Capítulo 6
O som do metal partindo ecoou como um trovão seco na praça.
A espada se quebrou entre os dedos de Kanzaki.
Não foi força bruta.
Foi compressão espiritual.
A energia azul-escura que envolvia sua mão não brilhava como a dos sacerdotes comuns. Ela parecia densa. Pesada. Quase líquida.
O soldado que segurava a espada recuou dois passos instintivamente.
O capitão Kurogane estreitou os olhos.
— Então a Igreja escolheu confronto.
Kanzaki soltou os fragmentos da lâmina.
Eles caíram no chão como vidro.
— Não — ele respondeu. — Vocês escolheram.
O primeiro movimento partiu dos Kurogane.
Formação imediata.
Escudos negros à frente. Lanças por trás. Espadachins nas laterais.
Disciplina militar impecável.
O Padre ergueu a voz:
— Protejam os civis! Não avancem desnecessariamente!
Os sacerdotes se espalharam, formando barreiras translúcidas azul-claras ao redor das casas.
Mas os Kurogane não vieram para testar.
Vieram para esmagar.
O Primeiro Impacto
O capitão ergueu o braço.
— Avançar.
O chão tremeu com o impacto coordenado dos escudos.
As lanças vieram logo atrás.
Kanzaki não se moveu imediatamente.
Ele esperou.
Exatamente até o momento em que as lanças cruzariam a barreira de sacerdotes.
Então ele deu um passo.
Só um.
A energia ao redor dele se expandiu como uma onda invisível.
As primeiras lanças que tocaram o campo espiritual de Kanzaki simplesmente desviaram o curso, como se tivessem atingido água sob pressão.
Mas o segundo pelotão veio com força total.
Um dos soldados ativou energia negra nas pernas e saltou por cima da formação.
Espada descendo direto sobre o Padre.
Kanzaki desapareceu.
Não foi velocidade comum.
Foi deslocamento espiritual.
Ele reapareceu no ar, acima do soldado.
A mão aberta tocou o peito do agressor.
O impacto não foi explosivo.
Foi interno.
O ar ao redor implodiu por um segundo.
O soldado foi lançado contra o chão com força suficiente para rachar as pedras da praça.
Sem sangue exagerado.
Mas completamente fora de combate.
Agora o combate estava liberado.
Núcleo 2 — O Desfiladeiro
Enquanto isso, quilômetros ao norte, Ren sentiu o primeiro choque espiritual vindo da vila.
Ele parou no meio da trilha.
— Vocês sentiram isso?
Aoi sentiu.
Como um pulso distante.
Daichi também.
Mas havia algo mais ali.
O desfiladeiro estava diferente.
A vibração que haviam sentido antes estava mais intensa.
O cristal azul que tinham visto na caverna no capítulo anterior não estava mais isolado.
Havia rachaduras no solo.
E algo estava emergindo.
Não eram as criaturas de névoa de antes.
Eram soldados.
Mas não vivos.
Armaduras antigas cobertas de pedra.
Corpos preservados por energia espiritual bruta.
Olhos acesos em azul pálido.
Ren murmurou:
— Eles ativaram alguma coisa.
As figuras começaram a se mover.
Não eram rápidas.
Mas eram pesadas.
E coordenadas.
Daichi analisou em segundos:
— São construtos de proteção. Guardiões.
Aoi fechou os punhos.
Energia dourada envolveu seus braços.
— Então a gente derruba.
A primeira investida veio com brutalidade.
Um dos guardiões avançou como um aríete.
Ren tentou bloquear frontalmente.
Erro.
O impacto o lançou contra a parede de pedra.
O ar saiu dos pulmões dele violentamente.
Essas criaturas eram muito mais densas que as anteriores.
Daichi criou uma linha de energia no chão tentando desestabilizar as pernas de um deles.
Funcionou parcialmente.
A estrutura rachou.
Mas não caiu.
Aoi atacou por cima.
Lâmina espiritual girando.
Conseguiu cortar o ombro de um dos guardiões.
Mas o corte se regenerou lentamente.
— Eles estão se alimentando da energia do subsolo! — Daichi gritou.
Ren se levantou.
Sangue no canto da boca.
Ele fechou os olhos.
Concentrou.
A energia dele não era refinada.
Era crua.
Instável.
Mas profunda.
Ele socou o chão.
