Minha vida tem sido turbulenta desde que entrei para a faculdade, não sei se é o peso da nova responsabilidade ou se é ele. Eu tento não me culpar do que aconteceu no passado, mas sabe aquela sensação de que você poderia ter feito mais? Bom... é isso que me persegue todos os dias na faculdade agora. Eu estudo na Golden Gates, a segunda melhor faculdade, na balsa de Riverside ( cidade vizinha de Drakovia) e adivinha? Aconteceu, aquilo me chocou, mas não foi só esse sonho, foram vários e vários, e agora eu estou com dezessete anos e de dois anos pra cá, isso só aumentou e prosperou na minha vida, eu acho que sou uma Oniromante. Nome maneiro né? Foi o Liam que criou, um dos meus amigos desde o colegial, não só o nome, mais o alter-ego de Sonhadora. Eu sou quase uma Batgirl eu acho, mas tirando a parte sinistra da capa e a camuflagem, meu traje chama mais atenção do que deveria e isso tem atraído a CCM, a organização que me caça dia e noite.
Após o acidente no laboratório nova áurea, Drakovia mudou muito, pessoa anormais com poderes sinistros, capacidades sobre-humanas fora da curva e bom... Acho que eu faço parte do pacote, mas não trato isso como uma maldição, mas sim como um dom, um presente, até eu descobrir ele : Morvayne, o demônio dos pesadelos. Ele vive na minha mente ou nos meus sonhos, eu não sei muito bem o que ele é, ou o que ele quer de mim, mas sempre tenta cortar meu barato, falando que eu vou perder todos que eu amo, porque o meu dom é amaldiçoado e eu que perdi, não eles, mas a mim mesma. Desde então, eu decide lutar, proteger, me arriscar e fazer o bem para Drakovia, mesmo que me tratem como uma Meta humana altamente perigosa... Eu sou a Sonhadora.
[...]
[DRAKOVIA, 07:00 AM, RESIDÊNCIA DOS THOMPSONS]
Margot havia acabado de acordar, ela levantou-se do seu leito, sentando na borda e bocejando o máximo que podia, ela realmente acreditava que aquele bocejo pudesse eliminar toda a preguiça que estava no seu corpo naquele momento. Ela se levantou se espreguiçando e indo até o banheiro no seu quarto para tomar um banho quente e fazer sua higiene matinal. Depois do banho, Margot secou seu cabelo e fez todo o procedimento que normalmente ela fazia para mantê-lo bem cuidado. A garota pegou seu celular em cima do criado mudo que tinha no seu quarto, onde ela guardava a maioria dos seus acessórios, incluindo o cordão com um pedra vermelha e nela gravada a inicial do seu nome. Ela se vestiu de forma cotidiana, uma calça jeans preta com tênis branco e uma blusa fina de manga longa , também branca.
A menina foi descendo as escadas do segundo andar até o primeiro, enquanto ela mexia no seu celular, respondendo mensagens diversas. Eram mensagens dos grupos de estudo da faculdade, sua tia Kristen e também a Alice. Margot terminou de descer as escadas e logo a mãe dela fitou ela com os olhos, acabando de por o restantes dos condimentos do café da manhã no balcão da cozinha.
— Bom dia filha. Dormiu bem ? — Nancy perguntou suave e carinhosa, como de costume.
— Margot, vem tomar café, antes que eu devore suas panquecas. — Glen, seu pai, declarou , mexendo com a garota enquanto bebia seu café e comia suas panquecas.
Ela respondeu a última mensagem antes de ''largar'' o celular e fazer uma cara emburrada para seu pai.
— Bom dia mãe, dormi bem. — Em seguida ela respondeu seu pai. — Ah, para pai! as de doce de leite são minhas favoritas, não é justo! — Margot revirou os olhos e se aproximou do balcão, pegando seu prato servido que já estava com as panquecas.
Glen riu da filha emburrada.
