Em uma mansão à noite, podia-se ver a Lua cheia pela janela. Uma mulher caminhava pelo corredor; seus olhos azuis refletiam a luz da lua. Ela olhava para frente, mas não via ninguém no corredor vazio. Um tapete preto estendia-se pelo chão, e vários retratos decoravam as paredes.
Um sorriso surgia em seu rosto enquanto ela dava passos leves. A cada movimento, um aroma azedo invadia seu nariz.
"Achei", ela sussurrou.
Ela se aproximou de uma porta e a abriu com muito cuidado. Ao entrar no quarto, deparou-se com várias mulheres nuas e um homem magro deitado na cama com uma delas. Garrafas de bebidas estavam espalhadas por todos os cantos do cômodo.
A mulher caminhou até o homem deitado na cama. Com delicadeza, passou a mão por seu cabelo vermelho.
'Isso vai ser fácil', ela pensou, olhando para a mulher que estava ao lado do homem.
A mulher misteriosa pegou uma faca dourada e, sem hesitar, cravou-a na garganta do homem. O sangue começou a escorrer de seu pescoço. Em seguida, fez o mesmo com a mulher, deixando o mesmo líquido carmesim fluir. Depois, colocou a faca na mão da mulher agora morta.
'A ideia era fazer parecer um suicídio, mas assim é melhor', pensou enquanto saía do quarto, desaparecendo naquela noite tão linda e calma.
A luz do sol iluminava um quarto onde uma mulher dormia. Lentamente, ela abriu seus lindos olhos azuis e se espreguiçou. Em seguida, tirou os lençóis de cima de seu corpo nu e olhou ao redor, avistando um espelho no quarto.
Levantando-se da cama, ela caminhou até o espelho e sorriu.
"Eu estou ótima", disse.
No mesmo instante, suas roupas apareceram, vestindo-a com um short e uma camisa vermelha. Com calma, ela amarrou seu longo cabelo vermelho.
Ela caminhou até a porta e, ao abri-la, viu uma garota um pouco mais baixa e mais nova que ela. Seus olhos castanhos escuros e o cabelo curto da mesma cor eram famíliares para ela. O rosto da garota era sério e quase inexpressivo.
"Sienna, você já acordou. Pensei que deveria te acordar também", disse a garota, olhando para Sienna.
Seus olhos pareciam vazios, sem vida como se ela fosse apenas uma casca vazia.
Sienna sentiu um incômodo ao vê-la, mas não sabia o motivo. Ainda assim, apenas acenou com a cabeça.
"Então, Lyra, eu não sou igual ao Zephyr. Você não precisa me acordar sempre", disse Sienna com um sorriso carinhoso.
'Ela me lembra o meu eu de antigamente... Será que é isso que me incomoda?'pensou, observando Lyra se afastar.
Lyra chegou a uma sala onde várias pessoas treinavam com espadas. Assim que ela entrou, os olhares se voltaram para ela com expressões de desprezo estampadas em seus rostos.
"Ontem foi a primeira missão dela, e ela falhou. Não seria melhor deixá-la morrer?" disse alguém.
Lyra se recusava a olhar para o rosto da pessoa que falava. Em vez disso, manteve os olhos fixos no chão. Não podia reclamar tudo o que diziam era verdade.
Ela era uma falha.
"Vocês são um bando de fudidos, então calem a porra da boca, ou eu vou arrancar a língua de vocês", disse um homem.
A voz dele fez Lyra levantar a cabeça. Seus olhos dourados a encaravam, e em seu rosto havia um sorriso cheio de confiança.
"Eles são apenas um bando de cuzões. Não precisa se preocupar com eles", disse ele, pegando uma espada e jogando para Lyra, que a segurou no ar.
"Vamos mostrar para eles quem você é de verdade... uma sobrevivente."
Seu olhar ficou sério, e seus olhos exalavam selvageria. Ele parecia uma fera prestes a atacar.
O homem que estava na frente de Lyra era maior do que ela, mais experiente e muito mais forte, mas ela não podia desistir. Segurou com mais firmeza a sua espada e seus olhos ficaram mais focados.
"Pode vir, Adrian."
Após ouvir essas palavras, um grande sorriso apareceu no rosto dele. Ele começou a correr, e sua espada foi em direção ao rosto de Lyra, que conseguiu se defender.
'Droga, esse golpe é muito pesado, e o pior de tudo: quase não consegui ver o seu movimento.' Depois de pensar, Lyra levou um chute no abdômen, que a jogou no chão.
Mas, rapidamente, ela se levantou e contra-atacou, mas Adrian se esquivava de todos os golpes dela. Para ele, seus movimentos eram lentos e previsíveis. Ele recuou um pouco e sorriu, o que, por algum motivo, irritou Lyra.
