CAPITULO 4–1 VOLUME:O TREINO DE CORPO E ALMA
[PARTE 1:O RETORNO]
FLAAAAASH.
O brilho azul da Alma de Mana se desfez no ar quando eu, Tatipen e Shpatë reentramos na imensidão da toca subterrânea. O homem de cabelos brancos-azulados soltou um suspiro pesado, descarregando a enorme caixa de madeira cheia de folhas de cenoura direto no chão de feno.
— Pronto — Shpatë disse, limpando as mãos no casaco branco-azulada. — O trato com a garotinha da vila está cumprido. Agora é só vocês pegarem a carne para os coelhos comerem primeiro, e depois darem as folhas de cenoura.
Ele começou a caminhar em direção à saída do túnel com passos rápidos, olhando por cima do ombro com uma pressa compreensível.
— Bom, eu já vou saindo antes de teleportar o resto dos coelhos gigantes de volta para cá. Vocês me desculpem, mas eu não estou nem um pouco a fim de ser devorado vivo por aquela horda se eles acordarem estressados.
Aproveitando o meu tom sempre calmo de boa, olhei para ele antes que ele cruzasse o túnel.
— Shpatë, espera aí. Se você vai ficar saindo correndo toda hora, como é que você vai treinar nós dois?
Shpatë parou na boca do túnel, cruzou os braços e deu um sorriso de canto, achando graça da minha pergunta.
— Vocês dois já vivem com esses monstros faz tempo, não vivem? Então é simples: deem um jeito de convencer os coelhos a me aceitarem aqui dentro. Se vocês conseguirem isso, eu treino vocês. Caso contrário, boa sorte.
Sem esperar uma resposta, Shpatë saiu da toca. Segundos depois, um estalo místico ecoou pelos túneis. O feitiço de teleporte em massa dele havia sido desfeito.
ZUP! ZUP! ZUP!
O espaço piscou e centenas de coelhos gigantes reapareceram de uma vez só, ocupando toda a área da civilização subterrânea. Eles balançaram as cabeças, meio zonzos pelo teletransporte, e começaram a farejar o ar de forma arisca.
Virei-me para a minha irmãzinha, mantendo a minha paz de espírito de sempre.
— Tatipen... antes da gente tentar convencer os coelhos a aceitarem o Shpatë, nós temos que primeiro alimentá-los. Bicho com fome não escuta ninguém.
— Verdade, Borë. Vamos fazer isso — ela respondeu docemente na minha mente.
Caminhei calmamente até um buraco específico na parede de terra da toca, onde nós costumávamos estocar as provisões. Peguei um pedaço enorme de carne de boa qualidade que havíamos caçado na neve e joguei direto no centro do bando.
No mesmo instante, o instinto predador deles foi ativado. Os olhos de todos os coelhos gigantes ficaram completamente vermelhos. Rosnando de forma assustadora, eles avançaram em massa, mordendo, rasgando e triturando a carne com seus dentes afiados. Em poucos segundos, não sobrou nem farelo.
Logo em seguida, Tatipen deu passos fofos até a caixa de madeira e pegou algumas folhas de cenoura frescas, jogando-as para o bando. Os coelhos, que ainda estavam com os olhos vermelhos e a adrenalina alta, morderam as folhas verdes com fúria. Lentamente, a vegetação foi sumindo para dentro daquelas bocas cheias de dentes cerrilhados. Em mais alguns segundos, a caixa estava completamente vazia.
Com as feras devidamente alimentadas, eu e Tatipen nos entreolhamos e o mesmo pensamento fluiu pelo nosso elo:
— Agora é a hora do nosso leite.
Segundos depois, a cena era de pura paz. Eu e Tatipen estávamos caídos de costas no chão de feno, com as barriguinhas redondas de dois anos completamente cheias de leite de coelho, totalmente satisfeitos.
— Ah... eu estava esperando por esse momento o dia inteiro — comentei, esticando os braços, sentindo o calor do feno. — Passar o dia inteiro naquela vila formal da Shef foi cansativo. Nada supera o nosso leite.
Tatipen sentou-se devagar, limpando a boquinha com a manga do casaco marrom fofo.
— Sim! Mas agora, Borë, é hora de convencer os coelhos. — Ela se levantou com seu jeitinho dócil. — Deixa que eu resolvo isso.