— Filha, vai poder me ajudar essa semana na clínica ? — Nancy permaneceu do outro lado da bancada, sentada. — A recepção tá meio caótica, com a Sadie de férias. — Nancy fez o pedido enquanto mexia nos bacons recém fritados no seu prato.
— Olha só Maggie, é uma boa oportunidade de ajudar a sua mãe e encarar a realidade de ser uma psicóloga. — Ele disse tentando incentivar a filha, enquanto comia suas panquecas.
— Calma, Glen. Eu não quero forçá-la a nada, além disso ela começou agora o terceiro período, com certeza vai ser bem puxado para ela. — Nancy olhou para a filha, brevemente.
Enquanto isso, Margot comia suas panquecas em silêncio, ao ver seus pais conversando sobre a nova oportunidade que surgiu para ela. Contudo, ela também pensava nas suas outras obrigações, ou melhor, na sua dupla identidade e como isso poderia afetá-la de forma negativa.
— Mãe. — Ela declarou, e eles pararam de discutir por um minuto. — Eu te ajudo, até a Sadie voltar. Mas hoje não dá, pode ser amanhã? — Ele bebeu um pouco do leite que havia no seu copo, esperando a resposta da sua mãe.
— Mas olha só que ótimo, Nancy. Tá vendo? A nossa filha é responsável. — Glen sorriu.
— Tá tudo bem, filha. — Nancy esboçou um sorriso labial. — Pode ser amanhã.
— Uhum. Ok. — Ela disse de boca cheia, terminando as panquecas. — Agora que eu ir. Lembrei que vou encontrar a Alice no Black bean.
Margot deixou ainda um pouco das panquecas no prato, depois de levantar rapidamente do banco e pegar a sua mochila na mesa.
— Vai devagar filha, cuidado. — Nancy disse.
— Maggie, eu tô indo pra delegacia, não quer uma carona? — Glen ofereceu.
— Não pai, tá tudo bem. — Margot já disse em um som, já tinha saído de cozinha.
Margot sai de casa, mas ainda no quintal, ela atravessou a caminho de pedra que havia para dividir a grama até chegar no portão principal, o menor, que ficava ao lado do portão maior da garagem. Margot abriu com suas chaves e depois fechou. A sua casa ficava no centro de Drakovia, em um dos bons bairros da cidade, não demorou muito para que ela conseguisse acesso ao ponto de Ônibus que ficava praticamente do lado da sua casa.
Alguns minutos passaram-se, era por volta de 8:00 AM, quando chegou o ônibus 2807 para pegá-la. Ele estava vazio, como de costume. Margot se acomodou em uma das poltronas da frente, pois ela logo desceria para se encontrar com a amiga no café. No caminho elas ficaram trocando mensagens :
A : Acabei de chegar, Maggs, vai demorar muito?
M : Uns cinco minutos e eu chego aí.
A : Tudo bem, a Charlotte acabou de chegar aqui, a gente vai te esperar.
M : Tá bom Al.
10 Minutos depois, Margot chegou no Black Bean, o ponto que o ônibus deixou ela ficava na mesma mão do estabelecimento. Ela desceu os poucos degraus do ônibus e pisou na calçada.
— Ei, Maaaggs! — Alice já gritou, acenando com a mão levantada.
Alice Johnson, a melhor amiga da Margot desde o Fundamental. Alice é muito reservada e quase não tem tantas amizades, mas se sente bem com as poucas que tem e preserva elas ao máximo que pode. De aparência, Alice tinha o físico atlético, cabelos ruivos, lisos e alinhados. Seu charme era o os olhos verdes, Esses olhos verdes não olhavam, hipnotizavam.
Ao lado de Alice, estava Charlotte. Uma mulata bem graciosa e elegante, seus cabelos escuros e cacheados, cheios, exaltavam ainda mais sua beleza e tom de pele. Charlotte estaca ao lado da ruiva mexendo no seu celular, aparentemente devia estar brigando com Liam logo cedo, seu namorado. Ele sempre costumava chegar atrasado e isso fazia a cara da Charlotte esquentar.