Adrian se aproximou e golpeou o estômago de Lyra com o pomo da espada, fazendo-a perder o ar. Logo em seguida, ela levou um chute no rosto e caiu no chão, tossindo.
Ela se levantou e correu na direção de Adrian, erguendo a espada contra ele. Ele conseguiu se defender, mas, para sua surpresa, Lyra não parou e logo desferiu um chute na barriga.
Em um movimento ágil, Lyra pulou, girou e acertou um chute na mão de Adrian, fazendo sua espada cair no chão. Ele olhou para o rosto dela, que agora parecia mais calmo e confiante.
'Ótimo', pensou, sentindo-se animado.
Levantando seus punhos para Lyra, que observava com hesitação, os dois correram um na direção do outro. Lyra moveu a espada em direção a Adrian, que desviou e acertou um soco no queixo dela.
Ela viu o sangue sair de sua boca e sentiu o pé de Adrian atingindo sua barriga, jogando-a para longe. Ela caiu no chão, tossindo, e viu seu companheiro se aproximando dela
"Eu acho que exagerei, desculpa", ele disse, estendendo a mão para ela e ajudando-a a se levantar.
"Tudo bem, eu estou bem, só com o queixo doendo, mas eu me recupero. Também posso pedir para Hikari me curar", respondeu ela, com uma expressão de cansaço.
Adrian viu a porta se abrindo e uma pessoa se aproximando: um homem um pouco mais jovem que ele, mas alguém que Adrian nunca iria querer como inimigo. Seus olhos vermelhos o destacavam, mas não era só isso. A cor de seu cabelo também era incomum, pessoas com cabelo branco, não era nada comum
Mas havia outra coisa que chamava a atenção de Adrian.
'Parece que aconteceu algo', pensou, preocupado.
"O que foi, Zephyr? Aconteceu algo?" perguntou Adrian, logo percebendo que Lyra estava encarando Zephyr com uma expressão carrancuda.
"O que foi, você está irritada?" perguntou Adrian. Lyra olhou para ele com uma expressão desagradável.
"É que eu tive que acordar ele hoje de novo, e por causa disso, fiquei sem comer nada", respondeu ela, parecendo um pouco estressada.
'Então era isso... espera, isso ainda acontece?' ele se lembrou de que seu amigo sempre foi difícil de acordar. Zephyr estava na frente dos dois.
"Vocês dois estão sendo chamados pelo líder", disse Zephyr, levando-os para um escritório. Lá, encontraram Sienna sentada em um sofá.
No escritório, havia uma mesa onde um homem estava sentado. Ele era robusto, com cabelos pretos e olhos cinza. Lyra notou dois sofás, um de frente para o outro, e ao lado, estava o seu líder, o homem que a havia salvado. Zephyr se sentou ao lado de Sienna, e Lyra se sentou ao lado de Adrian.
Os quatro olhavam para seu líder.
"Eu tenho uma missão para vocês quatro", ele disse, com um olhar sério e penetrante.
"E qual seria a missão?" perguntou Sienna.
"Vocês vão ter que matar um nobre. Ele vai aparecer em uma festa, então quero que vocês quatro se infiltrem nela, o matem e saiam de lá", disse o líder, entregando um caderno para cada um deles.
Dentro dos cadernos estavam escritos os crimes do nobre e informações sobre a festa. Os crimes desse nobre eram vários, incluindo estupro e roubo, e ele estava envolvido com uma organização secreta.
"Uma organização secreta? Do que se trata essa organização?" perguntou Zephyr.
"É isso que eu quero que vocês descubram", respondeu o líder.
"Posso saber por que eu tenho que ir?" perguntou Lyra, que não entendia o motivo de ser chamada para essa missão.
"Você tem uma habilidade muito útil para essa missão", respondeu o líder.
Lyra acenou com a cabeça e aceitou. Algumas horas depois, ela estava em uma sala onde se encontrava com Hikari, uma mulher de cabelos loiros curtos e poder de cura. Logo após tocar no queixo de Lyra, ela foi curada.
"Obrigada", disse Lyra, que não sentia mais nenhuma dor. Ela viu Hikari se sentando à sua frente e lhe entregando uma pomada.
"Use isso para te curar", disse Hikari
Lyra olhava para uma planta estranha na mesa de Hikari.
"O que é isso?" ela perguntou.
"Não é nada", respondeu Hikari, querendo ignorar Lyra, que não gostou muito da resposta e continuou com a pergunta.
"Mas onde você pegou essa planta?" perguntou Lyra.
Hikari sorriu.
"Não te interessa", respondeu com ignorância, fazendo Lyra se levantar e sair da sala de Hikari.