Tatipen caminhou com passos firmes até o centro da câmara, erguendo seu pequeno cajado de madeira. Ela olhou para a multidão de monstros peludos e começou a transmitir seus pensamentos para todos eles, emanando uma seriedade fofa:
— Atenção, todos os coelhos! A nossa toca não está totalmente segura. Nós estamos correndo perigo de ameaças externas vindas do Império... E como líderes de vocês, eu e o Borë devemos ficar muito mais fortes. Para que isso aconteça, nós precisamos aprimorar mais a nossa Alma de Mana. Então, nós precisamos que todos vocês cooperem, deixando que o homem que nos ajudou a trazer essas cenouras entre na toca para nos treinar.
Os coelhos gigantes pararam o que estavam fazendo. Eles moveram as orelhas longas, processando a mensagem da bebê. Lentamente, a cor vermelha sumiu de seus olhos, voltando ao tom preto e expressivo de antes. Eles soltaram focinhos ruidosos e se deitaram, totalmente calmos.
Passos ecoaram pelo túnel e Shpatë entrou na toca com a mão na empunhadura da espada. Ao ver os monstros completamente pacíficos, ele relaxou os ombros, impressionado.
Tatipen virou-se para ele com um sorriso doce.
— Eles aceitaram você na toca, Shpatë. Pode entrar.
Shpatë caminhou calmamente até os coelhos, parando a poucos centímetros de uma criatura que poderia esmagá-lo.
— Eles aceitaram mesmo? Sem olhos vermelhos? — ele perguntou, desconfiado.
— Sim, eles aceitaram. Pode confiar — respondeu,levantando-me do chão de boa.
Os coelhos começaram a se dispersar, voltando para suas rotinas e casas gigantes dentro da civilização subterrânea. Shpatë suspirou, olhando ao redor da caverna.
[PARTE 2:COMEÇO DO TREINO]
— Bem... daqui a poucos minutos nós começamos o treino de vocês. Eu só preciso achar um lugar confortável para eu dormir primeiro. Onde fica o quarto de hóspedes de vocês?
Borë e Tatipen apontamos para um grupo de coelhos gigantes que estavam deitados em um canto mais afastado.
— A gente vai dormir ali no chão, junto com alguns coelhos que não têm casa. É assim que a gente dorme toda noite para se aquecer — falou, com total naturalidade.
Shpatë travou. Ele olhou para os bebês, depois para os monstros peludos cheios de dentes, soltou um longo suspiro cansado.
— É... pelo visto o treino de vocês vai ter que começar bem mais cedo do que eu planejava. Onde é o espaço de treinamento de vocês?
— Pode ser aqui mesmo, ué — Tatipen respondeu mentalmente, abrindo os bracinhos fofos. — Afinal de contas, nós estamos em uma toca gigantesca. Espaço é o que não falta.
— Certo... Vou ter que me acostumar com essa vida exótica de toca — Shpatë aceitou, desembainhando sua espada diferenciada, cujas lâminas paralelas em formato de |\ brilharam de leve. — Vamos ao que interessa. Nós vamos passar o dia de hoje treinando o básico do básico: imbuir a Alma de Mana.
Levantou a mão gordinha, interrompendo-o de forma mansa.
— Ah, mas isso aí a gente já sabe fazer, Shpatë. Eu faço na minha adaga e a Tatipen faz no cajado dela.
Shpatë olhou para os dois de cima
— Vocês sabem imbuir no objeto. Mas vocês sabem imbuir a Alma de Mana no próprio corpo de vocês, em vez de em uma arma?
Eu e Tatipen nos olhamos, depois olhamos para o chão da toca e respondemos juntos, em voz alta e na mente:
— Não...
— Foi o que eu pensei — Shpatë olhou os dois como se já esperasse isso — Vamos começar do zero.
(Narração Intermediária de Borë – Puramente a voz dele ecoando enquanto o tempo passa)
E foi assim que o nosso verdadeiro inferno particular começou. Nós passamos todo o restante do nosso segundo ano de idade treinando puramente como expandir o fluxo e imbuir a Alma de Mana dentro do nosso próprio corpo, músculo por músculo, sem deixar a energia vazar ou explodir. E quando finalmente completamos três anos de idade, o Shpatë decidiu que era a hora de darmos o próximo passo: nós tivemos que aprender a estender essa energia para criar habilidades reais.
A narração de Borë cessa e o foco volta para o centro da grande toca.
Agora com 3 anos de idade, eu e Tatipen estávamos de pé no feno. Uma aura de Alma de Mana puramente branca e radiante estava perfeitamente imbuída e estabilizada ao redor de todo o nosso corpo, brilhando como uma segunda pele mística.
Shpatë estava diante de nós, batendo palmas de forma lenta e genuinamente impressionada.
