1 volume – 3 capitulo:a batalha a sangue frio [PARTE 1:A PLANTAÇÃO] calada da noite na Vila 98 era cortada apenas pelo som dos nossos passos afundando na neve fresca. Tatipen e eu caminhávamos lado a lado pelo vasto campo da plantação de cenouras, servindo como a isca perfeita para o plano da pequena chefe. Eu olhava para os lados com as mãos nos bolsos do casaco, mantendo meu jeito calmo e gente boa, mas com o cérebro trabalhando.
Borë (Pensamento): Poxa, é bom esse plano dar muito certo... Eu realmente não estou nem um pouco a fim de morrer hoje só porque não vou conseguir tomar o meu leite de coelho amanhã cedo. Minha barriga já está até reclamando por antecipação.
De repente, um arrepio gélido e uma pressão avassaladora esmagaram o ar ao redor. Paramos no mesmo milésimo de segundo. Nosso elo mental disparou um alerta vermelho elétrico.
Tatipen (Pensamento): Borë... Você sentiu isso?
Borë (Pensamento): Senti. Está bem na nossa frente.
Surgindo do meio da névoa escura e espessa, uma silhueta de 1,60m de altura se materializou. Duas imensas asas negras se esticaram para os lados, sacudindo a neve dos galhos próximos. Seus olhos brilhavam intensamente com uma íris amarela idêntica à nossa, mas o que realmente nos chocou foi a energia que emanava dela. Uma densa fumaça amarela, misturada com tons acinzentados e pesados, exalava de seu corpo como uma névoa tóxica. Era uma Alma Pós-Morte pura, violenta e corrompida.
Nossos olhos se arregalaram em completo choque. Era a primeira vez na vida que sentíamos uma assinatura de alma tão diferenciada, fria e assustadora.
A criatura deu um passo à frente, revelando suas feições na luz fraca da lua. Tinha a pele extremamente clara, quase pálida. Vestia um casaco cinza adornado com uma pelugem branca e grossa nas bordas, e na cintura usava uma saia exótica feita inteiramente de penas pretas e opacas. Seu corpo era magro, com peitos que pareciam uma tábua perfeita. Sem emitir um único som, a criatura jogou suas asas negras para a frente, recolhendo o vento, e com um golpe violento para trás, impulsionou-se em uma velocidade absurda na nossa direção para nos despedaçar.
[PARTE 2 O COMEÇO DA LUTA]
VUUUSH!
No milésimo de segundo antes das garras dela nos tocarem, o espaço rachou em um brilho azul. Tatipen e eu fomos teleportados dali, reaparecendo em segurança na varanda da cabana.
No meio da plantação, Shpatë surgiu exatamente onde estávamos. Com uma velocidade impossível de acompanhar a olho nu, ele sacou apenas uma de suas espadas exóticas e desferiu um golpe horizontal devastador. A lâmina rasgou o ar, acertando em cheio o peito da criatura em um corte perfeito no formato de um /.
Em vez de sangue vermelho, um líquido roxo e viscoso espirrou contra a neve branca branca. A criatura tossiu violentamente, cuspindo mais daquele líquido roxo enquanto perdia totalmente o equilíbrio no ar. Shpatë saltou levemente para o lado com extrema elegância, observando o monstro despencar e colidir pesadamente contra o solo congelado.
Lentamente, a criatura se ergueu, usando as garras para limpar a neve acumulada no rosto pálido. Mas ela não teve tempo de respirar.
Surgindo logo atrás dela, a Shef Número 100 apareceu com um olhar afiado e focado. Com um movimento firme, ela bateu a ponta de seu cajado de madeira com força no chão.
— Alma de Mana: Elevar! — a garotinha exclamou com sua voz infantil, porém repleta de autoridade.
Instantaneamente, uma aura rosa brilhante surgiu no solo embaixo da criatura e, como um chafariz de energia, puxou o corpo do monstro direto para cima. No meio do ar, a umidade ao redor da energia rosa condensou instantaneamente, congelando a criatura por completo em um bloco de gelo sólido.
— Então essa era a coisa que estava roubando as minhas cenouras... — a Shef comentou com desdém, batendo as mãos no casaco.
— É o que parece, mas não baixe a guarda ainda — Shpatë alertou, mantendo a mão na empunhadura da espada.
