Capítulo 14
A poeira ainda flutuava quando a energia explodiu.
As espadas estavam travadas.
Metal rangendo.
Os rostos dos dois a centímetros.
O chão sob os pés deles afundava lentamente com a pressão absurda que emanava de seus corpos.
Mas agora… algo mudou.
A aura de Raizen começou a se expandir.
Não era apenas energia bruta.
Era densa.
Escura.
Como fumaça viva.
Ela escorria da pele dele, envolvia os ombros, os braços, a lâmina. Pequenas fissuras negras se formavam no chão onde seus pés tocavam.
— Você ainda está segurando — Raizen murmurou.
Kanzaki não respondeu.
Mas seus olhos mudaram.
A pupila se estreitou.
A respiração ficou mais profunda.
E então—
A energia dele emergiu.
Diferente da de Raizen.
Não era caótica.
Era limpa.
Branca com tons azulados.
Mas pesada.
Imensamente pesada.
A pressão espiritual se espalhou pelo campo.
Sacerdotes caíram de joelhos.
Soldados da Igreja tiveram dificuldade para respirar.
Até os Kurogane sentiram.
Ren sentiu o peito apertar.
— Isso… é o poder real dele?
Aoi não desviava o olhar.
— Ele nunca usa isso na vila.
No centro da cratera…
As duas auras colidiram.
Luz contra escuridão.
Não como bem contra mal.
Mas como duas forças absolutas.
O ar vibrou.
E então—
Kanzaki empurrou.
Uma explosão branca atravessou o campo.
Raizen foi lançado para trás, atravessando três casas abandonadas antes de parar no meio da rua principal.
Madeira estilhaçada.
Fumaça.
Silêncio por meio segundo.
E então Raizen saiu dos escombros rindo.
Sangue escorrendo da testa.
— ISSO! — ele rugiu. — É isso que eu queria!
Ele ergueu a espada para o céu.
A aura negra se condensou.
As runas da lâmina começaram a brilhar em vermelho escuro.
O chão ao redor dele começou a rachar como se estivesse sendo esmagado por algo invisível.
— Técnica Kurogane… Domínio do Abismo.
A sombra sob os pés dele se espalhou.
Como tinta viva.
Ela avançou pelo chão da vila, criando uma zona escura onde a luz parecia enfraquecer.
Dentro daquela área, a presença de Raizen dobrou.
Triplicou.
Ele desapareceu.
Instantaneamente.
Ren arregalou os olhos.
— Ele sumiu?!
Não.
Ele não sumiu.
Ele estava rápido demais.
Raizen reapareceu atrás de Kanzaki.
Golpe descendente carregado de energia negra.
Kanzaki girou no último segundo.
Bloqueou.
Mas dessa vez foi lançado violentamente contra a igreja.
A parede de pedra rachou com o impacto.
Antes que ele pudesse se recuperar—
Raizen já estava acima.
Espada envolta em sombra comprimida.
Ele desceu como um meteoro.
Kanzaki ergueu a mão livre.
Um selo espiritual se formou instantaneamente no ar.
— Barreira da Aurora.
O impacto foi monstruoso.
A explosão abriu uma cratera ainda maior.
Metade da praça central desapareceu.
Mas Kanzaki estava lá.
Ajoelhado.
Segurando o golpe.
Sangue escorrendo do canto da boca.
Raizen pressionava a lâmina com ambas as mãos.
— Você não pode proteger tudo!
Kanzaki respondeu com voz baixa, firme:
— Eu não preciso proteger tudo.
Ele empurrou.
A barreira explodiu para fora.
Raizen foi arremessado dezenas de metros.
Mas se estabilizou no ar.
Sim.
No ar.
A energia negra o sustentava por instantes.
Ele pousou pesado.
Sorriu.
— Então vamos parar de brincar.
Ele cravou a espada no chão.
A sombra se condensou em pilares negros que surgiram ao redor da vila.
Quatro.
Como torres.
Cada uma pulsando energia densa.
A pressão aumentou drasticamente.
Os soldados começaram a cair.
Sacerdotes perderam consciência.
Ren quase caiu de joelhos.
Aoi segurou ele.
— Não olha direto… respira.
No centro daquilo tudo…
Kanzaki fechou os olhos.
Ele cravou a espada no chão também.
Mas diferente de Raizen…
Ele ajoelhou.
As mãos se juntaram em um selo.
O ar ficou silencioso.
O vento parou.
A energia branca começou a subir como chamas invertidas.
— Arte Sagrada… Forma Suprema.
Seu corpo foi envolvido por luz concentrada.
Não explosiva.
Mas pura.
Os pilares negros começaram a rachar.
Raizen franziu o cenho.
— Você vai usar isso aqui?!
Kanzaki abriu os olhos.
Agora brilhando intensamente.
— Você trouxe isso para minha casa.
Ele desapareceu.
Não rápido.
Instantâneo.
Apareceu diante de Raizen já golpeando.
O impacto partiu o primeiro pilar negro.
A onda de choque foi absurda.
Raizen bloqueou, mas foi empurrado violentamente pelo campo.
O segundo golpe veio antes que ele pudesse reagir.
Uma sequência brutal.
Agora não era troca equilibrada.
Era confronto absoluto.
Raizen rugiu e respondeu com uma explosão negra que rasgou o céu.
As duas energias colidiram no ar.
Uma coluna de luz e escuridão subiu como um farol visível do mar.
A vila tremia.
Casas desabavam.
Ren gritava, mas não ouvia a própria voz.
Aoi observava com os punhos cerrados.
No centro da tempestade…
Os dois estavam ensanguentados.
Respiração falhando.
Armaduras quebradas.
Raizen cuspiu sangue.
— Você ainda acredita neles?!
Kanzaki respondeu:
— Eu acredito nas pessoas que vivem aqui.
Raizen avançou com tudo que restava.
A aura negra começou a se consumir.
Como chama final.
Ele concentrou tudo em um único golpe.
A lâmina envolvida por pura destruição.
— FIM DO ABISMO!
Ele desceu.
Kanzaki não recuou.
Ele ergueu a espada.
Luz absoluta envolveu a lâmina.
— Corte da Aurora Final.
As duas técnicas colidiram.
O som não foi explosão.
Foi silêncio.
Por um segundo o mundo inteiro pareceu parar.
E então—
A cratera central virou um abismo.
Metade da praça desapareceu.
Os pilares negros se despedaçaram.
A energia se dissipou lentamente.
A poeira começou a baixar.
E no centro…
Os dois estavam de pé.
Mas algo havia mudado.
As espadas ainda travadas.
O olhar de Raizen… diferente.
Surpreso.
Kanzaki estava firme.
Mesmo sangrando.
Mesmo exausto.
A lâmina branca havia atravessado a defesa.
Não completamente.
Mas o suficiente.
Raizen cambaleou um passo para trás.
O golpe final ainda não havia sido dado.
Mas estava próximo.
Muito próximo.