Enquanto isso, Margot ia se aproximando das amigas.
— Bom dia meninas! — Margot cumprimentou as amigas., cheia de energia.
— Oi Margot. — Charlotte olhou para Thompson, com um sorriso fraco. Provavelmente reflexo da discussão que estava tendo com Liam por mensagem.
— Vem Mags, vamos tomar um café, antes do portão abrir. — Alice pegou no pulso da amiga, puxando ela para dentro da cafeteria.
— Ou, me esperem! — Charlotte entrou logo em seguida, ainda digitando.
O Cheiro de café quente e fresco tomava conta daquele pequeno ambiente, feito para universitários. Não que outras pessoas não visitassem ali, mas era mais frequente ver os alunos da Golden Gates ocupando as mesas do estabelecimento. O Trio pegou a mesa 3, a de sempre, perto da janela, mais isolada e que dava para ver a faixada da Universidade com clareza.
— Eu vou pegar o café pra gente, Vocês vão querer o de sempre ? — Margot se levantou, deixando a mochila em cima da mesa.
— Uhum. — As duas menearam a cabeça positivamente para Margot.
Margot se aproximou do balcão de pedidos, ela se apoio por um instante até April aparecer para atendê-la.
— Bom dia. Eu quero dois capuccinos com mel e um capuccino duplo com caramelo.
— E pra mim, um café sem açúcar por favor.
Margot parou. Seu pensamento e o seu coração. Quem estava ao lado dela? Johan.
O rapaz nem olhou para ela. Ignorou. Como se ela nem existisse.
Depois de fazer o seu pedido, ele deu às costas e saiu.
Margot ainda ficou parada, tentando processar, isso sempre acontecia quando ele chegava perto demais dela. A garota respirou fundo, tentou mudar a expressão com um sorriso e saiu do balcão.
Alice de cara, percebeu, quando a amiga voltou para a mesa e se sentou.
— Margot, tá tudo bem? — Ela perguntou, com os olhos fixos na morena.
— Tá tudo sim, Al. Não se preocupa. — Ela sorriu labial, pegando um livro da sua mochila.
— Aff, o Liam não vem hoje. Que safado. Odeio quando ele faz isso. — Charlotte bufou.
Alice riu de leve. Se encostando na cadeira, cruzando os braços.
— O que será que foi dessa vez, Charlotte?
— Ele disse que ia arrumar alguma coisa pra Margot hoje a noite.
Margot, nem fingiu ouvir, estava concentrada no livro.
Alice olhou para Thompson outra vez, e a estigou, ela sabia que tinha algo errado.
— Margot. Tem certeza que tá legal? — Ela mexeu levemente o braço da amiga.
— Já disse que sim, Alice. — Ela falou suave, embora estivesse concentrada no livro.
Derrepente, uma voz masculina se apeixmou da mesa.
Era ele outra vez.
Johan.
Físico Atlético, uma camisa azul royal bem arrumada, acompanhada de um Jean claro e um tênis esportivo branco, bem elegante. Seus olhos cor de mel, cabelo castanho escuro, liso, na altura da nuca, perfeitamente alinhando.
— Alice. Sabe se hoje tem aula depois do almoço? — Ele perguntou, ignorando completamente Margot e Charlotte na mesa.
— Oi Johan, bom dia para você também. — Alice decidiu não respondê-lo logo de cara.
Ele riu.
Ajeitando a alça da bolsa nos seus ombros.
— Perdão, bom dia Charlotte. — Ele sorriu.
— Bom dia, galã. — Ela riu de leve, escorando o cotovelo na mesa.
— A gente tem, aula depois do almoço, Alice? — Ele perguntou outra vez. — Eu só tô perguntando, porque ainda estou perdido na questão dos horários.
Alice suspirou, olhando para Margot de canto.
— Não, hoje não. — Ela respondeu, seca.
— Tá bom, valeu Alice. A gente se vê na aula. — Ele acenou de leve com a mão e saiu da mesa.
Alice olhou para Margot.