Antes mesmo que a frase dele terminasse, o bloco de gelo atrás da Shef rachou, mas a criatura já não estava mais lá. Num piscar de olhos, o monstro reapareceu flutuando no ar, exatamente atrás de Shpatë. Para o choque de todos, as mãos da criatura agora empunhavam duas lâminas idênticas às de Shpatë — com o mesmo formato geométrico esquisito de |\ em cima e embaixo. Ela desceu as armas gêmeas para cortar o espadachim ao meio.
Shpatë, exibindo seus reflexos absurdamente OP, girou o corpo com uma velocidade sobre-humana. Ele não usou a espada; em vez disso, desferiu um chute brutal e certeiro direto na barriga da criatura, jogando-a violentamente para longe através do campo.
— Shef! Escreva logo a sua magia no chão, exatamente onde ela vai cair para atacar! — Shpatë ordenou em voz alta, avançando.
— É para já! — a garotinha gritou, correndo com determinação na direção do impacto.
A criatura se levantou rapidamente da neve, batendo as asas negras com fúria e avançando em linha reta contra Shpatë. Shef, aproveitando a brecha, usou a ponta do cajado para desenhar rapidamente um círculo perfeito na neve com os caracteres: 固体冷凍 (Congelamento Sólido).
No exato momento em que a criatura cruzou o perímetro do desenho para golpear Shpatë, Shef ativou a habilidade e puxou o cajado para cima com força.
— Ativar! — ela gritou.
O círculo brilhou em rosa e uma coluna de gelo absoluto subiu, congelando o monstro novamente no lugar. Para evitar o contra-ataque do impacto, Shef usou o impulso da própria magia para se lançar para o alto. Enquanto ela caía indefesa no ar, Shpatë deu um salto preciso, pegou a garotinha nos braços com segurança e a colocou de pé no chão.
— Ótimo trabalho, Shef — Shpatë disse, a voz ficando séria enquanto mantinha os olhos no gelo que já começava a trincar. — Mas nós temos que dar um jeito de parar a habilidade dela de vez... sem matá-la.
Enquanto falava, os olhos de Shpatë focaram no pescoço da criatura através do gelo translúcido. Havia um artefato ali. Shpatë arregalou os olhos em completo choque, reconhecendo imediatamente o padrão da joia.
— Aquele colar... Não pode ser... — ele sussurrou, tenso.
CRACK!
O gelo explodiu. Usando a habilidade de espaço copiada, a criatura desapareceu e reapareceu exatamente no local onde havia sido jogada pelo chute anterior de Shpatë, bufando de ódio.
— Shef, mude a estratégia! Congele apenas as pernas dela! Não a deixe se mover livremente! — Shpatë gritou, partindo para o confronto direto.
— Entendido! Deixa comigo! — ela respondeu na hora.
A criatura bateu as asas e avançou como um raio contra Shpatë, desferindo um golpe cruzado com as lâminas imitadas. Shpatë ergueu sua espada verdadeira e defendeu o impacto. O som do metal ecoou pela plantação enquanto ele forçava o braço para rebater a lâmina do inimigo. No entanto, em um movimento bizarramente rápido e imprevisível, a criatura rotacionou a segunda espada e conseguiu quebrar a defesa.
A lâmina rasgou o peito de Shpatë em um corte perfeito no formato de um /. O espadachim deu um passo para trás, escorrendo o mesmo líquido roxo e viscoso do ferimento e cuspindo uma lufada da substância roxa no chão. O ataque do monstro havia infundido aquela propriedade bizarra no corpo dele.
Vendo Shpatë cambalear, a criatura abriu um sorriso macabro e ergueu as duas espadas para desferir o golpe de misericórdia.
VUUUSH!
Antes de descer as lâminas, as pernas do monstro foram subitamente envoltas por uma grossa camada de gelo rosa. Shef havia ativado a armadilha a tempo. Shpatë, mesmo ferido e cuspindo o líquido roxo, usou suas últimas forças para correr em direção ao ponto exato onde sabia que o fluxo espacial da criatura iria tentar se estabilizar caso ela tentasse um teleporte de emergência.
A criatura piscou, reaparecendo um metro para o lado para se livrar do gelo, mas Shpatë já o esperava ali. Com um golpe cirúrgico e focado, ele desceu a espada mireando exatamente o colar no pescoço do monstro.
