CAPÍTULO 68 — NÃO EXISTE MAIS PARA ONDE FUGIR
O PRIMEIRO ATAQUE
O mar não rugiu.
Ele… quebrou.
Um dos tentáculos de Abyssarion se ergueu acima do navio — grotesco, espesso, coberto por aquelas superfícies irregulares onde olhos menores piscavam de forma descoordenada.
E então—
Desceu.
Com violência absurda.
O impacto não foi só físico.
Foi como se o próprio ar tivesse sido esmagado junto.
O convés explodiu em madeira e água.
Cordas se romperam.
Barris voaram.
O navio inteiro inclinou perigosamente.
— SEGURA!
A voz de Veyrion cortou o caos.
Outro tentáculo veio.
Mais rápido.
Mais direto.
Na direção de—
Isamu.
PARALISIA
Ele viu.
Perfeitamente.
Cada detalhe.
A textura grotesca da criatura.
Os olhos.
A velocidade.
O som—
TUM.
Seu corpo…
Não reagiu.
As mãos não se moveram.
A respiração travou.
Seus olhos estavam abertos…
Mas ele não estava ali.
Ele estava em outro lugar.
Sangue.
Corpos.
Aetheryon.
Hikari.
Lysera.
Perdas.
Sempre perdas.
— …
O tentáculo desceu.
Direto.
Sem erro.
E então—
UM DISPARO.
RAVIK
Uma explosão rasgou o tentáculo no meio do caminho.
Fragmentos viscosos se espalharam no ar.
O impacto desviou completamente a trajetória.
O golpe que destruiria Isamu… passou ao lado.
Uma figura caiu ao lado dele.
Arma ainda fumegando.
— Acorda, porra!
Ravik “Deadshot” Kross.
Olhos afiados.
Postura firme.
— Isso aqui não é memória… não é pesadelo!
Ele apontou a arma, disparando novamente contra outro tentáculo que se aproximava.
— É real!
Mais um tiro.
Explosão.
— E se você não se mexer—
Ele olhou rápido para Isamu.
Sério.
Direto.
— Você morre.
Silêncio.
O mundo voltou.
Violento.
Cru.
Isamu respirou.
Pesado.
Mas ainda… travado.
O BANDO ENTRA EM AÇÃO
— POSIÇÕES!
Veyrion avançou.
E o ar ao redor dele… mudou.
O chão do convés se ergueu.
Como se estivesse vivo.
Placas de madeira se moldaram.
Se reorganizaram.
Barreiras surgiram.
— Não deixem ele quebrar o casco!
Outro tentáculo desceu.
Veyrion ergueu a mão—
E uma estrutura densa se formou instantaneamente.
O impacto foi brutal.
Mas o navio não cedeu.
— Ravik!
— Já tô nisso!
Disparos ecoaram.
Ravik não parava.
Cada tiro preciso.
Explosivo.
Mirando articulações.
Pontos vulneráveis.
— Nyra, agora!
— Já era!
Nyra surgiu.
Rápida.
Fluida.
As lâminas em suas mãos cortaram o ar—
E então o tentáculo.
Corte limpo.
Violento.
Ela não parou.
Girou o corpo.
Outro golpe.
Mais profundo.
— Essas coisas não são invencíveis!
Atrás—
Selka se movia entre eles.
Rápida.
Precisa.
— Drogan!
Ela lançou uma pequena seringa.
Ele pegou no ar.
— Usa isso se for atingido!
— Entendido.
Drogan já estava em movimento.
Um tentáculo avançou—
Ele agarrou.
As mãos afundando na carne grotesca.
Os músculos tensionaram.
— HNGH—
Ele segurou.
Impediu o avanço.
— BRAKK!
— TÔ INDO!
Brakk surgiu ao lado.
O martelo gigante levantado.
Pesado.
Brutal.
— SAI!
Drogan soltou no último segundo—
BOOM!
O impacto esmagou o tentáculo contra o convés.
Madeira rachou.
A criatura recuou.
Mas não parou.
Nunca parava.
LORIAN
— NÃO ATAQUEM SEM PADRÃO!
A voz dele foi firme.
Clara.
Sem hesitação.
Lorian avançava.
Movimentos mínimos.
Precisos.
— Ele testa primeiro!
Ele desviou por centímetros de um ataque.
— Os tentáculos não são aleatórios!
Ele olhou rápido ao redor.
— Ele tá medindo alcance, tempo e reação!
— E qual é o plano, gênio?! — gritou Ravik.
Lorian respondeu sem olhar.
— Sobreviver aos primeiros ataques.
Uma pausa.
— Depois… a gente responde.
ISAMU
E no meio de tudo isso…
Ele estava lá.
Parado.
Respirando.
Mas não agindo.
Os sons vinham distantes.
Os movimentos pareciam lentos.
Mas não eram.
O mundo estava acontecendo.
E ele…
Travado.
— …
“De novo…”
Sua mão apertou levemente o cabo da katana.
Mas não puxou.
— “Eu vou fugir…?”
Um tentáculo destruiu parte do convés próximo.
— “De novo…?”
Ravik passou correndo.
Veyrion gritou ordens.
Nyra cortava.
Drogan segurava.
Todos lutando.
— “Até quando…?”
Seus olhos tremeram.
— “Até quando eu vou—”
O MOMENTO
Selka.
Mais afastada.
Tentando alcançar um dos membros.
— Espera, eu—
O tentáculo veio.
Rápido.
Silencioso.
Direto nela.
Ela viu.
Mas tarde demais.
Seu corpo não ia conseguir reagir.
— …
Silêncio.
Um instante.
— Ah…
Ela entendeu.
E então—
Algo cortou o ar.
PÉTALAS
Primeiro…
Vieram elas.
Pétalas.
Leves.
Girando no vento.
Impossíveis naquele cenário.
E então—
FOGO.
Um corte atravessou o tentáculo.
Preciso.
Violento.
As pétalas incendiaram no impacto.
Explodindo em chamas que rasgaram a carne da criatura.
O ataque foi desviado.
O tentáculo recuou.
Selka caiu de joelhos.
Sem entender.
E então—
Ele estava lá.
Na frente dela.
Isamu.
Respiração pesada.
Olhos… diferentes.
Não mais travados.
Não mais perdidos.
Firmes.
Presentes.
Sua katana ainda baixa.
Mas o fogo… ainda queimava nas pétalas ao redor.
Silêncio.
O caos ao redor continuava.
Mas naquele ponto—
Tudo pareceu parar por um segundo.
Selka olhou para ele.
— Você…
Isamu não respondeu.
Seus olhos estavam no monstro.
No abismo.
E dessa vez—
Ele não desviou.
— …
Ele puxou a katana completamente.
A lâmina refletiu o brilho das chamas.
— Eu já fugi demais.
Baixo.
Quase um sussurro.
Mas firme.
E então—
Ele avançou.