— Muito bem, vocês dois foram excelentes. Aprender a imbuir a Alma de Mana por todo o corpo e, ao mesmo tempo, manter o controle nos objetos em apenas um ano é um feito que muitos soldados imperiais adultos choram para conseguir. Me digam: como vocês se sentem com a energia ativa no corpo?
Olhei para as minhas mãos envoltas na luz branca, sentindo o fluxo constante.
— É uma sensação engraçada... É como se um calor estivesse do lado de fora do meu corpo, mas sem me fazer suar. É só a sensação pura de calor mesmo, bem aconchegante.
Shpatë assentiu com a cabeça, explicando a mecânica:
— Isso acontece porque a Alma de Mana reflete diretamente a personalidade e a essência do usuário. Por exemplo, quando eu envolvo toda a minha Alma de Mana pelo meu corpo, ela é extremamente gelada e cortante. A sua, Borë, é quente porque você é alguém totalmente calmo e gente boa, como o calor reconfortante de um sol de verão.
Tatipen deu um passo à frente, olhando para os próprios braços iluminados.
— E no meu corpo, Shpatë... eu sinto como se tivesse tipo um slime cobrindo a minha pele. Só que é uma sensação bastante fofa mesmo, embora pareça um pouco grudento.
Shpatë sorriu de forma gentil para ela.
— E isso é porque você, Tatipen, é fofa e calma como um doce algodão-doce, mas também é alguém bastante conectada e maleável com o ambiente, exatamente como a estrutura de um slime. A mana não mente.
Ele deu um passo para trás, adotando uma postura mais séria e firme.
— Mas agora, o próximo passo do treinamento de vocês é fazer com que essas almas imbuídas se estendam para fora e se tornem Habilidades Únicas (Extensões de Alma).
Shpatë olhou para a minha cintura.
— Borë, você já se acostumou com a adaga de ferro que eu te dei para substituir a que você perdeu na floresta?
— Sim, estou bem acostumado com ela. O peso está ótimo — respondi, tocando o cabo da arma de boa.
— Perfeito. Para fazer uma alma se estender e virar uma habilidade real, vocês dois precisarão visualizar como a habilidade de vocês será baseada nas sensações e nas personalidades que acabamos de discutir. Vocês precisam moldar o conceito na mente.
[PARTE 3:PEQUENAS INTERFENCIAS]
Shpatë ia continuar a explicação, mas de repente ele travou. Ele olhou para mim, depois para a Tatipen, e soltou as espadas na cintura com um suspiro frustrado.
— Espera... Pensando bem, eu não vou conseguir treinar os dois juntos nessa parte.
— Ué, por quê? — perguntei, confuso.
— Porque a mente sua e a da Tatipen são conectadas por causa daquela marca de Consciência Coletiva que você desenhou na barriga dela quando nasceram — Shpatë explicou, apontando para nós. — Se você começar a tentar mentalizar e visualizar a sua habilidade agora, o fluxo de pensamento vai interferir na Tatipen. Ela não vai conseguir visualizar a habilidade dela porque a sua imagem mental vai invadir a cabeça dela. Vocês vão anular um ao outro.
— Entendi... — cocei a cabeça. — E o que a gente faz então?
Shpatë cruzou os braços, focando na minha irmã.
— Tatipen, mostre apenas a sua barriga para mim, por favor.
Com seu jeitinho fofo e calmo, Tatipen obedeceu. Ela puxou a parte de baixo do seu casaco marrom fofo para cima, revelando a barriguinha de três anos onde a marca mágica 集合意識 continuava desenhada na pele.
— Muito bem — Shpatë avaliou o circuito. — Para resolver esse problema de interferência sem apagar a marca de vocês, vocês dois precisarão aprender uma técnica de Invocação.
Tatipen inclinou a cabeça, piscando os olhos amarelos.
— Invocação? Como é que funciona isso, Shpatë?
— Vocês só precisam aprender uma vertente básica: a Habilidade de Armazenamento. Vocês vão criar um espaço dimensional para guardar o conceito da marca temporariamente.
Dei uma ombruda de leve no ar, achando aquilo um exagero para o primeiro dia de extensões.
— Nossa, Shpatë... Mas isso não é muita coisa para quem acabou de tentar aprender a extensão de alma? Já quer meter armazenamento dimensional no meio?
— Não se preocupe, Borë, a habilidade de armazenamento é muito mais simples do que parece — Shpatë tranquilizou, com paciência. — Para ativá-la, você só precisa fechar os olhos e imaginar que está guardando algo precioso dentro de uma gaveta, e logo em seguida visualizar essa gaveta se fechando com segurança. É pura força de foco.
