida do seu coração.
Kade não voltou para a cama. A ideia de dormir ao lado daquelas coisas era impossível.
O silêncio do quarto era pesado demais, carregado demais de energia potencial. O brilho tinha diminuído ligeiramente, mas não tinha desaparecido — era como brasas cobertas por uma fina camada de cinzas, esperando por um sopro de vento para se transformar novamente em um incêndio florestal. Ele se moveu com cuidado, como se as tábuas do chão pudessem se estilhaçar sob seu peso.
Ele se vestiu com roupas simples e escuras, feitas para as sombras: botas baixas que não rangiam, uma jaqueta pesada fechada até o queixo, a gola levantada para esconder o rosto. Parecia um ladrão em sua própria casa. Antes de sair, ele se ajoelhou ao lado da cama e puxou sua mochila resistente para perto.
A espada e o escudo pareceram resistir por um breve momento quando ele os moveu — não um peso físico, mas conceitual. Uma resistência da alma. Como se estivessem ofendidos com a ideia de serem escondidos em uma bolsa comum. Quando ele finalmente os encaixou dentro, o brilho foi engolido pelo tecido grosso e reforçado — não selado, apenas abafado. Ainda assim, Kade tinha a nítida sensação de que estava carregando uma bomba-relógio.
Ele fechou o zíper com um estalo afiado. "Só por algumas horas...", murmurou para o quarto vazio.
A noite em Valthorin estava fria e desolada. As ruas largas, geralmente movimentadas com a elite dos clãs, agora pertenciam ao vento cortante e ao brilho amarelo oscilante dos velhos postes de iluminação. Seus passos ecoavam suavemente na pedra, o peso da mochila puxando seus ombros, um lembrete constante do fardo "Divino" que carregava.
Quando chegou à ponte, ele diminuiu o passo, sua respiração saindo em nuvens brancas.
Bria já estava lá.
Ela estava encostada casualmente contra a grade de metal fria, o corpo voltado para o rio escuro e turbulento que cortava o coração da cidade como uma veia de tinta. Ela vestia um casaco longo de cor clara que se destacava contra a escuridão, com o cabelo preso frouxamente e algumas mechas soltas dançando freneticamente ao vento. Atrás dela, imponente e silencioso, erguia-se o Museu de História de Kallar, suas paredes de pedra pálida refletindo a luz da lua como um fantasma de outra era.
Ela virou o rosto quando ouviu o ranger de suas botas. O alívio em sua expressão foi imediato, dissipando a tensão em sua testa.
"Você veio mesmo...", disse ela, um sorriso pequeno e genuíno se formando.
Kade não respondeu de imediato. Não conseguiu. Assim que ele ficou ao seu alcance, Bria deu dois passos rápidos e decisivos e o puxou para um abraço firme, quase urgente. Kade sentiu o impacto macio e quente do corpo dela contra sua jaqueta fria, e então o peso repentino e esmagador do seu próprio cansaço quando ela apoiou o rosto contra seu ombro. Por alguns segundos, o mundo parou de girar.
Bria se afastou devagar, mas não o soltou, mantendo as mãos nos braços dele para mantê-lo ancorado. Ela inclinou a cabeça, buscando os olhos dele com uma intensidade que o fez querer desviar o olhar.
"Você está bem? Parece que viu um fantasma", disse ela.
Kade hesitou. O vento uivava entre os pilares da ponte, e o rio lá embaixo rugia em resposta. As luzes do museu projetavam sombras longas e distorcidas no chão.
"Não...", admitiu ele finalmente. "Quero dizer... eu não sei mais o que é 'bem'. Encontrei coisas, Bria. Entre as coisas do meu pai. Coisas sobre as quais ele nunca me contou. Armas. Mas elas não são apenas ferramentas. Elas estão... estão vivas, de certa forma. Elas emitem Theus por conta própria. É um poder que não consigo descrever."
Os olhos de Bria se estreitaram, o sono completamente embora, substituído por um foco afiado e calculista. "E você as tirou de casa? Kade, se a Ordem do Sol pegar você com artefatos não autorizados de alto nível..."
"Elas estavam reagindo a mim", interrompeu ele. "Quando abri a carta dele... tudo mudou. Elas estavam adormecidas, e então acordaram. Eu não podia deixá-las lá. Senti como se a mansão inteira fosse começar a vibrar."