No caminho, ela se encontrou com Sienna, Zephyr e Adrian.
"Você está melhor?" perguntou Zephyr, e Lyra acenou.
"Então vamos começar", disse Adrian, com um sorriso animado, enquanto Sienna suspirava.
Os três seguraram nos braços de Sienna e desapareceram.
Em uma mansão enorme, quatro pessoas se aproximavam: duas mulheres com vestidos, uma de vermelho e a outra de preto. Elas estavam acompanhadas de dois homens.
Zephyr estava usando terno cinza com gravata, por baixo de um sobretudo preto com detalhes vermelhos.
E Adrian estava apenas com um terno normal.
"Isso aqui é apertado", disse Adrian, mexendo em sua gravata.
"Olha, eu não pensei que você soubesse pentear o seu cabelo", disse Sienna, provocando-o.
"Cala a boca", respondeu Adrian, um pouco irritado.
"Vocês se lembram como é o nobre que devemos matar?" perguntou Zephyr, olhando para os dois.
"É óbvio que eu lembro. O nome dele é Astolfo. Ele é um nobre baixinho e irritado. Será que ele é um anão?" disse Adrian, pensando em uma raça extinta.
"Os anões estão extintos, então não tem como", respondeu Lyra, após ouvir o comentário de Adrian.
Os quatro entraram no salão de festas, e Adrian assobiou enquanto observava o ambiente. Seu olhar pousou em três mulheres que conversavam próximas dali. Quando decidiu dar o primeiro passo em direção a elas, sentiu alguém segurar seu braço com firmeza.
Ao olhar para trás, viu Sienna o encarando. Ele sorriu e, com sarcasmo, perguntou:
"O que foi? Cansou do Zephyr?"
Em resposta, Sienna o beliscou.
"Mas que porra foi essa? Tá achando que eu sou uma criança?" perguntou Adrian, passando a mão no local onde havia sido beliscado.
"Estamos aqui para cumprir uma missão, não para saciar essa sua vontade de fazer merda" respondeu Sienna, seu olhar penetrante fazendo Adrian se calar.
Zephyr, que até então ignorava a discussão, sorriu. Ele havia encontrado seu alvo.
"Eu achei ele."
Ao ouvir isso, todos voltaram o olhar para seu alvo. Adrian, no entanto, começou a gargalhar.
"Eu disse que ele era um anão! Não tem como alguém ser tão baixo assim!"
Sienna, ao ouvir o comentário, soltou uma risada baixa, tentando disfarçar.
"O que vamos fazer?" perguntou Lyra, olhando para Zephyr.
Ele desviou o olhar para ela, refletindo.
'Ela é bem importante para essa missão, pelo que o líder disse.'
Em seguida, seus olhos se voltaram para Sienna.
"Sienna, quando nosso alvo se mover, você e Lyra o seguem. Eu e Adrian vamos até o quarto onde ele está ficando" disse Zephyr.
Sienna acenou com a cabeça em sinal de compreensão.
Os quatro se separaram, misturando-se à festa. Zephyr estava conversando com dois nobres que não paravam de se vangloriar de seus bens materiais e de suas amantes. Enquanto ouvia com desinteresse, percebeu Adrian se aproximando dele.
"É impressionante como conseguimos entrar aqui", disse Adrian com um sorriso sarcástico.
"Nosso líder tem uma parceria com o rei deste reino, então isso ajudou bastante. Além disso, foi ele quem trouxe nosso alvo para cá" respondeu Zephyr, observando Sienna e Lyra conversando com Astolfo e discretamente o levando para um local mais afastado das outras pessoas.
Adrian olhou para Zephyr com uma expressão de cansaço.
"Você não é ciumento, não é mesmo?"
Suas palavras pegaram Zephyr de surpresa, fazendo-o arregalar os olhos.
"Não tem outra coisa mais aleatória para me perguntar?" Zephyr encarou Adrian por um instante antes de continuar:
"Vamos logo para o quarto dele."
Os dois começaram a caminhar, afastando-se das pessoas até saírem do salão e entrarem em um corredor extenso.
"Não, mas falando sério" continuou Adrian.
"Eu queria saber se você não sente nenhum pingo de ciúmes. Sabe, é bem provável que ela já tenha dormido com vários alvos para matá-los. Isso não te incomoda nem um pouco, cara?"
Zephyr parou de andar repentinamente e olhou para Adrian com olhos frios, fazendo um calafrio percorrer sua espinha.
"Você acha mesmo que ela precisa fazer isso?" perguntou Zephyr.
Adrian piscou algumas vezes antes de responder:"Agora que penso nisso... não, não é necessário para ela."
"Então fica quieto" disse Zephyr, continuando a caminhar.