Fechei os olhos amarelos, respirando fundo com meu jeito tranquilo. Na minha mente, visualizei uma gaveta de madeira bonita e antiga. Coloquei o conceito da nossa conexão lá dentro e empurrei a gaveta mentalmente, vendo-a se fechar perfeitamente com um clique.
No mesmo instante, um brilho azul-claro e místico surgiu exatamente em cima da barriga da Tatipen.
— Ótimo, o canal abriu! — Shpatë instruiu rápido. — Agora, Borë, imagine que essa energia azul-claro em formato de uma caixa de sapato vai armazenar e selar a marca da barriga dela lá dentro! Visualize a caixa se fechando!
Concentrou-se no formato da caixa de sapato azul-clara envolvendo os símbolos. Tatipen fez o mesmo na mente dela.
ZUP!
A velocidade foi assustadora. Num piscar de olhos, a marca mágica foi sugada e armazenada dentro da estrutura de mana, sumindo da pele dela. Shpatë deu um passo para trás, arregalando os olhos de verdade.
— Impressionante... A magia de armazenamento funcionou de forma muito mais rápida do que o normal. Como vocês conseguiram tanta velocidade na primeira tentativa?
Deeam um sorriso leve.
— Acho que é porque, mesmo com a caixa isolando a gente, eu e a Tatipen estávamos pensando exatamente na mesma coisa ao mesmo tempo. A sintonia ajudou — explicou de boa. — Mas Shpatë, como é que fazer sumir com a marca vai ajudar a gente agora?
— Basicamente, isso cortou a interferência — Shpatë respondeu, apontando para mim. — Agora as mentes de vocês estão isoladas temporariamente. Borë, agora você pode visualizar a sua habilidade única sem atrapalhar a sua irmã. Vá em frente. Feche os olhos e pense na sua essência.
[PARTE 4:APRENDENDO AS ABILIDADES:BORË]
Fechei os olhos novamente. Pensei no meu jeito calmo, na minha vontade de ficar tranquilo e relaxado.
— "Eu quero algo que seja confortável...", — mentalizou. — "Algo que dê para viajar pelo mundo e ir a qualquer lugar junto com os meus amigos e com a Tatipen, de forma totalmente segura, mansa e sem estresse."
VUUUSH.
Um brilho alvo e pacífico se expandiu diante de mim. Quando abri os olhos, um portal puramente branco e reluzente estava flutuando estavelmente no meio da toca dos coelhos.
Shpatë aproximou-se do feixe de luz, inspecionando a estrutura com queixo caído.
— Mas isso... isso é uma magia de teletransporte espacial pura! É uma variação conceitual parecida com a minha própria técnica de teleporte!
Olhei para as minhas mãos e depois para o portal, percebendo um detalhe crucial.
— Espera aí, Shpatë... Eu notei uma coisa. Eu não precisei escrever nenhum símbolo no chão ou no ar para esse portal aparecer. Ele só surgiu.
Shpatë bateu a mão na testa, alternando entre o choque e a admiração.
— Borë, você foi bizarramente bem para a sua primeiríssima tentativa! Mas acalme esse coração.
Eu dei um passo à frente, os olhos brilhando com uma empolgação rara no meu rosto calmo.
— Caramba! Então quer dizer que eu tenho algum tipo de magia oculta e super especial que não precisa de escrita para ser ativada?! Eu sou um prodígio de elite?!
Shpatë cruzou os braços e jogou um balde de água fria na alegria com um tom realista:
— Não, não é nada disso. Deixa de ser bobo. Afinal de contas, magia sem escrita por canalização direta só funciona de verdade com habilidades de armazenamento. O que aconteceu com você agora foi puramente porque, na primeira tentativa de despertar de uma Extensão de Alma, o corpo do usuário ativa a magia de forma totalmente instintiva. Esse instinto bruto desativa de forma temporária o fato de você precisar escrever os símbolos. No próximo portal que você for tentar fazer, você vai ter que desenhar ou escrever sim, bonitinho.
MÚSICA TRISTE DE FUNDO.
Os ombros de borë caíram. E também caiu de joelhos direto no feno da toca e comecou a desenhar círculos no chão com o dedo, completamente desanimado.
— Poxa... E eu achando aqui que tinha um talento oculto apelão de protagonista... Que decepção...
Tatipen caminhou calmamente até borë com suas botinhas e começou a dar leves tapinhas fofos nas costas, tentando consolar com sua voz doce:
— Fica calmo, Borë... Não fica assim. Afinal, todo bebê aprende a andar um dia e acha que é especial por causa disso. Você ainda foi muito bem.
Olhou para ela de soslaio, limpando o feno do joelho.
— É... pensando por esse lado, ajudou um pouco até. Obrigado, Tatipen.