— Não começa, Al. Ou eu saio daqui. — Ela respondeu sem ver, já sabia das provocações da amiga sempre quando Johan estava perto.
— Caramba, que clima de merda logo de manhã. Odeio esse cara. — Charlotte disse, respirando fundo e ajeitando sua postura na mesa.
Poucos minutos depois, o garçom, simples, chegou com a bandeja e os três cafés. Margot já tinha guardado o livro e agora estava no celular, trocando mensagem com alguém da clínica da sua mãe, que já sabia da sua presença no dia seguinte.
— Margot, seu café. — Alice colocou o capuccino duplo com caramelo perto de Margot.
— Aiai, é melhor a gente ir. O portão já abriu. — Disse Charlotte, tomando um pouco do seu café quente e fresco.
— É, vamo da no pé. A professora Cristina é chata em questão de horário. — Alice se levantou.
Margot se levantou, guardando o celular no bolso, e tomando seu café em mãos. Ela acompanhou as meninas, saindo da cafeteria.
E no mesmo instante, os olhos de Johan acompanharam elas, mas era somente por uma pessoa em específio.
— Ei Johan, presta atenção aqui. — um dos seus amigos de um leve tapa na cabeça dele.
— Ah, foi mal.
— A gente tava falando de almoçando no Tony hoje, o que acha?
— Pode ser. Pra mim está ótimo.
Mal sabiam eles, mas o horário de almoço seria um caos para todos...
[Corredores da Golden Gates, 10:00 AM]
Margot e Zoe saíram juntas da sala 02, tinham acabado de ter uma aula extensa e cansativa de Psicofarmacologia.
— Aí, como as aulas da professora Madeleine são chatas... — Zoe suspirou com um ar de cansada, ajeitando as mechas loiras do seu cabelo que estava bagunçadas.
— Ah, que isso Zoe. Até que hoje foi interessante. — Margot riu de leve, tentando animar a amiga.
— Ah, pra você né. Especialmente porque vai trabalhar na clínica da sua mãe. Aaah que inveja de você.
— Ah, para. Nem é pra tanto, eu só vou quebrar um galho até a Sadie voltar de férias, nada demais.
Por um instante, Margot percebeu que tinha esquecido o livro para a próxima aula. Ela parou no corredor por um instante.
— Ah, droga. Esqueci o livro pra aula do professor Malik.
— Quer que eu te espere?
— Não. Pode ir Zoe. Eu te acompanho logo mais.
— Ok.
Ambas tomaram caminhos opostos. Zoe foi pro auditório enquanto Thompson foi até o seu armário. O número 2003. Margot se aproximou do seu armário, colocando a combinação dos quatro números que abriam o compartimento.
— Ah, então você está aí. — Ela estendeu a mão para pegar o livro.
Quando de forma descontraída, ela olhou para o lado depois de fechar seu armário. E novamente ele.
Johan.
Toda vez. Era ele.
Não tinha um dia, que ela não o visse. Ele passou de forma direta por ela, sem nem mesmo olhar para o lado, ela como se ela fosse um fantasma. Ele não fazia questão de querer vê-la, de olhar em seu rosto, e fazia questão, de que ela percebesse isso.
Margot respirou fundo, guardou o livro na sua mochila, e seguiu o seu caminho até o auditório. Ela se sentou no meio da turma, ao lado de Zoe. Thompson se acomodou na cadeira acolchoada e colocou a mochila em seu colo.
Zoe percebeu que Margot estava um pouco tensa.
— Tá tudo bem, Margot? — Perguntou à amiga, preocupada.
— Uhum. — Ela balançou a cabeça de forma positiva.
Ela pegou rapidamente o celular para conferir às mensagens enquanto a aula não tinha se iniciado.
Uma notificação.
Liam.
Um dos seus amigos.
A mensagem dizia : Venha pro QG assim que sair da aula. Tenho uma surpresa pra você.
Margot apenas respondeu com um ok, até ouvir a voz do professor Malik encher o auditório e todos começaram a prestar a atenção na aula.