Adrian o seguiu, mas logo parou, olhando para trás com um sorriso.
"Anda logo, isso não é algo com que devemos nos preocupar" disse Zephyr, parando diante da porta do alvo.
Zephyr colocou a mão na maçaneta e abriu a porta. Assim que entraram, Adrian correu até as gavetas, abrindo-as rapidamente. Dentro, encontrou várias joias e uma bolsa cheia de dinheiro.
Ele olhou para Zephyr, que agora tinha eletricidade percorrendo seu corpo.
De repente, Zephyr começou a se mover em uma velocidade tão alta que nem mesmo Adrian conseguia acompanhá-lo.
'Como a Sienna consegue enxergá-lo mesmo nessa velocidade?' pensou impressionado.
Depois de alguns segundos, Zephyr apareceu na frente de Adrian com uma bolsa marrom em mãos. O desenho estranho nela chamou sua atenção.
"Isso foi a única coisa que encontrei" disse Zephyr, ainda analisando a bolsa.
Ele olhou para Adrian, que exibia um sorriso estranho no rosto.
"Tudo bem, acabe com ele rápido" ordenou Zephyr.
Adrian começou a se alongar, então se virou com um sorriso animado.
"Pode entrar, vou te matar rapidinho."
Assim que terminou de falar, uma pessoa encapuzada entrou no quarto. Sua roupa era completamente preta, e até mesmo sua máscara seguia o mesmo tom. Para Adrian, aquilo era um pouco engraçado.
Zephyr se sentou na cama e abriu a bolsa, observando vários papéis.
'Eu estava certo, era isso mesmo, mas isso aqui é um absurdo! Isso aqui não é brincadeira!' pensou, segurando os papéis.
Ele não sabia o que devia sentir ao ler todo aquele absurdo.
"Então, o que você é, um imbecil? Essa roupa já saiu de moda faz tempo," provocou Adrian, enquanto seu adversário sacava duas facas grandes.
"Eu preciso pegar aquela bolsa e matar vocês dois," disse o encapuzado
Adrian o olhava de forma desdenhosa.
"Então, novato, você nunca lutou contra um carrasco, não é mesmo? Pode vir, e te mostrarei que você é apenas um demente que acha que pode me matar," disse Adrian. Ao terminar de falar, ele viu o encapuzado avançar em sua direção.
O encapuzado levantou o braço que segurava uma das facas e o abaixou em direção a Adrian, que segurou seu braço, imobilizou-o e o jogou no chão, quebrando seu braço. Em seguida, pegou a faca e cravou-a na garganta do encapuzado.
Ele olhou para Zephyr.
"Eu disse que não era algo com o que a gente devia se preocupar, não é mesmo?" disse Zephyr, enquanto se agachava e retirava a máscara do encapuzado. O rosto de um homem careca apareceu, mas ele tinha uma marca estranha na testa, o mesmo desenho da bolsa, parecia uma estrela de quatro pontas.
'Mas o que isso significa?' ele pensou, olhando aquilo com um olhar curioso. Zephyr se virou e viu Sienna, Lyra e seu alvo aparecendo atrás deles.
Astolfo estava consciente, mas caído no chão, incapaz de se mover. Adrian se aproximava dele com um sorriso sádico.
"Nossa, você realmente é um anão. Eu nunca pensei que encontraria um. Posso ficar com ele?" disse Adrian, olhando para Sienna e Zephyr.
"Eu não sou um anão, você nunca viu um homem baixo?" respondeu Astolfo, ainda deitado no chão.
"Você quebrou os braços e as pernas dele, mas por que não o deixou inconsciente ou apenas o matou?" perguntou Adrian, olhando para Sienna.
"Depois que a Lyra usou o seu poder, ele disse que iria falar tudo o que queríamos," respondeu Sienna, olhando para Lyra, que estava calada e parecia um pouco incomodada.
"Eu só preciso saber de uma coisa: isso aqui é real?" perguntou Zephyr, segurando os papéis que estavam dentro da bolsa. O olhar de Astolfo ficou paralisado. Ele tentava se mexer, mas só encontrava um corpo no chão.
Ele começou a sentir mais medo. Sabia que ia morrer, e a única pessoa que poderia salvá-lo estava morta. O que ele deveria fazer? O que ele deveria responder?
"Sim, tudo isso é real," ele respondeu, mas será que essa foi a resposta certa?.
Antes que ele pudesse terminar o seu pensamento, sua cabeça foi decepada facilmente por Adrian.
"Sienna, se livre do corpo e depois nos leve para o esconderijo. Se isso realmente acontecer, o nosso mundo estará acabado," disse Zephyr, com uma expressão de preocupação.