CLANG!
O metal colidiu com o artefato, mas, para o desespero do homem, o colar sequer sofreu um arranhão. A joia emanou uma barreira invisível que protegeu a criatura.
Shpatë ajoelhou-se na neve, arfando pesadamente, com o ferimento no peito brilhando em roxo. Ele estava visivelmente à beira da morte, sem forças para erguer a espada novamente. A criatura, livre do impacto, ergueu as duas lâminas falsas acima da cabeça de Shpatë, pronta para decapitar o guerreiro.
[PARTE 3 A ADRENALINA]
— Saia de perto dele! — o grito de Shef ecoou com fúria.
Esquecendo completamente o medo, a garotinha de 5 anos correu com tudo, deslizando na neve até parar exatamente atrás da criatura alada. Com um movimento desesperado e brutal, ela cravou a ponta do seu cajado de madeira com força no chão e o puxou com um movimento violento, apontando a ponta diretamente para o lado esquerdo do peito da criatura — a direção exata onde ficava o coração de um ser vivo.
Mas a magia dela respondeu de forma diferente. Uma poderosa aura roxa e pontiaguda, parecendo um espinho colossal de energia pura, brotou do solo e atravessou violentamente o lado direito do corpo do monstro, perfurando e destruindo a região onde ficava o pulmão da criatura.
No instante em que o espinho de energia se estabilizou dentro do corpo, Shef fechou o punho e o espinho congelou instantaneamente de dentro para fora, selando o ferimento interno em gelo sólido.
A criatura arregalou os olhos amarelos, as lâminas falsas escapando de suas mãos e desaparecendo no ar. Ela tentou puxar o ar, mas com o pulmão direito totalmente destruído e congelado, a falta de oxigênio foi imediata. Seus joelhos fraquejaram, as asas negras desabaram nas costas e ela caiu para o lado na neve, desmaiada por asfixia crônica.
O silêncio voltou a reinar na plantação da Vila 98.
Shef deu dois passos para trás e soltou o cajado de madeira, caindo sentada de joelhos na neve fofa. Seu peito subia e descia rapidamente, a respiração saindo como fumaça branca no inverno enquanto ela estava completamente ofegante, com o corpo trêmulo pela pura e assustadora adrenalina daquele momento de quase
Shpatë ajeitou o corpo pálido da criatura sobre o ombro, sentindo o peso das asas negras roçando em sua capa. Sem dizer uma palavra, ele trocou um breve olhar com a Shef Número 100. Ambos começaram a caminhar de volta em direção à residência, deixando para trás a plantação mergulhada no silêncio frio.
(PARTE 4 A CHEGADA NA RESIDÊNCIA)
(Corte de cena para o interior aconchegante da casa da Shef. A porta se abre com força, revelando os dois adultos completamente acabados, cobertos de sangue roxo e neve.)
(Sentados no tapete da sala, Borë e Tatipen dão um pulo de susto, com os olhos amarelos arregalados ao verem o estado deplorável do mentor e da chefe da vila.)
Shef 100: (Ofegante, segurando Shpatë pelo braço) Borë... Tatipen... vão subir as escadas agora e voltem a dormir no quarto de hóspedes. Eu mesma vou cuidar dos ferimentos do Shpatë e estabilizar a criatura.
Tatipen: (Olha fixamente para o corpo com asas negras deitado no sofá) Mas Shef... para que vocês trouxeram essa criatura perigosa para dentro de casa? Ela quase matou vocês lá fora!
Shef 100: (Suspira) Foi uma decisão estrita do Shpatë. Ele disse que é vital.
Tatipen: (Olha de relance para Borë e balança a cabeça) Entendi. Vamos, Borë.
(Os dois bebês de 80 centímetros sobem devagar os degraus de madeira em direção ao andar de cima, em silêncio absoluto.)
(PARTE 5 A MANHÃ)
(O dia amanhece. A luz do sol bate na janela do quarto de hóspedes. Mostra Borë e Tatipen deitados na mesma cama de casal, mas mantendo uma distância considerável um do outro.)
(BATIDAS NA PORTA: TOC TOC TOC)
Shef 100 (Voz atrás da porta): Acordem, bebês! Já está na hora de levantar!
