Capítulo 12
O ataque veio ao amanhecer.
Sem aviso.
Sem formação grandiosa.
Pequenos barcos surgindo da névoa.
Soldados Kurogane desembarcando em silêncio.
Eles não gritavam.
Não anunciavam presença.
Eles queimavam depósitos.
Cortavam cordas de embarcações.
Destruíam armazéns.
Ren acordou com o cheiro de fumaça.
— Aoi!
Ele correu para fora.
Daichi saiu logo atrás, confuso.
O caos se espalhava.
Mas não era um exército completo.
Era um ataque cirúrgico.
Kanzaki já estava no centro da vila.
Espada desembainhada.
Um soldado Kurogane avançou.
O golpe mal foi visto.
A lâmina de Kanzaki atravessou a armadura como papel.
O homem caiu.
Outro veio.
Outro caiu.
Sem esforço.
Ren tentou avançar, mas Kanzaki gritou:
— FIQUE ATRÁS!
Aoi puxou Ren pelo braço.
— Ele resolve isso!
Mas havia perdas.
Um pescador foi atingido tentando defender a própria casa.
Uma jovem sacerdotisa caiu protegendo crianças.
Os Kurogane não estavam ali para vencer.
Estavam ali para deixar marca.
E então…
Raizen apareceu.
Caminhando pela fumaça.
Sozinho.
A presença dele parecia mais pesada que o fogo.
Kanzaki o encarou à distância.
Os dois não se moveram por alguns segundos.
— Você voltou — disse Kanzaki.
— Não por guerra.
— Então por quê?
Raizen sorriu levemente.
— Para lembrar.
Ele ergueu a espada.
— Você ainda não me venceu.
O resto dos Kurogane começou a recuar.
Missão cumprida.
A vila estava ferida.
Mas viva.
Raizen deu alguns passos à frente.
— Da próxima vez… não será aviso.
Kanzaki avançou.
Mas Raizen recuou para a névoa.
Desapareceu com os poucos homens restantes.
Ren sentia o sangue ferver.
— A gente devia ter ido atrás!
Kanzaki limpou a lâmina.
— Não.
— Ele matou gente!
— E quer que você morra também?
Ren ficou em silêncio.
Kanzaki olhou para o horizonte.
A guerra agora era inevitável.