Leonardo ficou muito chateado e triste ao ver que Fernando tinha saído do local.
— Será que eu demorei tanto assim? — pensava ele. Realmente achava que tinha demorado demais.
Depois de se recompor, Leonardo foi atrás de Fernando. Obviamente, carregou os dois cajados com ele (nas mãos) e partiu correndo para encontrá-lo. Como não fazia ideia de onde Fernando estava, saiu correndo sem parar, percorrendo a fazenda inteira. Onde passava, deixava um rastro limpo no chão, como se tivesse aberto uma trilha com os próprios pés.
Deu uma volta completa ao redor da fazenda — que era enorme — e, ao final, descobriu que Fernando estava sentado em uma das cadeiras de balanço de Leonardo.
"Ufa, ele ainda está aqui", pensou.
Desacelerando para parar suavemente e evitando parecer que estava indo dar um chute na cabeça de Fernando, chegou à parte dos fundos da casa e perguntou:
— Você gostou desta cadeira?
Fernando, assustado, respondeu:
— Ah! Ah, é você. Não me mata de susto! Poxa...
Leonardo riu baixinho.
— Desculpe.
Fernando aceitou as desculpas com um simples:
— Tá...
Então perguntou, curioso:
— Esse é o cajado que você fez?
Leonardo sorriu.
— Sim, é este o cajado. Esse sim é um cajado para alguém como você.
Normalmente, Leonardo demorava no máximo duas horas para fazer cajados "comuns". (Na sua visão, os cajados de Fernando eram comuns, mas na verdade eram muito mais raros e poderosos do que ele imaginava.) Ele tinha demorado mais tempo desta vez, pois os cajados exigiam uma atenção muito especial para funcionarem corretamente.
"Uma coisa errada e tudo vai pro beleléu", costumava dizer. Uma vez, disse isso ao fazer um cajado semelhante para um amigo seu. Infelizmente, esse amigo morreu em uma guerra contra demônios. Até hoje, Leonardo sentia falta dele — e nutria raiva dos demônios.
Fernando tocou o cajado. Assim que o fez, sentiu algo estranho. O cajado era muito mais poderoso do que o normal.
— Leonardo... Você usou cristais de mana?
Leonardo, com um sorriso, respondeu:
— Sim, usei. Por quê?
Fernando, incrédulo, exclamou:
— Mas esses cristais são extremamente frágeis! Como você conseguiu manipular isso? Nem os melhores alquimistas conseguem!
Ainda assim, algo não se encaixava. O cajado continha muito mais poder do que um simples cristal de mana poderia fornecer.
Fernando olhou o cajado, tentando entender o que estava acontecendo.
— Sério... Como ele fez isso? Cristais de mana são quebradiços, não é possível que seja só isso. Ele usou outro material?
— Mas se ele ligou com outro metal... os cristais de mana podem EXPLODIR! Até mitril é difícil de usar. Tem que ter muito cuidado, senão tudo vai para o ar...
Ele olhou novamente para o cajado e percebeu algo mais.
— Espera... Esse cajado tem o dobro de mana que cristais comuns! Como isso é possível?!
Completamente perdido, perguntou:
— Leonardo... Pode me dizer que liga você fez e de onde conseguiu os cristais de mana?
Leonardo respondeu de forma simples, como se fosse algo trivial:
— Usei oricalco. Nada demais.
Fernando ficou ainda mais atônito. Agora acreditava que Leonardo era, na verdade, um verdadeiro monstro — não no sentido desumano, mas um monstro de mana. Algo com poder incomparável.
Desistiu de tentar entender e pensou, com um sorriso meio louco no rosto:
"Bem... essa não vai ser a primeira vez que ele me surpreende... nem a última... haha..."
Leonardo percebeu o sorriso de Fernando e perguntou:
— Você está bem, Fernando?
Fernando, envergonhado, tentou disfarçar:
— Sim, estou. Por quê?
— Porque você estava com um sorriso estranho, parecia que ia surtar.
— Ah, não... eh... não foi nada.
Leonardo suspeitou, mas não insistiu. Então, de repente, saiu correndo novamente, formando uma trilha no chão, como sempre.
Fernando ficou em silêncio por um momento, observando. Sabia que essa paz não duraria muito tempo.
Depois de uns 15 minutos, Leonardo voltou — trazendo um urso desorientado.
Ele teve que usar magia de vento para transportar o bicho, por causa do tamanho.
Pousou suavemente junto com o urso e disse:
— Agora que você tem seu cajado, eu gostaria que usasse ele.
Fernando, horrorizado — achando que não conseguiria batalhar contra um urso sozinho — respondeu:
— Não, não, não... Não dá! Eu sou mago, não guerreiro!
Leonardo, tranquilo, respondeu:
— Não precisa se preocupar. O urso não vai conseguir te machucar. Você também pode usar o Absolute Dome, se lembra?
Mas, por dentro, torcia para que as runas não estivessem malfeitas e o escudo realmente funcionasse como deveria.
— Como vou fazer isso? Se ele me acertar eu morro!
— Não vai não. Ele mal vai conseguir te acertar com esse cajado. Confia!
O urso acordou com o barulho.
Deu um grito muito alto:
— UHRAAR!!
Levantou a pata, se preparando para atacar Fernando.
Fernando já estava dando seu último suspiro, achando que iria morrer.
A garra do urso desceu com força.
Fernando fechou os olhos.
Mas... nada aconteceu.
O urso foi empurrado para trás, como se tivesse batido em uma parede invisível. A magia que Leonardo havia colocado no cajado — o Unquebrable Shield — anulou o ataque e repeliu o impacto.
Leonardo ficou surpreso. Não achava que a magia colocada pudesse repelir impactos assim. Pensou que fosse mérito do próprio Fernando, por ser bom em magia defensiva.
Então gritou:
— Agora! Ataque!
Fernando, vendo que não morreu e que o urso iria atacar de novo, lançou rapidamente um feitiço de ataque médio:
Fire Storm.
O que seria apenas uma tempestade de fogo de no máximo um metro de altura — a mesma altura de Fernando — virou um tornado flamejante que avassalou o urso.
Leonardo então disse, com um sorriso de canto:
— Ótimo. Agora temos churrasco pra comer.