O silêncio entre eles se aprofundou, preenchido apenas pelo som do vento.
"Cyprian viu essa caixa quando foi ao castelo?", perguntou Bria, a voz caindo para um sussurro. "Se elas eram tão poderosas, como o Líder dos Vexar não as notou?"
Kade olhou para os próprios pés. "Venho me perguntando isso a noite toda. Ele estava bem ali. Ele tocou na caixa. E ainda assim... nada. Nenhuma reação dele ou das armas."
Bria franziu a testa, sua mente trabalhando na lógica. "Então por que você notou? Qual foi o gatilho?"
Kade olhou para cima, e havia um olhar assombrado em seus olhos — uma mistura de confusão e um mal-estar profundo, capaz de abalar a alma.
"Só aconteceu quando li a carta. A carta tinha caracteres em puro Theus. Assim que toquei neles, as armas responderam. Foi como... como se me tivesse sido concedida uma permissão que não pedi."
A palavra "autorizado" pairou no ar frio como uma sentença de morte. Bria soltou a jaqueta dele lentamente, cruzando os braços enquanto caminhava em um pequeno círculo.
"Isso não faz sentido de acordo com nenhuma lei do Theus que eu conheço", murmurou ela. "Mas não podemos ficar parados aqui. Se os sensores do Museu captarem uma assinatura de energia clandestina, a Guarda estará aqui em minutos."
Kade olhou para o museu imponente, depois de volta para ela. "Para onde posso ir? Não posso voltar para a mansão, e o lugar do Serath está cheio demais. Essa coisa está ficando mais forte. Posso senti-la pulsando contra minhas costas agora mesmo."
Bria deu uma respiração profunda e firme, depois olhou para ele com uma firmeza silenciosa e feroz.
"Vai ficar tudo bem", disse ela. Não era uma frase pronta; era um voto. "Eu tenho um lugar. Um lugar onde nem mesmo os sensores do Conselho conseguem alcançar."
Kade encarou-a, genuinamente surpreso. "Um lugar? Onde?"
Ela acenou com a cabeça, já começando a andar em direção ao lado mais escuro do distrito. "Confie em mim. Nunca levei ninguém lá. Nem mesmo o Serath. É meu santuário. Mas para isso... para você... é a única escolha que temos."
A caminhada até o Asas da Noite foi um emaranhado de sombras e paranoia. O estabelecimento, geralmente um lugar de música e vida, agora era um sentinela silencioso no escuro — uma fachada comum que escondia sua verdadeira natureza.
Bria destrancou a entrada lateral com uma chave de ferro pesada. "A partir daqui", sussurrou ela, com a voz mal audível sobre o zumbido da rede elétrica da cidade, "nem uma única palavra. Silêncio absoluto."
Kade assentiu, o coração martelando na garganta.
Por dentro, o Asas da Noite parecia diferente. Privado de seus clientes e luzes, parecia cru, industrial e antigo. Ela o guiou pelo salão vazio, passou pelo bar silencioso e foi direto para o frio de aço inoxidável da cozinha.
O cheiro de temperos remanescentes, metal e cera de chão preenchia o ar.
Bria parou em frente ao enorme fogão industrial. Ela não parecia uma garçonete ou uma amiga naquele momento; parecia uma guerreira se preparando para um feito de força. Ela plantou os pés firmemente no azulejo, tomou ar... e com seu braço metálico, o metal ganindo ligeiramente sob o esforço, levantou todo o fogão pesado como se fosse feito de madeira balsa.
Kade sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Sob o fogão, escondida por uma borda inteligente no piso, havia uma abertura estreita e escura — uma escada de pedra que levava às entranhas da terra.
"Por aqui", sussurrou ela, gesticulando para a escuridão.
Os degraus eram íngremes e cheiravam a ozônio e poeira antiga. Bria foi primeiro, sua silhueta engolida pela penumbra. Kade a seguiu, a mochila parecendo mais pesada a cada passo que ele dava para baixo. O ar ficava mais frio, mais denso, e vibrava com uma frequência estranha e artificial.
A luz da cozinha foi se esvanecendo até se tornar um pequeno quadrado cinza acima deles, e então desapareceu. Enquanto a escuridão se fechava, Kade sentiu uma certeza aterrorizante:
Ele acaba de cruzar um limiar. E não havia como voltar a ser a pessoa que era ontem.