(Borë e Tatipen abrem os olhos amarelos ao mesmo tempo. Ambos estão com os cabelos marrons curtos completamente bagunçados e espetados de sono.)
Borë e Tatipen: (Em sincronia, bocejando) Já vamos...
(Painel dividido: Borë entra em um vestiário pequeno e Tatipen entra em outro separado. Momentos depois, os dois saem vestindo seus casacos marrons com pelugem branca e suas botinhas de frio pretas. Eles abrem a porta do quarto e dão de cara com a Shef esperando no corredor.)
Shef 100: Bom dia! Tiveram uma boa noite de sono na cama nova?
Borë: (Coça a nuca, com uma expressão cansada) Para ser sincero, Shef... eu e a Tatipen tivemos uma noite bem desconfortável. A gente não tá nem um pouco acostumado a dormir em camas normais de humanos. Na toca, a gente sempre dormia colado no calor dos coelhos gigantes... esse lençol de vocês não é a mesma coisa, mesmo tendo uma pelugem confortável.
Shef 100: (Dá uma risadinha) Ah, aguentem firme! É só por esse dia. Afinal de contas, hoje vocês finalmente vão poder voltar para a toca de vocês levando todo o estoque de folhas de cenoura combinado.
Borë e Tatipen: (Soltam um longo suspiro de alívio mútuo) Graças a Deus...
Borë (Pensamento): Isso significa que finalmente vamos poder tomar o nosso leite de coelho em paz e começar o treino de verdade com o Shpatë por um ano inteiro.
(PARTE 6 A CONVERSA NO CAFÉ DA MANHÃ)
Tatipen: Mas mudando de assunto, Shef... o Shpatë e aquela criatura de asas... eles estão bem? Como eles passaram a noite?
Shef 100: O Shpatë está ótimo, a regeneração dele é bizarra. E a criatura também já está estabilizada lá embaixo. Venham, desçam as escadas comigo para tomarmos o café da manhã.
(Os três descem os degraus de madeira. Na mesa da cozinha, há uma travessa cheia de cenouras frescas, porém completamente sem as folhas verdes. Borë e Tatipen se sentam nas cadeiras pequenas.)
(Shef 100 pega um pedaço de pão caseiro, dá uma mordida generosa, engole e toma um longo gole de seu chá quente. Ao lado dela, Shpatë também está comendo o seu pão calmamente; seu casaco azul está remendado e a ferida no peito já se mostra totalmente cicatrizada, sem rastro de sangue roxo.)
Tatipen: Shpatë... o que aconteceu com a criatura afinal? O que você descobriu?
Shef 100: (Interrompe, terminando de engolir o chá) Eu explico! Ontem à noite, logo depois que vocês dois subiram para dormir e eu terminei de curar os ferimentos de todo mundo, o Shpatë usou uma técnica de precisão e conseguiu finalmente cortar o colar que estava preso no pescoço dela.
Shef 100: No segundo em que o colar foi partido, a aura pesada dela sumiu. Ela acabou acordando por alguns minutos, mas estava completamente sem memórias de quem era, do nome ou do que estava fazendo. Agora ela voltou a dormir de forma natural. Ela vai ficar aqui na vila sob a minha custódia por um tempo, até decidirmos o que fazer com ela.
(PARTE 7 A SAÍDA)
Shpatë: (Termina o seu pão e toma o último gole de chá, olhando fixamente para a mesa) Eu ainda sinto, no fundo da minha mente, que eu conheço a origem daquele colar antigo... Só não consigo resgatar a memória exata de como ou onde o vi. É irritante.
Shef 100: Shpatë... você acha que aquele colar tem alguma coisa conectada diretamente ao passado ou à origem desses dois bebês?
Shpatë: (Fica em silêncio por alguns segundos, olhando de relance para os olhos amarelos de Borë e Tatipen) ...Por enquanto, vou aceitar a sua teoria como uma resposta temporária. Faz sentido.
(Borë e Tatipen terminam de roer as suas cenouras sem folhas em sincronia perfeita, limpando as boquinhas.)
Shpatë: (Levanta-se da cadeira com sua postura imponente, caminha até a porta da frente e a abre, revelando a neve caindo lá fora) Bom, o tempo está passando. Vocês dois já vêm?
Borë e Tatipen: Estamos indo!
Shef 100: (Pula da cadeira com um sorriso infantil) Deixem que eu acompanho os três até a saída da vila!