Shpatë limpou a garganta, apontando para a minha irmã.
— Chega de drama, Borë. Agora é a vez da Tatipen. Borë já liberou o canal dele, então agora você pode mentalizar a sua Extensão de Alma, Tatipen. Vá em frente.
Tatipen deu um passo à frente e fechou os olhos amarelos. Ela começou a respirar de forma mansa, buscando a sua própria essência de algodão-doce e slime conectado.
— "Eu quero visualizar algo...", — ela pensou, moldando o conceito. — "Algo que seja extremamente atrativo e bonito de se olhar, mas que seja perigoso e que ninguém no universo possa tocar... Tipo um doce de bebê que fica protegido atrás de uma vitrine."
BRILHO.
Uma luz branca e opaca se materializou diante dela. Quando a poeira de mana baixou, um espelho puramente branco, sem reflexo comum, estava flutuando no meio da caverna.
Tatipen olhou para o objeto com curiosidade fofa. Ela deu passos curtos, estendeu a mãozinha e tocou a superfície lisa do espelho branco.
FLIP.
No instante em que o dedo dela fez contato com o objeto, a física do espaço ao redor quebrou de forma bizarra. Tatipen piscou e percebeu que, instantaneamente, o seu corpo havia sido forçado a ficar de costas para o espelho, com os olhos fixos na direção contrária.
— Ué...? — ela pensou, confusa, tombando a cabeça. — Será que o portal que o Borë fez também sofreu algum tipo de repelimento por causa disso?
Curiosa, ela caminhou até o local onde o portal branco estava e quando foi botar a mão no portal a mão o atravessou.
— Ah, o portal também foi repelido — ela constatou em pensamento.
Tatipen olhou para o lado para pedir ajuda e soltou um som fofo de surpresa. Shpatë também havia sido afetado pela quebra de espaço. O guerreiro veterano de cabelos brancos estava parado a alguns metros, completamente de costas para o espelho branco, incapaz de virar o corpo na direção do objeto.
Enquanto isso, eu continuava ali perto, mas posição havia sido reajustada: borë estava parado exatamente na direção de frente para o espelho, olhando fixamente para a estrutura branca.
Shpatë tentou forçar os músculos do pescoço para olhar para trás, mas o espaço simplesmente bloqueava o movimento dele. Ele soltou um assobio impressionado, a voz cheia de uma seriedade tensa:
— Caramba... Essa garota é um monstro. Ainda bem que essa habilidade de repelimento conceitual só afetou o perímetro interno desta caverna agora... Porque se essa habilidade for usada no seu potencial máximo, ou pior, combinada com uma Alma Pós-Morte completa... ela teria o poder de repelir e distorcer o espaço do mundo inteiro ao redor dela. Ninguém conseguiria sequer olhar para ela.
Borë que continuava de joelhos no feno, olhei para a Tatipen e depois para a explicação do Shpatë. Uma onda de drama infantil me atingiu. Começou a socar o chão de feno com as duas mãos, inconformado com a injustiça da genética.
— Não é justo! Por que a minha irmã de 3 anos tem um potencial absurdamente mais quebrado e apelão do que o meu?! Eu sou o mais velho aqui!
Tatipen largou o cajado, correu até mim com seu jeitinho doce e voltou a dar tapinhas suaves e confortantes nas minhas costas.
— Borë, não faz assim... Só porque o Shpatë admitiu que a minha habilidade é perigosa, não significa que você não tenha um potencial ainda maior escondido aí dentro! Você fez um portal espacial de primeira!
Borë olhou para o rostinho fofo dela, tentando buscar um pingo de dignidade.
— É verdade...? Você não está falando isso só para eu não chorar?
— É verdade sim, com certeza! — ela sorriu de forma radiante, batendo palminhas. Mas logo em seguida, o olhar dela ganhou uma determinação fofa e focada. — E além disso, Borë... agora que eu aprendi a minha habilidade de extensão e você também aprendeu a sua, nós dois podemos finalmente cumprir a terceira parte do meu plano de longo prazo!
Borë e Shpatë pararam o que estavam fazendo no mesmo instante. As íris ficaram completamente brancas e três linhas verticais pretas de pura incompreensão e choque surgiram desenhadas no topo das nossas cabeças.
Olharam fixamente para aquela bebê fofa de 3 anos, e a mesma palavra ecoou em uníssono na mente e na boca do Shpatë e do borë:
— O quê?
E Tatipen, com a maior doçura do mundo, completou:
— Nós vamos nos matricular e entrar na Academia Mágica do Continente!
[FIM DO 4 CAPITULO]