A energia percorreu a rocha até o cristal central.
O cristal vibrou.
Os guardiões hesitaram por meio segundo.
Foi o suficiente.
Aoi e Daichi sincronizaram.
Ataque combinado.
Corte horizontal de Aoi. Explosão linear de Daichi.
O primeiro guardião foi despedaçado.
Mas outros três emergiam.
E mais estavam acordando.
De Volta à Vila — Escalada
A praça agora era um campo de guerra real.
Soldados Kurogane haviam rompido uma das barreiras sacerdotais.
Dois monges estavam feridos.
Kanzaki avançou.
Dessa vez, sem contenção.
Ele estendeu a mão.
A energia azul-escura se condensou na forma de lâminas espirituais curtas ao redor dos dedos.
Ele entrou na formação inimiga.
Cada movimento era preciso.
Golpe no ponto de articulação do ombro. Pressão no joelho. Impacto controlado na base do pescoço.
Ele não matava.
Mas incapacitava com eficiência brutal.
O capitão Kurogane finalmente ativou totalmente sua energia.
Negra. Densa. Ardendo como fumaça comprimida.
Ele avançou contra Kanzaki.
Espada longa reforçada com energia imperial.
O choque dos dois fez o chão afundar.
A energia azul-escura e negra colidiram como duas marés opostas.
— Você não entende o que está sendo despertado nesta ilha — disse o capitão, forçando a lâmina.
— Eu entendo melhor do que você imagina — respondeu Kanzaki.
O capitão aumentou a pressão.
Kanzaki desviou lateralmente e atingiu o abdômen do oponente com a base da palma.
O capitão voou cinco metros.
Mas levantou imediatamente.
Sorrindo.
Esse não era soldado comum.
O Retorno de Raizen
No alto da colina, observando.
Raizen.
Imóvel.
Ele tinha sentido a ativação no desfiladeiro.
E agora via o confronto na praça.
Um de seus oficiais se aproximou.
— General… devemos intervir?
Raizen observou Kanzaki derrubar dois soldados simultaneamente.
— Ainda não.
Mas quando o capitão foi arremessado novamente e a formação começou a quebrar…
Raizen suspirou.
— Chega.
Ele desceu.
Sem pressa.
Mas cada passo dele fazia o ar ficar mais pesado.
Quando ele entrou na praça, o combate desacelerou instintivamente.
Kanzaki sentiu antes de ver.
Virou o rosto.
Os olhos dos dois se encontraram.
Silêncio.
Raizen falou primeiro:
— Você poderia ter evitado isso.
Kanzaki respondeu:
— Ainda pode terminar.
Raizen desembainhou a espada.
Não com raiva.
Com decisão.
O choque entre os dois não foi explosivo no início.
Foi medido.
Espada negra contra energia condensada azul-escura.
O primeiro impacto criou uma onda de choque que quebrou as janelas mais próximas.
O segundo abriu uma fissura no chão da praça.
Raizen era diferente do capitão.
Ele era controle absoluto.
Força bruta refinada.
Cada golpe dele tinha peso de comandante.
Kanzaki não recuava.
Mas também não avançava demais.
Eles estavam se testando.
Raizen girou a espada em arco vertical.
Kanzaki bloqueou com ambas as mãos envoltas em energia.
O chão cedeu sob os pés dele.
— Você sabe o que está sob essa ilha — disse Raizen.
— Sei o suficiente para não permitir que o Império toque nisso.
Raizen liberou energia em explosão curta.
Kanzaki foi empurrado para trás três metros.
Mas manteve equilíbrio.
O combate se intensificou por minutos que pareceram eternos.
Nenhum conseguia vantagem decisiva.
Ambos continham poder.
Porque liberar tudo ali destruiria a vila inteira.
E ambos sabiam disso.
Finalmente, Raizen recuou um passo.
Baixou a lâmina.
— Isso não acabou.
Kanzaki respondeu:
— Nunca começou.
Silêncio.
Raizen ergueu a mão.
— Retirada temporária. Reagrupem.
Os Kurogane começaram a se afastar.
Feridos sendo carregados.
Mas não derrotados.
Naquele mesmo momento, ao norte—
O cristal no desfiladeiro explodiu em luz azul.
E os três protagonistas estavam cercados por mais guardiões emergindo da rocha.
E agora…
Eles estavam sozinhos.