(Mostra o grupo saindo pela porta de madeira. A câmera foca na porta se fechando com um som seco: CLACK!)
(PARTE 8 O DESPERTAR)
(O som do fechamento da porta ecoa alto pelas paredes vazias da casa circular da Shef.)
(No andar de baixo, deitada em um colchão de palha perto da lareira, a criatura de asas negras abre os olhos amarelos abruptamente com o barulho.)
Criatura: (Voz fraca e confusa) ...O que... que barulho foi esse? Onde estão todos?
(Sentindo um frio repentino, ela se levanta devagar. Sem roupas adequadas, ela faz exatamente o mesmo que Borë e Tatipen fizeram na noite anterior: se enrola completamente no lençol grosso da cama como se fosse um casulo.)
(Ela caminha cambaleando até o guarda-roupa da sala, puxa a porta de madeira e vasculha o interior. Ela encontra um casaco marrom com pelugem branca e um par de botas idênticos aos dos bebês.)
Criatura: (Tenta vestir a bota, mas o pé não entra) ...Pequeno demais. Não cabe.
(Desistindo das botas, ela decide vestir apenas o casaco marrom por cima dos ombros. Ao fazer isso, o lençol que a cobria escorrega e cai no chão. Ela olha para baixo e percebe que as suas próprias penas pretas naturais cobrem perfeitamente a sua cintura, parecendo uma saia curta.)
Criatura: Ah... entendi.
(Ela pega a toalha/lençol do chão, pendura cuidadosamente em um gancho ao lado do guarda-roupa e caminha até a porta da frente. Ela abre a porta, olha para a saída do vilarejo e entra em pânico imediato ao ver o vazio congelante.)
Criatura: (Olha desesperada para os lados) Não... eu tô sozinha? Onde eles foram?!
(PARTE 9 O FINAL)
(A criatura começa a correr pela neve da vila, com o casaco marrom balançando e as asas negras meio abertas para dar equilíbrio. Lá na frente, perto dos portões de saída da Kylä Número 98, ela avista a silhueta da Shef 100 despedindo-se do grupo.)
(Shpatë está parado com uma imensa caixa de madeira apoiada em cima do ombro direito, transbordando com centenas de folhas de cenoura verdes e frescas para os coelhos.)
Shef 100: Tenham uma excelente viagem de volta para a toca, pessoal! Cuidem-se no caminho!
Shpatë: Obrigado por tudo, Shef. Até o ano que vem.
(Shpatë saca uma de suas espadas e a gira no ar, ativando a sua Alma de Mana azul brilhante. Os círculos de teleporte começam a se formar embaixo de seus pés e dos pés de Borë e Tatipen.)
Criatura: (Vem correndo ao longe, gritando desesperada) ESPEREM! POR FAVOR, ESPEREM!!
(VUP! Antes que ela alcance o portão, o brilho azul se intensifica e Shpatë, Borë e Tatipen desaparecem instantaneamente no ar, restando apenas poeira de neve.)
(PÁGINA 16)
(A criatura derrapa na neve, parando bem na frente da Shef 100, arfando e com as pupilas dilatadas de medo.)
Shef 100: (Coloca as mãos nas quadris, arqueando uma sobrancelha de 5 anos) O que você pensa que está fazendo aqui fora, criatura? Você devia estar deitada descansando o pulmão!
Criatura: (Leva as mãos à cabeça, tremendo) I-Eu entrei em pânico profundo quando acordei e vi que a casa tava em um completo silêncio! Achei que tinha sido abandonada de novo!
Criatura: E aí, quando eu olhei pela janela e vi você aqui no portão com aquele homem assustador que estava deitado do meu lado ontem, carregando caixas e levando duas criancinhas embora... eu achei... eu achei que ele era um cobrador de impostos cruel e que você estava sendo forçada a vender pessoas e crianças para pagar as dívidas da vila! Eu vim te salvar!
Shef 100: (Fica com uma tremenda cara de tacho. Ela dá dois passos para trás, cruza os braços e dita com uma voz firme e mandona) Escuta aqui... dê um passo para trás agora. E incline o seu corpo para a frente. Vamos.
Criatura: (Confusa e assustada, obedece no automático: dá um passo atrás e inclina o torso para a frente) A-Assim...?
(Shef 100 estende a mão infantil e a coloca de forma extremamente gentil e acolhedora em cima dos cabelos da criatura, dando um sorriso doce que desfaz toda a tensão do ambiente.)
Shef 100: Está tudo bem agora... Ninguém aqui está sendo vendido. Você está segura na minha vila.
(A criatura arregala os olhos amarelos, sentindo pela primeira vez uma sensação real de paz e pertencimento enquanto o vento da nevasca diminui.)
(PÁGINA 17)
(A cena corta bruscamente para um ambiente completamente diferente, luxuoso e sombrio. Uma sala de alto padrão com paredes de pedra polida e tapeçarias caras.)
(Sentado em uma imensa cadeira giratória de couro atrás de uma mesa de madeira nobre, está um homem chamado Princ I Vogël Imperiumin Prinssi. Ele tem 1,70m de altura, cabelos longos puramente brancos e olhos com íris amarela penetrante. Ele veste um casaco branco impecável com pelugem branca nos ombros e calças brancas. Sua postura exala uma calma fria, séria e aristocrática.)
(Sentada de forma descontraída diretamente no colo do príncipe, está uma boba da corte de 1,60m de altura, conhecida como Budallai i Princit. Ela tem a pele clara, os peitos totalmente planos como uma tábua, íris amarelas e um nariz de palhaço vermelho espalhafatoso no centro do rosto. Ela veste uma roupa de bobo da corte quadriculada em tons de rosa e verde vibrantes, e carrega um colar amarelo idêntico no pescoço.)
Budallai: (Olha para o rosto sério do príncipe com uma expressão calma e doce) Meu lorde... eu reparei que o senhor está excepcionalmente pensativo e calado no dia de hoje. Aconteceu alguma coisa no fronte?
Princ: (Dá um longo suspiro aristocrático, batendo os dedos de leve na mesa de madeira) Sim, Budallai... Eu acabei de perder completamente a minha conexão espiritual com a Krenari (Orgulho).
(PÁGINA 18)
Budallai: (Inclina a cabeça, fazendo os guizos da touca de palhaço tocarem) Krenari...? Ah, o senhor está se referindo àquela mulher alada que enviou para roubar as plantações da vila vizinha? Aquela que o senhor mandou justamente para forçar aqueles dois irmãos gêmeos anômalos a irem até lá para serem executados nas sombras?
Princ: Exatamente essa. A conexão com o colar dela foi cortada abruptamente ontem à noite.
Princ: (Apoia o queixo na mão, olhando para o teto) É realmente uma pena... É tão triste ver alguém que carregava tanto potencial bruto ser perdida e desperdiçada dessa forma no meio do gelo.
Budallai: Bom... se a conexão sumiu, significa que a vaga ficou aberta. Alguém vai ter que assumir o lugar dela urgentemente como a nova usuária oficial do Orgulho na nossa corte, não é?
Princ: Sim, eu tenho plena ciência disso. Mas as regras do nosso sistema de alma são estritas, Budallai. Antes que isso aconteça, nós precisamos fazer com que a atual Receptáculo do Orgulho seja promovida ao posto de Preparativa do Orgulho. E só depois que essa Receptáculo virar a nova Preparativa, nós poderemos colocar outra pessoa no lugar como Receptáculo reserva.
(PÁGINA 19)
Budallai: Entendo o dilema... Mas para uma mera Preparativa conseguir evoluir e se tornar a usuária real e definitiva do Orgulho, ela teria que realizar um feito de magnitude absurda, assim como todos os outros grandes usuários da nossa elite fizeram no passado, certo? Qual vai ser o teste?
Princ: (Um sorriso frio e cruel corta o seu rosto aristocrático enquanto ele gira levemente a cadeira de couro) Eu já tenho o plano perfeito arquitetado na minha mente para que esse feito aconteça, Budallai. Nós vamos mover as peças nas sombras.
Princ: Para que tudo saia exatamente como eu quero, sem nenhuma falha... eu só precisarei de 1 ano de preparação. O relógio começou a correr.
(A câmera foca no olhar conspiratório dos dois, com as íris amarelas brilhando na penumbra da sala real, indicando a terrível tempestade que aguarda o futuro de Borë e Tatipen daqui a exatamente um ano.)
[FIM DO CAPÍTULO 3]